<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445</id><updated>2012-01-31T14:44:42.029-02:00</updated><category term='que é nada mais u'/><title type='text'>GrogVille</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>123</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-7066836381302633847</id><published>2012-01-29T05:27:00.002-02:00</published><updated>2012-01-29T05:31:54.796-02:00</updated><title type='text'>A Mentira da Verdade Rege a Floresta  de nosso Mundo de Ilusão</title><content type='html'>Sobre a Realidade nossa de cada dia ilusória.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Nossas vontades mudam as nossas verdades, e toda a vontade é poder, é por isso que a verdade não é o sentido do mundo e das práticas dos homem moderno" Ogro Lunar parafraseando Camões que insiste em tapar o sol da peneira se enganando de que o homem é o que quer ser...leia e reflita:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,&lt;br /&gt; Muda-se o ser, muda-se a confiança;&lt;br /&gt; Todo o mundo é composto de mudança,&lt;br /&gt; Tomando sempre novas qualidades.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Continuamente vemos novidades,&lt;br /&gt; Diferentes em tudo da esperança;&lt;br /&gt; Do mal ficam as mágoas na lembrança,&lt;br /&gt; E do bem, se algum houve, as saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O tempo cobre o chão de verde manto,&lt;br /&gt; Que já coberto foi de neve fria,&lt;br /&gt; E em mim converte em choro o doce canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E, afora este mudar-se cada dia,&lt;br /&gt; Outra mudança faz de mor espanto:&lt;br /&gt; Que não se muda já como soía.&lt;br /&gt; Luis de Camões&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois que assiti Old Boy passei a perceber como podemos ser marionetes condicionados a levar uma vida que acreditamos ser a nossa e na verdade podemos estar simplesmente vivendo em função de algo maior que rege o sistema maquiavelistico de uma força maior de engrenagem principal do sistema...isso fez eu lembrar da letra do manu chao e tentar perceber como agimos no cotidiano e nas nossas transformações de comportamento na sociedade qual forçamos a acreditar que os passos que damos foi de nossa própria decisão(Mentira no mundo de ilusão)&lt;br /&gt; "Tudo é mentira neste mundo, tudo é mentira, a verdade, tudo é mentira eu me digo, tudo é mentira...Por quê será???Mentira o que conhece, Abaixo da escuridão, Mentira o amor, Mentira o sabor,Mentira a que manda,Mentira comanda" Manu Chao&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"O verbal, o visual: seja usando o aparato lingüístico&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;construído através dos séculos, ou os recursos visuais criados&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;ou inventados, a humanidade vem desenvolvendo meios de&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;tentar reproduzir o que seus sentidos captam. Mas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;eternamente a realidade será grande demais." (Dulcília Helena Schroeder Buitoni)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Exemplo na criação literária da persepção homem-sociedade( O Homem social é o próprio Lobo do Homem, que não enxerga além de um palmo além do próprio nariz e que não percebe que alimenta as forças do próprio mal na sociedade)&lt;br /&gt; “A gente comum também tem um lugar nas fantasias de Lúcio Flávio, que um dia quis ser político, mas vê-se arrastado numa roda-viva de crimes, numa corrida onde o carro perdeu o freio. Então a garra de romancista se revela, criando dentro de todo um universo de brutalidade momentos de lirismo compassivamente humano, momentos em que as feras se esquecem de sua pele de lobo e são vistas em sua dimensão profundamente humana, corpo e alma, vontades e ambições humanas que um determinismo inexorável empurrou para a chacina.”Ildásio Tavares&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não somos independentes na sociedade, somos apenas idiotas que se iludem de que somos independentes em sociedade. Nós temos uma grande ilusão que somos o que queremos ser...mas a roda-vida nos prova o contrário...somos parte da engrenagens que movem o mundo, forças estas que são independentes de nossa opinião contrária, forças estas do nosso tão orgulhoso pensamento e sabermos serem suficientemente independentes e que ditam nossas ações no cotidiano...no fim isto é apenas uma parte de um grande ledo engano...nós sustentamos a discordia e a corrupção das forças que operam o sistema...o que faz a engrenagens dessas forças existirem é o mal e o duto dessa energias são as próprias pessoas que realmente se acham independetes, nós fazemos funcionar a máquina de nossa própria destruição...e acontece é que nossos olhosonados a fazer com que não enxerguemos aquilo que chamamos de "Verdade" tentamos nos enganar a vida toda de que não somos responsáveis de fazer esta máquina de destruição do bem da vidamesmo estamos destruindo o amor do mundo para o bem do funcionamento das forças regentes do mundo malígno...isto é a lei dos que ainda não se conveceram que todos nós vivemos num mundo de ilusão, num mundo da mentira e do poder do mal o qual nossa carne e sofrimento, ilusão e alma é o alimento base dessa força...&lt;br /&gt; Quem não se pegou desprevenido pensando e fazendo coisas horrendas que em sã consciência é oposta daquilo acredita que tanto e criticavafeio e desprezível tal sentimento???Eu tenho percebido isso com o sentimento de discórdia na área de trabalho, sentimentos mesquinhos, atrozes e asquerosos ous um contra o outro...uma verdadeira guerra não declarada em que não se percebe diretamente, claramente em palavras mas sim em gestos...já viram alguma vez o espectro do poder do mal através da atitude sibilares das pessoas? O conjunto humano infelizmente é constituído disso e através dessa constatação só nos resta lutar para não dar força a isso dentro da gente, de nosso imaginário tentar propagar a fraternidade e a compreensão mútuaorça da solidariedade e a valorização de nossa vida em combate as forças malígnas que regem desde nosso ambiente social e do trabalho e da família e constitui-se em célular micro-poder que alimenta o sitemaatravés dos códigos de conduta e das leis básicas que constitui a molécula do Macro Poder que rege as forças vitais da Roda Vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=41GRYO2lGCs"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-7066836381302633847?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/7066836381302633847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=7066836381302633847' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7066836381302633847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7066836381302633847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2012/01/mentira-da-verdade-rege-floresta-de.html' title='A Mentira da Verdade Rege a Floresta  de nosso Mundo de Ilusão'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-3753682212855321421</id><published>2012-01-15T14:25:00.008-02:00</published><updated>2012-01-15T15:15:03.506-02:00</updated><title type='text'>Sexo, Poder e Sexo, Amor, Mulher, Gênero e Diversidade Cultural</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kJDQ1hB9Q7w/TxMAoWlLyCI/AAAAAAAAAoE/mBSE2BApeQk/s1600/luta-jaco-e-o-anjo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 335px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697898646810118178" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-kJDQ1hB9Q7w/TxMAoWlLyCI/AAAAAAAAAoE/mBSE2BApeQk/s400/luta-jaco-e-o-anjo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao som de Rita Lee, em Sexo e amor e Amparo Ochoa, Mujer de 26 Anõs.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Peço Licença as Camaradas moças e mulheres para expor minha interpretação do tema exposto neste artigo, peço também uma certa flexibilidade na interpretação já que &lt;a href="mailto:tod@s"&gt;tod@s&lt;/a&gt; somos fadados a limites e erros de interpretação da realidade tanto no seu todo quanto no individual...espero de alguma maneira contribuir com a abrangencia de reflexão nada mais que isso....Obrigado e força! A Luta Segue!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desculpe-me se der a entender que vou sair do assunto, mas a intenção é apenas tentar extender a discussão...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A Mulher** curte mais a nudez(A própria nudez) que o homem isto é fato…é como se ela estivesse sob a reação de uma droga!Lisergia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já as revistas de nudez são realizados(Produção fotográfica, autorealização de diva) por homens efeminados geralmente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Então daí acho ser uma chave interessante de discussão de como a nudez e autorealização feminina poderia existir sem se manter no moralismo a-moral, glamourização, luxuria e sujeição de objeto-mercado na industria capitalista de alienação feminina.&lt;br /&gt; mas simplificando a questão porno-erótico, o erótico é mais feminino, devido aos mergulhos interioranos da investigação feminina frente a parte sensorial do universo que ela identifica seu útero como parte central do universo-vida e o que está em volta as forças gravitacionais…mulher pelada…o universo das percepções das sensações que gira em torno da ideia de beleza da vida em detalhes, lisérgico no mínimo… Como seres humanos somos presos e escravos da idéia de estética graças a devoção de nossa interpetação das coisas na vida pelo simbolismo ou para não confundirmos isso com a corrente literária podemos entender como Simbologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o porno é mais escroto…pois o porno anda em parâmentros obscuros do imaginário masculino já que els mistura a ideia de sexo com poder…&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A questão é mais polêmica no trato do seguinte: Nas revistas masculinas, e nos filmes o objeto é a nudez feminina(A Presa), mas se você prestar atenção o homem sensível da câmera(ou como antigamente da Pintura) e posteriormente os “leitores” ignóbeis, o homem tem a tendencia não confessa de se projetar no objeto…(isso gera uma luta interna em questão de sexualidade do indivíduo) essa luta interna leva a subjugação como conclusão de sua auto-afirmação sexual onde a imagem do objeto figura-se no seu alheio posterior(Exterior) o qual sua identidade masculina fica resguardada do conflito de seu “Eu” através dessa luta e assim segura de que o objeto e de outrem, e por ordem “Natural” é feminina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí no porno a auto-relização imaginária do eu-feminino do “macho”. Enfim…o porno é mais gay que qualquer luta greco-romana ou esporte de contato como o futebol(A Luta de auto-afirmação de sexualidade, lembram? força, virilidade,subjugação, etc), por isso muitos os homens bradam em gritos histéricos de auto-afirmação desesperada que não são inrrustidos mas sim resolvidos e que “sacanagem é coisa de homem”…não sei se consegui passar o “raciocínio” a vocês…mas graças a universalização da sexualidade, nos encontramos num mundo confuso sobre suas próprias verdades…essa bagunça existêncial que em plena “Modernidade” e descoberta de mais um elemento como o plasma, avanços tecnológico e a ciência e a inteligência distância-se a milhas de distância do maior tabu do plano humano,…sexualidade e a tragédia da sexualidade…cada dia mais ignorante, leitura burguesa hipócrita(ingmar bergman) e ignorável graças a Civilização Moderna do Mundo Inteligênte Ocidental que as porradas faz de bode-expiatório ao mundo oriental como machista, fugindo de sua responsabilidade de troglodita sexual, assume sua máscara de degeneração pregando a mentira repetitiva da ideia e conceito de sexualidade e liberdade contando com o aparato da mídia de mercado sendo os maiores responsáveis diretos na prática do Feminicídio que é tratado por eles que feminicídio é coisa de terceiro mundo e não do capitalismo ocidental. Esse Mercado Midiático e seus defensores que pregam a falsa liberdade acusam de que o feminicídio não é devido a degenaração das relações sociais e da identidade do indivíduo como subprodutos do mundo capitalista, e sim que o feminicídio é praticado por pessoas que tem cultura diferente da deles, eles seria os famigerados orientais, africanos e latimanericanos e asiáticos, e não eles os seres inteligentes e limpos os feminicidas que destroem a identidade de gênero e das relações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo vem destruindo a identidade tanto masculina quanto a feminina em nome do poder sob a bandeira da liberdade (de consumo) tanto é assim que tanto faz, ser o capacho eleito do poder. seja branco, amarelo, velhaco, negro, chicano ou mulher…o poderperpetua-se e é exercido através deles pelo patriarcalismo, seja o objeto do Poder Homem ou Mulher!&lt;br /&gt; Seres humanos comum não tem nenhuma capacidade de ter controle sobre o poder,no máximo tentam fazer uma rede para controlar o poder...mas daí, o poder contagia e propaga-se, alastra e não se contem. O poder tem controle sobre quem o deseja tornando-lhe escravo do poder(Lord of the Rings, filminho inocente e diz tanta coisa sem perceberem)…&lt;br /&gt;Pois o poder tem vida própria e perpetua-se…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Poder não tem Sexo, não tem cara, e o objeto da sacanagem de subjugação somos todos nós! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois todo Poder quer ser no fim é ser exercido e cultuado, seja quem seja o objeto que lhe dê asas para existir sem rédeas, sem freios, e sem controle….&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fodem Homens pelo poder! &lt;br /&gt;Fodem Mulheres pelo amor de serem amadas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar é diferente de poder…amar é belo!&lt;br /&gt;Poder é feio!&lt;br /&gt;Pensar é poder...de oprimir! &lt;br /&gt;Através desse pensar...chega-se a ideia do poder que segrega-se dos demais, do comum, tratando-se como excepcionais. Tenho pavor do discursso dessa falsa inteligência que se tornou a moda das rodinhas verbo-masturbatórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, o mais Inteligente sempre é mais igual que os outros que são os comuns! Daí vem a segregação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexo e Sangue é poder e tudo volta gênese das coisas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense nisto!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;**Mulher que eu faço a referência aqui são Mulheres Maduras, pois as jovens tem a tendencia de tratar da ideia de liberdade com modismo ideológicos já que ainda não tiveram oportunidade de “Rodar” o mundo e a vida e obter conceitos com suas inúmeras matizes de ideias de juízo diverso em cada cultura e povo, julgamento e moral. Deixo aqui a letra da Música de Amparo Ochoa e o link da Música.&lt;br /&gt; O Sítio onde saquei a letra tem outras letra e música sob tema “Mulher e a Luta – Canciones para Reflexionar”.Pesquise no link:&lt;br /&gt; http://www.mujeresnet.info/seccion/cancionreflexionar.html&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;MUJER DE 26 AÑOS AMPARO OCHOA&lt;br /&gt; http://www.youtube.com/watch?v=fgH3xMSGbcI&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mujer de 26 años&lt;br /&gt; ya ha madurado tu cuerpo&lt;br /&gt; y es tu afán grande en la vida&lt;br /&gt; buscar esposo perfecto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tienes un novio arquitecto&lt;br /&gt; y te dice tu intelecto&lt;br /&gt; que aunque no te llene el alma&lt;br /&gt; sabrá ponerte en tu puesto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y en el pueblo de aquel donde saliste&lt;br /&gt; habrá boda en el ‘Club de los Rotarios’&lt;br /&gt; tu padre feliz te dedica un brindis&lt;br /&gt; y tu madre fiel te reza un rosario. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y tú no sabrás por qué te casaste&lt;br /&gt; pero el tiempo ya tuvo su contraste&lt;br /&gt; y tu fin social ya tú lo cumpliste&lt;br /&gt; y el ‘San Juan Start’ llevará tu parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mujer de 36 años&lt;br /&gt; ya se te olvidó aquel parte&lt;br /&gt; y el amante que negaste&lt;br /&gt; lo recuerdas cada tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era por cierto un desastre&lt;br /&gt; pero te dice tu cuerpo&lt;br /&gt; que quizá te hubiera dado&lt;br /&gt; un vino de amor a tiempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y volviste a ver si por coincidencia en&lt;br /&gt; el club social con él te tropiezas&lt;br /&gt; pero el tiempo que es tu buen compañero&lt;br /&gt; del amor aquel se llevó el desvelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y aunque tú no sepas que estás viviendo&lt;br /&gt; se te está sirviendo y estás comiendo&lt;br /&gt; y aunque ya tu dicha no importa nada&lt;br /&gt; en tu vida está ya determinada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mujer de 40 años&lt;br /&gt; busca en la piel de tu hija&lt;br /&gt; aquel sueño que tú en junio&lt;br /&gt; mataste en tu pueblo viejo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Déjala tener amores&lt;br /&gt; aunque es posible que llore&lt;br /&gt; más vale vivir llorando&lt;br /&gt; que morir sin saber cuando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como aquella vez en tu pueblo viejo&lt;br /&gt; que hubo boda en el ‘Club de los Rotarios’&lt;br /&gt; que tu padre feliz dedicó su brindis&lt;br /&gt; y tu madre fiel te rezó un rosario. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y aunque tú no sepas que estás viviendo&lt;br /&gt; se te está sirviendo y está comiendo&lt;br /&gt; y aunque ya tu vida no importa nada&lt;br /&gt; en tu hija está apenas comenzada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y con el recuerdo de tu pasado&lt;br /&gt; déjala que viva y échate a un lado&lt;br /&gt; para que otro junio en tu pueblo viejo&lt;br /&gt; en el ‘Club Rotario’ no haya otro entierro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-3753682212855321421?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/3753682212855321421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=3753682212855321421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/3753682212855321421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/3753682212855321421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2012/01/sexo-poder-e-sexo-amor-mulher-genero-e.html' title='Sexo, Poder e Sexo, Amor, Mulher, Gênero e Diversidade Cultural'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kJDQ1hB9Q7w/TxMAoWlLyCI/AAAAAAAAAoE/mBSE2BApeQk/s72-c/luta-jaco-e-o-anjo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-8467064538062257368</id><published>2012-01-08T14:40:00.006-02:00</published><updated>2012-01-08T22:57:58.304-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que é nada mais u'/><title type='text'>Combate aos Afrikanes de Oraina! Viva Malema!</title><content type='html'>Orania:Uma comunidade de Racistas que praticam HOH! QUE NOVIDADE ambientalismo, sãoconsumidores de alimentos orgânicos, escravocratas, organizama Milícias PARAMILITARES NEONAZISTAS NA ÁFRICA DOUTRINANDO SEUS FILHOS DESDE PEQUENOS A SE TORNAREM SOLDADOS CONTRA OS NATIVOS AFRICANOS E COMUNISTAS QUE LUTARAM CONTRA OS MESMOS RACISTAS BOER DO APARTHEID!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BFWEtdZ5TWA"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Multimedia: Afrikaner Blood (ENGLISH SUBTITLES) &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BFWEtdZ5TWA"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=BFWEtdZ5TWA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://why-we-are-white-refugees.blogspot.com/2011/11/afrikaner-blood-white-south-africans.html"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;http://why-we-are-white-refugees.blogspot.com/2011/11/afrikaner-blood-white-south-africans.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Afrikaner_Commandos2.JPG"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Afrikaner_Commandos2.JPG&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 0);font-size:180%;" &gt;&lt;strong&gt;Combate aos Afrikanes de Oraina! Viva Malema!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vou ter muito cuidado com erros de grafia e de digitação...então paciência e&lt;br /&gt;não ligo se me chingarem...eu sei que o mais importante e se fazer comunicar, seja&lt;br /&gt;por sinal de fumaça, seja como der...engraçado que sempre ví que a mídia difunde ser normal que Neonazistas vindo da europa propaguem a superioridade&lt;br /&gt;branca no mundo e inclusive de populações majoritariamente composta de aborígenes negros, asiáticos,países do pacífico e que com isso tenha direito as terras ancestrais, no caso assim como nova zelândia e austrália, e no caso que aqui neste texto trata da terra de&lt;br /&gt;sulafricanos, que eles tenha submetidos a sua disposição de empregados nativos como escravos como no caso os que mataram o fünher dos boerês afrikanes, Eugene Terre&lt;br /&gt;Blanche(Que foi tarde, despachado como cão de índio!)...Mas quando se trata de um líder negro como &lt;a title="Julius Malema" href="/wiki/Julius_Malema"&gt;Julius Malema&lt;/a&gt; ; que propôs uma autodefesa aberta aos seus algozes invasores colonos que ocupam a terra de nativos pela força organizada de bala, ...Malema Lider e ex presidente &lt;a title="African National Congress Youth League" href="/wiki/African_National_Congress_Youth_League"&gt;African National Congress Youth League&lt;/a&gt; em tempos de uma guerra civil de uma juventude guerreira seja menos tolerada por pseudos "Moderados" e "intelectuais" via-ocidentais (como aqui no brasil também em relação a papagaiada Integralista do braço forte da Nação mestiça que defende "Raça Única em combate aos Negros, vertente forte da organização é o norte amazônico)&lt;br /&gt;uma juventude guerreira menos tolerada por este formadores de opnião acadêmica e difuseres de valores no mundo ocidental sejam negligentes e até hostis aos direito de lutar pela sua terra quando eles decidem afirmar seu direito de se defender e expulsar e matar aqueles&lt;br /&gt;malditos que pregam sua subjugação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda constituição democrática garante que os naturais da terra ou de seu país podem usar o recurso da violência para se defender de quem nos agride e de quem nos usurpa e subjuga!&lt;br /&gt;A Juventude de Malema da ANC  foi condenada de crime de ódio por srem o povo Revolucionário!&lt;br /&gt;A Juventude de Malema foi e está sendo condenada porque  é Comunista e é popular!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse como tentam desqualifica a sua luta dessa juventude taxando de racistas, uma luta justa deste o apartheid, eles podem se condenados de crimes de ódio mas os neonazis podem agir lá naturalmente porque é natural brancos ser racistas?&lt;br /&gt;Então qualquer defesa e ataque que esta juventude e povo socialista faça contra seus inimigos e aos apoiadores do movimento paramilitar neonazista africano é considerado uma agressão racista anti-branco?&lt;br /&gt;Então agora os brancos estão adorando (Virou moda na europa o termo racismo anti-branco produto eleitoral dos partidos da extrema direita que vem usando isto como slogam e usado a velha e usual e conveniente psicologia de acusar a vítima!)a usar o termo de racismo anti-branco porque os que não são brancos estão dando o troco de sua violência, opressão e subjugação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só Palhaços aceitam esta lorota que o neonazismo mundial vem difundindo nas redes de mídia e até em universidade de "Racismo-Anti-Brancos!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matamos quem nos mata!&lt;br /&gt;Matamos quem nos rouba!&lt;br /&gt;Matamos aqueles que respeitam mais seus cães adestrados para comer crianças de nativos como petisco da tarde...de que o que respeita menos a vida de um ser humano...principalmente aqueles que não tem condições e preparos a se defender de grupos militarmente organizados para matar e desestruturar um governo popular e uma nação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é uma pessoa da classe dominante que se por acaso for racista, então vão mata-los sim! E além disso escalpela-los!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E não adianta inverter que a culpa é da vítima...se faz de idiota quem quer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mataremos  o máximo que derem seus patifes com mania de serem deuses...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (existe judeus que não são Falashas mas são judeus brancos  e outros brancos que são apoiadores da resistência da ANC de Malema e de outras organizações, se odeiam só pelo fato de serem brancos porque aceitam apoio? Porque não são boeres...seus merdas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orania:Uma comunidade de vegetarianos,&lt;br /&gt;ambientalistas, escravocratas, racistas e nazistas???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou provocar ainda mais..."Quer dizer&lt;br /&gt;que a dádiva do racismo é natural do homem Branco?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é absurdo e ilógico racionalmente somos todos iguais na estupidez e em outras desqualificações humanas..sendo que&lt;br /&gt;por si só tal afirmação de que só brancos podem ser estúpidos e racistas e o&lt;br /&gt;escambau é de  desqualificar que o restante da humanidade não é dotado de cérebro, e&lt;br /&gt;de coração humano e que os não-brancos não podem ser estupidos também...isso é o cúmulo do&lt;br /&gt;racismo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defesa de identidade e de raízes, cultura e memória não é apenas&lt;br /&gt;direito é um dever de quem não é marionete no meio do senso comum...agora&lt;br /&gt;utilizar isso para agredir quem não está provocando é um erro consciênte, sádico e bestial...o&lt;br /&gt;processo revolucionário da africa da sul não pode jamais tolerar que os boeres&lt;br /&gt;exijam mais direitos de que os negros...primeiro que os "colonos" são&lt;br /&gt;invasores e paramilitares...acreditavam que alí, adquirindo a terra um dia descobrissem que tinha&lt;br /&gt;petróleo ou diamante sob seus pé e etc...ou simplesmente para exercer poder sobre quem els julgam serem inferiores...exercer o poder...isso é tnebroso se você viajar onde pode chegar isso numa mente de Desequilibrados-Consciêntes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo canto do planeta onde foram os brancos...me digam se eles não fizeram esta merda de supremacia white?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caipiras burros que foram pra australia Dizimaram todo povo aborigenes donos da&lt;br /&gt;terra, assim como os norteamericanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que eles não mataram queriam escraviza-los para trabalharem de graça e assim acumular a riqueza que este povo ostenta até hoje por dinastias de expoliação, roubo, saque em rios de sangue... Riqueza de muito trabalho digno sim, dessa digna fonte de genocídioe mantida de outras formas mas quase toda a riqueza acumulada desse povo, tudo mesmo tem o sangue de outros povos de outras culturas nas mão dos brancos, esta foi a estória de todas a nações europeias antes de começarem a encher o saco em outros lugares impreguinando com sua sanha dos infernos...infernos que muitas populações só passaram a conhecer o que els chamam de "homembranco vem aí!"...&lt;br /&gt;ESTOU MENTINDO????&lt;br /&gt;Compraram orania?&lt;br /&gt;de quem?&lt;br /&gt;Quem vendeu Orania pela mixaria de&lt;br /&gt;200.000.00???&lt;br /&gt;(estou lembrando da venda dos estados mexicanos aos estados unidos, outra paiada sem graça nenhuma a nossa vulgar inteligência como dizem e adoram encher suas bocas moles e podres de abutres que são "mentalidade de subespécie típico de Subdesenvolvidos e Terceirosmundistas!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai tirar com a inteligência e bom senso de outros da sua laia como faziam aos seus semelhantes que eram autoctones e autonomos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orania não é taberna de vocês para entrar e sair como quiserem é terras dos outros,  de nativos que vocês covardemente mataram&lt;br /&gt;Afrikanes????Hoalandeses e Alemães?...afrikanes? Vão tomar no cú, vocês não são africanos...afrikanes e do ralo da europa que vocês se orgulham tanto de dizerem ser civilizados e ricos....o que voc~es foram fazer onde vive pobres, e sujos e feios como vocês afirma? Subespécies? o que vocês acham que são? Não são nada não são africanos, não são norteamericanos, não são australianos, nem neozelandeses, não são das guianas...vocês não são nada além de chatos e cranco de porcos...voltem para seus povo supeiror não se misturem conosco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devolvam nossas terras e o bem que vocês sacaram das nossas costas! bandidos!Brancos racistas e bandidos! Ladrões!&lt;br /&gt;Estelionatários e usurpadores!&lt;br /&gt;Vamos acabar com vocês de uma maneira mais simples miscigenando a todos vocês, nossos genes são forte e sempre fica mais forte nossas caracteristicas...nunca perceberam???Indios, negros, asiáticos? Sempre os olhos puxados, amendoados????&lt;br /&gt;Caras, nem suas mulheres os suportam!&lt;br /&gt;Quando vocês desconfiam que elas não o suportam...chantageam e vocês as matam para elas&lt;br /&gt;não ficarem com não brancos que são mais uma mistura de um monte de outros e variados tipos de brancos que atingamente vocês adoravam se matar...Lembram de roma, turcos, celtas, bárbaros, normandos, tudo uma linhagem diferente...vocês se acham Brancos???Brancos de medo...é asim que vocês funcionam a religião do medo e do pavor, da repressão emotivas... e quando não-brancos não querem currar essas mulheres elas&lt;br /&gt;se tornam mais racistas que os patetas chifrudos dos homens de suas&lt;br /&gt;comunidades, afinal..desprezo é foda para qualquer um mas para as principais responsáveis pela perpetuação da vida é pior...não sei porque já é suficiente que elas saibam e tirem suas próprias conclusões...seus imbecis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A COMUNIDADE DE NAZISTAS EM ORANIA E EM OUTRAS NA&lt;br /&gt;AFRICA TEM QUE SER ANIQUILADA!&lt;br /&gt;A INSIGNIA LEGADA DA BANDEIRA DE LUTA DA JUVENTUDE POPULAR REVOLUCIONÁRIA E COMUNISTA AFRICA LEVANTADA POR MALEMA  É Kill the Boer!!!!&lt;br /&gt;ENTÃO TODOS TODOS CANTEMOS A ESTES FILHOS DA PUTA Kill the Boer!!!!&lt;br /&gt;"Shoot the Boer" song...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-8467064538062257368?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/8467064538062257368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=8467064538062257368' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/8467064538062257368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/8467064538062257368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2012/01/combate-aos-afrikanes-de-oraina-viva.html' title='Combate aos Afrikanes de Oraina! Viva Malema!'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-9077451163109609430</id><published>2012-01-08T14:20:00.003-02:00</published><updated>2012-01-08T14:38:50.885-02:00</updated><title type='text'>Norte AmeriKKKanos não são estúpidos!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_XIrfwSK2YU/TwnGMngRJ8I/AAAAAAAAAn4/4e8MuQ_tpVU/s1600/Ted%2BGeorge%2BGoertzel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 300px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695301123851757506" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-_XIrfwSK2YU/TwnGMngRJ8I/AAAAAAAAAn4/4e8MuQ_tpVU/s400/Ted%2BGeorge%2BGoertzel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Faz Dez Anos que participei deste debate histórico na FFLCH onde foi Foi&lt;br /&gt;convidado nada mais nada menos pelo (Des)orientador Trotskista Oswaldo&lt;br /&gt;Coggiola.O estadunidense que deu a palestra na U$P o nome do tosko que usa&lt;br /&gt;dinheiro publico brasileiro até hoje enquanto um monte não passa na peneira&lt;br /&gt;mafiosa da oligarquia acadêmica pública para promover seus trabalhos de&lt;br /&gt;laboratório asseptico de "conhecimentos evoluidos e civilizatórios da nação da&lt;br /&gt;democracia e da liberdade" é Ted George Goertzel (A direita, o "biógrafo" norteamerikkkano de Fernando Henrique Cardoso).&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Artigo sobre o evento vaino link abaixo, não perca e arquive:&lt;a href="http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2002/jusp615/pag13.htm" rel="nofollow" target="_blank"&gt;http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2002/jusp615/pag13.htm&lt;/a&gt; A&lt;br /&gt;jornal Falha de São Paulo dá maiores detalhes sobre o livro que ele escreveu que&lt;br /&gt;nada mais é que uma biografia publicitária sobre esta múmia que representa a&lt;br /&gt;classe mais podre da sociedade brasileira.O Moralismo, economia, mentes,&lt;br /&gt;justiça, cultura, o roubo, tudo no mundo passa pelo filtro e aval desta&lt;br /&gt;sociedade que nos policia atualmente dia-noite, a sociedade de gangues&lt;br /&gt;estadunidense.Engraçado, a veja e Falha de São paulo deu um puta aval&lt;br /&gt;propagandeando este deserviço..ops..."divulgando" e agora que saiu a&lt;br /&gt;"Privataria" era de se esperar que descecem o sarrafo e promovessem o&lt;br /&gt;linchamento público e levantassem uma muralha de contra-argumentações&lt;br /&gt;sofistas. Nela, sua melhor extesão em outros países são a Cla$$e Média&lt;br /&gt;(que vai a Disney) a Média Alta (Que vai a New York e ia ao festival Mardi Grás&lt;br /&gt;em New Orleans antes do Katrina) que propaga através de costumes alimentícios,&lt;br /&gt;cultural, economico e o pior de todas, o raciocínio e a moral. Sempre&lt;br /&gt;falei de uma palestra que assisti no auditório da FFLCH, um sobre um&lt;br /&gt;Estadunidenses que estava divulgando o livro que ele tinha escrito: Uma&lt;br /&gt;Biografia sobre Fernado Henrique Cardoso.Durate o debate, existia muita&lt;br /&gt;participação acalourada, pois era tamanho sa sandices que o cara falava que ele&lt;br /&gt;chegou a falar a típica platéia da FFLCH que "nos, latinos, não ía-mos evoluir&lt;br /&gt;porque tinha-mos uma visão muito romântica das coisas" e por isso não&lt;br /&gt;aceitavamos e criticávamos as privatizações e neoliberalismo.Ví alunos&lt;br /&gt;transtornados de um cara vir dentro da casa deles para chinga-los, os alunos&lt;br /&gt;ficavam com aquela cara de louco e nas pontas dos pés.Eu saí, porque tive&lt;br /&gt;medo de minha reação. Eles se sastifazem de que quando não são os&lt;br /&gt;melhores eles querem ser o melhor dos piores, nunca o meio intermediário,&lt;br /&gt;(nossas crianças são competentes e geniais a ponto de aterrorizar igual e&lt;br /&gt;superiormente a muitos homens maduros e medianos como os terroristas do al Qaeda&lt;br /&gt;e Palestinos) tem que falar deles, figir que acreditamos e nos importamos com&lt;br /&gt;eles, eles odeiam ser ignorados, são capazes de explodir o planeta só para&lt;br /&gt;chamar a atenção. E os povos de todo mundo até os dos ilustres que&lt;br /&gt;preservavam a ferro e fogo suas culturas como dos países do Velho Continente,&lt;br /&gt;Rússia, Oriente-Médio, Asia, e os famélicos da Eurásia que "Comem cultura" estão&lt;br /&gt;se submetendo a imbecialidade destes típicos...sem nada...pobres de&lt;br /&gt;alma... Só que também aí eles perdem também, por exemplo no setor dos&lt;br /&gt;destaque dos piores, os Estados Unidos(da América Anglo-Saxônica, pois o México&lt;br /&gt;também é Estados Unidos, e nós também já fomos, como diz-se no filme de Goddard,&lt;br /&gt;eles não tem nome...são falsários até nisto) ficam para trás na imbecialidade&lt;br /&gt;por países que formaram colônias de imigrantes ingleses, no continente Afrikano,&lt;br /&gt;Índia, Asia, e o de grande destaque é a Austrália que fez uma Colonização&lt;br /&gt;semelhante a Estadunidense, além de desvastar e aniquilar a população aborígene,&lt;br /&gt;eles fazem Mea Culpa da mesma maneira colocando nomes aborígenes como símbolo&lt;br /&gt;nacional, erguem esculturas, etc. A Austrália São Racistas e Xenófobos&lt;br /&gt;em sua maioria. Mas querem ter o direito de domínios na terra daqueles que eles&lt;br /&gt;odeiam tanto para submete-los a servidão como o das Ilhas como Indonésia, Timor-&lt;br /&gt;Leste e demais dessa região. Teve Olimpiada na Austrália que fiquei&lt;br /&gt;chocado com a cena de um aborígene desenraizado que estava acho que na prova de&lt;br /&gt;salto, ou corrida e ele já contaminado com a cultura dominate do racismo ele&lt;br /&gt;descriminou com seu oponente de prova usando argumentando que ele era inferior&lt;br /&gt;devido seus traços. Estes mesmos imbecis tem uma rixa e ressentimento&lt;br /&gt;muito forte contra a concorrência Estadunidense e seus predecessores, os inglese&lt;br /&gt;do qual eles são um bando de bastardos renegados, despresados e jogados fora&lt;br /&gt;como degredados, na maior situação a população que invadiu a austrália era de&lt;br /&gt;deliquentes presos e desovados naquela nova grande terra de&lt;br /&gt;negróides. Já a Sociedade norte amerikkkana no campo do pensamento e&lt;br /&gt;cultura foi e deve o pouco enriquecimento de pensamento a imigrantes recente que&lt;br /&gt;ajudaram adesenvolvr muitas "pessoas únicas", singulares de personalidade,&lt;br /&gt;geralmente eram imigrantes (Irlandeses, indianos, mexicanos, cubanos, etc) ou&lt;br /&gt;descendentes de escravos, mas mesmo assim estes poucos bons exemplos não&lt;br /&gt;justifica o avanço do pensamento único através principalmente da cultura do&lt;br /&gt;"Quanto mais Idiota Melhor", pois reproduzindo isto nois regredimos e perdemos o&lt;br /&gt;pouco de resto do que nos resta para nossos primos Chipanzés que já provaram ser&lt;br /&gt;mais inteligentes de que muitos humanos como estes aí de baixo no vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cronulla Riots Australias Racist Redneck Shame.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&amp;amp;NR=1&amp;amp;v=nRXbXn9knhk"&gt;http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&amp;amp;NR=1&amp;amp;v=nRXbXn9knhk&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Q-DOGnI4LzY&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=Q-DOGnI4LzY&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-9077451163109609430?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/9077451163109609430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=9077451163109609430' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/9077451163109609430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/9077451163109609430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2012/01/faz-dez-anos-que-participei-deste.html' title='Norte AmeriKKKanos não são estúpidos!!!'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_XIrfwSK2YU/TwnGMngRJ8I/AAAAAAAAAn4/4e8MuQ_tpVU/s72-c/Ted%2BGeorge%2BGoertzel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-5396375865810581839</id><published>2012-01-08T14:18:00.002-02:00</published><updated>2012-01-08T14:20:19.702-02:00</updated><title type='text'>Artigos e Trabalhos do Educador Popular Emilio Gennari</title><content type='html'>Se você puder ler, imprimir, divulgar e "plantar" nas bibliotecas das&lt;br /&gt;empresas destinados aos trabalhadores, faça isso. Apesar de quase todos os&lt;br /&gt;trabalho do Emilio Gennari serem excelêntes, esse é extraordinário! Não se&lt;br /&gt;preocupem não é um texto tecnicista acadêmico ou de jargão viciado dos&lt;br /&gt;sindiquetes politiqueiros...é um texto realista e verdadeiro de que quem lê se&lt;br /&gt;indentifica ou identifica o seu meio e realidade...mas é um texto que te faz&lt;br /&gt;pensar sem ser pretencioso e não daqueles que joga pesado só para te&lt;br /&gt;impressionar e não te falar nada, não joga com palavras empulhativas nem com&lt;br /&gt;verborragias...Extremamente atual a realidade de todos os trabalhadores e&lt;br /&gt;trabalhadores desempregados, da juventude que adentra ao famigerado mercado de&lt;br /&gt;trabalho vendendo sua força e tempo e sacrifícios outros...aos revoltados com os&lt;br /&gt;sindicatos aparelhado de oportunistas que jogam com o sacrificio da luta do&lt;br /&gt;trabalhador por melhorias...recomendado inclusive para quem não trabalhador mas&lt;br /&gt;tem interesse de sair do túmulo da alienação enterrado na consciência de dias&lt;br /&gt;melhores de nossa sociedade... existe mais partes...este é o capitulo base, que&lt;br /&gt;depois de lido você vai ter interesse de proceguir no raciocínio do autor. Assim&lt;br /&gt;você vai querer os outros capítulos e então vai procura-lo na web... a versão&lt;br /&gt;completa está disponibilizado no link que segue....Informações sobre Emílio&lt;br /&gt;Gennari: Emílio Gennari atua como Educador popular e é Monitor&lt;br /&gt;deFormação Política do Núcleo de Educação Popular 13 de Maio(NEP-13). É&lt;br /&gt;autor de vários livros nas áreas de Educação, Sociologia e História.&lt;br /&gt;&lt;a href="https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache:2xewRt5zkakJ:xa.yimg.com/kq/groups/12414397/334795840/name/Da%2Baliena%25C3%25A7%25C3%25A3o%2B%25C3%25A0%2Bdepress%25C3%25A3o%2Bcaminhos%2Bcapitalistas%2Bda%2Bexplora%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bdo%2Bsofrimento.pdf+Da+Aliena%C3%A7%C3%A3o+%C3%A0+Depress%C3%A3o+%E2%80%93+caminhos+capitalistas+da+explora%C3%A7%C3%A3o+do+sofrimento&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;gl=br&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEESjUO7w1N8k3ji48-L_2gEx5BtP8BhIlhvznwXSpJLeIh-NfLV2G8WvPCGIL0oV1uALFK9BKbD2C86QrNlMg8IPRS872d9a37658L622bTIfvIE3IHwG88uBZKCgPBN_VCgNhnrR&amp;amp;sig=AHIEtbTKzVpqiSrJ84pdvAGeoOk5qd0lYw" rel="nofollow" target="_blank"&gt;https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache:2xewRt5zkakJ:xa.yimg.com/kq/groups/12414397/334795840/name/Da%2Baliena%25C3%25A7%25C3%25A3o%2B%25C3%25A0%2Bdepress%25C3%25A3o%2Bcaminhos%2Bcapitalistas%2Bda%2Bexplora%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bdo%2Bsofrimento.pdf+Da+Aliena%C3%A7%C3%A3o+%C3%A0+Depress%C3%A3o+%E2%80%93+caminhos+capitalistas+da+explora%C3%A7%C3%A3o+d&lt;br /&gt;o+sofrimento&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;gl=br&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEESjUO7w1N8k3ji48-L_2gEx5BtP8BhIlhvznwXSpJLeIh-NfLV2G8WvPCGIL0oV1uALFK9BKbD2C86QrNlMg8IPRS872d9a37658L622bTIfvIE3IHwG88uBZKCgPBN_VCgNhnrR&amp;amp;sig=AHIEtbTKzVpqiSrJ84pdvAGeoOk5qd0lYw&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sindicato e organização de base:histórias, dilemas e desafios.&lt;br /&gt;Artigo sindical do Emílio Gennari&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache:6xA0QzOp8kgJ:www.sindojepe.org.br/pdf/olt.pdf+emilio+gennari+CIPA,+primeiros+passos&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;gl=br&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEEShzOAJ67V1QimU5PcVm1R_uqqLzJc4c2j9X85f2le_xc-Rv0LNyJGrlTwaUW5_0Nl891QGKM0sG7XKFZuhbS2rzpHx8G0fS702H828fIH-nUERqzIxMOIjafPwptJV1kC9XhsAl&amp;amp;sig=AHIEtbR74iGhJFMuCwxteRZJWnc53GrEnw" rel="nofollow" target="_blank"&gt;https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache:6xA0QzOp8kgJ:www.sindojepe.org.br/pdf/olt.pdf+emilio+gennari+CIPA,+primeiros+passos&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;gl=br&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEEShzOAJ67V1QimU5PcVm1R_uqqLzJc4c2j9X85f2le_xc-Rv0LNyJGrlTwaUW5_0Nl891QGKM0sG7XKFZuhbS2rzpHx8G0fS702H828fIH-nUERqzIxMOIjafPwptJV1kC9XhsAl&amp;amp;sig=AHIEtbR74iGhJFMuCwxteRZJWnc53GrEnw&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um breve passeio pela História da&lt;br /&gt;Educação&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/029/29cgennari.htm" rel="nofollow" target="_blank"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/029/29cgennari.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixe e leia o Artigo Completo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação em tempos de&lt;br /&gt;qualidade total. 3ª Edição.&lt;br /&gt;&lt;a href="https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache:89ryQqPp7goJ:xa.yimg.com/kq/groups/25203396/2134440802/name/A%2BEduca%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bem%2Btempos%2Bde%2BQualidade%2BTotal%2B-%2B3%25C2%25AA%2BEdi%25C3%25A7%25C3%25A3o.pdf+emilio+gennari+sobre+educa%C3%A7%C3%A3o&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;gl=br&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEESh0KtYJRZCg1yt8uzIDjhM79HV7eUbUE3yPFkdY3w_ALwNE_5eKm66O97Xp-CbYRXLRkDmFoCF1e5T2pmk5ifyoFvH-2_kb2BnpOVHleXlV17pS8LBY52ptK3ffUycVQ-doCFO3&amp;amp;sig=AHIEtbT9O5TQ5_69HloZP3-HYmjkyJJAew" rel="nofollow" target="_blank"&gt;https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache:89ryQqPp7goJ:xa.yimg.com/kq/groups/25203396/2134440802/name/A%2BEduca%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bem%2Btempos%2Bde%2BQualidade%2BTotal%2B-%2B3%25C2%25AA%2BEdi%25C3%25A7%25C3%25A3o.pdf+emilio+gennari+sobre+educa%C3%A7%C3%A3o&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;gl=br&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEESh0KtYJRZCg1yt8uzIDjhM79HV7eUbUE3yPFkdY3w_ALwNE_5eKm66O97Xp-CbYRXLRkDmFoCF1e5T2pmk5ifyoFvH-2_kb2BnpOVHleXlV17pS8LBY52ptK3ffUycVQ-doCFO3&amp;amp;sig=AHIEtb&lt;br /&gt;T9O5TQ5_69HloZP3-HYmjkyJJAew&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Emílio é tão foda que até te ensina a&lt;br /&gt;Pescar... leia o trabalho dele sobre "Dicas para uma análise de conjuntura"&lt;br /&gt;Segue a introdução e o link:Quando abrimos um jornal ou ouvimos um&lt;br /&gt;noticiário, temos a impressão de que o mundo é umaverdadeira bagunça. Os&lt;br /&gt;acontecimentos parecem não estar relacionados entre eles e o seu&lt;br /&gt;caminharaparenta ser tão incerto quando o navegar de uma nau sem&lt;br /&gt;rumo.À primeira vista, a realidade pode ser comparada com um grande&lt;br /&gt;quebra-cabeça cujas peçasamontoadas diante de nós vão compor uma figura&lt;br /&gt;que não conhecemos, que muda com o passar dotempo e que, exatamente por&lt;br /&gt;isso, torna mais difícil o nosso trabalho de separar e classificar as&lt;br /&gt;peçaspara poder começar a montá-las.Às vezes, as dificuldades&lt;br /&gt;desta tarefa nos fazem experimentar um sentimento de resignação ede&lt;br /&gt;impotência diante do quotidiano a ponto de acharmos sem sentido o esforço de&lt;br /&gt;conhecer edesvendar a trama das relações sociais. Estamos tão&lt;br /&gt;conformados com tudo o que passa debaixo dosnossos olhos que acabamos&lt;br /&gt;alimentando a crença de que, um dia, o mesmo acaso que dá vida&lt;br /&gt;aosacontecimentos pode realizar também aqueles velhos sonhos que a dura&lt;br /&gt;realidade vem seencarregando de destruir.As nossas atitudes&lt;br /&gt;mudam quando as injustiças nos deixam indignados, quando o peso&lt;br /&gt;dadominação faz crescer em nós o desejo de construir um mundo sem&lt;br /&gt;explorados e sem exploradores eno qual haja um lugar para todas as&lt;br /&gt;pessoas, sem preconceitos e sem discriminação. Para dar ospassos que&lt;br /&gt;começam a transformar o desejo em realidade, sentimos a necessidade de entender&lt;br /&gt;o queestá acontecendo na vida de todos os dias. Só uma análise profunda&lt;br /&gt;desse quotidiano vai nos ajudar aavaliar cuidadosamente os erros e os&lt;br /&gt;acertos das nossas ações, a ter uma idéia do desenrolar&lt;br /&gt;dosacontecimentos e a levar as pessoas a perceberem que a história não é&lt;br /&gt;obra do acaso, e sim oresultado de ações que respondem a interesses bem&lt;br /&gt;precisos.Neste sentido, a análise de conjuntura é apenas um dos&lt;br /&gt;instrumentos com os quais podemosajudar os trabalhadores e as&lt;br /&gt;trabalhadoras da nossa sociedade a deixarem de ser expectadores que,do&lt;br /&gt;alto da arquibancada da vida, dançam ao som de músicas cujos ritmos e letras não&lt;br /&gt;escolheram,para serem atores que, com a sua classe, constroem uma nova&lt;br /&gt;ordem social.Eu sei que não é fácil analisar e montar as peças que&lt;br /&gt;compõem o quebra-cabeça, mas este é otipo do trabalho do qual não dá pra&lt;br /&gt;fugir. Por isso, o jeito é se armar de paciência, ficar de olhos&lt;br /&gt;bemabertos, identificar cada uma dessas peças e aprender a usar as&lt;br /&gt;ferramentas que nos ajudam aencaixá-las. Por isso, vire logo a página&lt;br /&gt;que as dicas já vão começar.Artigo Completo "Dicas para uma análise de&lt;br /&gt;conjuntura" do Emilio Gennari.&lt;a href="https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache%3AnThIpOO9A4wJ%3Aexneto.files.wordpress.com%2F2008%2F02%2Fdicas-para-uma-analise-de-conjuntura.doc+emilio+gennari&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;gl=br&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEESgFV98M3-GJnWwiaRDiu3zTBQtPb6kotoNPjY145OuBfskkZpGwracLzGonCfwxC97ymH5nv13XJ-65LPe9MBOGvr7imPn3aPMcxtDP3T_iQ65LF1b0TPN3nj3hm7cdJd4Y3tq9&amp;amp;sig=AHIEtbRroXW4p3qhxPoLyefq7v6UrVX8BQ" rel="nofollow" target="_blank"&gt;https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache%3AnThIpOO9A4wJ%3Aexneto.files.wordpress.com%2F2008%2F02%2Fdicas-para-uma-analise-de-conjuntura.doc+emilio+gennari&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;gl=br&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEESgFV98M3-GJnWwiaRDiu3zTBQtPb6kotoNPjY145OuBfskkZpGwracLzGonCfwxC97ymH5nv13XJ-65LPe9MBOGvr7imPn3aPMcxtDP3T_iQ65LF1b0TPN3nj3hm7cdJd4Y3tq9&amp;amp;sig=AHIEtbRroXW4p3qhxPoLyefq7v6UrVX8BQ&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra e traduções completas de Emílio GenariPor CMI - Campinas 08/05/2004 às 14:21&lt;br /&gt;Aqui você pode baixar a obra "EZLN:&lt;br /&gt;passos de uma rebeldia", de Emílio Genari, além das suas traduções completas dos&lt;br /&gt;comunicados do EZLN e de algumas reportagens de 1999 a 2004, e a coletânea de&lt;br /&gt;traduções de 1994 a 1998.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2004/05/279312.doc" rel="nofollow" target="_blank"&gt; EZLN: passos de uma&lt;br /&gt;rebeldia - &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2004/05/279313.doc" rel="nofollow" target="_blank"&gt; Traduções de 1994 a&lt;br /&gt;1998 (coletânea) - &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2004/05/279315.doc" rel="nofollow" target="_blank"&gt; Traduções de 1999 -&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2004/05/279316.doc" rel="nofollow" target="_blank"&gt; Traduções de 2000 -&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2004/05/279317.doc" rel="nofollow" target="_blank"&gt; Traduções de 2001 -&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2004/05/279318.doc" rel="nofollow" target="_blank"&gt; Traduções de 2002 -&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2004/05/279319.doc" rel="nofollow" target="_blank"&gt; Traduções de 2003 -&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2004/05/279320.doc" rel="nofollow" target="_blank"&gt; Traduções de 2004 -&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Emílio Genari é um caso notório de ativista&lt;br /&gt;do zapatismo internacional. Uma das grandes novidades do zapatismo foi colocar a&lt;br /&gt;comunicação, com todas as possibilidades dadas pelas novas tecnologias, no&lt;br /&gt;primeiro plano da estratégia política. Nunca antes os ativistas de um movimento&lt;br /&gt;de massa haviam dedicado tanto tempo e esforço da produção, organização,&lt;br /&gt;disponibilização e circulação de informações. Desde 1999, Genari traduz&lt;br /&gt;todos os comunicados do EZLN e algumas reportagens para o português, enviando&lt;br /&gt;esse material por e-mail e gratuitamente para as pessoas inscritas em sua mala&lt;br /&gt;direta. Além disso ele produz seus próprios textos, publica livros e realiza&lt;br /&gt;palestras. Quem quiser receber as suas próximas traduções, ou adquirir o&lt;br /&gt;material antigo comprando o CD a preço de custo, pode entrar em contato com ele&lt;br /&gt;no e-mail:  &lt;a href="http://br.mc388.mail.yahoo.com/mc/compose?to=emge@terra.com.br" rel="nofollow" target="_blank" ymailto="mailto:emge@terra.com.br"&gt;emge@terra.com.br&lt;/a&gt; No momento&lt;br /&gt;Genari está lançando o livro "A Questão Palestina: da diáspora ao mapa do&lt;br /&gt;caminho", Ed. Achiamé. O novo livro pode ser solicitado à editora:&lt;br /&gt;Robson Achiamé Editor Caixa Postal 50083 Rio de Janeiro - RJ&lt;br /&gt;CEP: 20050-970 Fone/fax: (0xx21) 25.44.55.52 E-mail:  &lt;a href="http://br.mc388.mail.yahoo.com/mc/compose?to=letralivre@gbl.com.br" rel="nofollow" target="_blank" ymailto="mailto:letralivre@gbl.com.br"&gt;letralivre@gbl.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-5396375865810581839?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/5396375865810581839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=5396375865810581839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/5396375865810581839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/5396375865810581839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2012/01/artigos-e-trabalhos-do-educador-popular.html' title='Artigos e Trabalhos do Educador Popular Emilio Gennari'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-6896973646418144656</id><published>2012-01-08T14:07:00.003-02:00</published><updated>2012-01-08T14:16:13.958-02:00</updated><title type='text'>Racismo em Restaurante e Estrangeiros da Copa do Mundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-UKSxoRx9Opc/TwnAqNHXS2I/AAAAAAAAAns/DLX5iXbakew/s1600/expulso.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 250px; height: 168px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695295035094289250" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-UKSxoRx9Opc/TwnAqNHXS2I/AAAAAAAAAns/DLX5iXbakew/s400/expulso.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Recentemente foi publicado no CMI  mais um artigo de mais um infeliz ato de intolerância. Só que dirigido a turistas estrangeiros.  &lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/01/501769.shtml?comment=on#comment"&gt;http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/01/501769.shtml?comment=on#comment&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A questão é que brasileiro só não é racista e xenófobo com estrangeiros europeus, norte-americanos, enfim brancos endinheirados...mas se tratando, de irmãos latinos, africanos e asiáticos são os piores anfitriões que conseguem ser. Eu ja ví voando (Voando mesmo...ciganos portugueses e africanos pela porta de estabelecimento por proprietários bem auto-apresentado em alto e bom som como descendentes de italianos...em São Paulo e em Curitiba...Então...como vamos fazer na Copa ou em outras ocasiões corriqueiras??? Vamos prevenir os turistas não-brancos a virem com airbags portáteis, protetor bocal, uma cara de pau mais resistente a choques ou que deus os abençoe com asas para poderem voar sem se chocar quando forem escarrado de um estabelecimento de carcamanos??? Racismo em Restaurante Faz uns sete ou 10 anos eu já fui barrado na pizzaria URCA(Av Brigadeiro Luís Antônio, 2401- (11) 3289-0456) - Jd Paulista nesta pizzaria talvez por terem confundido eu com eu mesmo!!! ou por ter sido confundido com morador de rua...(Semelhante ao deste caso dos espanhóis e do garoto etíope)e a ferida no meu ser sobre isto TAMBÉM não fechou, acredito que as pessoas não tem consciência do que a vítima de racismo sofre com isso, inclusive ao passar dos anos passei a ter horror a estes tipo de entretenimento e de convenção social, resultado, evito sair para frequentar estes lugares, na época até os dias de hoje a minha vontade de reagir qual reprimi na hora e me arrependi depois de não tê-lo feito de eu ter no mínimo causado um barraco no estabelecimento do gerente racista. Este gerente que adestrou seus funcionários desavisados e desesperados por manter seus empregos mau-pagos mas essencial para garantir seus sustento e que é capaz de sujeitar a reproduzir a violência seletiva. Inclusive na ocasião o gerente que mandou primeiro barrar e depois que viu que eu estava acompanhado com um grupo retardatário(eu acompanho o ritmo da cidade nas minhas caminhadas) basicamente de gringos franceses(éramos seis: 2 brasileiros e quatro franceses)...ele mandou o funcionário me deixar em paz, era a noitinha e íamos jantar uma pasta...logo a seguir o gerente mandou o funcionário que meteu a mão no meu peito e me impedindo de entrar...desaparecer da vista da clientela...pois nós nos retiramos em peso e o francês que nos convidou que morava alí perto num hotel(É tem pessoas que tem condições de morar em Hotel e contar com a mesma comodidade que as pessoas tem garantidas numa hospedagem efêmera) e dava aulas no Licée Pasteur e que era um consumidor fiel deste lugar uma boa grana aí, nunca mais frequentou este restaurante de brasilianos, toskos, burros, grossos e uma mula de ignorantes como muitos que circunda a avenida Paulista e a 9 de julho os caras conseguem serem racistas mesmo tendo clientes e parceiros negros...quer dizer o que mais rola no brasil é o racismo por conveniência...quando é conveniênte ser amante, amigo de negros, tudo bem! Mas quando é conveniente ser racista diante duma clientela que ele acredita serem também(ledo engano, principalmente quando se trata de estrangeiros, e não moradores da redondeza que conheço muito bem, enquanto morei anos na Haddock Lobo)gerente, mas se tratando de descendentes de italianos, a gerência sempre é da mesma família, o que quer dizer que o fruto não cai longe da árvore...ele teve sorte que os franceses não eram os parisienses de gàlere da periferia, lá eles não apenas não tolera este tipo de de coisa como combate também. Já no brasil, em São Paulo, a periferia está assumindo uma postura semelhante só agora que já sente-se a vontade como consumidores da classe média C, então vai um aviso: Vocês que tem este tipo de comportamento é melhor rever seus conceitos pois estamos numa fase que não mais toleramos, a sociedade brasileira esta numa mudança radical em seu modo de comportamento e respeito as liberdades e deveres, somos sujeitos históricos tanto quanto vocês são também e temos consciência disso, e temos consciência que nem tudo conseguimos resolver com a polícia graças a falência dela no que diz respeito a ter consciência e preparo psicológico e técnico de lidar com a questão do crime de discriminação, preconceito e racismo então, nem todos nós vamos recorrer ao meio legalista para resolver estas coisas, então se vocês não reverem seus conceitos em relação a isto vai ter que se preparar em assumir as consequências de seus atos...deixem de ser mimados achando que sempre vocês vão conseguir o que quer po terem dinheiro, dinheiro agora para os outros é o de menos, dinheiro não vai resolver qualquer coisa daqui a uns tempos, pois tem coisa, e atos que dinheiro não paga mais, inclusive indenização...moral e respeito é pra quem tem e faz por merecer, não se conquista respeito através da violência, só conseguimos o temor e o medo...e isto é o cancêr da sociedade moderna. Pense bem, caro empreendedor e clientes! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cordialmente &lt;/div&gt;&lt;div&gt;J.Zacarias &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;PS: Graças a este Infeliz episódio descobrimos logo quando saímos de lá da Urca um restaurante superior em todos os sentidos, a Pizzaria Giovanni( Av. Brigadeiro Luís Antônio, 2609, Cerqueira César B 3285-4231 ), na mesma avenida, com seu Anti-Pasto generoso e jarra de vinho da casa...eles demonstram que ainda existe nobreza de espírito no seu trato tanto no que serve quanto no respeito as pessoas e em não superfaturar em cima de sua excelente iguaria. Parabéns aos ricos de espírito como o da Famiglia do Dom Giovanni! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-6896973646418144656?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/6896973646418144656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=6896973646418144656' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/6896973646418144656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/6896973646418144656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2012/01/racismo-em-restaurante-e-estrangeiros.html' title='Racismo em Restaurante e Estrangeiros da Copa do Mundo'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-UKSxoRx9Opc/TwnAqNHXS2I/AAAAAAAAAns/DLX5iXbakew/s72-c/expulso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-594763328968674618</id><published>2011-09-03T17:34:00.003-03:00</published><updated>2011-09-03T17:51:18.371-03:00</updated><title type='text'>Purple Raze...in memory... - A Morte de Nadine...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--Ce2fwWU6N8/TmKTFnLxkGI/AAAAAAAAAnk/lTU9LaL8stY/s1600/paulo%2Bnadine.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648238607303020642" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 174px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/--Ce2fwWU6N8/TmKTFnLxkGI/AAAAAAAAAnk/lTU9LaL8stY/s400/paulo%2Bnadine.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao som de &lt;a class="elemsug" href="http://letras.terra.com.br/johnny-thunders/1271348/"&gt;She's So Strange&lt;/a&gt; de &lt;a id="identificador_artista" style="COLOR: #b7b700" href="http://letras.terra.com.br/johnny-thunders/"&gt;Johnny Thunders&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/pauloponte/423512015/in/photostream"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Purple Raze...in memory... - A Morte de Nadine...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Era domingo ensolarado perto da represa. Não era o domingo de sempre nesta região pois o sol desinibido assim só se insinuava em três épocas distintas no ano como para que retificar quem manda no pedaço da borda da pizza do nosso sistema planetário, assim como um rei decadente, convalescente e trôpego. Era uma dádiva para os seres que não fossem anfíbios e esses domingos no lago da represa que tinha um charco ao seu redor circundando a parte seca que propiciava devaneios efêmeros. Seria desaforo ficar por fora do espetáculo e não poder compartilhar o manjar aos sentidos que alimentava o espírito e a memória coletiva através de cenas de cores, sensações, calor, sonoridades e frescor.&lt;br /&gt;Si, um verdadeiro banquete sinuoso oferecido pela natureza quando o rei sol demonstrava seus dotes de Maître e dionisiaco da luz, onde ignorar-lo ou não prestigiar tal acontecimento era uma desfeita tal qual o ser ignorante, egoísta estaria condenando-se ao mérito de deslocado do privilégio da passagem na vida. Todos os seres com o mínimo de bom senso participava deste espetáculo a sua maneira, como traçara o destino das forças celestes.&lt;br /&gt;Os humanos por sua vez sem plena consciência participava como por osmose, assim foi com Nadine e seus amigos. As tragédias humanas aparecem as vezes uma pincelada discreta como para dar contraste ou contorno da cena como coadjuvante de primeiro-plano de uma boa tela feita por um verdadeiro artísta de quadro de pintura.&lt;br /&gt;Quando não, um simples figurante, simples, mas essêncial e de não menos valor para existência de uma boa cena. Uma nuvem, sombra, detalhes, simples detalhes, alguém já me disse por aí que o valor das coisas esta nas pequenas coisas, que o segredo da beleza da vida esta nos seus detalhes. Nadine era um destes detalhes que passa desapercebido pelos olhos duros e enferrujados dos humanos e que figurava nesta tela de domingo o qual o sol projetava a cena principal do seu primeiro-plano que era a dança da luz sobre o lago da represa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três amigos da Nadine costumeiramente não perdiam o passeio ao lago da represa desta época do ano, ja que o sol os intimara todos os jovens bobalhões e romanticos a ir prestigiar o espetáculo efêmero da mãe natureza. Mas desta vez um dos três amigos bobalhões e românticos de Nadine não estava com o grupo, algo estava errado, mas isso não os desanimou-os.&lt;br /&gt;Afinal, o sol era o Sol, e celso era apenas o celso.Bobalhão que estava meio confuso e recluso. Depois, seus amigos tirariam chacota dele e usariam o caso do passeio para resgata-lo de seu vagar no abismo de seus tormentos inconfessos. O celso estava nessa onda juvenil de caras que tem vergonha de se ver preso ao peso de uma crise de sentimentos, e neste caso não era tão simples, era paixão. Paixão que ardia por nadine, sua amiga de infância.&lt;br /&gt;-Porra! Putaquemepariu! Logo eu? E agora?Tô fudido!&lt;br /&gt;Bradava inutilmente consigo mesmo.&lt;br /&gt;Celso passava por um bom bocado. Sua cabeça e o resto do seu ser estava uma bagunça só. Sua cabeça, parecia queimar com um barulho inconstante que o assaltara a cada relampejo em seu pensamento de algo que se assemelhava a um assombro. Nadine vinha a sua cabeça e a música desconexa e barulhenta tirava sua respiração de ordem e desalinhava seus pensamentos, o coração descompassava e algo parecia brotar do estomago ao coração, do coração a garganta, da garganta a cabeça, da cabeça algo com todo o barulho do mundo partecia estourar com sensações conjuntas de calor e cheiro que fazia-o fremer sua vista e por vezes lágrimas escorriam espontaneamente em seu rosto ardente, seus olhos pareciam esbugalhar, quase saindo de suas órbitas, com surpresasurpreendia-se neste espaço de agoniatempo-agonia sufocando gritos de desespero e felicidade como que uma felicidade proibida pela sua consciência doutrinada a não ceder aos sentimentos...afinal pecar em pensamento é o pior e o ultimo estágio de qualquer ser que se ver rendido a não ter dominio de sua razão, o tornando inconsequênte de suas ações. Ele sabia que teria de por fim aquela bagunça que encontrava seu ser...sem ter a mínima ideia de como fazer isso e como isso póderia ser possível, estava literalmente tateando outro universo, outro planeta, uma superfície inexplorada até agora por seu ser de jovialidade imbecil e febril. Celso está perdendo a inocência no jardim da vida, que alguns diriam jardim do Édem, está se deparando com sua nudez e um sentimento de repulsa, prazer, mais repulsa e raiva. Esta possuíndo por um amor proibido... uma mistura bizarra de raiva e amor por nadine estava deixando ao ponto de enlouquece-lo. Seu coração e sua vida estava ao dente para servir de prato principal as ironias do acaso do destino.&lt;br /&gt;Não queria ceder, restara-lhe inutilmente lutar contra isto que o atormentava.&lt;br /&gt;Para caras como ele, na idade e fase que desfilava seu vigor, seus sonhos e pensamentos sobre a vida, sentir amor por alguém que a vira sempre e cresceram juntos desde criança era uma sentença de ser tratado como otário edipiano! Pobre diabo...&lt;br /&gt;-CARALHO!?! Como ela popopóode ter feito isso comigo? Como eu pude deixar isso acontecer???&lt;br /&gt;-Meu deus!!! Afasta de mim esse cálice, senhor... Celso inconscientemente ruminava o aprendizado da litania religiosa que agora, só agora parecia haver sentido...e algumas peças vão se encaixado sobre as razões de certas coisas que aprendemos na vida.&lt;br /&gt;Nadine por sua vez não sabia disso, pelo menos tentava dar a impressão que não sabia.&lt;br /&gt;Há! esta sabedoria feminina parecia se divertir em segredo como da agitação da presa de uma aranha tentando se livrar da rede!&lt;br /&gt;Celso estava tão boboca com ela...evitando-a, sendo rispido, etc...&lt;br /&gt;"Não é assim que se trata UMA AMIGA!"&lt;br /&gt;"Deixe-o passar uns bocados... divirta-se e depois corte a linha para aliviar o pobre diabo de sua confusão..."&lt;br /&gt;-Ei! Quem vai perder é você seu tartamugo desaforado! Não se faz isso a um dia tão bonito! Tchau depois te conto o que você perdeu...&lt;br /&gt;Celso não foi...e essas seriam as últimas palavras que ouviria da boca de sua secreta amada.&lt;br /&gt;Nadine não insistiu com celso em ir ao passeio por que ela não queria cometar suas suspeitas sobre o qual celso estava se emaranhando como gato em bola de lã...iria estragar o passeio anual do grupo contado sobre a paixonite de Celso, coitados. Nadine andava sobressaltada com uns ecos das musicas que vem de tempos em tempos em sua cabeça que ela ouvira a uma semana atrás...era de um cd que celso tinha emprestado antes dele resolver enlouquecer ...Johnny Thunders....&lt;br /&gt;"&lt;a href="http://letras.terra.com.br/johnny-thunders/548456/"&gt;You Can't Put Your Arms Around a Memory&lt;/a&gt;???"&lt;br /&gt;Nadine arriscava em cantarolar um possível refrão do que recordava e sem saber porquê gostara...&lt;br /&gt;""&lt;a href="http://letras.terra.com.br/johnny-thunders/548456/"&gt;You Can't Put Your Arms Around a Memory&lt;/a&gt;???"&lt;br /&gt;Uma dessas músicas falava da memória e das coisas que vale apena em armazenar-las, coisas que as vezes não são agradáveis mas que faz parte do existir para esboçar o sentido das coisas agradáveis...essa música principalmente levava os passos da nadine contra o vento fresco a caminho da represa com seus amigos.&lt;br /&gt;Era longa a estrada uns 5 Kilometros de onde partira da pequena cidade...mas todo o seu longo percurso compensava, o dia estava majestoso, qual nesta época as vezes tornava qualquer existência, a vida explendorosa e dignificada...&lt;br /&gt;Eles caminhavam com tanta propriedade e lividez nesse percurso por eles tão trilhados que eles poderiam fazer-lo de olhos fechados...a estrada cortava este caminho em dois...eles iam ao lado direito...onde estava o lago e ondesempre raiava o dia com o sol nascente ...Celso conhecia melhor o caminho pois ele prescutara alí para suas pescas corriqueiras...&lt;br /&gt;-Logo hoje, ele resove não se exibir como pescador... que chatalhão ele está pessoal! comenta em soslaio nadine...&lt;br /&gt;O passar dos carros não eram rotineiros pela estrada do caminho, e este dia não mudara isso, passava como qualquer outro dia. De longe percebece-se a proximação de um...já passara uns seis no intervalo de 8 minutos...&lt;br /&gt;Mas deste carro, não perceberam sua proximidade no raio de três quilometros...ou não deram atenção mesmo...só um carro.&lt;br /&gt;Sim! Só um carro mesmo, um dodge beje ano 72. Só que dentro o Waldir, homem da cidade, a 42 anos, 81 Kilos, recém-divorciado e sem filhos; já que o filho que tanto queria da ex-esposa não poderia ter tanto porque ela não queria tanto porque teria medo de herdar de sua família filhos com problemas genéticos, dois anos desempregado, enuviado, ensebado, barba de uma semana por fazer, molengo em sua cadeira de guia, olhos petrificados e como se engolidos a ver para dentro de sí, mas direcionados para a estrada como como na retidão das linhas que trilhava o seu torpe pensamento , rádio alto cuspindo algum resultado e comentário de um jogo de futebol idiota qualquer que ele não dava a mínima atenção. Estava sem destino certo mas estava indo...isso era só o que importava para ele. O importante era que estava indo...não importava para onde...mas ficar sem caminhar seria pior...&lt;br /&gt;"talvez para cochabamba, para dentro de um vulcão desses indíos..." pensava..."Foda-se! Para qualquer lugar...longe do lugar de antes, serve qualquer lugar que seja distânte...distante da onde? Há! Isso Mesmo! já estou perdendo a trilha! isso mesmo é o que eu preciso! ir apagando o rastro para não ser idiota em voltar e fazer alguma merda pior do que já está cagado..."&lt;br /&gt;Waldir já guiava por três dias sem intervalo razoável...&lt;br /&gt;Do lado direito da estrada a uns 3 quilômetros Nadine ia caminhando com seus amigos e a sua frente, já próximo o lago da represa onde improvisariam um piquenique com algumas coisa trazidos em sacolas de casas e algumas frutas colhidos no meio do caminho por seus amigos e Nadine com alguns ramos de pequenas flores silvestre para enfeitar a toalha-mesa...&lt;br /&gt;Seus amigos deliciavam caminhar com Nadine, ela era daquelas pessoas que deixavam transparecer a música que pensava em seus gestos e falas e seu corpo parecia uma marionite desta beleza das coisas, seguia o ritmado de uma música própria que ela candenciava desprentesiosamente, espontâneo e natural.&lt;br /&gt;Seu ser encantava o canto que dava para nela se ver...&lt;br /&gt;Isso!!!...as vezes para as pessoas, Nadine era música para se ver, os amigos os privilegiados...e Celso...não suportou e abobalhou-se com toda essa ternura...fisrgh!&lt;br /&gt;Nesse momento parece-se que o tempo divorciou-se da lógica da física terrestre...um portal do tempo abriu um buraco...e em questão de milésimos um clarão onde cegou de luz os olhos de todos que piscaram ao mesmo tempo fez parecer tudo misturado e lento com o impacto do clarão da caixa atemporal de pandora no intervalo encandescente do sol, do sorriso da Nadine, o peso da pressão sobre estas coisas no ar e um vento meio que abafado e o suave recobrar auditivo do som da vida xomo ao submergir de um mergulho, ao do longo sorrir da nadine que parecia cuspir uma grande onda do mar que jogava seu corpo para trás com essa força e descompassala como um ébrio de felicidade fútil, um sorriso tão longo quanto seus negros cabelos cacheados que se espalha tão lentamente quase como que varrendo o vento deslizando no ar para fugir do chão que parecia querer tragar para suas entranhas...há salsero do desfile para eternidade da arte da natureza e suas belezas subliminares!!!...tudo isso em três segundos num angulo da sequência de imagens que durou o desenhar do todo deste cenário fantástico.&lt;br /&gt;Três lentos segundos e o tempo volta em breve ao seu curso lógico normal mas só que com pesada sensação de breve e universal mutez...silêncio...&lt;br /&gt;Nesse momento no dodge beje do ano 72 a 80 Km/h, waldir cansado estava longe do controle do seu exercicio de reflexão mental, anestesiado, literalmente dirigindo no piloto automático.A apesar de ser um dia ensolarado Waldir só via nuvens a sua frente. Nem percebeu o que exatamente foi aquele baque ruído do esfarfalhar sob a estrutura mecânica do carro que longinquamente ouvira quando percebeu ter passado por cima de algo ou alguma coisa, saco de lixo, tronco de arvore, pedra, animal ou até mesmo uma pessoa!!! Aí ele despertou de seu coma existêncial assustado...diminuiu a velocidade e olhou primeiro pelo retrovisor e depois inclinou-se para ver atrás pela janela do dodge.&lt;br /&gt;E viu...era um corpo de alguém qualquer que ele atropelou como se fosse o seu próprio ser e assim o despertara da profundeza abissal partiular.&lt;br /&gt;-Merda! Cochilei no volante! Pronto! Agora mais uma cagada pra coleção de minhas merdas. Quer saber? Chega! Merdas à merda enquanto estiver vivo!&lt;br /&gt;Trocou a estação do rádio e colocou numa música que parecia ser um rock dos anos 60, sentia-se vivo novamente, olhou pelo retrovisor e duas pessoas gritando como loucas agachadas em volta de uma pessoa que parecia já estar morta.&lt;br /&gt;-Sinto muito, filhos! A vida não é justa e eu não sou juíz nem superheroi nem socorrista, então...fuuui-se!&lt;br /&gt;Waldir suspirou e acendeu um cigarro com uma longa tragada, olhou o retrovisor novamente e acelerou e foi com forças recobradas , seguindo a estrada desconhecida escutando uma música que até por irônia das coisas viu-se cantarolar...&lt;br /&gt;- Eu já ouvi essa porra em algum lugar"Purple raze..." e aumentou o volume... "...my mind..."&lt;br /&gt;-Nadine!!! Acorde, Nadine!!!&lt;br /&gt;Berrava seus amigos diante do corpo espatifado pelas rodas de um dodge qualquer, de uma pessoas debil mental qualquer...&lt;br /&gt;Berravam e era tudo que poderiam fazer...o pior cego é aquele que não quer enxergar e era mais que visível que Nadine já tinhase despachado deste planeta para qualquer um lugar desconhecido...o doce sorrir de Nadine neste dia tatuou para sempre a memória de seus amigos e de Celso que nem estava presente mas parecia ser o expectador mais onipresente depois dos fatos em que este destino leva também ao charco ao lado do lago da represa.&lt;br /&gt;Entre o asfalto e a terra do caminho do acesso ao lago um quadro pintado com um paralelo transversal com uma disformidade de um borrão da imagem grotesca agora com terra, sangue, ossos, fluídos da maquina assassina e fluídos da maquina da beleza e do amor, o sol secara e sessara seu desfile refletindo nos cachos ainda esvoaçantes ao solo dos cabelos negros e brilhantes de nadine. Efemeride espetáculo do sol "...‎Purple Raze...in memorie... baby!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ogro Lunar. ‎sábado, ‎3‎ de ‎setembro‎ de 2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-594763328968674618?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/594763328968674618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=594763328968674618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/594763328968674618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/594763328968674618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2011/09/purple-razein-memorie-morte-de-nadine.html' title='Purple Raze...in memory... - A Morte de Nadine...'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/--Ce2fwWU6N8/TmKTFnLxkGI/AAAAAAAAAnk/lTU9LaL8stY/s72-c/paulo%2Bnadine.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-6775439711051212591</id><published>2011-02-13T10:58:00.004-02:00</published><updated>2011-02-13T11:09:37.316-02:00</updated><title type='text'>Fortalecer a campanha pela imediata liberdade de Cesare Battisti! - 13 de Fevereiro de 2011</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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A prisão preventiva mantém-se graças às pressões que o governo de Silvio Berlusconi exerce sobre Brasília para que o ex-ativista político seja extraditado para a Itália. Toda espécie de arbitrariedades políticas e jurídicas está sendo realizada para condenar Cesare Battisti por quatro assassinatos que não cometeu. Apesar de Lula ter negado a sua extradição, o escritor italiano ainda é mantido preso, a espera de uma nova e absurda apreciação do Supremo Tribunal Federal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;O ministro relator do caso, Gilmar Mendes, declara agora que “tudo será considerado a seu tempo”, sinalizando que arquitetará novo malabarismo jurídico para prolongar a agonia de Cesare Battisti. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Como lutadores sociais, sabemos que a perseguição ao ex-ativista é, antes de mais nada, um recado àqueles que ousam se levantar contra o regime de dominação e exploração. Na pessoa de Cesare Battisti, buscam punir exemplarmente lutadores de todas as gerações.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Várias entidades, movimentos sociais, organizações políticas, coletivos, ativistas ligados aos direitos humanos e às reivindicações democráticas tiveram a iniciativa de conformar comitês em várias regiões do país a fim de lutar contra a extradição de Cesare Battisti, e exigir - seja do STF ou do Poder Executivo -sua imediata liberdade e concessão de asilo político no Brasil. Apenas uma mudança na correlação de forças poderá acabar com a “fuga sem fim” do escritor italiano. Vários debates e manifestações foram realizados no Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Mas estes foram apenas os primeiros passos de uma longa jornada, para a qual devemos nos preparar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Para os próximos dias, convocamos aqueles ativistas, organizações, movimentos e entidades sindicais que ainda não aderiram à campanha a ingressar ativamente nestas atividades, conforme calendário a seguir:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:11pt;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;b style=""&gt;- Manifestação com concentração no MASP&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;(na sequência caminharemos até o Consulado Italiano, na Av. Paulista)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;18 de fevereiro, sexta-feira, às 17 horas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:8pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;b style=""&gt;- Plenária ampliada com entidades, movimentos e representações políticas:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;19 de fevereiro, sábado, às 15:00&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Espaço Mané Garrincha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;Rua Silveira Martins, 131, sala 11.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:8pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;b style=""&gt;- Saída da caravana a Brasília&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;22 de fevereiro, terça-feira, 16 horas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:8pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;b style=""&gt;- Ato político em Brasília e visita a Cesare Battisti&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 42.55pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:10pt;"&gt;23 de fevereiro, quarta-feira&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:8pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;A liberdade de Cesare Battisti depende exclusivamente de nossa capacidade de luta! Junte-se a nós!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; line-height: normal;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:12pt;"&gt;Comitê Battisti Livre - SP&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; line-height: normal;" align="center"&gt;&lt;img alt="http://brasil.indymedia.org/images/2008/02/412693.jpg" src="http://brasil.indymedia.org/images/2008/02/412693.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;p&gt;O Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti foi formado com o  objetivo de libertar o preso político Cesare Battisti, através de uma  ampla campanha de solidariedade.&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;strong&gt;O contato com o comitê pode ser feito através do sítio:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal; text-align: center;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:12pt;"&gt;&lt;a href="http://cesarelivre.org"&gt;http://cesarelivre.org&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-6775439711051212591?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/6775439711051212591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=6775439711051212591' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/6775439711051212591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/6775439711051212591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2011/02/fortalecer-campanha-pela-imediata.html' title='Fortalecer a campanha pela imediata liberdade de Cesare Battisti! - 13 de Fevereiro de 2011'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-47798571721520375</id><published>2010-12-04T11:52:00.001-02:00</published><updated>2010-12-04T11:55:28.555-02:00</updated><title type='text'>Trechos "La condition Humaine" de André Malraux-1972</title><content type='html'>&lt;img src="file:///C:/DOCUME%7E1/ADMINI%7E2/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot-7.png" alt="" /&gt;&lt;img src="file:///C:/DOCUME%7E1/ADMINI%7E2/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot-8.png" alt="" /&gt;&lt;img src="file:///C:/DOCUME%7E1/ADMINI%7E2/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot-9.png" alt="" /&gt;&lt;img src="file:///C:/DOCUME%7E1/ADMINI%7E2/CONFIG%7E1/Temp/moz-screenshot-10.png" alt="" /&gt;&lt;img alt="http://4.bp.blogspot.com/_UChp-rrzik8/THih2uLnnRI/AAAAAAAAAOI/GOxuGire-_g/s1600/la_chinoise.jpg" src="http://4.bp.blogspot.com/_UChp-rrzik8/THih2uLnnRI/AAAAAAAAAOI/GOxuGire-_g/s1600/la_chinoise.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;Pegou na tigela de Kyo (Kyoshi=diminutivo é Kyo.). O Guarda entrou,  esbofeteu o homem com toda força e saiu levando a tigela, sem uma  palavra.&lt;br /&gt;-Por que não me bateu êle?( A Tigela que o homem faminto  pegara era para Kyo, este um japonês pequeno burguês mestiço que  militava na indochina pela revolução socialista) Perguntou Kyo em voz  baixa.&lt;br /&gt;-Eu era o único culpado, mas não é por isso: você é político, provisório, e está bem vestido. Vai tentar obter  dinheiro de você ou dos seus. Mas isso não impede...espere...&lt;br /&gt;"O  dinheiro persegue-me até neste covil", pensou Kyo. Tal como nas lendas, a  abjeção do guarda não lhe parecia plenamente real; e, ao mesmo tempo,  parecia-lhe uma imunda fatalidade como se o poder tivesse podido bastar  para transformar quase todos os homens em bêstas. Os sêres obscuros que  resmungavam por trás das barras(Grades de ferro), inquietantes como os  crustáceos e os insetos colossais dos sonhos da sua infância, não eram  mais homens que êles. solidão e humilhação totais. "Atenção", pensou,  porque já se sentia mais fraco. Pareceu-lhe que, se não fôsse senhor da  sua morte, encontraria ali o pavor. Abriu a fivela do cinto, meteu o  cianeto no bôlso.&lt;br /&gt;"...(König interrogando Kyo)&lt;br /&gt;König baixou os olhos, ergueu-os de nôvo:&lt;br /&gt;-Tem amor a vida?&lt;br /&gt;-Depende.&lt;br /&gt;-É que se pode morrer de diversas maneiras.&lt;br /&gt;-Pelo menos não se pode escolher...&lt;br /&gt;-Julga que se  escolhe a maneira de viver?&lt;br /&gt;König pensava em si mesmo. Kyo estava resolvido a nada ceder de essencial, mas não desejava de modo algum irritá-lo:&lt;br /&gt;-Não sei. E o senhor?&lt;br /&gt;-Disseram-me que era comunista por dignidade. É verdade?&lt;br /&gt;Kyo  não compreendeu, a princípio. Atento à campainha do telefone,  perguntava a si mesmo o que significava êsse singular interrogatório.  finalmente:&lt;br /&gt;-Isso interessa-o realmente?-Perguntou.&lt;br /&gt;-Mais do que julga.&lt;br /&gt;Havia ameaça no tom, senão na frase. Kyo respondeu:&lt;br /&gt;-Acho  que o comunismo tornará a dignidade possível para aquêles com quem  combato. O que é contra êle, em todo caso, obriga-os a não ter, a menos  que possuam uma sabedoria tão rara entre êles como entre os outros, mais  talvez, precisamente porque são pobres e o trabalho dêles os separa da  vida. Por que fazer-me essa pergunta, visto que não ouve a minha  resposta?&lt;br /&gt;-A que chama dignidade? Isso não quer dizer nada.&lt;br /&gt;O telefone  tocou. "A minha vida", pensou Kyo. König não levantou o auscultador.&lt;br /&gt;- É o contrário da humilhação-disse Kyo...Quando se vem de onde eu venho, isto quer dizer alguma coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pag.  259- liivro "La condition Humaine"  de André Malraux- Setembro de  1972.- coleção dos "Imortais" Livros Vermelhos- editora Abril Cultural.&lt;br /&gt;&lt;img alt="http://iconicphotos.files.wordpress.com/2009/06/2009_04_16_andre_malraux.jpg" src="http://iconicphotos.files.wordpress.com/2009/06/2009_04_16_andre_malraux.jpg" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-47798571721520375?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/47798571721520375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=47798571721520375' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/47798571721520375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/47798571721520375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/12/trechos-la-condition-humaine-de-andre.html' title='Trechos &quot;La condition Humaine&quot; de André Malraux-1972'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UChp-rrzik8/THih2uLnnRI/AAAAAAAAAOI/GOxuGire-_g/s72-c/la_chinoise.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-5339413670260936983</id><published>2010-09-27T12:32:00.001-03:00</published><updated>2010-09-27T12:33:43.716-03:00</updated><title type='text'>Vídeo e Proposta Inicial do CARACOLTEUA no Pará- 2009</title><content type='html'>&lt;h1 style="text-align: center; font-weight: normal; font-family: arial;" id="watch-headline-title"&gt;Proposta Inicial do Projeto Desenvolvido pelo Coletivo Caracol Caratateua ou Caracolteua em Belém do Pará. 2009&lt;br /&gt;&lt;/h1&gt; &lt;h1 style="text-align: center; font-weight: normal; font-family: arial;" id="watch-headline-title"&gt;&lt;span id="eow-title" class="" dir="ltr" title="caracolteua"  style="font-size:180%;"&gt;Caracolteua&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/h1&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;a style="font-family: arial;" href="http://www.youtube.com/watch?v=f7MvENKDsOU"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;O Vídeo é esse aqui!&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Em janeiro de 2009, pessoas de diferentes estados e nacionalidades  se  encontraram em belém, na ilha de caratateua para discutir e começar a   construção de um espaço autônomo e libertário inspirado nos caracóis   zapatistas. os dias mais intensos desse encontro chegaram ao fim no   início de fevereiro mas um grupo de nós decidiu ficar e levar o projeto   adiante: comprar um terreno, organizar espaço, equipamentos e materiais   para darmos continuidade ao processo em julho.&lt;br /&gt;em maio eu voltei pra belém. o terreno já estava comprado e havia  estacas indicando o início da construção do nosso caracol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiradxs  nxs caracois mexicanxs que funcionam como sedes para a  organização de  autogestão em regiões zapatistas de chiapas, pessoas de  vários estados e  países chegaram à belém munidxs de braços, coragem,  sonhos e ousadia  para colaborar na construção de uma sede com  características&lt;br /&gt;autogestionárias e participativas: "um mundo onde caibam vários mundos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              &lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;Fonte Blog da Kit:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img title="terrenocaracolmonica" src="http://cyborgins.files.wordpress.com/2009/05/terrenocaracolmonica1.jpg?w=351&amp;amp;h=469" alt="terrenocaracolmonica" width="351" height="469" /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;        &lt;p class="post-info"&gt;Publicado em &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/category/uncategorized/" title="Ver todos os posts em Uncategorized" rel="category tag"&gt;Uncategorized&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/2009/05/21/76/#respond" title="Comentário para Fotos do mini ajuri em caracolteua"&gt;Deixar um comentário » &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;              &lt;div class="post-74 post type-post hentry category-uncategorized" id="post-74"&gt;     &lt;div class="posttitle"&gt;    &lt;h2&gt;&lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/2009/05/21/74/" rel="bookmark" title="Link Permanente para começos."&gt;começos.&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;     &lt;p class="postmetadata"&gt;21 21UTC maio 21UTC 2009 por &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/author/cyborgins/" title="Posts de cyborgins"&gt;cyborgins&lt;/a&gt;  &lt;/p&gt;     &lt;/div&gt;          &lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;cortar a madeira caída, arrastar até o terreno, cavar buracos, enterrar a a madeira bem fundo e socar a terra.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img class="alignleft size-full wp-image-73" title="terrenocaracolzaca" src="http://cyborgins.files.wordpress.com/2009/05/terrenocaracolzaca.jpg?w=485&amp;amp;h=363" alt="terrenocaracolzaca" width="485" height="363" /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;        &lt;p class="post-info"&gt;Publicado em &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/category/uncategorized/" title="Ver todos os posts em Uncategorized" rel="category tag"&gt;Uncategorized&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/2009/05/21/74/#respond" title="Comentário para começos."&gt;Deixar um comentário » &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;        &lt;/div&gt;      &lt;div class="post-68 post type-post hentry category-uncategorized" id="post-68"&gt;     &lt;div class="posttitle"&gt;    &lt;h2&gt;&lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/2009/05/21/68/" rel="bookmark" title="Link Permanente para Para todos todo, para nosotros nada."&gt;Para todos todo, para nosotros nada.&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;     &lt;p class="postmetadata"&gt;21 21UTC maio 21UTC 2009 por &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/author/cyborgins/" title="Posts de cyborgins"&gt;cyborgins&lt;/a&gt;  &lt;/p&gt;     &lt;/div&gt;          &lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;isaías – companheiro!&lt;img class="alignleft size-full wp-image-67" title="terrenocaracolisaias" src="http://cyborgins.files.wordpress.com/2009/05/terrenocaracolisaias.jpg?w=492&amp;amp;h=371" alt="terrenocaracolisaias" width="492" height="371" /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;        &lt;p class="post-info"&gt;Publicado em &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/category/uncategorized/" title="Ver todos os posts em Uncategorized" rel="category tag"&gt;Uncategorized&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/2009/05/21/68/#respond" title="Comentário para Para todos todo, para nosotros nada."&gt;Deixar um comentário » &lt;/a&gt;&lt;/p&gt;        &lt;/div&gt;      &lt;div class="post-66 post type-post hentry category-uncategorized" id="post-66"&gt;     &lt;div class="posttitle"&gt;         &lt;p class="postmetadata"&gt;21 21UTC maio 21UTC 2009 por &lt;a href="http://cyborgins.wordpress.com/author/cyborgins/" title="Posts de cyborgins"&gt;cyborgins&lt;/a&gt;  &lt;/p&gt;     &lt;/div&gt;          &lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;edmilson. ensinando muito  além dos segredos da terra.&lt;img class="alignleft size-full wp-image-65" title="terrenocaracoledimilson" src="http://cyborgins.files.wordpress.com/2009/05/terrenocaracoledimilson.jpg?w=487&amp;amp;h=364" alt="terrenocaracoledimilson" width="487" height="364" /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-5339413670260936983?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/5339413670260936983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=5339413670260936983' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/5339413670260936983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/5339413670260936983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/09/video-e-proposta-inicial-do-caracolteua.html' title='Vídeo e Proposta Inicial do CARACOLTEUA no Pará- 2009'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-7613365927307862142</id><published>2010-08-25T08:02:00.004-03:00</published><updated>2010-08-25T08:17:12.740-03:00</updated><title type='text'>Emma Goldman (Projeto Proximo Tópico: Introdução por Carlo Romani · Sobre Individualismo e Revolução Social)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THT7rSMlA2I/AAAAAAAAAnI/n3oKJJmqh5M/s1600/Mother+Earth.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 242px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THT7rSMlA2I/AAAAAAAAAnI/n3oKJJmqh5M/s400/Mother+Earth.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509304965218501474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Emma Goldman&lt;/b&gt; (1869 — 1940) foi uma anarquista conhecida por seu  ativismo, seus escritos políticos e conferências que reuniam milhares de  pessoas nos Estados Unidos. Teve um papel fundamental no  desenvolvimento do anarquismo na América do Norte na primeira metade do  século XX. &lt;p&gt;Nascida em Kovno, no Império Russo (atual Kaunas, na Lituânia),  Goldman emigrou para os Estados Unidos da América em 1885 e viveu em  Nova Iorque, onde conheceu e passou a fazer parte do florescente  movimento anarquista. Atraída pelo anarquismo após a Revolta de  Haymarket, Goldman tornou-se uma renomada ensaísta de filosofia  anarquista e escritora, escrevendo artigos anticapitalistas bem como  sobre a emancipação da mulher, problemas sociais e a luta sindical. Ela e  o escritor anarquista &lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/index.php?title=Alexander_Berkman&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1" class="new" title="Alexander Berkman (página inexistente)"&gt;Alexander Berkman&lt;/a&gt;,  seu amante e companheiro por toda vida, planejaram assassinar Henry  Clay Frick como uma ação de propaganda pelo ato. Embora Frick tenha  sobrevivido ao atentado, Berkman foi sentenciado a vinte e dois anos na  cadeia. Goldman foi presa várias vezes nos anos que se seguiram, por  "incentivar motins" e ilegalmente distribuir informações sobre  contracepção. Em 1906, Goldman fundou o jornal anarquista &lt;i&gt;Mother Earth&lt;/i&gt; (Mãe Terra). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em 1917, Goldman e Berkman foram sentenciados a dois anos na  cadeia por conspirarem para "induzir pessoas a não se alistarem" no  serviço militar obrigatório, que havia sido recentemente instituído nos  Estados Unidos. Depois de serem soltos da prisão, foram novamente presos  - junto com centenas de outros progressistas - sendo deportados para a  Rússia. Inicialmente simpatizantes da Revolução Bolchevique daquele  país, Goldman rapidamente expressou sua oposição ao uso de violência dos  sovietes e à repressão das vozes independentes. Em 1923, ela escreveu  sobre suas experiências entre os bolcheviques, dando forma ao livro &lt;i&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/index.php?title=Minha_Desilus%C3%A3o_na_R%C3%BAssia&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1" class="new" title="Minha Desilusão na Rússia (página inexistente)"&gt;Minha Desilusão na Rússia&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;My Disillusionment in Russia&lt;/i&gt;). Enquanto viveu em Inglaterra, Canadá e França escreveu uma autobiografia chamada &lt;i&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/index.php?title=Vivendo_Minha_Vida&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1" class="new" title="Vivendo Minha Vida (página inexistente)"&gt;Vivendo Minha Vida&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Living My Life&lt;/i&gt;).  Com o início da Guerra Civil Espanhola, em 1936, Emma, já com mais de  60 anos, viajou até a Espanha para apoiar a Revolução Anarquista. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Durante sua vida, Goldman foi celebrada por seus admiradores,  como uma livre pensadora e "mulher rebelde", e achincalhada pelos  adversários, como sendo defensora de assassinatos políticos e revoluções  violentas. Seus escritos e conferências abrangeram uma variedade de  assuntos, incluindo natureza da pena de prisão, ateísmo, liberdade de  expressão, militarismo, capitalismo, casamento e emancipação das  mulheres. Também desenvolveu novas formas de incorporar políticas de  gênero no anarquismo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Após décadas de obscuridade, nos anos 1970 o legado de Emma  voltou novamente a ser reconhecido na medida em que acadêmicas  feministas e anarquistas passaram a se interessar em conhecer mais e  divulgar sua trajetória e sua obra. É creditada a ela a famosa frase:  "Se não posso dançar, não é minha revolução" - que define de maneira  simples a ideia anarquista de liberdade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Emma Goldman faleceu na cidade de Toronto, no Canadá em 14 de Maio de 1940. &lt;/p&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THT7hAUOnBI/AAAAAAAAAnA/3JZI4bkSRFA/s1600/la_emma.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 308px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THT7hAUOnBI/AAAAAAAAAnA/3JZI4bkSRFA/s400/la_emma.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509304788620057618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-7613365927307862142?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/7613365927307862142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=7613365927307862142' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7613365927307862142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7613365927307862142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/emma-goldman-projeto-proximo-topico.html' title='Emma Goldman (Projeto Proximo Tópico: Introdução por Carlo Romani · Sobre Individualismo e Revolução Social)'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THT7rSMlA2I/AAAAAAAAAnI/n3oKJJmqh5M/s72-c/Mother+Earth.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-5428490992940737263</id><published>2010-08-24T17:44:00.003-03:00</published><updated>2010-08-24T17:52:33.910-03:00</updated><title type='text'>A mídia, os intelectuais e Pierre Bourdieu. Por Jacques Bouveresse</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQwXTEO4LI/AAAAAAAAAm4/JssaLRilhow/s1600/Pierre.jpeg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 187px; height: 270px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQwXTEO4LI/AAAAAAAAAm4/JssaLRilhow/s400/Pierre.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509081420994109618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://diplomatique.uol.com.br/acervo.php?id=1061&amp;amp;tipo=acervo&amp;amp;PHPSESSID=7344ed5e82e51d5534f731688bd39468"&gt;A mídia, os intelectuais e Pierre Bourdieu&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em um tempo em que crítica à mídia tornou-se um produto apreciado até  por ela própria, a obra de Bourdieu, que fornece instrumentos para  compreender  como se dá a dominação  cultural e simbólica, suscita  contra ela uma unanimidade reveladora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;por Jacques Bouveresse&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Cada dia que passa temos mais uma oportunidade de observar o enorme  vazio criado pela morte de Pierre Bourdieu e de constatar o quanto se  tornou arcaico o modelo do intelectual crítico, do qual provavelmente  ele terá sido o último grande representante na França. A meu ver, o que  está substituindo esse modelo foi muito bem descrito por Jean-Claude  Milner, quando escreveu em seu panfleto Existe-t-il une vie  intellectuelle en France ? (Existe uma vida intelectual na França?): "À  primeira exortação a servir, sucedeu a segunda: ?deixem de nos ofuscar  com inúmeras provas de um saber excessivo ou de uma lucidez  desagradável?, acrescentaram os notáveis. Não basta servir, é preciso  também se mostrar humilde. Existiram retóricos para formar os  doutrinários dessa humildade do Collège de France à imprensa. Daí o  intelectual de hoje, pusilânime diante dos fortes, duro diante dos  fracos, ambicioso sem projeto, ignorante sob os ouropéis do pedantismo,  impreciso de estilo minucioso, inexato de estilo detalhista" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt; .&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mesmo que, como acontece quase sempre nesse caso, provavelmente  Milner tenha tendência a idealizar um pouco o período anterior, o que  diz parece basicamente certo e corresponde à chegada ao poder de um tipo  de intelectual de quem Bourdieu conhecia particularmente bem os  costumes e o comportamento, e de quem ele pressentiu e descreveu o  advento. Há pouco tempo, propus denominar "intelectual deferente" o tipo  de intelectual que evita cuidadosamente dar a impressão de saber mais  ou de ter mais consciência que outros e que não perde a oportunidade de  manifestar seu respeito por todas as formas de poder, econômicas,  políticas e midiáticas, pelas autoridades morais e religiosas, pelas  crenças populares e até, se for o caso, pelas idéias feitas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A evolução, no período atual, constitui uma das questões sobre as  quais sempre tive oportunidade de conversar com Bourdieu nos últimos  anos. E é importante salientar que ele faz parte justamente daqueles que  se opuseram até o fim à idéia de praticar a humildade sob a forma  falaciosa que é recomendada atualmente, em outras palavras, à idéia de  fazer concessões e de aceitar o acomodamento demandado em relação à  competência e ao saber, com a esperança de conseguir contentar o maior  número possível de pessoas. Ele jamais considerou que a tarefa do  intelectual, mesmo e sobretudo a do sociólogo, pudesse ser, como se  demanda cada vez mais, hoje, de se limitar a simplesmente retratar o  social sob todos seus aspectos, inclusive os mais inaceitáveis, evitando  o máximo possível julgá-lo e formular apreciações suscetíveis de chocar  ou de ofender os atores.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;Ataques virulentos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Enquanto o marxismo concentrou-se no poder econômico, Bourdieu  forneceu instrumentos que permitiam compreender melhor a dominação  cultural e simbólica&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Para Bourdieu, a tarefa do sociólogo jamais consistiu, de acordo com  uma expressão utilizada pelo orientador da tese de Elisabeth Teissier,  em se ocupar essencialmente de "aspirar o social", inclusive,  eventualmente, no que ele pode ter de mais nauseabundo para alguém que  conservou determinadas exigências morais e intelectuais, mas em adquirir  um conhecimento real dos mecanismos que o governam, por meio de métodos  que nada têm de natural e de imediato, um conhecimento que não só é  desejável, mas indispensável, para se conseguir ter êxito em  transformá-lo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Esse aspecto do problema é fundamental para se compreender alguns dos  mais virulentos ataques enfrentados por Bourdieu nos últimos anos de  sua vida. Ele se achava em uma posição de alguém que dá a impressão de  defender uma posição cientificista e elitista contra o que se pode  chamar a democracia e a igualdade em matéria de conhecimento e de  crença. Este é o modelo do intelectual deferente adotado por Philippe  Sollers quando, em um artigo intitulado "Pelo pluralismo midiático",  publicado no dia 18 de setembro de 1998 no Le Monde, caracteriza nossa  época como "uma época de pluralidades, incertezas, caras sempre novas,  surpresas, interseções, confrontos, singularidades irredutíveis", e  recomenda ao intelectual aceitar a partir de então, tratando em pé de  igualdade todas as formas de contradição e de debate, qualquer que seja  sua origem e seu grau de competência e seriedade, aqueles que expressam  um ponto de vista diferente do seu.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Alain Finkielkraut expressa de forma ainda mais clara quando sugere  que, ao contrário das aparências, o que Bourdieu ataca não é o poder  abusivo das mídias, mas o que se pode chamar de "incontrolabilidade  democrática". O que ele não aceita, "não é seu reinado, e sim que outras  vozes se façam ouvir em pé de igualdade com a sua, não é o  estreitamento do espaço público, e sim sua existência" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;Engajamento na ação política&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Se um intelectual pode, enquanto tal, ser útil aos mais pobres,  realmente só pode ser pelo que ele representa e pelo que é capaz de  fornecer, ou seja, o conhecimento. Mas é suficiente?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Essa é uma questão sobre a qual é particularmente necessário  insistir. Desde que a mídia se tornou, aos olhos de uma parte do próprio  mundo intelectual e, de qualquer maneira, certamente dos intelectuais  mais midiáticos, a personificação do pluralismo democrático, de acordo  com o que, na realidade, é preciso compreender o relativismo e o  subjetivismo mais completo em matéria de convicção e de crença ("essa é  minha opinião, essa é minha escolha etc."), um intelectual que se  dedique a criticar meios de comunicação, sobretudo se o faz de um ponto  de vista que se apresenta como o do conhecimento objetivo e, o que é  pior, até científico, tem todas as chances de ser acusado de se negar a  participar do jogo da democracia real.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Considera-se, em geral, que com a publicação de La Misère du monde,  em 1993, foi dada uma guinada importante no itinerário intelectual de  Bourdieu, uma vez que foi naquele momento que ele se engajou  completamente na ação política e midiática. Essa maneira de apresentar  as coisas é, obviamente, muito discutível, pois os escritos de Bourdieu,  desde os primeiros, que estão relacionados à experiência da colonização  na Argélia, até os mais recentes, sempre apresentaram o mesmo caráter  altamente engajado. Mas ainda mais curiosa é a idéia, também muito  difundida, que de alguma maneira Bourdieu deixou de ser um intelectual  quando se tornou militante (em outras palavras, partidário). Thomas  Ferenczi, em um artigo do Monde de 19 de janeiro de 2001, intitulado  "Les intellectuels dans la bataille", escreve que, nos últimos anos,  Bourdieu "renunciou, em um grande número de suas intervenções, à postura  de intelectual para adotar a do militante."&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma afirmação mais que contestável e que Bourdieu certamente não  teria aceitado, uma vez que ele não acreditava que uma presença mais  ativa no cenário público e o tratamento de questões como, por exemplo, a  da mídia em geral e da televisão, em particular, suscetíveis de atrair  mais atenção do grande público, devam custar a renúncia à atitude  científica. Por mais que se possa dizer ou escrever sobre essa questão,  de qualquer maneira, ele jamais pensou que a postura de militante  pudesse substituir a do saber sobre as questões da ciência.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;Pela  subversão simbólica&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;As verdades da sociologia crítica podem perfeitamente ser  interiorizadas de um modo mais ou menos cínico sem que isso mude muita  coisa no comportamento dos interessados&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Como diz Alain Accardo, "é (...) submetendo-se o mais  escrupulosamente possível ao dever de objetividade ditado pela  moralidade científica que o intelectual, lutando para impor  simbolicamente a verdade do mundo social, se dá as melhores chances de  cumprir, ao mesmo tempo, seu dever moral de solidariedade com os  oprimidos para os quais ele leva armas de subversão simbólica da ordem  estabelecida" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt; . Não mais nos últimos anos  como no início, Bourdieu pensou que pudesse ter aí uma escolha a fazer  entre a pesquisa do conhecimento objetivo e os imperativos da ação  política e social. E mesmo sobre as questões que, em princípio,  interessam a todo o mundo, continuou convencido de que existe um abismo  entre o tratamento metódico, preciso e intelectual do sociólogo  profissional e a retórica e a verborréia pelas quais os intelectuais  estimados pela mídia, que lhes dá mais habitualmente a palavra, buscam a  maior parte do tempo substituí-lo. Em outras palavras, ele sempre  esteve convencido de que, em matéria de engajamento, em primeiro lugar  há coisas a saber e a compreender, e não só posições a tomar e protestos  a fazer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em La Misère du monde, que foi um best Eller e contribuiu para que a  sociologia se tornasse conhecida por um grande número de pessoas que  provavelmente a ignoravam inteiramente e não tinham a menor razão  específica para por ela se interessarem, Bourdieu manifestou pública e  solenemente seu engajamento ao lado de todos os excluídos de nossa  sociedade, ao começar por um capítulo dedicado àqueles que personificam,  hoje, no mais alto grau, o sofrimento, a humilhação e, às vezes, a  indignidade social. Tratava-se, é claro, fundamentalmente dos  sofrimentos do proletariado moderno, se admitirmos que ainda existe hoje  um grupo, uma classe ou, de qualquer maneira, uma realidade social que  merece ser chamada por esse nome, uma questão sobre a qual Bourdieu, por  sua vez, não tinha a menor dúvida. Mas a miséria social não é uma  simples questão de pobreza material e, obviamente, pode servir de  exemplo, de muitas maneiras, no próprio mundo intelectual.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;Pensar com Marx, mas contra Marx&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Bourdieu foi alguém que sempre se revoltou com a miséria do mundo em  todas as suas formas. De minha parte, compartilho inteiramente do ponto  de vista expresso por Gérard Noiriel em um livro recente sobre o que se  pode denominar a radicalidade do engajamento e a violência do estilo  que, segundo ele, dela resultam: "A sociologia de Bourdieu assim como a  filosofia de Foucault (...) me dão argumentos para continuar a pensar  com Marx, mas contra Marx. Dois elementos me permitem fazer a transição.  Em primeiro lugar, a violência do estilo de Bourdieu não deixava nada a  desejar à dos marxistas. O que me seduzia muito na época, pois eu  estava convencido que um discurso radical refletia necessariamente um  engajamento radical. Em seguida, a sociologia de Bourdieu ilustrava, à  sua maneira, a palavra de ordem leninista que eu tinha feito minha no  início da década de 70: "somente a verdade é revolucionária". Em outras  palavras, para ser útil aos mais pobres, basta descobrir e dizer a  verdade. Mas o dispositivo que propunha Bourdieu me parecia muito mais  satisfatório que o anterior, pois ele punha a pesquisa empírica no  primeiro plano em vez de fazer discursos abstratos sobre a luta de  classes e a ciência da história. Além disso, enquanto o marxismo  concentrou-se no poder econômico, Bourdieu forneceu instrumentos que  permitiam compreender melhor a dominação, cultural e simbólica, da qual  descobri a importância no momento do conflito de Longwy. Eu dispunha, a  partir de então, de todo um arsenal de argumentos para apoiar a crítica  aos "porta-vozes" que os homens da siderurgia tinham feito publicamente"  &lt;b&gt;&lt;sup&gt;4&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt; .&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A constatação de Noiriel poderia, acredito, ser repetida por um  grande número de intelectuais de minha geração, que tiveram com o  pensamento e o trabalho de Bourdieu o mesmo tipo de relação. Sempre ouvi  Bourdieu declarar (principalmente quando criticava o modo de pensamento  e o comportamento dos discípulos de Louis Althusser), em um tom meio  gozador meio sério, que ele era o único intelectual francês realmente  marxista da época. Com isso, queria dizer que era o único a fazer o  trabalho de análise e de pesquisa empírica sobre a realidade social que  um marxista de hoje deveria considerar obrigatório fazer.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;O conhecimento e emancipação dos oprimidos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Um melhor conhecimento como aquele que devemos à sociologia e às  ciências humanas pode não estimular um esforço de emancipação, mas, ao  contrário, levar à resignação e ao cinismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Em que medida ele realmente acreditava que, para ser útil aos mais  pobres, bastava descobrir e revelar a verdade sobre o mundo social? Sem  dúvida, ele considerava isso uma condição necessária, o que é  compreensível uma vez que, se um intelectual pode, enquanto tal, ser  útil aos mais pobres, realmente só pode ser pelo que ele representa e  pelo que é capaz de fornecer, ou seja, o conhecimento. Mas sobre a  questão de saber se a condição necessária é também suficiente, Bourdieu  era, creio eu, ou em todo caso se tornou, ao longo dos anos mais  hesitante. É um problema que conheço relativamente bem, porque o discuti  muitas vezes com ele e faz parte daqueles sobre os quais realmente  nunca chegamos a um acordo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na verdade, sempre achei um tanto otimista a idéia de que um  conhecimento e uma compreensão a mais devam produzir necessariamente ou  possam produzir freqüentemente um efeito de libertação sobre aquele ao  qual é fornecido. É uma suposição que me parece, sobretudo no período  atual, constantemente desmentida pelos fatos. As verdades da sociologia  crítica podem perfeitamente ser interiorizadas de um modo mais ou menos  cínico sem que isso mude muita coisa no comportamento dos interessados:  continua-se a agir como antes, mas sabendo as conseqüências disso e  escondendo-se atrás do fato que, do ponto de vista do próprio sociólogo,  todo o mundo faz praticamente o que estava previsto e simplesmente não o  pode fazer de outra maneira.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;Resignação e cinismo intelectual&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Várias vezes Bourdieu me disse que tinha ficado profundamente chocado  com o que eu escrevera, em Rationalité et cynisme, a propósito da  maneira que um melhor conhecimento como aquele que devemos à sociologia e  às ciências humanas, em geral, pode, na verdade, não estimular um  esforço de emancipação, mas, ao contrário, levar à resignação e ao  cinismo. Com toda certeza, é chocante, mas infelizmente não é muito  contestável. O uso hoje feito de intelectuais que, em sua época, foram  considerados os mais subversivos, como Foucault, que se tornou, ao que  parece, um autor de referência para alguns pensadores do Medef (sigla de  Mouvement des Entreprises de France, organização patronal), constitui  uma interessante confirmação disso. Alain Accardo certamente tem razão  de salientar que, em todo caso, se a visão de Bourdieu das relações  sociais suscitou tanta hostilidade entre os membros do establishment  "é  porque ela convida aqueles que a levam a sério a se mostrar  conseqüentes e a escolher seu lado" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;5&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt; .&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;Se a visão de Bourdieu das relações sociais suscitou tanta  hostilidade entre os membros do establishment  "é porque ela convida  aqueles que a levam a sério a escolher seu lado"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas pode-se temer que, infelizmente, não há nada a que o homem atual  se habitue tão facilmente e que acabe lhe parecendo tão natural como a  inconseqüência. Pensar de uma maneira e agir de outra infelizmente pode  também se tornar um hábito e até mesmo constituir o hábito moderno por  excelência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Evidentemente, pode-se também se tranqüilizar ao dizer que, por sua  vez, Bourdieu se manteve o inimigo número 1, unanimemente reconhecido e  abertamente revelado, de todos os defensores da ordem liberal, e que seu  pensamento não se submeteu durante muito tempo a um processo de  recuperação como o que assinalei. Como constata Michel Onfray, há nesse  momento uma notável unanimidade, muito reveladora e, em última análise,  muito tranqüilizadora, que se expressa contra ele. E explica: "A razão  disso é simples e evidente: Pierre Bourdieu manifesta claramente sua  luta contra o capitalismo em sua versão liberal e, conseqüentemente,  herda como inimigos todos aqueles que defendem essa política, direita e  esquerda juntas, ou seja, a maioria dos jornais, com exceção de poucos,  uma parcela ínfima em que se pode ler verdadeiras homenagens, sem  crítica alusiva nem perfídia expressa por um antigo discípulo, nem  reserva emitida em entrelinhas por um panfletário hábil e diplomata.  Ora, os intelectuais, pensadores, filósofos e outros atores do mundo das  idéias, que expressam nitidamente sua oposição à dominação liberal e ao  futuro do planeta integralmente submetido à lei do mercado, são pouco  numerosos em uma época em que o dinheiro como horizonte intransponível  fornece o credo em torno do qual se organizam as tomadas de posição  ideológicas, nacionais e internacionais" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;6&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;A crítica midiática na mídia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Apesar de tudo, quando se pergunta sobre a capacidade que os  intelectuais podem ter de agir sobre o mundo e de contribuir para  transformá-lo, tem-se a obrigação de salientar imediatamente que não há  nada mais fácil e mais corrente do que acreditar no que dizem os mais  críticos e, entre eles, os mais radicais, e ao mesmo tempo abster-se de  tirar disso qualquer conseqüência. É uma questão que se coloca com uma  acuidade particular a propósito das chances de sucesso que podem ser  atribuídas à denúncia dos abusos de poder dos quais o sistema midiático  se torna culpado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gostaríamos de poder dar razão a Bourdieu quando ele afirma que a  crítica teórica e intelectual na mídia é suscetível de levar a uma  tomada de consciência e, por esse caminho, a uma modificação dos  comportamentos individuais e, talvez, a uma melhora das coisas. Ele  explica em seu livro sobre a televisão: "Tenho a convicção (e o fato de  apresentá-las em uma cadeia de televisão o testemunha) que análises como  essas talvez contribuam, em parte, para mudar as coisas. Todas as  ciências têm essa pretensão. Auguste Comte dizia: ?Ciência e daí  previsão, previsão e daí ação?. As ciências sociais têm direito a essa  ambição assim como as outras ciências?" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;7&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt; .  Sou, antes de mais nada, cético em relação aos resultados aos quais a  sociologia crítica da mídia levou até agora. Mas a honestidade me obriga  a dizer que não sei mais do que outros o que ainda pode ser eficaz  contra um poder tão desmedido e tão armado e protegido como aquele em  questão. Se a visão de Bourdieu das relações sociais suscitou tanta hostilidade  entre os membros do establishment  "é porque ela convida aqueles que a  levam a sério a escolher seu lado"&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sem dúvida, Michel Onfray tem razão ao responder, àqueles que  formularam contra Bourdieu a crítica grotesca de ter sido "o mais  midiático de todos os inimigos da mídia", que "a crítica midiática da  mídia não constitui de maneira alguma uma contradição" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;8&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;  . Ele escreve: "O que dizem os sofistas que associam crítica da  televisão à obrigação de nela não se apresentar? Que a crítica do  funcionamento da mídia se efetua somente no deserto? Que a alternativa  consiste em se render a ela para adular as potências que convidam ou a  nunca nela se apresentar a fim de preservar sua capacidade crítica? Vejo  nisso um erro de raciocínio, pois existe uma outra possibilidade:  render-se a elas e criticá-las, em seguida demonstrar a legitimidade de  uma crítica midiática da mídia" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;9&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt; .&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;A eficácia dos pensadores midiáticos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Há nesse momento uma notável unanimidade, muito reveladora, que se  expressa contra Bourdieu, por ele manifestar claramente sua luta contra o  capitalismo em sua versão liberal&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Como todos os pensadores midiáticos, Onfray simplifica demasiadamente  as coisas quando suspeita a priori da pureza de motivação dos  inflexíveis (é claro que Bourdieu não pertence a essa categoria), ao  sugerir que, se eles se recusam a aparecer na televisão, isso só pode  ser porque jamais foram convidados ou porque sabem que não o seriam  facilmente&lt;b&gt;&lt;sup&gt;10&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt; . Eu me pergunto se,  infelizmente, ele não corre o risco de ser obrigado a incluir na  categoria dos "cenobitas leigos instalados nos cumes mais próximos do  céu das idéias em que o nada, o vazio e a ausência reinam como mestre" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;11&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;   pensadores como Jules Vuillemin pelos quais Bourdieu tinha justamente a  maior admiração e pensava que estavam entre os raros a ter exatamente  algo de substancial a dizer hoje. Se, no que diz respeito à televisão,  ao rádio e aos jornais, a "presença crítica" é, sem dúvida, preferível a  "um silêncio tão improdutivo quanto o nada" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;12&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;  , a maioria dos intelectuais que utilizam esse argumento para  justificar a resposta afirmativa que dão às solicitações dos meios de  comunicação me parecem se tornar muito rapidamente mais presentes do que  realmente críticos - algo que, em compensação, certamente não se  poderia dizer de Bourdieu. Mas não é essa a questão que quero discutir  aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A questão não me parece ser exatamente saber se podemos ou não  criticar com êxito (em particular, com um certo êxito midiático) a mídia  na mídia. Sem dúvida, a crítica midiática da mídia é possível e até  poderíamos dizer programada e almejada pelo próprio sistema. Mas todo o  problema é saber que chances ela tem de produzir efeitos reais e se  conseguiu até hoje, ou conseguirá amanhã, desestabilizar de alguma  maneira o poder que ela ataca e modificar, mesmo que pouco, uma evolução  que parece ter se tornado praticamente inevitável e sobre a qual  ninguém, há muito tempo, parece mais ter meios de agir.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;A crítica esquecível&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Christopher Lasch observa que "... a comunicação de massa, por sua  própria natureza, reforça, a exemplo da cadeia de montagem, a  concentração do poder e a estrutura hierárquica da sociedade industrial.  Ela não o faz difundindo uma ideologia autoritária feita de  patriotismo, de militarismo e de submissão como tantos críticos de  esquerda o afirmam, mas destruindo a memória coletiva, substituindo as  autoridades em que era possível confiar por um star system de um novo  gênero, e tratando todas as idéias, todos os programas políticos, todas  as controvérsias e todos os conflitos como sujeitos igualmente dignos de  interesse do ponto de vista da atualidade, igualmente dignas de prender  a atenção dispersa do espectador e, conseqüentemente, igualmente  esquecíveis e sem a menor significação" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;13&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nessas condições, não se sabe muito bem o que poderia impedir que a  crítica da mídia constituísse um assunto midiático capaz, como qualquer  outro, de manter por um momento a atenção dispersa do leitor ou do  espectador, mas ao mesmo tempo tão esquecível e tendo todas as chances  de ser tão rapidamente esquecida quanto qualquer outra. Portanto, não é  necessário ser elitista, puritano ou espírito de porco para se colocar  questões sérias sobre a eficácia de uma crítica da mídia formulada na  mídia e sobre o comportamento dos intelectuais que se orgulham de  conseguirem ser ao mesmo tempo midiáticos e críticos. Para explicar o  que se passa, de maneira alguma é necessário recorrer a uma teoria do  complô ou imputar uma perversidade especial aos atores relacionados,  particularmente aos mais poderosos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para Bourdieu, não há forças do mal agindo no mundo social.  Simplesmente, há sistemas dos quais é preciso descrever a lógica ou,  para utilizar a linguagem de Bourdieu, áreas cujo funcionamento obedece a  leis que, se não são imediatamente passíveis de ser conhecidas, no  entanto não têm o menor segredo.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;Dominação e linguagem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A desigualdade nas condições de acesso à linguagem e ao controle das  formas impostas da boa e bela linguagem constitui um dos fatores de  discriminação mais importantes&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Do mesmo modo que Kraus, Bourdieu não criticou os jornalistas com o  objetivo de desculpar os intelectuais. Gérard Noiriel escreve que "a  crítica dos intelectuais é, sem dúvida, a pedra angular de toda a  sociologia de Bourdieu A noção de "poder simbólico" que ele elaborou  para explicar essa forma de dominação parte da idéia de que todas as  relações sociais são mediatizadas pela linguagem" &lt;b&gt;&lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;  . Esse é um ponto de fato inteiramente crucial em Bourdieu. A  desigualdade nas condições de acesso à linguagem e ao controle das  formas impostas da boa e bela linguagem constitui um dos fatores de  discriminação mais importantes entre os que exercem e os que são  condenados a se submeter ao poder simbólico - e ao poder em geral no que  ele tem necessariamente de simbólico - e uma das fontes principais da  distinção entre os dominantes e os dominados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Bourdieu retomou constantemente a questão do considerável privilégio  daqueles que têm os meios de atuar de uma maneira que passa  fundamentalmente pela linguagem e por sua capacidade de fazer com que o  outro aceite uma representação da realidade, que não tem necessidade de  ser objetiva para ser crível - e no entanto não o é a maior parte do  tempo -, mas que é concebida para apresentar a realidade a seu favor e  servir a seus próprios fins. O poder simbólico é, sobretudo, o poder de  levar os dominados a perceberem e descreverem as coisas como aqueles que  ocupam posições dominantes têm interesse que eles vejam e descrevam.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É o que acontece, obviamente, com intelectuais, de quem Bourdieu  pensa que sua relação com a linguagem e sua possibilidade de criar o  mundo do qual falam, simplesmente ao falarem sobre ele, estão na origem  de uma dificuldade especial que lhes torna extremamente problemático,  para não dizer impossível, o acesso à realidade propriamente dita, e  mais especialmente à realidade social. Mas é o que acontece também com  todos os produtores de discursos e, em particular, com políticos e  jornalistas. Pode-se pensar que isso realmente acontecerá cada vez mais,  uma vez que governar tornou-se hoje algo quase sinônimo de comunicar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(Trad.: &lt;b&gt;Wanda Caldeira Brant&lt;/b&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;* Titular da cadeira de filosofia no Collège de France. Autor de  Bourdieu, savant et politique, que será lançado no dia 17 de fevereiro  pela Editions Agone, do qual este artigo foi extraído.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;1 - Jean-Claude Milner, Existe-t-il une vie intellectuelle en France? Editions Verdier, Lagrasse, 2002, p. 24.&lt;br /&gt;2 - Alain Finkielkraut, "Sauver l’innocence et le secret ", Le Monde, 18 de setembro de 1998.&lt;br /&gt;3 - Alain Accardo, " Un savant engagé ", Awal, Cahiers d?études berbères, n° 27-28, 2003.&lt;br /&gt;4 - Gérard Noiriel, Penser avec, penser contre, Itinéraire d’un histor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-5428490992940737263?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/5428490992940737263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=5428490992940737263' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/5428490992940737263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/5428490992940737263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/midia-os-intelectuais-e-pierre-bourdieu_24.html' title='A mídia, os intelectuais e Pierre Bourdieu. Por Jacques Bouveresse'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQwXTEO4LI/AAAAAAAAAm4/JssaLRilhow/s72-c/Pierre.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-3093108491179360626</id><published>2010-08-24T17:40:00.001-03:00</published><updated>2010-08-24T17:44:16.027-03:00</updated><title type='text'>Chiapas: aproximação entre zapatistas, MST e Movimento Consulta Popular-  Entrevista especial com Ricardo Gebrin</title><content type='html'>&lt;table width="418" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td rowspan="2" valign="top" width="115"&gt;&lt;table background="templates/interna/images/fundo_entrevistas.jpg" border="0" cellpadding="3" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="middle" width="119" align="center" height="102"&gt;      &lt;br /&gt;&lt;/td&gt;      &lt;/tr&gt;      &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;             &lt;/td&gt;             &lt;td class="verde12" valign="bottom" width="401"&gt;&lt;b&gt;Chiapas: aproximação entre zapatistas, MST e Movimento Consulta Popular? Entrevista especial com Ricardo Gebrin&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;            &lt;/tr&gt;                  &lt;tr&gt;     &lt;td colspan="2" height="5"&gt;&lt;img src="http://www.ihu.unisinos.br/templates/interna/images/pontilhado_news.jpg" width="417" height="1" /&gt;&lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;     &lt;td colspan="2" class="cinza10News" height="5"&gt; &lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;     &lt;td colspan="2" class="cinza10News" height="30"&gt;&lt;p&gt;Em dezembro de 2007, os &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=11788"&gt;zapatistas&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, movimento inspirado pela luta de &lt;strong&gt;Emiliano Zapata&lt;/strong&gt; contra o regime autocrático de &lt;strong&gt;Porfírio Diaz&lt;/strong&gt;, que encandeou a Revolução Mexicana de 1910, promoveram um Colóquio Internacional, na cidade de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=11234"&gt;Chiapas&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, com o intuito de debater a &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.ihuonline.unisinos.br/uploads/edicoes/1158345502.16pdf.pdf"&gt;América Latina&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e seus rumos. &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=8819"&gt;&lt;strong&gt;Ricardo&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Gebrin&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, membro da Coordenação Naciona&lt;strong&gt;l&lt;/strong&gt; do &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=9959"&gt;Movimento Consulta Popular&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, participou do encontro e narrou esse acontecimento à &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt;, na entrevista a seguir, realizada por e-mail.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;“A burguesia&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=11735"&gt; mexicana&lt;/a&gt;  é um inimigo hábil e experiente. Sua estratégia central para enfrentar o  EZLN é intensificar a presença do capitalismo numa região que  historicamente sempre foi abandonada pelo Estado. Passaram a desenvolver  diversos mecanismos de desestruturação e cooptação de comunidades  indígenas. Estimularam o surgimento de grupos paramilitares e promoveram  um constante ataque às comunidades”, contou &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=11518"&gt;Gebrin&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.  Para ele, “o Colóquio representou uma sinalização importante da  aproximação dos zapatistas não só com o MST e a Consulta Popular, mas  com as organizações e movimentos sociais de nosso continente”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Confira a entrevista.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O senhor esteve em Chiapas participando do  Colóquio Internacional promovido pelos zapatistas. Com que imagens e  pensamentos saiu de lá?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Gebrin -&lt;/strong&gt; O Colóquio foi um momento importante para os debates de caráter estratégico em nosso &lt;img alt="" src="http://www.earlham.edu/%7Epols/17Fall97/nafta/FZLNpic.jpg" vspace="5" align="right" height="120" hspace="5" /&gt;continente. Foi organizado no formato de conferências coletivas, em que o porta-voz do &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=10140"&gt;Exército Zapatista de Libertação Nacional&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=9384"&gt;Subcomandante Marcos&lt;/a&gt; (1), participou de todas as mesas de debate. Entre os convidados para os painéis se encontravam: Sylvia Marcos, &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=12054"&gt;Naomi Klein&lt;/a&gt; (2), Inmanuel Wallerstein, &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=653"&gt;Pablo González Casanova&lt;/a&gt; (3), &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=6765"&gt;Enrique Dussel&lt;/a&gt; (4), Sergio Rodríguez Lascano, Carlos Antonio Aguirre Rojas, &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=11788"&gt;Gustavo Esteva&lt;/a&gt;  (5), John Berguer (6), Jean Robert, Jorge Alonso, Ernesto Ledesma, Luis  Villoro (7) e Gilberto Valdés. Tive o privilégio de participar de uma  mesa com &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=11801"&gt;François Houtart&lt;/a&gt; (8), &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=11518"&gt;Peter Rosset&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=8517"&gt;Subcomandante Marcos&lt;/a&gt;.  Ao fazer a fala final, em cada um dos painéis, o Subcomandante  elaborava uma síntese das questões centrais. Ele apresentou sete pontos  que me parecem sistematizar bem a essência dos debates. &lt;/p&gt; &lt;ol&gt;&lt;li&gt;Não se pode entender e explicar o sistema capitalista, sem o  conceito de guerra. Sua sobrevivência e crescimento defendem  fundamentalmente a guerra e todas as suas implicações. É através dela  que o capitalismo desaloja, intensifica sua exploração, reprime e  discrimina. Em sua etapa neoliberal, os capitalistas desencadeiam uma  guerra contra toda a humanidade; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Para aumentar seus lucros, os capitalistas não só apelam para a  redução de custos de produção, aumento de preços das mercadorias.  Agregam ainda três outras formas: o aumento de produtividade, a produção  de novas mercadorias e a abertura de novos mercados; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;A produção de novas mercadorias e a abertura de novos mercados  se realiza com a conquista e reconquista de territórios e espaços  sociais que antes não tinham interesse para o capital. Há um destaque  para os conhecimentos ancestrais e códigos genéticos, além de recursos  naturais como água, florestas e até mesmo o ar, todos encarados enquanto  preciosas mercadorias de mercados a serem desbravados. Os que se  encontram detentores destes conhecimentos, espaços sociais e  territórios, inevitavelmente, se convertem em inimigos do capital; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;O capitalismo não tem como destino inevitável sua autodestruição, salvo se isso resultar numa destruição de toda a humanidade. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;A destruição do sistema capitalista somente se realizará se um  ou muitos movimentos o enfrentam e o derrotam em seu núcleo central,  isto é, na propriedade privada dos meios de produção; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;As transformações reais de uma sociedade, isto é, as relações  sociais em um determinado momento histórico, são principalmente aquelas  que se enfrentam com o capitalismo em seu conjunto. Atualmente, já não  são possíveis reformas progressivas; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;As grandes transformações não começam “por cima”, nem com feitos  monumentais e épicos, senão através de persistentes movimentos, algumas  vezes, pequenos em sua forma, que aparecem como irrelevantes para os  analistas que olham “de cima”. A história se transforma, a partir da  construção consciente de organizações e forças sociais que se conhecem e  reconhecem mutuamente, desde baixo e à esquerda, e constroem uma outra  política. &lt;/li&gt;&lt;/ol&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Os zapatistas falam da estratégia de “Guerra de  baixa intensidade” contra as forças da direita. Do que se trata essa  estratégia?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Gebrin -&lt;/strong&gt; Todos os elementos de uma “Guerra  de Baixa Intensidade” estão presentes no conflito que enfrentam  atualmente. A burguesia mexicana é um inimigo hábil e experiente. Sua  estratégia central para enfrentar o &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=6116"&gt;EZLN &lt;/a&gt;é  intensificar a presença do capitalismo numa região que historicamente  sempre foi abandonada pelo Estado. Passaram a desenvolver diversos  mecanismos de desestruturação e cooptação de comunidades indígenas.  Estimularam o surgimento de grupos paramilitares e promoveram um  constante ataque às comunidades. Já em 1997, houve o massacre de Acteal,  no qual 45 indígenas tzotziles foram assassinados por paramilitares  enquanto rezavam numa capela. Desde então, pequenos ataques e agressões  ocorrem de forma cotidiana. O objetivo é ir gerando um cerco, isolamento  e desgaste das comunidades. Por outro lado, o &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=6089"&gt;EZLN&lt;/a&gt;  enfrenta essa guerra de baixa intensidade, respeitando o acordo firmado  em 1994, através do qual cessou suas atividades bélicas. Esta é a  situação atual, que exige uma constante e articulada solidariedade  internacional para enfrentar o cerco. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - As “juntas de bom governo” são a estrutura  central da organização popular nos territórios zapatistas. Trata-se do  exercício de uma democracia direta e participativa?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Gebrin -&lt;/strong&gt; Sem dúvida, as “Juntas de Bom  Governo” são importantes experiências de construção de Poder Popular e  democracia participativa. Trata-se de uma experiência marcada pelo  processo histórico de organização dos povos indígenas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Sobre o subcomandante Marcos, que papel de fato ele joga no movimento zapatista?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;img alt="" src="http://www.indymedia.org/images/2006/12/877664.jpg" vspace="5" align="left" height="120" hspace="5" /&gt;Ricardo Gebrin -&lt;/strong&gt; O &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=6061"&gt;Subcomandante Marcos&lt;/a&gt;  é um quadro político extremamente capaz. Mais do que um mero porta-voz,  possui grande capacidade de elaboração política e compreensão do atual  momento histórico. Como toda a construção coletiva, o movimento  zapatista vem formando novos quadros, e esta é a única garantia para um  projeto revolucionário.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - 2010 é uma data histórica para o México, com os  duzentos anos da libertação dos espanhóis e cem anos da independência.  Vai acontecer algo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Gebrin -&lt;/strong&gt; A esperança de que 2010 seja uma data decisiva na &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=2189"&gt;história do México&lt;/a&gt;  está presente no imaginário popular. Sem dúvida, isso acaba se  convertendo num elemento subjetivo com potencialidade, mas é algo no  campo da esperança e da profecia. O importante é assinalar que a  crescente probabilidade de uma crise profunda na economia dos Estados  Unidos poderá determinar o final de um ciclo muito favorável ao  capitalismo e, realmente, inaugurar um novo período para a luta de  classes. Oxalá essa mística das datas se concretize!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O movimento social brasileiro olha com muito  respeito para o movimento social mexicano, porém a sua articulação com o  zapatismo sempre foi frágil. O MST e o movimento zapatista estão entre  os dois principais movimentos sociais latino-americanos, mas não se  percebe uma articulação consistente. Quais são as razões?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Gebrin -&lt;/strong&gt; O Colóquio representou uma  sinalização importante da aproximação dos zapatistas não só com o MST e a  Consulta Popular, mas com as organizações e movimentos sociais de nosso  continente. Esse processo de construção de uma articulação entre os  movimentos sociais da &lt;a href="http://www.ihuonline.unisinos.br/uploads/edicoes/1174935702.2pdf.pdf"&gt;América Latina &lt;/a&gt;exige  paciência, recursos e muita habilidade. Nos últimos anos, a necessidade  de trocar experiências e aprofundar as relações se intensificou. Em  especial, a luta contra a ALCA foi um poderoso estímulo para este  processo. Iniciativas como a construção de um Conselho Social da ALBA,  composto por movimentos sociais, abrem um novo período para que as  organizações populares construam espaços e articulações muito mais  consistentes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Quais são as semelhanças que o senhor  identifica entre a concepção política dos zapatistas no México e do  Movimento Consulta Popular no Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Gebrin -&lt;/strong&gt; Guardadas as proporções e os processos históricos distintos, a experiência da “Outra Campanha” implementada pelos&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=9757"&gt; zapatistas&lt;/a&gt;  no México e a Consulta Popular no Brasil são as duas únicas iniciativas  da esquerda em nosso continente, que ousaram questionar a lógica da  centralidade na luta eleitoral. Somente por isso, já teríamos uma forte  identidade. A disputa eleitoral, gradativamente, foi deixando de ser um  elemento tático para se converter no principal e, algumas vezes, único  objetivo estratégico. Essa lógica passou a determinar a formação  ideológica e os valores da militância. Ousar questioná-la não é simples,  acarreta isolamento e ataques generalizados dos que se acomodaram ou  sobrevivem nessa lógica. Mas nossa identidade não se limita a essa  ousadia teórica. Também nos identificamos na construção de um projeto,  no qual a conduta de cada militante não é voltada para acumular cargos,  postos ou vantagens, mas se converter neste construtor coletivo, cuja  melhor definição é “querer ser como o Che”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notas:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="" src="http://www.sociedadcivil.cl/images/diario/Marcos.jpg" vspace="5" align="left" height="120" hspace="5" /&gt;(1) &lt;strong&gt;Subcomandante Marcos&lt;/strong&gt;  é o porta-voz do movimento zapatista no sudeste mexicano. Em 9 de  fevereiro de 1995, o governo do México declarou publicamente que  conhecia a identidade de Marcos, identificando-o como sendo Rafael  Sebastián Guillén Vicente, ex-professor da Universidad Autónoma  Metropolitana (UAM) da Cidade do México. Guillén nasceu no México, filho  de imigrantes espanhóis, e estudou no instituto jesuíta em Tampico.  Depois, se mudou para a capital do México, onde se formou em filosofia  na Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) com o trabalho de tese  "Filosofia e educação: práticas discursivas e práticas ideológicas em  livros de escola primária". Depois, começou a trabalhar como professor  na Universidad Autónoma Metropolitana e logo iniciou sua atividade com  os zapatistas. Marcos sempre negou ser Rafael Guillén. Familiares dizem  ignorar o paradeiro de Rafael, e afirmam que nunca foi realmente  confirmado que Marcos e Rafael eram a mesma pessoa. Como muitas pessoas  de sua geração, foi afetado pela Matança de Tlatelolco, em 1968, e  ingressou em uma organização maoísta, passando posteriormente ao  zapatismo. Depois de ingressar no EZLN, Marcos transformou sua  ideologia, rodeado de visões revolucionárias mais pós-modernas, outras  idéias expostas em seus discursos e ações estão mais relacionadas com os  ideais marxistas do italiano Antonio Gramsci, muito populares no México  quando estudava na Universidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://www.ala.org/Images/ConfSvcs/AN2003/klein-sm.jpg" vspace="5" align="left" height="120" hspace="5" /&gt;(2) &lt;strong&gt;Naomi Klein&lt;/strong&gt; é uma jornalista, escritora e ativista canadense. Em 2000, publicou &lt;em&gt;No logo&lt;/em&gt; (traduzido como &lt;em&gt;Sem logo - A tirania das marcas em um planeta vendido&lt;/em&gt;),  que para muitos se transformou em um manifesto do movimento  antiglobalização. O livro traz efeitos negativos da cultura consumista e  as pressões impostas de grandes empresas sobre seus trabalhadores. Em  2002, publicou &lt;em&gt;Fences and windows&lt;/em&gt; (em português &lt;em&gt;Cercas e janelas&lt;/em&gt;),  uma coleção de matérias escrita por ela sobre o movimento  antiglobalização no mundo como movimento zapatista e os protestos contra  OMC e FMI. Em 2004, Klein e o marido Avi Lewis fizeram um documentário  chamado &lt;em&gt;The take&lt;/em&gt;, no qual contam sobre os trabalhadores autônomos na Argentina.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://www.talcualdigital.com/Avances/Image/casanova.jpg" vspace="5" align="left" height="120" hspace="5" /&gt;(3) &lt;strong&gt;Pablo González Casanova&lt;/strong&gt;  é um sociólogo e crítico mexicano condecorado pelo UNESCIO, em 2003,  com o Prêmio Internacional José Martí por sua defesa em relação à  identidade dos povos indígenas da América Latina.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://estudios-institucionales-uamc.org/apros/oaxaca/images/dussel.jpg" vspace="5" align="left" height="120" hspace="5" /&gt;(4) &lt;strong&gt;Enrique Dussel&lt;/strong&gt;  é um filósofo argentino exilado desde 1975 no México. É um dos maiores  expoentes da Filosofia da Libertação e do pensamento latino-americano em  geral. Autor de uma grande quantidade de obras, seu pensamento recorre a  temas como filosofia, política, ética e teologia. Tem se colocado como  crítico da pós-modernidade, chamando por um novo momento denominado  transmodernidade. Tem mantido diálogos com filósofos como Apel, Gianni  Vattimo, Jürgen Habermas, Richard Rorty e Lévinas, sendo um crítico do  pensamento eurocêntrico contemporâneo. Radicado na França em 1961,  estuda Teologia e História na Sourbonne. Obtém um título em estudos de  Religião no Instituto Católico de Paris, em 1965. Em 1968, regressa a  Mendoza para lecionar Ética na Universidad Nacional de Cuyo. Entre 1969 e  1973, começa uma radiante etapa de sua reflexão e formula pela primeira  vez a possibilidade de uma filosofia da libertação. Vai de encontro aos  pensamentos de Heidegger e Husserl. Sua leitura de Emmanuel Lévinas  produz, segundo suas palavras, o "despertar do sonho ontológico". A  ditadura militar começa a lhe ser hostil. Sofre um atentado a bomba, em  sua casa, em 1973. Acusam-no de ser marxista e começam a ser freqüentes  as ameaças de morte por grupos paramilitares. É expulso da Universidad  Nacional de Cuyo em 1975. Seus livros são proibidos e as publicações que  dirigia são censuradas. Nesse mesmo ano, se exila no México onde  trabalhou Departamento de Filosofia da Universidad Autónoma  Metropolitana, unidade de Iztapalapa (1975) e na Universidad Nacional  Autónoma de México (1976).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(5) &lt;strong&gt;Carlos Esteva&lt;/strong&gt; é um ativista mexicano, importante  intelectual e fundador da Universidad de la Tierra, na cidade de  Oaxaca, no México. É também um ex-oficial do governo Echeverría e  conselheiro do Exercito Zapatista de Libertação Nacional, em Chiapas,  para negociações com o governo. Trabalha no Centro para Diálogos  Interculturais e Trocas, em Oaxaca.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://www.state-of-art.org/state-of-art/ISSUE%20SIX/PIX/BK-01.JPG" vspace="5" align="left" height="120" hspace="5" /&gt;(6) &lt;strong&gt;John Peter Berger&lt;/strong&gt; é um crítico de arte, romancista, pintor e escritor inglês. Entre suas obras mais conhecidas, estão o romance &lt;em&gt;G&lt;/em&gt;., vencedor do Booker Prize de 1972, e o ensaio introdutório em crítica de arte &lt;em&gt;Ways of seeing&lt;/em&gt;, escrito como acompanhamento da significativa série homônima da BBC, e freqüentemente usado como texto universitário.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://www.lajornadamichoacan.com.mx/2004/11/24/Images/02f1.jpg" vspace="5" align="left" height="100" hspace="5" /&gt;(7) &lt;strong&gt;Luís Villoro Toranzo&lt;/strong&gt;  é um filósofo español naturalizado mexicano. É professor emérito da  Universidade Nacional Autônoma do México, onde também licenciou-se em  Letras e doutorou-se em filosofia. Desempenha funções, também, como  Embaixador do México na UNESCO.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://www.ecoledemocratique.org/IMG/arton412.jpg" vspace="5" align="left" height="120" hspace="5" /&gt;(8) &lt;strong&gt;François Houtart&lt;/strong&gt;  é um sacerdote católico e sociólogo marxista. Nasceu na Bélgica. Foi o  fundador do Centro Tricontinental, que funciona na Universidade Católica  de Lovaina. Está fortemente ligado ao movimento da Teologia da  Libertação, da qual é considerado um dos expoentes mais radicais, ao  ponto de estar ligado à revolução sandinista, na Nicarágua. &lt;/p&gt;&lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;     &lt;td colspan="2" height="30"&gt; &lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;     &lt;tr&gt;     &lt;td colspan="2" height="30"&gt; &lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;   &lt;td colspan="2" class="verde12" height="20"&gt;&lt;strong&gt;Publicações relacionadas a esta notícia &lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;    &lt;/tr&gt;    &lt;tr&gt;   &lt;td colspan="2" height="3"&gt;&lt;img src="http://www.ihu.unisinos.br/templates/interna/images/pontilhado_news.jpg" width="417" height="1" /&gt;&lt;/td&gt;    &lt;/tr&gt;    &lt;tr&gt;   &lt;td colspan="2" height="5"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;    &lt;/tr&gt;    &lt;tr&gt;   &lt;td colspan="2" class="cinza10" height="5"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;    &lt;/tr&gt;    &lt;tr&gt;   &lt;td colspan="2" height="5"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;    &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;  &lt;td colspan="2"&gt;  &lt;table width="100%" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;  &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;  &lt;td width="3%"&gt;&lt;img src="http://www.ihu.unisinos.br/templates/interna/images/seta_interna.jpg" width="5" height="5" /&gt;&lt;/td&gt;  &lt;td class="verde103" width="97%"&gt;&lt;a class="cinza10" href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_publicacoes&amp;amp;Itemid=20&amp;amp;task=categorias&amp;amp;id=1"&gt;Teologia da Libertação&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;tr&gt;  &lt;td&gt; &lt;/td&gt;  &lt;td class="verde11"&gt; &lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;  &lt;td colspan="2"&gt;  &lt;table width="100%" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;  &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;  &lt;td width="3%"&gt;&lt;img src="http://www.ihu.unisinos.br/templates/interna/images/seta_interna.jpg" width="5" height="5" /&gt;&lt;/td&gt;  &lt;td class="verde103" width="97%"&gt;&lt;a class="cinza10" href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_publicacoes&amp;amp;Itemid=20&amp;amp;task=categorias&amp;amp;id=1"&gt;Frida Kahlo. 1907-2007. Um olhar de teólogas e teólogos&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;tr&gt;  &lt;td&gt; &lt;/td&gt;  &lt;td class="verde11"&gt; &lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;  &lt;td colspan="2"&gt;  &lt;table width="100%" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;  &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;  &lt;td width="3%"&gt;&lt;img src="http://www.ihu.unisinos.br/templates/interna/images/seta_interna.jpg" width="5" height="5" /&gt;&lt;/td&gt;  &lt;td class="verde103" width="97%"&gt;&lt;a class="cinza10" href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_publicacoes&amp;amp;Itemid=20&amp;amp;task=categorias&amp;amp;id=5"&gt;Na fragilidade de Deus a esperança das vítimas. Um estudo da cristologia de Jon Sobrino&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;tr&gt;  &lt;td&gt; &lt;/td&gt;  &lt;td class="verde11"&gt; &lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;  &lt;td colspan="2"&gt;  &lt;table width="100%" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;  &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;  &lt;td width="3%"&gt;&lt;img src="http://www.ihu.unisinos.br/templates/interna/images/seta_interna.jpg" width="5" height="5" /&gt;&lt;/td&gt;  &lt;td class="verde103" width="97%"&gt;&lt;a class="cinza10" href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_publicacoes&amp;amp;Itemid=20&amp;amp;task=categorias&amp;amp;id=1"&gt;Saúde Coletiva. Uma proposta integral e transdisciplinar de cuidado&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;tr&gt;  &lt;td&gt; &lt;/td&gt;  &lt;td class="verde11"&gt; &lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;  &lt;td colspan="2"&gt;  &lt;table width="100%" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;  &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;  &lt;td width="3%"&gt;&lt;img src="http://www.ihu.unisinos.br/templates/interna/images/seta_interna.jpg" width="5" height="5" /&gt;&lt;/td&gt;  &lt;td class="verde103" width="97%"&gt;&lt;a class="cinza10" href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_publicacoes&amp;amp;Itemid=20&amp;amp;task=categorias&amp;amp;id=1"&gt;Che Guevara&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;tr&gt;  &lt;td&gt; &lt;/td&gt;  &lt;td class="verde11"&gt; &lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;  &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;  &lt;td colspan="2"&gt;  &lt;table width="100%" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;  &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;  &lt;td width="3%"&gt;&lt;img src="http://www.ihu.unisinos.br/templates/interna/images/seta_interna.jpg" width="5" height="5" /&gt;&lt;/td&gt;  &lt;td class="verde103" width="97%"&gt;&lt;a class="cinza10" href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_publicacoes&amp;amp;Itemid=20&amp;amp;task=categorias&amp;amp;id=1"&gt;América Latina, hoje &lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-3093108491179360626?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/3093108491179360626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=3093108491179360626' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/3093108491179360626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/3093108491179360626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/midia-os-intelectuais-e-pierre-bourdieu.html' title='Chiapas: aproximação entre zapatistas, MST e Movimento Consulta Popular-  Entrevista especial com Ricardo Gebrin'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-6520421877687726292</id><published>2010-08-24T17:23:00.002-03:00</published><updated>2010-08-24T17:27:32.685-03:00</updated><title type='text'>PassaPalavra:  Teses em torno da autonomia dos povos índios- Por Gilberto López y Rivas</title><content type='html'>Publicado originalmente no Sítio Passa Palavra!&lt;br /&gt;Obrigado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt;&lt;a href="http://passapalavra.info/?p=27593" rel="bookmark"&gt;Teses em torno da autonomia dos povos índios&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; &lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta abordagem sócio-antropológica  de López y Rivas, “os princípios igualitários, participativos,  auto-gestionários e coletivistas das autonomias indígenas tornaram-se  uma das poucas abordagens estratégicas atuais para enfrentar com sucesso  o capitalismo”&lt;/em&gt;.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- &lt;/span&gt; &lt;strong&gt;Por Gilberto López y Rivas&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; [*]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;h1&gt;Teses em torno da autonomia dos povos índios&lt;/h1&gt;        &lt;div class="date"&gt;         &lt;div class="dateleft"&gt;      &lt;p&gt;&lt;span class="time"&gt;13 de Agosto de 2010&lt;/span&gt;   &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;     &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Nesta abordagem  sócio-antropológica de López y Rivas, “os princípios igualitários,  participativos, auto-gestionários e coletivistas das autonomias  indígenas tornaram-se uma das poucas abordagens estratégicas atuais para  enfrentar com sucesso o capitalismo”&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Por Gilberto López y Rivas [*]&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="more-27593"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Introdução&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;[1]&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;As seguintes linhas têm o propósito de  refletir e reavaliar a vigência das lutas pela autonomia indígena, assim  como os sujeitos políticos que a encarnam no contexto da crise geral e &lt;em&gt;civilizatória&lt;/em&gt;  do capitalismo e, em particular, a recomposição estatal causada pela  transnacionalização neoliberal em vários países latino-americanos.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Particularmente irei deter-me no caso  mexicano, dado que segui de muito perto e até estive próximo de  movimentos sociais e políticos que reivindicam os direitos indígenas.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;a rel="attachment wp-att-27595" href="http://passapalavra.info/?attachment_id=27595"&gt;&lt;img class="aligncenter size-medium wp-image-27595" title="autonomia" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/08/autonomia-221x300.jpg" alt="autonomia" width="159" height="216" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;1. Definição da historicidade do conceito&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A partir das investigações realizadas na América Latina &lt;strong&gt;[2]&lt;/strong&gt;  concebemos a autonomia basicamente como um processo de resistência  mediante o qual as etnias ou povos soterrados, negados ou esquecidos  fortalecem ou recuperam a sua identidade através da reivindicação da sua  cultura, dos seus direitos e das suas estruturas  político-administrativas. De uma forma geral a autonomia, isto é, &lt;em&gt;a regência pelas próprias leis&lt;/em&gt;,  define-se como a capacidade de indivíduos, governos, nacionalidades,  povos e outras entidades e sujeitos para assumirem os seus interesses e  ações mediante normativas e poderes próprios, consequentemente opostos a  toda a dependência ou subordinação heterônoma. Como qualquer conceito, a  autonomia indígena contemporânea deve ser compreendida no seu contexto  histórico: a luta dos povos originários por conservarem e fortalecerem a  sua integridade territorial e cultural através de autogovernos que  praticam a democracia participativa e enfrentam – com uma estratégia  anti-sistêmica – a espoliação e a violência do sistema capitalista na  sua atual fase de transnacionalização neoliberal. Mesmo se, perante este  fenômeno coercivo chamado &lt;em&gt;globalização&lt;/em&gt;, a figura política do  Estado-nação se torna obsoleta e incômoda, é difícil negar que, para  além do mercado e do consumo, existam povos que reclamam uma origem e  uma identidade. São sujeitos que desejam imprimir um sentido comunitário  às suas vidas num tempo em que o egoísmo, o individualismo e a  concorrência pretendem sobrepor-se à solidariedade, dignidade e  fraternidade. As autonomias na América Latina projetam-se hoje em dia  como aqueles espaços político-territoriais onde os povos oprimidos podem  consolidar, no âmbito local, regional e até nacional, as suas  expressões comunitárias de democracia direta.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;2. Democratização e transformação da vida indígena&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Destacamos o caráter dinâmico e  transformador das autonomias que, para o serem, modificam os [seus]  próprios atores e em dimensões diversas: as relações entre gêneros,  entre gerações, promovendo neste caso o protagonismo das mulheres e dos  jovens; democratizando as sociedades indígenas, politizando ou inovando  as suas estruturas políticas e socioculturais. Faz-se notar a  importância da participação das mulheres nos diversos níveis e espaços  da vida comunitária e municipal, em particular nas instâncias de decisão  e exercício do autogoverno indígena, pela qual se consegue uma  sociedade mais justa e equitativa, desenvolvendo ações concretas para  combater todo o tipo de violência contra as mulheres indígenas. O estudo  das autonomias indígenas contemporâneas na América Latina,  particularmente no México, numa perspectiva integral e comparativa,  mostra a natureza transformadora destes processos não só na sua  articulação, as mais das vezes contraditória com os Estados nacionais  existentes, mas também no interior dos sujeitos autonômicos. Assim, não  se trata apenas da existência de autogovernos tradicionais indígenas que  se desenvolvem de diversas formas ao longo da colonização e da vida  independente, e que perduram até os nossos dias em numerosas comunidades  da geografia latino-americana. Também não se trata de competências e  atribuições estabelecidas de cima para baixo, administrativamente ou por  modificações constitucionais, &lt;em&gt;reivindicações mínimas e máximas&lt;/em&gt;  de modelos que não correspondem a realidades concretas e que denotam os  limites de uma ciência social a reboque dos processos sócio-étnicos. As  práticas autonômicas atuais vão mais longe. Quando os zapatistas – por  exemplo – transcendem o autogoverno e o assumem a partir dos princípios  de &lt;em&gt;mandar obedecendo&lt;/em&gt;, da rotação dos cargos de autoridade, da  revogação do mandato, da participação planejada e programada de mulheres  e jovens, da reorganização equitativa e sustentável da economia, da  adoção de uma identidade política anticapitalista e anti-sistêmica e da  busca de alianças nacionais e internacionais que lhe sejam afins,  está-se a levar a cabo uma mudança qualitativa das autonomias: e  paralelamente transformam-se os próprios povos indígenas nas suas  relações de gênero e grupos etários, nos seus processos de identidade  política, étnica e nacional, na sua apropriação regional do território e  na extensão do poder de baixo para cima.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="attachment wp-att-27596" href="http://passapalavra.info/?attachment_id=27596"&gt;&lt;img class="alignright size-medium wp-image-27596" title="imagemfundo" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/08/imagemfundo-256x300.jpg" alt="imagemfundo" width="205" height="240" /&gt;&lt;/a&gt;3. Controle do território e dos seus recursos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Perante a agressão permanente das  grandes empresas em busca de territórios, recursos e saberes dos povos, a  autonomia procura redefinir a relação com o meio que a rodeia. Na  profundidade de território busca-se a união complementar de produtores e  comercializadores para desenvolver uma economia solidária e a  autosuficiência alimentar, assim como a geração de projetos econômicos  para benefício geral, otimizando todos os esforços para o exercício real  da autonomia como tarefa de todos e de todas. A defesa dos sujeitos  econômicos contra a ação do mercado e seus agentes estatais significa o  controle do território a partir de baixo (comunidades) e a partir da  sociedade civil nacional e internacional que por vezes acompanha estes  movimentos. Reafirma-se a urgência de recuperar ou desenvolver a  autonomia econômica, produtiva e alimentar dos povos com o  fortalecimento do cultivo do milho autóctone (não o transgênico), o uso  de adubos orgânicos (e a recusa dos agroquímicos), os cuidados com a  água, o uso e a proteção de sementes próprias; assim como a recriação e  fortalecimento dos sistemas de ajuda mútua, dos mercados e &lt;em&gt;tianguis&lt;/em&gt;  [mercados indígenas ao ar livre de origem pré-hispânica] locais e  regionais e o aproveitamento das ecotécnicas. Perante a grave crise  alimentar que ameaça a humanidade e as mudanças climáticas, a autonomia  procura fortalecer a produção de alimentos e a introdução de programas e  planos educativos nos seus diversos âmbitos e níveis que estimulem o  respeito pela agricultura própria e, em especial, o milho. Os povos e  comunidades indígenas são proprietários e herdeiros de terras,  territórios e recursos naturais onde vivem e, por conseguinte, exigem  respeito e reconhecimento desse direito por parte do Estado e das  empresas nacionais e estrangeiras que se empenham nos seus afãs de  privatização e de comercialização. Por isso estão a exigir o fim de todo  e qualquer projeto, ação ou concessão que atentem contra a propriedade,  o uso, a exploração, o aproveitamento e a integridade de territórios,  terras, lugares sagrados e recursos naturais dos povos índios, assim  como de leis, decretos e regulamentos que tendam a despojar e facilitar o  aproveitamento por terceiros, alheios às comunidades indígenas dos seus  recursos naturais. &lt;strong&gt;[3]&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;4. Diálogo intercultural&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Os processos educativos e de  socialização, do mesmo modo, são gerados a partir das, e pelas,  comunidades, levando em conta os saberes surgidos dos povos e de outros  atores populares, e aqueles que possam enriquecer os sujeitos  autonômicos, no pressuposto de que o diálogo intercultural fortalece a  autonomia. Esta situação é mais notória e necessária quando dois ou mais  povos confluem em um mesmo processo autonômico (Chiapas, regiões da  Guatemala e da Nicarágua, por exemplo) e a unidade do sujeito autonômico  frente ao Estado transnacionalizado se torna indispensável, já que nas  atuais circunstâncias este sujeito se opõe diretamente aos agentes  estatais (funcionários, polícias, exército, juízes, etc.) ao serviço do  capital. Nestes casos deve mesmo dar-se uma representatividade  pluriétnica aos órgãos de autoridade e recordando sempre – como faz o  subcomandante insurgente Marcos – que &lt;em&gt;a autonomia é tão importante que não podemos deixá-la nas mãos dos políticos profissionais&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;[4]&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;5. Política de alianças&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Se a autonomia é parte da questão  nacional, o movimento indígena que pratica e promove as autonomias, na  sua luta por prevalecer, estabelece as alianças necessárias, primeiro  entre os próprios povos indígenas e, a partir daí, com os setores  oprimidos e explorados do país em questão. Isto significa a permanente  construção do sujeito autonômico, não só a partir de baixo mas também  nas suas alianças com outros atores políticos e a partir do controle  sistemático dos representantes através da prestação de contas, da  revogação do mandato, conforme os casos, e da rotação dos cargos. Nunca  foi posta em dúvida a matriz classista imposta pelo capital nem o tipo  de Estado em que se encontram imersas as lutas pelas autonomias e,  consequentemente, a necessidade de alianças dos movimentos indígenas com  todos quantos apresentam reformas democráticas, contra o capitalismo e  até pela construção de um novo tipo de socialismo. Não foi da  responsabilidade dos povos indígenas o pouco interesse mostrado por  partidos e organizações da esquerda no estabelecimento de acordos para  uma luta unificada nos terrenos político, eleitoral ou de mobilização  social. Há exemplos, alguns trágicos, do uso instrumental dos indígenas  nos processos políticos institucionais e também nos espaços da guerra  revolucionária. Do mesmo modo, os movimentos autonomistas indígenas não  praticam um culto da resistência popular espontânea. Usualmente os seus  movimentos são precedidos de longas deliberações e, como demonstra a  insurreição zapatista de 1994, tiveram de passar muitos anos até o  início da rebelião e até agora não foram dados passos que resultassem da  espontaneidade ou do aventureirismo políticos. Este movimento demonstra  o valor que é atribuído à consciência e à organização dos oprimidos e  explorados na luta contra um Estado que os procura desgastar e mesmo  destruir, política e militarmente.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="attachment wp-att-27597" href="http://passapalavra.info/?attachment_id=27597"&gt;&lt;img class="alignleft size-full wp-image-27597" title="cruz_cuadrada" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/08/cruz_cuadrada.jpg" alt="cruz_cuadrada" width="165" height="165" /&gt;&lt;/a&gt;6. Desenvolvimento desigual das autonomias&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;É evidente que todos estes processos não  são levados a cabo simultaneamente nas etno-regiões e em todos os casos  em que é exercido o autogoverno indígena, destacando-se a profundidade  de alguns deles que, por razões específicas, puderam desenvolver formas  organizativas – inclusive político-militares – como o EZLN, que dão  coerência e integralidade às práticas autonômicas. Existem situações,  por exemplo, em que a dependência econômica ou política do povo indígena  em relação aos mecanismos do mercado e aos aparelhos estatais atrofia o  processo autonômico, caso dos yaquis, onde se revela distorcido até  para os seus próprios atores que referem que a sua autonomia “é  relativa”. Noutras situações, o caciquismo ou o paramilitarismo ameaçam  diretamente a autonomia com a repressão generalizada e a criminalização  dos que se destacam no processo, caso de Xochistlahuaca, Guerrero, ou  entre os triqui de Oaxaca. Por isso se insiste no caráter intrínseco de  mudança, adaptação, reação e inovação das autonomias em função dos  fatores internacionais, nacionais, regionais e locais que os povos  indígenas enfrentam. Onde o significado múltiplo e polivalente do termo  e, por vezes até, a recusa de utilizá-lo em algumas experiências que,  como a polícia comunitária de Guerrero, é uma tentativa de &lt;em&gt;governar-se e fazer justiça pelas suas próprias normas&lt;/em&gt;, o que é, na essência, o denominador comum de todo o processo autonômico.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;7. Indigenismo antitético de autonomia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A formação e o fortalecimento do sujeito  autonômico passam também pela ruptura com as velhas formas das  políticas indigenistas durante muitos anos praticadas pelo Estado para  manter o controle dos povos e das comunidades indígenas, mediante o  paternalismo e o clientelismo. O movimento indígena independente do  Estado revela que indigenismo e autonomia são conceitos antitéticos. &lt;strong&gt;[5]&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;8. Autonomia e sistema de partidos de Estado&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Também comprovamos que a ingerência de  partidos políticos na maioria dos casos deteriora, e até leva ao  fracasso, o exercício autonômico. No caso mexicano, o reservatório de  votos que o partido oficial (nos tempos do sistema do partido de Estado  no México) impunha através do sistema de cacicagem indígena vê-se  seriamente afetado por um movimento indígena que, inclusive, rejeita  frontalmente o atual sistema de partidos de Estado e nutre as maiores  dúvidas sobre as deterioradas componentes da democracia tutelada, e se  impõe, no seu lugar, outra forma coletiva de fazer política. A partir do  etnocentrismo da sociedade nacional só a democracia representativa é  possível e é negada toda a experiência relacionada com as democracias  diretas das comunidades indígenas, as quais desenvolvem uma cultura  política de resistência, que é a própria base dos atuais processos  autonômicos.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;9. Sujeito autonômico, rede multiétnica contra conflitos comunitários&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A experiência zapatista e as de outros  processos na América Latina mostram que o desenvolvimento de uma rede  multiétnica consolidada de comunidades e regiões, e até de diferentes  povos, é outra das mudanças transcendentes nas atuais autonomias, nas  quais as cisões intracomunitárias por conflitos seculares, por limites  territoriais ou por recursos podem ser superadas para responderem unidos  à intrusão violenta dos Estados e às grandes empresas capitalistas.  Todas as transformações internas, rupturas e redefinições nos âmbitos  comunitários, regionais e nacional, são impossíveis sem essa conformação  e fortalecimento de um sujeito autonômico com capacidade de afirmação  hegemônica para dentro, de tal modo a contribuir para a coesão interna  através da construção de consensos, da democracia participativa, da  tolerância e da superação das divisões religiosas, étnicas ou políticas,  da luta contra a corrupção e contra as tentativas de cooptação por  parte do Estado e dos seus agentes. Este sujeito incita a mobilização  dos povos e comunidades em defesa dos seus direitos e reivindicações e  tem o apoio para uma representação legítima para fora.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;a rel="attachment wp-att-27598" href="http://passapalavra.info/?attachment_id=27598"&gt;&lt;img class="size-medium wp-image-27598 aligncenter" title="52-gritan-por-la-autonomaa-indigenafoto-gri" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/08/52-gritan-por-la-autonomaa-indigenafoto-gri-300x204.jpg" alt="52-gritan-por-la-autonomaa-indigenafoto-gri" width="300" height="204" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;10. Autonomias pluriétnicas e plurinacionais e sua contribuição para a nação democrática&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;As autonomias indígenas contemporâneas  estão longe dos estereótipos de autarquia que os seus adversários  predisseram como sendo inerente a esses fenômenos. Pelo contrário, como  se observa em muitos países da América Latina, a irrupção dos povos  indígenas nos acontecimentos políticos dos seus respectivos países é uma  realidade inegável. Esses processos autonômicos propõem-se mudanças  substanciais na própria natureza desses países como entidades  plurinacionais, pluriétnicas, pluriculturais e plurilinguísticas, e  reafirma os indígenas como sujeitos políticos de direitos coletivos  irrenunciáveis no seu caráter de povos e nacionalidades. Neste sentido,  uma das conclusões fundamentais da investigação Latautonomy foi a  seguinte:&lt;/p&gt; &lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Recusando de igual modo  a aculturação modernizante e o recuo tradicionalista, denunciando a sua  exclusão e a sua dominação históricas, os povos e movimentos indígenas  afirmam-se historicamente pela primeira vez com as suas especificidades  nos espaços públicos para reclamarem o reconhecimento das suas  contribuições potenciais para a construção da sociedade futura e da sua  contribuição para “um outro mundo possível”. As reivindicações dos povos  indígenas, os valores que defendem – o bem comum e a solidariedade, o  respeito pela natureza e a noção de equilíbrio, a recusa das lógicas de  consumismo e a preeminência dos valores imateriais, a busca da harmonia e  do consenso – vão mais longe do que os interesses estreitamente  comunitários. Constituem a afirmação de valores que permitem uma adesão  universal e transcendem os limites da etnicidade”. &lt;/em&gt;(Monique Munting, “Radiografía de la autonomías multiculturales en América Latina”, en Leo Gabriel y Gilberto López y Rivas. &lt;em&gt;El Universo Autonómico: propuesta para una nueva democracia&lt;/em&gt;. Ob. cit.).&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;11. Rumo à integralidade da autonomia e da sua dimensão regional&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A partir da perspectiva mais ampla de  autonomia, como é expressa no terreno político, jurídico, dos direitos  econômicos, sociais e culturais e que o fundamento da implementação a  nível comunitário, municipal e regional, reafirma-se o valor e a  importância das práticas políticas que se materializam em assembléias  comunitárias, os “sistemas de cargo”, o tequio [trabalho coletivo em  prol da comunidade] e, em geral, as obrigações e contribuições  comunitárias. Isso destaca a importância da coordenação e interação  entre comunidades e municípios indígenas para o exercício da autonomia a  nível regional, como garantido na aprovação pelas Nações Unidas da &lt;em&gt;Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas e também, em Acordos de San Andrés de 1996&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;[6]&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;12. A autonomia se opõe à cultura política hegemônica&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A autonomia é construída a partir de uma  lógica diferente da cultura política hegemônica, a qual se opõe por  definição. Não tem nada a ver com a limpeza étnica, o etnicismo e  autarquia, e trata de olhar em forma autocrítica seu próprio ambiente  para erradicar a reprodução de práticas clientelistas e políticas  corporativas. Pretende reconstruir e dar um novo significado profundo à  cultura democrática, quer dizer: a tolerância, o diálogo, a escolha  racional. Estas vêm se constituindo como os instrumentos mais valiosos  para a resolução dos conflitos decorrentes das suas diferentes origens  étnicas, suas identidades diversas e os diferentes padrões morais e  culturais.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;13. A autonomia para a construção de uma civilização contra sistêmica&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;É importante discutir e consolidar essas  experiências latino-americanas de autonomia, com as existentes em  outros países e continentes, em outras culturas, pois a luta pelas  autonomias tem como horizonte uma &lt;em&gt;civilização&lt;/em&gt; diferente da que prevalece hoje, mesmo nos cantos mais remotos do planeta. Refiro-me à &lt;em&gt;civilização hegemônica do capital&lt;/em&gt;,  na qual a produção e reprodução da vida humana está subordinada à  produção e reprodução de mercadorias, e ao tempo que existem recursos  naturais, conhecimentos científicos, e as tecnologias para garantir o  alimento para toda a humanidade, mas em que prevalece uma racionalidade  instrumental, onde a fome, a exploração e os desastres ecológicos são  justificados em nome do enriquecimento constante de uma quinta parte da  população que detém o 86% da riqueza global.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="attachment wp-att-27601" href="http://passapalavra.info/?attachment_id=27601"&gt;&lt;img class="alignleft size-medium wp-image-27601" title="ls50-f" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/08/ls50-f-283x300.jpg" alt="ls50-f" width="198" height="210" /&gt;&lt;/a&gt;14. Autonomia, transformando a resistência e os projetos imperiais&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Pensar na autonomia e sua relação com os  Estados-nação latino-americanos implica uma responsabilidade teórica e  política com uma resistência revolucionária e transformadora contra o  projeto hemisférico dos Estados Unidos e seus aliados que tentam  continuar impondo sobre o continente o que já desponta como uma nova  expressão da mundialização do capital. América Latina está sendo afetada  por projetos, acordos e programas regionais de origem norte-americana  como ASPAN, o Plano Colômbia, a Iniciativa Merida, o Comando América e  diversos acordos de livre comércio. Todos estes projetos nas suas  diversas formas econômicas, políticas e militares, são parte da nova  configuração mundial provocada pela globalização transnacional e um  enorme obstáculo para o desenvolvimento dos povos indígenas e das  cidadanias.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;15. Os povos indígenas na reestruturação regional do capital e da soberania dos Estados-nação&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A chamada nova ordem mundial que surge  de vários fatores decorrentes, nomeadamente, da crise do “socialismo  real” e dos modelos econômicos de corte keynesiano nos países  capitalistas, não só redefiniu as esferas de influência e de intervenção  entre os países do Norte e Sul (anteriormente chamado desenvolvidos e  em desenvolvimento); mas também entre os países do norte. A União  Européia e a sua antecessora, a Comunidade Econômica Européia e o  Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), surgiram como um novo  paradigma de reestruturação regional do capital. Isso mudou, sem  dúvida, pelo menos na América Latina, redefinindo a essência do  Estado-nação em questão. Conceitos fundamentais dos Estados-nação como  soberania e independência foram fragilizados pelo atual modelo econômico  e os povos indígenas estão contribuindo para o vislumbre de  transformações e formas eficazes de defesa da soberania nacional. Assim,  o alcance e o papel das autonomias nos países latino-americanos também  foram afetados por essa reconfiguração global do capital e as  fronteiras. De fato, as coordenadas para ser dada a atual discussão  sobre as autonomias passam por analisar como o projeto de dominação  hemisférica dos EUA – na sua variante Obama-Clinton – destinada a  dificultar ou mesmo destruir a existência dos projetos autonômicos,  enquanto possíveis expressões de resistência cultural, política,  econômica e administrativa.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;16. Reformas constitucionais e limites legais para o desenvolvimento da autonomia no México&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;As reformas constitucionais sobre os  direitos feita em abril de 2001, contêm vários impedimentos  legais-jurídicos: a todos os direitos reconhecidos e concedidos é  colocada uma nota de precaução que restringe, limita e impede a plena  aplicação das leis e o exercício efetivo destes direitos, ao fazer  referência injustificada a outros artigos da própria Constituição ou de  leis secundárias. Estas reformas referem a leis locais o reconhecimento  dos povos indígenas e as características da autonomia, o que não é  favorável, dada a correlação de forças locais e regionais, se  considerarmos a existência de caciques [políticos] poderosos nas  etno-regiões. Também instituiu programas assistenciais e clientelistas  como parte da Constituição, o que expressa uma contradição com a  essência da autonomia, condenando novamente ao indígena a um papel  passivo da ação decisiva do Estado; negando às comunidades o estatuto de  entidades de &lt;em&gt;direito público&lt;/em&gt; e, inversamente, definindo-os  como de “interesse público” ou entidades protegidas da política de  Estado; e desconhecendo os alcances das autonomias nos níveis municipal e  regional em que os povos indígenas os fazem valer, estabelecidos nos  Acordos de San Andrés e, portanto, a possibilidade da sua  reconstituição. Além disso, esta reforma tem inconsistências em questões  sociais e políticas que constituem um retrocesso mesmo em relação a  outras leis existentes indígenas em vários estados do México, como  Oaxaca, onde se conseguiu definir claramente os conceitos de povo,  comunidade, território, livre determinação, autonomia. Especificamente, a  reforma introduzida em 2001, viola os Acordos de San Andrés e se tornou  numa virtual contra-reforma ao estabelecer o seguinte: a) substituir as  noções de &lt;em&gt;terra&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;território&lt;/em&gt; por “locais”, o que de fato &lt;em&gt;desterritorializa&lt;/em&gt;  os povos indígenas, subtraindo a sua base material de reprodução em  quantos povos, como tal, e é ainda um recuo do disposto na Convenção 169  da Organização Internacional do Trabalho; b) mudar o conceito de  “povos” por “comunidades” e, portanto, prejudicar o sujeito de direito  reconhecido pelos Acordos de San Andrés e na Convenção 169 da OIT e  limitar os poderes locais e regionais destas entidades jurídicas; c)  introduz, fora do acordo entre as contra-partes no conflito, as  contra-reformas neoliberais ao limitar o artigo 27 da Constituição, a  partir do qual é permitida a venda de “terras comunais” e ejidos; d)  limitar a capacidade dos povos indígenas para adquirir sua própria  mídia. O povo mexicano é na sua origem, desenvolvimento e composição  multi-étnico, multicultural e multilíngue. Uma nova Constituinte deve  basear-se nessa realidade histórica aprovada pela vontade dos povos  indígenas e suas organizações para defender seus direitos coletivos, com  fundamento no estabelecimento de múltiplas formas indígenas de  auto-governo como parte da sua autonomia, a administração da justiça  decorrentes de seus sistemas de regulação, a validade de suas formas de  organização social, o reconhecimento de seus territórios e recursos como  base material reprodutiva das suas culturas e de acesso pleno a todas  as formas de representação popular e nacional.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="attachment wp-att-27602" href="http://passapalavra.info/?attachment_id=27602"&gt;&lt;img class="alignleft size-medium wp-image-27602" title="pa_mola" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/08/pa_mola-199x300.gif" alt="pa_mola" width="139" height="210" /&gt;&lt;/a&gt;17. Comunidades Autônomas, o projeto nacional e os direitos dos povos indígenas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Além disso, no caso do México, a luta  pelas autonomias é parte de um projeto nacional que tem vindo a crescer  ao longo de muitas décadas de exclusão, de miséria e discriminação  contra os povos indígenas. Essas autonomias são parte de um projeto  nacional, em que os sujeitos autonômicos têm procurado integrar se  integrar, juntamente com outros setores da sociedade mexicana.  Especificamente, o EZLN se tem dirigido a estudantes, camponeses,  trabalhadores, donas de casa, intelectuais, pequenos comerciantes,  empregados, profissionais de todas as raças, todas as religiões, todas  as etnias para formar uma nação distinta onde, como eles dizem, “caibam  todos os mundos.” Não reivindicam a autonomia para dar continuidade à  marginalização estrutural de raiz colonial e funcional também na  globalização neoliberal. A demanda por autonomia e autodeterminação são  maneiras de alcançar uma maior democracia, igualdade de gênero, para  combater a discriminação, ingressar em um mercado justo-equitativo no  qual eles possam livremente vender os seus produtos e em que os povos  indígenas sejam considerados cidadãos e sejam reconhecidos como sujeitos  políticos capazes de participar nos processos nacionais. As autonomias,  em consequência, expressam uma formulação alternativa às formas  nacionais impostas de cima pelos grupos oligárquicos que se basearam na  integração-assimilação, ou o diferenciação-segregação que constituíram  políticas igualmente provocadoras de etnocídio e negação dos direitos de  cidadania dos indivíduos e coletivos dos povos e comunidades indígenas.  Assim, as autonomias são processos de democratização, articulação  nacional e convivência política – a partir de baixo –, entre  agrupamentos heterogêneos na sua composição étnica, linguística e  cultural.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Conclusão&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;18. Autonomias: algo mais que auto-governos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na América Latina, a partir da imposição  das políticas de transnacionalização neoliberal e coincidindo com o  ressurgimento das lutas dos povos indígenas para recuperar as suas  formas seculares de autogoverno, as autonomias vêm ajudar na defesa,  fortalecimento, recuperação e resignificação de suas identidades  étnicas, culturas, instituições, conhecimentos, sentimento de pertença,  patrimônio, terras e territórios, todos eles baseados no aprofundamento,  restauração, recuperação e readaptação das formas comunais de  propriedade; o domínio das decisões da assembléia, cargos e tarefas do  governo como um serviço; trabalho coletivo gratuito, solidariedade,  ajuda mútua e comunalidade como base das relações sociais; festividade  também como coesão cultural; concepção do território como uma relação  sustentável com a natureza e reprodução material e cosmogônica dos  povos. Por isso, queremos insistir que a autonomia: a) constitui algo  mais que o tradicional auto-governo indígena; b).- se exprime para além  de uma descentralização de poderes, recursos e competência dos Estados;  c).- transcende a maioria dos quadros dos processos nacionalitários  hegemonizados pelas classes dominantes; d).- não significa arranjos  jurídico-administrativos que possam ser estabelecidos por decreto ou  através de reconhecimentos formais dentro da ordem constitucional; e).- é  implementado – na maior parte dos casos – pela via dos fatos, ou para  além das institucionalidades estabelecidas; f).- representa um fenômeno  global (holístico) em que as dimensões da economia, cultura, ideologia e  política tendem a se integrar e se determinar mútua e reciprocamente no  que é denominado a &lt;em&gt;integralidade do sujeito autonômico&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;19. Autonomia não é uma fórmula&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;As formas de organização política da  democracia direta surgidas de processos autonômicos indígenas não podem  ser aplicadas como fórmulas para organizar a sociedade nacional e o  Estado em muitas das suas áreas e complexidades. Porém, foi precisamente  a falta de participação da sociedade e dos trabalhadores, em especial  no exercício do poder e o controle estatal que o caracterizou e – em  parte – acabou com a experiência do socialismo real. Ao destacar a  participação de todo o povo nas Juntas de Bom Governo, por exemplo, não  se pretende que estas formas de autogoverno sejam generalizadas ou  idealizadas, ignorando as suas limitações e os obstáculos impostos pela  contra-insurreição e o avanço expropriatório neoliberal. No entanto, sua  existência nas áreas zapatistas é uma realidade que deve motivar a sua  análise para conceber formas de organização e de participação cidadãs e  populares para substituir as máquinas burocráticas que ignoram os  mandatos das maiorias. Nesse sentido, o que de prejudicial pode ter para  a luta pela construção do socialismo defender a auto-organização para  destacar os valores da solidariedade e da comunidade?! Particularmente,  no caso dos zapatistas maias, não se faz uma apologia da sua experiência  nem se coloca como um “modelo pronto a seguir” para a edificação da  sociedade presente e futura. As autonomias indígenas não ignoram o  Estado nem o poder exercido desde o monopólio da violência legalizada  por um quadro jurídico e legitimada por uma hegemonia de classe. Sob  esta premissa, as autonomias são consideradas como formas de resistência  e de criação-conformação de um sujeito autonômico que se constitui como  interlocutor frente ao Estado e contra o qual impõe uma negociação, mas  em paralelo, se isso falhar, se continua construindo a autonomia &lt;em&gt;de fato&lt;/em&gt;.  Por isso, as autonomias não são concedidas, são conquistadas através de  sangrentos levantamentos e extensas mobilizações. Os auto-governos não  são considerados “ilhas libertárias dentro do mundo capitalista”. Em  “Leitura de um vídeo”, os zapatistas dizem claramente: “o nosso não é um  território libertado, e nem uma comuna utópica. Também não é o  laboratório experimental de um despropósito ou o paraíso da esquerda  órfã.” Os indígenas não difundem uma imagem idílica dos seus movimentos  “supondo que estes agrupamentos avançam pulando todos os obstáculos”,  uma crítica que não parece basear-se na pesquisa empírica e sim em um  conhecimento profundo da autonomia indígena.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;20. Processos contraditórios e sob ataque constante&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Esses processos não são lineares nem  harmoniosos e, portanto, exprimem em suas contradições e desequilíbrios,  avanços e retrocessos em muitas maneiras diferentes, extensões e  profundidades, provocando mudanças na própria natureza das etnias.  Trata-se de uma reconstituição dos povos e envolve necessariamente a  construção de um sujeito autonômico que modifica as relações de gênero,  entre faixas etárias e instituições coletivas, que também sofrem os  impactos da migração, a exploração laboral, o tráfico de drogas, os  racismos e a grave deterioração das condições de vida das classes  trabalhadoras dos nossos países. Pela sua natureza anti-sistêmica e pela  presença indígena em áreas cobiçadas pelo capital e as características  da sua atual mundialização, estes processos de autonomia se enfrentam  direta ou indiretamente ao Estado, suas instituições e forças  repressivas, suas estratégias de contra-insurgência, às estruturas  políticas, ideológicas, militares e de inteligência do imperialismo; às  corporações econômicas que visam abrir os territórios, ocupá-los, e se  apropriar de seus recursos culturais, naturais e estratégicos; as  denominações religiosas, partidos políticos e mecanismos políticos  destinados a penetrar, mediatizar e destruir os auto-governos e formas  coletivas de decisão e organização. Daí, a sua precariedade e sua luta  constante para sobreviver e se desenvolver, por estender os seus níveis  de articulação intra-comunitária, municipal, regional e nacional, bem  como ampliar os espaços de resistência, solidariedade e coordenação  internacionais.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="attachment wp-att-27603" href="http://passapalavra.info/?attachment_id=27603"&gt;&lt;img class="alignleft size-medium wp-image-27603" title="nuncamasunmexicosinnosotros" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/08/nuncamasunmexicosinnosotros-300x214.jpg" alt="nuncamasunmexicosinnosotros" width="300" height="214" /&gt;&lt;/a&gt;21. O significado da autonomia em outros setores da sociedade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A partir das experiências autonômicas dos povos indígenas, Pablo González Casanova, em um importante texto intitulado &lt;em&gt;Com os pobres da terra&lt;/em&gt;, apresentado a propósito do 25º aniversário do &lt;em&gt;La Jornada&lt;/em&gt;  (16 de setembro de 2009), reiterou a extensão do conceito de autonomia  para outros sectores explorados e despossuídos da sociedade como uma  forma de resposta para a ocupação capitalista dos nossos países. Da  mesma forma, o grupo Paz com Democracia no seu &lt;em&gt;Apelo à Nação&lt;/em&gt;,  disse: “É necessária e inadiável a organização de comunidades autônomas  em todo o país, comunidades cujos membros se auto-identifiquem e se  autogovernem democraticamente para a produção-intercâmbio-defesa da sua  alimentação, suas necessidades básicas, da sua educação e  conscientização, com crianças, mulheres, idosos e homens para a defesa  da vida, do patrimônio público, dos povos e da nação, para a preservação  do meio ambiente e o fortalecimento dos espaços seculares e dos espaços  para o diálogo, que nos unem em meio de diferenças ideológicas e  valores compartilhados” (&lt;em&gt;La Jornada&lt;/em&gt;, novembro de 2007). Em  alguns países da América Latina, as autonomias tornaram-se uma via  estratégica pela qual os sujeitos étnicos fazem valer sua identidade  étnica, afirmam as suas diferenças e constroem formas de vida  alternativas. A autonomia é uma estratégia de resistência e, neste  sentido, é também uma estratégia de luta nacional e social. Se  avançarmos na discussão do seu significado, das suas distintas  naturezas, da sua utilidade política, estaremos contribuindo a gerar as  condições da transformação crítica da realidade. Os princípios  igualitários, participativos, auto-gestionários e coletivistas das  autonomias indígenas tornaram-se uma das poucas abordagens estratégicas  atuais para enfrentar com sucesso ao capitalismo, para preservar a  espécie humana de sua auto-destruição e democratizar as nossas  sociedades.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Notas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[1]&lt;/strong&gt; Este texto é uma exposição elaborada para o Ciclo de Conferências “O pensamento crítico e as ciências sociais”. &lt;em&gt;Celebrando 80 anos do Instituto de Investigações Sociais da UNAM 1930-2010&lt;/em&gt;, entre 4 e 14 de Maio de 2010.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[2]&lt;/strong&gt; Refiro-me ao projeto com o acrônimo &lt;em&gt;Latautonomy&lt;/em&gt;  que foi desenvolvido entre 2001 e 2005 sob a coordenação do Instituto  Ludwig Boltzmann para a América Latina, de Viena (Áustria), cuja  hipótese central tinha como síntese: “Autonomias culturais na América  Latina: uma condição necessária para o desenvolvimento sustentável”.  Este projeto foi financiado e apadrinhado pela Direção-Geral de Ciências  e Tecnologia da União Européia e levado a cabo em oito países: México,  Nicarágua, Panamá, Bolívia, Equador, Brasil, Espanha e Rússia. Leo  Gabriel y Gilberto López y Rivas, &lt;em&gt;Autonomías indígenas en América Latina: Nuevas formas de convivencia política&lt;/em&gt;, México: UAM-Plaza y Valdés, 2005. Leo Gabriel y Gilberto López y Rivas, &lt;em&gt;El universo autonómico: propuesta para una nueva democracia&lt;/em&gt;, México: UAM- Plaza y Valdés, 2008.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[3]&lt;/strong&gt; A este respeito a hipótese de &lt;em&gt;Latautonomy&lt;/em&gt;  afirma: “Hipótese de Territorialidade: Quanto maior é o controle de um  sistema ou sujeito autonômico sobre um determinado território, menor é o  perigo da destruição massiva dos recursos naturais e, por isso, maior é  a sustentabilidade do sistema. Os fatores mais importantes que conduzem  à apropriação do território pelo sujeito autonômico são: a)  Conhecimentos específicos sobre a utilização dos recursos naturais  (‘conhecimento local’); b) A coesão social na base de um bem comum  culturalmente definido (‘capital local’); e c) A autonomia política nos  processos de decisão. Relação investigada: Territorialidade-Autonomia.  Fórmula Breve: Territorialidade = autonomia política + Cultura”. Leo  Gabriel y Gilberto López y Rivas, &lt;em&gt;El universo autonómico: propuesta para una nueva democracia&lt;/em&gt;, Ob. cit.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[4]&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Latautonomy&lt;/em&gt;  desenvolve assim a sua hipótese: “Hipótese da Interculturalidade:  Quanto maior é o grau de multi ou interculturalidade, maior é a  possibilidade de o sujeito autonômico se consolidar como força  pluriétnica e de conseguir a autonomia político-jurídica pela via da  negociação com o Estado nacional. O diálogo intercultural é ao mesmo  tempo condição e consequência para um diálogo político, que deveria  levar finalmente ao reconhecimento jurídico da autonomia por parte do  Estado nacional. Relação Investigada: Interculturalidade-Política.  Fórmula Breve: Interculturalidade = + Reconhecimento Jurídico”. Leo  Gabriel y Gilberto López y Rivas, &lt;em&gt;El universo autonómico: propuesta para una nueva democracia&lt;/em&gt;, Ob. cit.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[5]&lt;/strong&gt; Ver capítulo a respeito: “Antropologia e os povos indígenas no México” em Gilberto López y Rivas, &lt;em&gt;Autonomías: democracia o contrainsurgencia&lt;/em&gt;, México: Editorial ERA, 2005. Pp. 13-28.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[6]&lt;/strong&gt; A este respeito &lt;em&gt;Latautonomy&lt;/em&gt;  sustenta: “Hipótese da rede: A sustentabilidade de um sistema  autonômico depende da sua capacidade para vincular o nível das  comunidades locais com uma estrutura regional de forma horizontal e  interativa. Através de um processo de integração a partir de baixo,  devem ser criadas estruturas políticas econômicas participativas que se  articulam, tanto no interior das autonomias multiculturais como para  fora, gerando um projeto de sociedade alternativa. Esta hipótese  pronuncia-se contra qualquer localismo etnocentrista e contra as  representações hierárquicas que impedem o desenvolvimento de mecanismos  participativos na tomada de decisões políticas. Relação Investigada:  Política-Cultura (Democracia Participativa). Fórmula Breve: Rede de  Comunidades Locais = Estrutura Regional”. Leo Gabriel y Gilberto López y  Rivas, &lt;em&gt;El universo autonómico: propuesta para una nueva democracia&lt;/em&gt;, Ob. cit..&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[*]&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Gilberto López y Rivas&lt;/strong&gt;  é doutor em Antropologia, professor e pesquisador do Instituto Nacional  de Antropologia e História - Centro Regional Morelos, em Cuernavaca  (México).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Texto originalmente publicado (em castelhano) no site &lt;em&gt;Rebelión&lt;/em&gt;, &lt;a href="http://www.rebelion.org/noticia.php?id=106782" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Tradução do Passa Palavra.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-6520421877687726292?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/6520421877687726292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=6520421877687726292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/6520421877687726292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/6520421877687726292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/passapalavra-teses-em-torno-da.html' title='PassaPalavra:  Teses em torno da autonomia dos povos índios- Por Gilberto López y Rivas'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-8263238983425011619</id><published>2010-08-24T17:21:00.001-03:00</published><updated>2010-08-24T17:23:49.603-03:00</updated><title type='text'>Recomendação Leitura- DOSSIÊ: Viver em Chiapas</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;a href="http://passapalavra.info/?p=27319" rel="bookmark"&gt;DOSSIÊ: Viver em Chiapas&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; &lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta página, os diários de uma  visita de militantes europeus às comunidades zapatistas de Chiapas.  Impressivas descrições da vida concreta de milhares de mexicanos que,  depois da revolta de 1994, decidiram mudar de vida e construir a  autonomia. Veja, a seguir ao pequeno texto de apresentação de um dos  viajantes, traduzidos na íntegra, os relatos sobre as oito  comunidades  visitadas.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Passa Palavra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-8263238983425011619?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/8263238983425011619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=8263238983425011619' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/8263238983425011619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/8263238983425011619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/recomendacao-leitura-dossie-viver-em.html' title='Recomendação Leitura- DOSSIÊ: Viver em Chiapas'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-4119860630331573894</id><published>2010-08-24T16:59:00.007-03:00</published><updated>2010-08-24T17:17:03.181-03:00</updated><title type='text'>Los intelectuales y el poder. Otra ciencia social -  Andrés Aubry</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQoGbkzRZI/AAAAAAAAAmo/Mezg4DT8BDg/s1600/Super+Homem+Nietzsche.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 416px; height: 538px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQoGbkzRZI/AAAAAAAAAmo/Mezg4DT8BDg/s400/Super+Homem+Nietzsche.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509072335127397778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Los intelectuales y el poder. Otra ciencia social -  Andrés Aubry&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQnbUfgQ8I/AAAAAAAAAmY/4YZ5JsS9a9c/s1600/AndresAubry.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 285px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQnbUfgQ8I/AAAAAAAAAmY/4YZ5JsS9a9c/s400/AndresAubry.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509071594491757506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="attribute-intro"&gt;  &lt;p&gt; "¿De qué sirve la ciencia social? ¿cuál es su papel en el sistema? ¿Por  qué no cumple su comprometido? ¿Por qué los especialistas del cambio  social, no sólo no cambian nada sino al contrario y pese a su discurso,  perpetúan el &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt;? No estoy en contra de la ciencia social  sino sólo de sus premisas y de las prácticas que de ellas derivan, lo  que implica opciones profesionales para probar &lt;i&gt;otra &lt;/i&gt;ciencia social. ¿Cómo? &lt;i&gt;Primero&lt;/i&gt; eliminando sus derrapes o despistajes..." &lt;/p&gt;        &lt;/div&gt;         &lt;p&gt; Históricamente la toma del poder corresponde a una lógica estatal, es  decir, de arriba; es un mandar mandando sin obedecer al pueblo  involucrado, violando muchas veces su soberanía, fuente teórica y  constitucional de toda democracia. Desde la red sistémica del poder  interestatal –una lealtad entre estados dóciles al centro estructural  que somete desde arriba a todas las periferias de abajo- el poder  ilustrado del estado no camina preguntando (ni ve ni oye) y por tanto  restablece un orden absolutista reprimiendo, porque se manda solo.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  También programa a los científicos (o les quita presupuesto) y coopta a  intelectuales con sólo el permiso de ser, según Durito, “mercaderes de  las ideas con pedantería ilustrada”. Este poder afortunadamente no  siempre puede (es otra cuestión) pero esto quiere como se explicará  luego. Quienes lo ejercen, o aspiran a tenerlo, o lo añoran cuando la  alternancia los ha sacado, conforman la &lt;i&gt;clase política&lt;/i&gt;; ésta  siempre enfoca su mirada arriba, es lo que llama remediar o cambiar las  cosas “desde adentro” (puesto que la mejor cuña debe ser del mismo  palo). Esta estrategia se considera la más eficaz por ser la más  operacional, sin advertir que su cambio es un simple ajuste para que  todo siga igual, es decir, hacen cambios para que no cambie el orden  sistémico.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Así las cosas, esta participación mía quiere establecer la relación  inevitable que existe entre el poder estatal y el trabajo intelectual  (en el ámbito de las ciencias sociales).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;b&gt;La miseria de las ciencias sociales y su historia&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; El científico social, sea cooptado, dominado o condicionado por el poder  estatal para seguir siendo un instrumento del sistema, aspira al  reconocimiento de arriba sin dejar beneficios perceptibles o apreciados  abajo. Aunque sus posiciones críticas ante la clase política empiecen a  ser una elegancia intelectual, el norte científico se entrampa en su  equivalente, &lt;i&gt;la clase académica&lt;/i&gt; que le permite subir, ascender  profesionalmente, ser escuchado (aunque apenas) pero le roba energías y  creatividad. El simétrico intelectual de la clase política se llama SNI o  CONACYT quienes regulan criterios, opciones y nivel de vida del  científico.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  En el campo, la peor tarjeta de presentación es la del antropólogo: se  interna, a veces penetra, se va con datos e información (no siempre  relevante) para escribir su tesis, y si le va bien su libro, regresa un  rato para entregar puro papel si tiene un tanto de formalidad y  desaparece para siempre sin dejar otra devolución a la comunidad que su  literatura ilegible para campesinos. A las otras disciplinas de la  ciencia social no les va mejor, hasta con los ilustres: brillantes  colegas nuestros llegaron a ser jefes de estado en Perú y en Brasil pero  su administración resultó una vergüenza para nuestra profesión; otros  son funcionarios internacionales del Banco Mundial o de agencias de la  ONU sin que su desempeño allí nos enorgullezca. Pese a excepciones  aleccionadoras, la práctica de la ciencia social es poco científica  puesto que falla (incluso con estrellas de sus disciplinas), es inmoral  por falta de ética humanista, y aburridora.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Entonces&lt;b&gt; ¿&lt;/b&gt;de qué sirve la ciencia social? ¿cuál es su papel en  el sistema? ¿Por qué no cumple su comprometido? ¿Por qué los  especialistas del cambio social, no sólo no cambian nada sino al  contrario y pese a su discurso, perpetúan el &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt;?&lt;b&gt; &lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Si se me permite un recordatorio histórico, la ciencia social tiene su  pecado de origen. La creatura es hija de la Ilustración, coqueteada,  conquistada y luego preñada por &lt;i&gt;el liberalismo&lt;/i&gt;, el promisorio  responsable del rostro que irá tomando el capitalismo después del siglo  XVIII. La ciencia entonces se “liberaba” de las aproximaciones no  demostrables de la filosofía con sus escrúpulos éticos, y empezó a  florecer como ciencia natural. Entonces, el sistema buscó un instrumento  de la misma precisión para comprender otros fenómenos, los sociales, es  decir, en el periodo pujante del capitalismo del siglo XIX, para  consolidar las estructuras del sistema en auge, pero ya sacudido por  tempestades sociales amenazadoras como las que transformaron a los  Estados Unidos al dejar de ser una colonia del Occidente, y luego por la  Revolución francesa. Fue cuando, brincando algunos años, en el Congreso  de Viena, nació un nuevo aparato político, &lt;i&gt;el estado-nación&lt;/i&gt;  promovido al mismo tiempo en todo el espacio capitalista, es decir, en  su centro occidental y en sus periferias, para regular una sociedad en  movimiento e inquietante efervescencia. Para lograrlo, el instrumento  adecuado vino a ser la &lt;i&gt;ciencia social&lt;/i&gt; que, a imagen y semejanza  de la certeza de las ciencias naturales, daría éxito al manejo  provechoso de la flamante red interestatal.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  De lo que se trataba era comprender la mecánica social tal como Newton  había desentrañado las leyes de la mecánica celeste. El principal  problema en esos tiempos que apetecían &lt;i&gt;el progreso&lt;/i&gt; era aquél de  las clases peligrosas, un dolor de cabeza tanto para los estados-nación  como para el propio sistema capitalista. En este siglo positivista, el  “filósofo” inspirado de la Ilustración y de la Enciclopedia fue  pervertido por el liberalismo en “científico” (por ejemplo porfirista):  vino a ser el hombre indispensable al progreso y el contructor  intelectual del sistema: el experto, el tecnócrata. La ciencia social,  por lo tanto, formaría y normaría a los ingenieros sociales que le  hacían falta.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Su misión era clara: en lo positivo alcanzar el objetivo progreso (hoy  se prefiere decir desarrollo) y garantizar el éxito del sistema que lo  propugnaba, el capitalismo; en lo negativo controlar y amaestrar a las  clases peligrosas que amenazaban tanto el objetivo como la marcha de los  nuevos estados-nación. ¿Se entiende por qué la ciencia social protege  el &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt;?  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Además de este pecado de origen, la ciencia social ha tenido otros,  veniales o capitales, que se convirtieron en vicios duraderos. La  pujanza del capitalismo (las ganancias que permiten llegar al progreso)  se había conseguido con &lt;i&gt;monopolios&lt;/i&gt; como lo probó Braudel (al  refutar su presunta identificación con la economía de mercado). Por lo  tanto su equivalente en la ciencia fue (y es todavía) la  especialización, formulada como monopolio intelectual. Por ejemplo, las  ciencias naturales se desarrollaron con ella (se separaron física,  química, biología, etc.). Este fue el camino seguido luego por la  ciencia social para crecer, de tal forma que cada problema mayor del  sistema capitalista necesitaba sus especialistas: el estado con las&lt;i&gt; ciencias políticas&lt;/i&gt;; su pareja antinómica, la sociedad, con la &lt;i&gt;sociología&lt;/i&gt;; y el mercado, indispensable al motor del sistema que es la reproducción-acumulación incesante de ganancia, con la &lt;i&gt;economía&lt;/i&gt;. Como los monopolios no se comparten, tampoco estas &lt;i&gt;disciplinas&lt;/i&gt; de la ciencia social.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  El garante de esta inalterabilidad disciplinaria es la clase académica  que vigila sus fronteras y por lo tanto su personal científico para que  no se salga del jacal disciplinario. Sin embargo, la academia es  consciente de que estado, sociedad y mercado funcionan juntos y al mismo  tiempo de tal suerte que el ideal de un centro de investigación vino a  ser la pluridisciplinaridad (con un personal que cubra las tres  disciplinas), pero sin mezclarlas: cada uno con su objeto y su campo de  estudio separado, sin invadir el monopolio de cada especialisación (por  ejemplo, el politólogo del Centro estudia el estado &lt;i&gt;x; &lt;/i&gt;su sociólogo, la sociedad &lt;i&gt;y, &lt;/i&gt;y su economista el mercado&lt;i&gt; z, &lt;/i&gt;o  sea tres estudios de caso distintos). Ahora el problema es más  complicado que en el siglo XIX porque se agregaron otras disciplinas  (historia, antropología, lingüística, demografía, sicología, etc.) pero  la academia (y también desgraciadamente la universidad) permanece firme  en la especialización como criterio de competencia científica. ¿Se  entiende por qué la ciencia social patina ante realidades complejas que  desafían y burlan el principio de especialización, y por qué se atomiza  en investigaciones sesudas, caras e irrelevantes?  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Ya no estamos en el siglo XIX que separó filosofía y ciencia (como lo  aconsejó Descartes ya en el siglo XVII). Esta arcaica alergia a la  filosofía, la ética y las humanidades deshumanizó la ciencia social  (ahora sin embargo aunque no siempre, se toman algunas precauciones  humanistas y, en las ciencias del hombre y la sociedad, puede intervenir  una elemental solidaridad); y exageró la separación entre ciencia  natural y ciencia social (hoy al contrario se interpelan mútuamente: por  ejemplo se hace antropología médica o sociologia de la agricultura, es  decir, el mismo investigador maneja a la vez disciplinas  transcientíficas, una social y otra que es una rama de las ciencias  naturales).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Pero la ciencia progresó. Su paradigma (natural y social) ya no es la  mecánica de Newton sino la dinámica (el universo en expansión de  Einstein, la biología evolutiva de Darwin, la historicidad braudeliana  de los procesos sociales con sus etapas contrastadas–sus “duraciones”).  Pese a la persistencia de fósiles científicos sociales funcionalistas,  se empieza a entender que la realidad es procesal y electiva tanto en la  materia como en la sociedad. A pesar de lo anterior, la clase académica  se empeña en exigir una especialización artificial que aisla sus  aparatos científicos porque se quedó con conocimientos obsoletos y, por  tanto, perpetúa los monopolios disciplinarios aunque los albergue  juxtapuestos en sus centros de investigación, pero sin interacción sobre  un mismo objeto de estudio. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Otra tarea de la clase académica es velar por la neutralidad de sus  investigadores. Si la objetividad del análisis detecta una injusticia  social ¿tiene validez y legitimidad tal neutralidad? La distinción entre  objetividad y neutralidad, entre realidad social y práctica social ¿no  es un litigio “puramente escolástico” ya denunciado en la II tesis sobre  Feuerbach? Además es llanamente hipócrita y elitista si se recuerdan  las circonstancias generativas de la ciencia social para vencer  “científicamente” a las clases peligrosas (recientemente todavía, el INI  renunciaba a una imposición autoritaria de la modernidad, pero sus  programas educativos persuadían de sus méritos). La opción de la ciencia  social de ayer de optar por el poder, la de las ciencias políticas de  hoy de focalizarlo en el estado ¿son científicas u opiniones políticas?  Las premisas originales de la ciencia social (asegurar la supervivencia  del capitalismo; enfocar el progreso, el desarrollo, la modernidad;  consolidar el sistema) ¿son científicas o ideológicas? Que responda cada  quien según su criterio pero una cosa es obvia para todos: la  inobjetable ligazón entre poder y ciencias sociales.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;b&gt;Otra práctica de la ciencia social&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No estoy en contra de la ciencia social sino sólo de sus premisas y de  las prácticas que de ellas derivan, lo que implica opciones  profesionales para probar &lt;i&gt;otra &lt;/i&gt;ciencia social. ¿Cómo? &lt;i&gt;Primero&lt;/i&gt; eliminando sus derrapes o despistajes (aquí sigo el orden de mi exposición, no de una jerarquía de los qué haceres):  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  1. &lt;i&gt;Romper con la práctica extractiva&lt;/i&gt; de la antropología (la  expresión es de Xochitl Leyva): sacar datos e información como de una  mina sin regresar nada a la comunidad que los proporcionó, es un despojo  intelectual. La devolución del trabajo no puede ser el artículo o el  libro que los procesó porque el papel no sirve a quienes no leen, sino  algo util abajo, por ejemplo: reuniones y pláticas, regalos a la escuela  o la casa ejidal, instrumentos no personalizados de provecho colectivo,  todo en relación con la investigación practicada. Pero este regreso a  la comunidad nunca está planeado por el investigador, ni contemplado en  el presupuesto de la beca. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  2. &lt;i&gt;Transgredir las fronteras disciplinarias&lt;/i&gt;. Estado y sociedad,  economía y política son inseparables en lo social concreto; si  interactúan en la realidad, el realismo es estudiarlos juntos. Los  problemas humanos son los más complejos del universo; ante esta  complejidad la única aproximación apropiada es no sólo transdiciplinaria  sino transcientífica. Y, tratándose de lo humano, interviene  inevitablemente la ética: el valor (lo bueno –o lo malo) debe  conciliarse con el concepto (lo verdadero –o lo falso), el compromiso  con el análisis, la responsabilidad con la justeza de las conclusiones.  El “científico” no puede prescindir de la ética del “filósofo” ni del  humanismo de las humanidades (por ejemplo los derechos humanos), lo que  nos lleva a: &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  3. &lt;i&gt;Rebasar el falso conflicto entre objetividad y neutralidad&lt;/i&gt;.  Es un caso particular de la relación entre teoría y práctica, objeto y  sujeto, pensamiento y acción. La objetivación puede ser fetichización (y  por tanto alienación), porque el encuentro del investigador y del actor  social es siempre transformador (de ambos y de la realidad observada y  analizada, porque el conocimiento se construye al fragor de la lucha),  puede obligar a desaprender lo aprendido y reajustar la praxis (como lo  advierte la tesis IV sobre Feuerbach: “se critica teoricamente y se  revoluciona prácticamente”). Efectivamente, la ciencia no se aboca  solamente a interpretar el mundo sino también a transformarlo (tesis XI)  o, en palabras de Wallerstein, la ciencia social “explica la realidad  (…) para actuar en ella”, es decir, es una “búsqueda a la vez  intelectual y política”. Investigación y acción son inseparables, y la  transformación que de ello debería resultar es una opción, es decir, lo  contrario de la neutralidad (aunque para los académicos de mañana, por  su inclinación a perpetuar y legitimar el &lt;i&gt;status quo,&lt;/i&gt; es decir la transformción de ayer&lt;i&gt; -&lt;/i&gt;aun  cuando ya no funcione - será otra vez objetividad y neutralidad) . La  neutralidad, supuesta precaución para no pecar de subjetivividad, es en  realidad un disfraz del miedo al compromiso ante la transformación de la  realidad como meta de toda práctica científica. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  4. &lt;i&gt;Alejarse de la mecánica funcionalista para estudiar la estructura procesal de la realidad&lt;/i&gt;.  Las disciplinas que integran la ciencia social deben adquirir una  dimensión histórica: asi como la nueva historia es una historia  socio-económica, así la ciencia política debe convertirse en historia de  la política; la sociología y la economía, en sociología histórica y  economía histórica, es decir, enfocarse en la detección de los procesos  portadores de los fenómenos sociales. Cada realidad social nace, crece y  muere, y sus sucesoras surgen de bifurcaciones dramáticas que son a la  vez rupturas y creaciones. Procesos y fenómenos no caen del cielo, nacen  y cambian por la creatividad (perturbadora o generadora) de &lt;i&gt;actores sociales&lt;/i&gt;.  Las sociedades resultan de un sujeto histórico, que el investigador  debe encontrar en vivo o en los documentos. Política, sociedad y  economía son gestadas por clases (peligrosas o fundadoras), o por  movimientos populares, es decir por colectividades organizadas, aun  cuando nacen espontáneamente. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Lo anterior descalifica la moda antropológica de los estériles  “estudios de comunidad”, o sociológica de los “estudios de caso”, ambos  desautorizados por su carencia procesal, por su descontextualización  espacial y disciplinaria, por su falta de perspectiva histórica. Para  ser relevante, un estudio de ciencia social debe construir su unidad de  estudio espacio-temporal (Wallerstein) que, como mínimo, debe contemplar  “la duración” adecuada (Braudel), mínimamente la del proceso social más  operativo para el temario elegido. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;i&gt;Luego&lt;/i&gt; veamos lo más importante para una ciencia social de, desde, para y con abajo y agreguemos dos números más: &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  5. &lt;i&gt;Sobre la ciencia. &lt;/i&gt;El investigador, en la ciencia que sea, no  es un escritor (de artículos o libros, aunque no se los excluya). No se  le pide papel sino búsqueda: indagar, detectar, observar, descubrir,  comprender y explicar. La calidad del investigador depende de lo  relevante de sus preguntas (camina preguntando como buen zapatista): las  encrucijadas de abajo, no la preocupación o la frivol curiosidad del  que dirige la tesis u otorga la beca (que suele no importar a muchos  fuera de su rosca académica). Y como no es socialmente decente  conformarse con la sóla interpretación de la realidad porque el problema  que resolver es su transformación, toda ciencia, incluida la social, &lt;i&gt;es un hacer&lt;/i&gt;  (no un escribir), y no sólo un hacer del investigador sino un “hacer  que se haga” más allá de él. Investigar un problema, no es sólo indagar  cómo se plantea sino llegar a resolverlo. Toda investigación responsable  es una &lt;i&gt;investigación-acción&lt;/i&gt; (la que va más allá de la  investigación participante cuyos integrantes asociados quedan distantes  de la acción -de la resolución del problema- para no ofender la sagrada  neutralidad). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Es lo que hace todo laboratorio en la ciencia que sea; el laboratorio  es paradigmático de la ciencia, pero en las ciencias del hombre y de la  sociedad, no se trata de un laboratorio &lt;i&gt;in vitro&lt;/i&gt; (para estudiar y transformar cosas) sino &lt;i&gt;in vivo,&lt;/i&gt;  lo que exige una buena dosis de responsabilidad y respeto: una ciencia  con conciencia (con humanismo y sensibilidad a la complejidad, se trate  del cirujano en su quirófano, del ingeniero en su represa, del  arquitecto para las viviendas y el urbanismo de su nueva colonia, del  agrónomo para sus nuevos cultivos, del científico social en su trabajo  de campo). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  6. &lt;i&gt;Sobre la ciencia abajo&lt;/i&gt;. Sin revolución de la academia (o sin  prescindir de ella) es impensable otra ciencia social realizada abajo  ((lo que es más amplio que el espacio necesariamente a raz del suelo del  trabajo de campo), con enfoques dictados por los de abajo, trabajados y  procesados con ellos y en su beneficio, no programada por la clase  académica del SNI, del CONACYT u de otros burocratas intelectuales sino  por actores sociales: niños de la calle, movimientos populares,  campesinos, indígenas, huelguistas, peones etc., no como objetos de  estudio sino como programadores de nuestros estudios. El sueño sería que  el científico social llegue a ser una especie de &lt;i&gt;j-am’tel&lt;/i&gt; o &lt;i&gt;tunel&lt;/i&gt;  del sujeto histórico, es decir (para quienes no entienden esta jerga  chiapaneca), llamado por este actor colectivo a un encargo y un  compromiso de dimensión social (comunitaria o intercomunitaria, sea ésta  rural o urbana). Así como el mando zapatista manda obedeciendo, o como  el maestro freiriano enseña aprendiendo, así el científico social de  abajo investiga escuchando (u observando) y resuelve investigando.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Mientras no se realiza, este sueño abre a nuestra profesión un espacio  de lucha para transformar la Universidad, acabar con la clase académica y  su burocracia, y sacar de sus torres de marfil a nuestros centros de  investigación.  &lt;/p&gt; &lt;p class=" text-left"&gt; Andrés Aubry (Unitierra-Cideci) &lt;/p&gt;Redactado para el seminario post Oventic del 3 de enero 2007 en CIDECI&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-4119860630331573894?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/4119860630331573894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=4119860630331573894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/4119860630331573894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/4119860630331573894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/los-intelectuales-y-el-poder-otra.html' title='Los intelectuales y el poder. Otra ciencia social -  Andrés Aubry'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQoGbkzRZI/AAAAAAAAAmo/Mezg4DT8BDg/s72-c/Super+Homem+Nietzsche.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-4116836003805594399</id><published>2010-08-24T16:56:00.002-03:00</published><updated>2010-08-24T16:59:20.144-03:00</updated><title type='text'>La Sexta: "la razón y la ira"  - Sergio Rodríguez Lascano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.pensamientocritico.org/serrod1105.htm"&gt;&lt;span class="titulo"&gt;  &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;La Sexta: "la razón y la ira"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; - Sergio        Rodríguez Lascano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;  &lt;em style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;(Rebeldía, &lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;33, julio 2005&lt;/span&gt;&lt;em style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;                &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;          &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;         La Sexta Declaración de la Selva Lacandona representa una nueva         fase en la práctica y el pensamiento del Ejército Zapatista         de Liberación Nacional (EZLN). Según ellos mismos lo han         planteado, el proceso que permitió llegar a ese objetivo duró tres         años. Tres años de diálogos, intercambios, acercamientos,         asedios. Tres años para madurar un diagnóstico, una concepción        y  una propuesta. A diferencia de otros que pretenden tener una respuesta         para todo y actúan con una profunda irresponsabilidad —en         tanto nunca hacen un balance de lo que dicen, más aún ni        siquiera  les interesa saber si alguien los escucha—, el Comité Clandestino         Revolucionario Indígena-Comandancia General del EZLN asume con         responsabilidad lo que propone y lo que hace, en tanto no son  comentaristas        de lo que pasa sino actores comprometidos que  luchan por cambiar al mundo        y al país.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Tres  años nos pueden parecer mucho para llegar a una propuesta,         acostumbrados a regirnos por los tiempos del poder, pensamos que el  tiempo        no nos pertenece, que está sobredeterminado por los  conflictos,        la agenda y la geografía de los señores del dinero y  sus        palafreneros (por lo menos así se ven ellos): la clase  política.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       La Sexta es una propuesta  político-organizativa. Y, como tal,        representa una apuesta  política que en su diseño, elaboración        y ejecución requiere de  una visión más o menos precisa        de qué se pone en riesgo, quiénes  son los interpelados,        cuál es el marco general de referencia, con  qué tiempos        y en qué espacios. Desgraciadamente la impaciencia  por el éxito        y la eficacia no tan sólo buscan determinar las  relaciones sociales        de dominio sino que también influyen, muchas  veces, en la visión        de los que luchan en contra de ese dominio.  La política de los        de abajo necesita romper con esa impaciencia y  con esas cargas ideológicas.        La política de los de abajo  requiere de su tiempo y su espacio.        La Sexta refleja la maestría  que significa poner el tiempo del        lado de los trabajadores del  campo y la ciudad. ¿Por qué no        antes? Porque no se podía. ¿Por  qué no después?        Porque no se debía.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Una  cuestión similar acontece con el problema del espacio. El        EZLN  siempre se ha movido en los tres planos del espacio de la política:         lo local, lo nacional y lo internacional. Algunas veces como planos  diferenciados,        otras como la combinación de dos de ellos y otras  combinando todos        los planos. Y siendo indudable, como ellos  mismos lo señalan en        la Sexta, que la cuestión indígena (la lucha  por los derechos        de los pueblos indios) fue el hilo conductor de  lo fundamental de su        política, ellos nunca renunciaron a contar  con una propuesta nacional        más allá de los pueblos indios. En la  sexta, los tres planos        del espacio de la confrontación con el  poder del dinero se ubican        como los lugares de actuación.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        El arte de la política es dominar el tiempo y el espacio. Y  lograr        esto muchas veces significa ceder espacio para ganar  tiempo, o ceder        tiempo para ganar espacio, o ceder tiempo y  espacio para ganar más        tiempo y más espacio, o no ceder nada para  ganar…&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;              &lt;strong&gt;El lenguaje de la Sexta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        La forma de la Declaración me parece inmejorable. A mí me         recuerda mucho la primera. No quiero decir con esto que las otras  Declaraciones        no sean muy importantes, lo que me interesa  subrayar es que el tono me        parece más cercano. Refleja de una  manera nítida (me parece)        la discusión que tuvieron las  comunidades indígenas de        Chiapas y da la impresión de estar  escuchando las discusiones        que tuvieron y las conclusiones a las  que llegaron. Eso dicho de otra        manera hubiera sido mucho menos  impactante y mucho menos profundo. Entonces,        aunque en la  Declaración se señala el salto hacia adelante        que propone dar el  EZLN al dirigirse ahora a los trabajadores del campo        y la ciudad  en su conjunto y trabajar para su organización, lo        hace desde los  modos y el lenguaje de las comunidades indígenas        zapatistas. De  esta manera la visión del mundo, de México,        de lo que se proponen  hacer cobra una fuerza mucho más grande        y significativa. Una vez  más no se trata de una proclama, de las        típicas en la historia  de la izquierda mexicana, sino que lo que        se nos ofrece es una  experiencia y, producto de ésta, una propuesta        donde nos dan a  conocer su visión de la vida y de la lucha, lo        cual permite que  la riqueza del contenido sea acompañado de un        lenguaje fresco y  vital.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Por otro lado, el tono de la Declaración  permite que la comprensión        de lo que ahí se plantea sea más  fácil. Atrás        de la Sexta se encuentra lo que Adolfo Gilly ha  señalado en otras        ocasiones: la fusión entre la razón y la ira.  Pero lograrlo        es una verdadera creación. Cuando la razón no se  encuentra        con la ira de los desposeídos, normalmente se vuelve  fría        e insustancial. Cuando la ira se presenta sin la razón,  normalmente        es estéril y vana. Razón e ira son los dos elementos  de        la Sexta.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Efectivamente, como dijo  nuestra compañera, Eugenia Gutiérrez,        en una reunión de la  revista Rebeldía, se trata de un nuevo        Ya Basta. Pero al retomar  las demandas originales de la Primera y al        señalar la voluntad de  construir una fuerza de la mera izquierda        basada en los  trabajadores del campo y la ciudad, este Ya Basta es más        grande y  más audaz y, desde luego, no exento de riesgos.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;              &lt;strong&gt;Las partes de un todo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        Un texto de esta naturaleza debía de iniciar con dos  definiciones: “De        lo que somos”, “De dónde estamos ahora”. Estos         dos apartados no buscan fundamentalmente recordar diversas fases  de lo        que ha sido la política del EZLN sino algo más profundo:         la decisión de lucha del zapatismo, su capacidad para saber  escuchar,        su voluntad de cambiar las relaciones de dominio que  oprimen a nuestro        pueblo, la búsqueda de abrir espacios para la  reorganización        del antagonismo social, la vocación de no rendirse  frente a la        ofensiva arrasadora del capital (lo cual permitió,  para una parte        de la generación del 68 —por lo menos ese es mi  caso—,        contar con una especie de pulmón artificial cuando  pensábamos        que todo estaba perdido; y para una nueva generación  que, sin        haber sufrido las derrotas de la lucha socialista, en  medio del mayor        escepticismo, encontrara otra forma de hacer y  entender la política),        la voluntad por hacer renacer la  esperanza. Ese largo camino (sin hablar        del anterior, el más  duro, el que solamente les pertenece a ellos)        tuvo la virtud de  convertirse en el camino para muchos otros. Eso es,        creo yo, el  significado profundo de los dos primeros apartados.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        Sobre la tercera parte, yo creo que representa una conclusión         de lo que ha sido la experiencia práctica del zapatismo. La forma         de ver al mundo refleja la capacidad para entender una serie de cambios         que se han realizado en los últimos 20 años. En un artículo         publicado en el periódico La Jornada, Emmanuel Wallerstein plantea         lo siguiente: “Desde 1994 la rebelión zapatista en Chiapas         ha sido el movimiento social más importante del mundo, el barómetro         y el disparador de otros movimientos antisistémicos por todo el         planeta”. Para luego plantearse una pregunta: “¿Cómo        puede ser  que un pequeño movimiento de indígenas mayas        en una de las  regiones más pobres de México pueda desempeñar        un papel tan  importante?” Efectivamente, responder esta pregunta        es un reto.  Paradójicamente, en los análisis críticos        y en algunas ocasiones  hostiles que se han realizado sobre la Sexta,        de alguna manera,  se contesta esta pregunta sin buscar contestarla. Desde        aquellos  que le reclaman al zapatismo su vuelta al lenguaje “duro” de        la  izquierda o la vuelta a “las viejas teorías de la lucha        de  clases” y por lo tanto el abandono de la pequeña lucha        por “el  empoderamiento local basado en la sustentabilidad y en        la  agroecología” hasta los que de plano dicen que al zapatismo        nunca  le interesó el movimiento indígena o que jamás        elaboró una  teoría sobre este movimiento.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Aquí parece que  existe un problema de los que elaboran la interpretación. ¿Cómo         fue posible que el EZLN lograra ganar un consenso sobre la forma de  construir        una propuesta constituyente y soberana para los pueblos  indios de México? ¿Cómo        fue posible que un grupo de nostálgicos  de izquierda lograran        un consenso entre cientos de comunidades  indígenas para que se        construyera una autonomía cercada por  decenas de miles de soldados        y combatida por todos los medios  posibles? ¿Cómo fue posible        que el mensaje zapatista tuviera el  eco internacional que ha conquistado?        Por eso los mismos que  están elaborado esta crítica, en        otros momentos ya habían tratado  de cuestionar el carácter        indígena de los zapatistas. La razón  es simple. Para estos        compañeros el movimiento indígena es  autogestionario pero        siempre necesitará a un intelectual que lo  interprete, que decida        quién sí es verdaderamente indígena y  quién        no, desde luego un intelectual que no viva con ellos, que  vaya de vez        en cuando a la comunidad, que escriba muchos libros  sobre sus pláticas        con los comuneros y que forme muchas o­nG´s  que consigan recursos        financieros para las comunidades y para sus  investigaciones.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Una de las características que  bajo esta concepción se        le pone al movimiento indígena es que no  se metan en política        nacional. Para la política nacional están  los partidos        políticos, que son malos pero necesarios. Bajo esta  ideología        de la reservación, el movimiento indígena debe ser  local        y punto.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Pero el EZLN nunca ha  engañado a nadie. Desde el inicio ha sido        claro su planteamiento.  Se trata de un movimiento político-social        que está basado (y  creo estará basado siempre) en las comunidades        indígenas en los  altos, el norte y la selva de Chiapas; que lucha        en contra del  desprecio, la discriminación, la violencia, el despojo        y la  explotación de los pueblos indios de México; que en        su apellido  lleva una parte significativa de su definición (de        Liberación  Nacional); que tomaron las armas y se constituyeron        en un  ejército rebelde para luchar en contra del neoliberalismo,        pero  también para ser escuchados por los otros sectores de la         sociedad, incluida una izquierda que había sido incapaz (en términos         mayoritarios) de sobrevivir a la oleada cardenista y había entregado         sus banderas a cambio de un cierto estatus social, una izquierda  que        seguía esperando a una clase obrera ideal vestida de overol,  como        se espera a Godot en la famosa obra de teatro de Samuel  Beckett, sin        percatarse de que Godot había llegado vestido de  indígena        maya; una organización que no busca la toma del poder  sino combatir        todas las formas de poder y en especial aquella, la  más despreciable        de todas, la del poder del dinero. Sin duda se  trata de un resumen demasiado        apretado y sin duda esquemático,  pero nadie puede llamarse a engaño,        el zapatismo siempre ha sido  claro.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Otra de las definiciones del zapatismo ha  sido el ubicarse en la izquierda.        Desde luego esa ubicación ha  sido conflictiva, tanto para el zapatismo        como para el resto de  la izquierda. El EZLN representa tres aspectos        en lo que tiene  que ver con el pensamiento de izquierda: continuidad,        negación y  superación. Se trata de términos paradójicos        entre sí y sin  embargo tienen una gran utilidad para tratar de        aproximarnos a la  lucha de los pueblos de los altos, el norte y la selva        de  Chiapas.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Continuidad, negación y superación de lo  que eran las viejas        formas de entender el mundo en el pensamiento  de izquierda. Continuidad        en el terreno de comprender el  significado de la explotación y        del capitalismo como tal.  Negación en tanto rompen con la vieja        visión de la izquierda la  cual a pesar de sus declaraciones de        fe internacionalistas  siempre ubicó el terreno de su análisis        y de su acción práctica  en el espacio del Estado-Nación,        de la clase obrera nacional y  del partido revolucionario nacional. Superación        al explicar de  manera sencilla la forma que ha adquirido la fase actual        del  capitalismo y la necesidad de contar con nuevas herramientas de análisis         para comprender las actuales tendencias de ese sistema. De esta  manera,        la globalización no es la simultaneidad de la informática         o de las innovaciones tecnológicas, sino que tiene apellido y         ese apellido es un adjetivo que califica y determina a la  globalización:        el neoliberalismo. Aquí no se trata de buscar las  cosas buenas        del neoliberalismo (ese es el error de teóricos  emborrachados        por la modernidad como Toni Negri), sino ubicar la  esencia del mismo        como un sistema de depredación y muerte (lo  cual tampoco significa        suspirar por un pasado lleno de horrores  del mismo capitalismo). Para        volver al aspecto de la continuidad  al señalar que paralelamente        a la globalización neoliberal se ha  estado generando la otra globalización,        la de la Rebeldía. Eso  tiene que ver con un viejo principio emancipador        de que, desde el  inicio de su historia, el capitalismo ha generado su         antagonista. La diferencia, y aquí está otro aspecto de         superación, es que la Rebeldía no es únicamente        producto de la  globalización neoliberal sino también de        la asunción de la ética  como un aspecto definitorio del        quehacer político, lo cual no  existía en otras épocas        en las que no se entendía que muchas  veces la gente se rebela        no únicamente como producto de su  situación material de        vida, sino también por la agresión a la  forma de organizar        su vida y sus relaciones, la destrucción de su  economía        moral donde lo que se destruye es una racionalidad  diferente, una sociedad        armoniosa donde no sólo se producen  materias primas sino, antes        que nada, relaciones más justas y  libres. Y, desde luego, el aspecto        más fuerte de negación y  superación al ponerse por        fuera de la estatalidad, tanto en lo  que tiene que ver con la visión        típica que espera que todo venga  desde arriba y por lo tanto,        de lo único que se trata es de  ejercer cierta presión para        que eso suceda, como con los que  buscan ocupar el aparato de Estado para        desde ahí realizar los  cambios en la sociedad. Al trasladar la        espacialidad de la lucha  de los de abajo del Estado hacia la sociedad        el resultado es, por  decirlo suavemente, un auténtico reto para        las teorías  emancipatorias. La gramática de la rebeldía        zapatista es  diferente de otras gramáticas, sin embargo, lo novedoso        es que se  trata de una gramática que, al no tener muchas reglas        que  encorseten su libertad, busca ir al encuentro con las otras gramáticas,         entre otras las de la izquierda tradicional.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        Sobre la parte cuatro. Se aplica lo que he señalado en la parte         anterior, pero se agregan otras cosas. En el discurso zapatista la  cuestión        de la Patria siempre ha sido muy importante, pero ahora  cobra un relieve        mayor. La Patria ha sido arrasada, el  neoliberalismo no es simplemente        un modelo económico, sino un  mecanismo letal para destruir los        lazos identitarios de una  Nación. La Patria, concepto que viene        de las primeras  revoluciones sociales —las cuales, en un exceso,        fueron  caracterizadas como burguesas por la manera en que concluyeron,         pero que fueron auténticas expresiones de energía popular         acumulada en la búsqueda de poner el devenir de una sociedad bajo         control de la misma—, cobra ahora, para países como el nuestro,         una importancia vital. La diferencia es que antes se buscaba a la  burguesía        para que encabezara esa lucha y ahora la burguesía  nacional no        existe y por lo tanto la defensa de la Patria es una  tarea para los de        abajo, para los trabajadores del campo y la  ciudad. La descripción        que se hace en la Sexta de cómo se ha  desarticulado a la Patria        se ubica en función de los sujetos  sociales de la misma: los trabajadores,        los campesinos, los  indígenas, los jóvenes, los homosexuales,        etcétera. El proceso de  destrucción de la Patria no se        ubica únicamente en función de  las privatizaciones económicas,        sino también en función de la  búsqueda por eliminar        todas las identidades sociales, colectivas,  comunitarias, entre otras,        la cultura. En esa dinámica, el  instrumento para realizar ese        proceso de destrucción ha sido la  clase política, nada        más que, como sucede casi siempre, las  mismas fuerzas que ellos        instrumentaron por una serie de actos de  sumisión frente al verdadero        poder, ahora se vuelven contra  ellos mismos. Aprendices de brujos, hoy        la patria está en  peligro, pero la clase política en sí misma        lleva en la frente el  sello de la crisis, la ilegitimidad y la muerte.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        En el apartado cinco, el EZLN se dirige como nunca antes a realizar un         diálogo con los movimientos sociales que hoy resisten en el mundo         y en México. Pero con una serie de planteamientos nuevos. No  dividen        al mundo, como antes se hacia, entre, por un lado, el  norte explotador        de los países metropolitanos, el sur explotado  que luchaba de        diversas maneras contra el imperialismo, y los  países socialistas        que eran los buenos. La nueva geografía del  mundo se ha simplificado:        lo que en otro texto han bautizado como  el norte social y el sur social.        Y entonces es fundamental  destacar la lucha del pueblo cubano por no        dejarse avasallar por  el Imperio, pero también es indispensable        señalar que no se  confunde gobierno y sociedad en el seno del        Imperio o de los  imperios. Que es necesario dirigirse al pueblo norteamericano        o  al europeo, no como simples apoyadores de las causas rebeldes de los         países antes llamados subdesarrollados, sino como sujetos sociales         que luchan en contra de las relaciones de explotación, despojo,         desprecio y represión que sus gobiernos y los dueños del         dinero mundial llevan a cabo en contra del sur social, en el cual están         incluidos. Se trata de ubicar una relación de igualdad dentro         de la diferencia en los mecanismos de lucha. Se trata de ubicar la  importancia        de estos compañeros. Y en el caso de los países como  el        nuestro se trata de destacar a aquellos que están luchando y  resistiendo        y creando nuevas formas de rebeldía que no tienen  paralelo en        la historia reciente.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       Sobre la  sexta parte, o sea la mera Sexta declaración, al plantearse        el  cómo, el texto adquiere su mayor fuerza. Primero cuando se        ubica  la lucha zapatista como la que busca llevar a cabo un gran giro         que rompa con la visión instrumentalista, tan cara a la izquierda         latinoamericana: no se trata de ver al resto de los movimientos y  luchas        como simplemente solidarios con el zapatismo. Ofrecer maíz  a los        cubanos o a los bolivianos, o artesanías y pozol a los  europeos        implica la idea de que es posible construir otro mundo,  no que otro mundo        es posible como algo que es ubicado en un  futuro incierto, sino que es        posible construirlo desde ya y que  ese otro mundo se logrará si        se respetan las diferencias y si se  crea un pie de igualdad entre todos.        Que no se camina para hacer  encuentros para que se luzcan los que más        saben (¿) sino para que  se encuentren los que están resistiendo,        intercambien  experiencias, donde no haya modelos, pero al mismo tiempo        se vaya  creando el sedimento que permita la ejecución de la sinfonía        de  los pueblos del mundo. Y en el caso de México, al ubicar la        forma  de buscar construir una metodología de trabajo de abajo,        por  abajo y para abajo, con la mera izquierda. Pero ahora no se trata         de abrir espacios sin horizonte para todos, sino con la firme  convicción        de que todos están incluidos no sólo en la  movilización        sino en el objetivo común a definir por todos.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        Finalmente, pero no por poco importante, se encuentra lo  fundamental.        La Sexta declaración promueve un método para generar  un        proceso de conformación de una nueva fuerza política: “la         mera izquierda”; un programa de lucha; y la necesidad de trabajar         por una nueva Constitución. Una vez más nos encontramos        con  uno de los aspectos centrales de la práctica y el pensamiento         zapatista. Se pudo hacer una proclama y formular un programa terminado         al que se llamara simplemente a adherirse. Al buscar que se  suscriba        la Sexta lo que se promueve es un camino para concretar  un tiempo y un        espacio propios. Un camino para caminar juntos un  programa de lucha,        una forma de organización y una búsqueda por  cambiar el        país y el mundo. No se trata de elaborar un programa  que signifique        la suma de todo lo que un grupo de individuos crea  que sea mejor para        las masas. De lo que se trata es de construir  el espacio para que de        manera individual y colectiva se vaya  construyendo una propuesta radical        para transformar las  relaciones de explotación y de dominio. No        será un programa que  sirva para negociar con el poder lo que nos        pueda otorgar, sino  un mecanismo de organización propio. Porque        cuando la población  decide las razones para luchar, entonces existe        la convicción  suficiente de luchar por esas razones. Los 11 puntos        originales  del zapatismo no eran una serie de demandas sumadas entre        sí sino  el resultado del intercambio de las comunidades indígenas         zapatistas. La fuerza de esos 11 puntos originales residía no únicamente         en su validez como un conjunto coherente y efectivo sino que  eran el        resultado de la experiencia de pueblos enteros. Por eso,  después        de más de 11 años de su aparición por medio de la         insurrección, después de más de 11 años de        hostigamiento militar y  paramilitar, después de soportar las mentiras        de la clase  política, en especial de aquellos que dijeron que        nunca  traicionarían la causa indígena, después de        emboscadas y  traiciones, después de que de manera recurrente los        medios los  han dado por muertos, esas comunidades zapatistas siguen manteniendo         sus puntos iniciales y lo siguen defendiendo sin importar los  sacrificios        que eso ha implicado. Un programa cobra su validez  cuando es la encarnación        de un sujeto, de un pueblo, de una  comunidad, de muchos sujetos, pueblos        y comunidades. Entonces se  convierte en algo más que palabras        ensambladas y se transforma en  su razón de ser, en una fuerza        que expresa energía humana, la  más importante de todas        las energías, por lo menos en el terreno  de la sociedad. El problema        no es si algún grupo de izquierda  asume el punto de la nueva Constitución        como una parte esencial  de la estrategia. El verdadero reto es cuando        millones de  trabajadores del campo y la ciudad entienden que es indispensable         volver a organizar desde sus cimientos al país y al mundo. El         camino es más largo y sinuoso, el otro, el de las pequeñas         vanguardias, es más corto y aparentemente más luminoso;        pero  después de muchos años de lucha emancipatoria es necesario         señalar que ni siquiera la felicidad se impone.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       La  idea es construir un gran movimiento social y político que        tenga  una característica doble: que sea constituyente y soberano.         Constituyente porque implica la creación de relaciones sociales         nuevas, entre otras las relaciones sociales que permitan su  construcción,        pero también las que permitan conjuntar, que no  negar, sus diferencias        y desde luego porque busca reconstruir el  país y el mundo desde        abajo. Soberano porque nadie decidirá por  él.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;              &lt;strong&gt;Posdata:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        El Subcomandante Insurgente Marcos ha enviado un nuevo  comunicado titulado: “Un        pingüino en la Selva Lacandona”, que  también se hubiera        podido llamar: “¿A quién tenemos que pedir  permiso?”.        Parece que la Sexta Declaración de la Selva Lacandona  causó malestar        entre algunos que consideran que el EZLN no debe  salir de la selva sino        es de acuerdo al calendario y la agenda  que el poder ha diseñado,        es decir a apoyar al candidato del  “centro democrático”.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;¿Quién está en condiciones de  otorgar los permisos? ¿Los        que consideran que la explotación, el  despojo, el desprecio y la represión        no son temas adecuados para  los indígenas?&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;      Pero resulta que la explotación, el  despojo, el desprecio y la        represión la sufren los pueblos indios  de México, quizá como        nadie en este país. ¿Los productores de  café no        son explotados? ¿Los indígenas que no les queda otro  camino        que irse a trabajar a los Estados Unidos no son  explotados, despreciados        y reprimidos? ¿Y no fueron víctimas del  despojo con las        modificaciones al artículo 27 Constitucional?&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        Entonces parece lo más natural que esos pueblos indios (sin cuya         insurrección —por cierto— no existiría el IFE         ciudadanizado, o las diversas reformas electorales, entre muchas otras         cosas) busquen a los trabajadores del campo y la ciudad de México         y el mundo, se dirijan a ellos y les propongan caminar juntos  para construir        un camino propio, autónomo, otro.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;        En 1994, los zapatistas interpelaron a la sociedad y preguntaron:  “¿Quién        tiene que pedir perdón y quién puede otorgarlo?” Hoy         podrían formular una nueva pregunta: ¿Quién tiene        que pedir  permiso y quién puede otorgarlo?&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;       El CCRI-CG del  EZLN le pidió permiso a los pueblos zapatistas        y ellos  respondieron positivamente. Lo que sigue es comenzar a andar        el  camino y ver si los trabajadores del campo y la ciudad de México        y  el mundo están dispuestos a construir esa otra cosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-4116836003805594399?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/4116836003805594399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=4116836003805594399' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/4116836003805594399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/4116836003805594399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/la-sexta-la-razon-y-la-ira-sergio.html' title='La Sexta: &quot;la razón y la ira&quot;  - Sergio Rodríguez Lascano'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-7974973694145098494</id><published>2010-08-24T16:52:00.000-03:00</published><updated>2010-08-24T16:54:36.500-03:00</updated><title type='text'>“Odio, luego... existo” - Alfredo Grande</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial;font-size:85%;"&gt;Alfredo Grande&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;em&gt;“Odio, luego... existo”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;“Pienso, luego existo. Pero si pienso cómo existo, entonces no pienso más.”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Descarte posmoderno&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Amar el odio. &lt;/b&gt;Paradoja  que debe ser sostenida en tanto nos abra menos lo intente, análisis de  nuestra implicación como odiantes. Si es cierto que hay que hablar de la  soga en la casa del ahorcado, no es menos cierto que hay que hablar del  odio en la casa del enamorado. Enamorado del amor, porque en estos  tiempos son muy pocos los que sostienen el enamoramiento y menos aún los  que sostienen el amor. El amor a las personas, el amor entre los  sujetos, ha dejado el paso a inclinaciones, predilecciones, buenas  ondas, químicas y físicas de la afinidad, resonancias corporales,  multiplicaciones erógenas. Si al amor se lo sostiene como el fundamento  de toda relación vincular entre los unos y los otros, cada vez más  tiende a una forma franciscana del amor. Es más un  decreto de necesidad y urgencia del sujeto que una forma concreta,  social e histórica de relación entre los humanos. Si la realidad es  compleja, pero en modo alguno complicada, podemos decir que la cultura  actual sostiene simultáneamente la crueldad como forma única de la  violencia, y el amor como forma única de la resistencia. Amar es un  mandato, odiar es un tabú. La cultura actual de la crueldad odia el  odiar y ama el amar. Contradicción lógica que condiciona en el sujeto la  forma actual de una actividad siempre vuelta contra sí misma, que  algunos denominan parálisis. Parálisis que termina siendo la más  profunda atonía afectiva, una especie de autismo de los sentimientos,  pero al mismo tiempo su más profunda negación. Hay que obligarse a amar,  obligarse a desear, obligarse a obligar. El sujeto sabe que todo lo  obligatorio es un dispositivo para su desdicha, pero sobrevive con la  convicción encubridora de que sin obligaciones cada uno haría lo que le  gustaría, lo que se  le cantara, y tiene miedo de desafinar. Ya no aspira a lo sublime, pero  sigue temiendo al ridículo. Es mejor lo que no gusta y es peor lo que  gusta. Cuanto peor, mejor. Hay que pasar el invierno, el verano, el  otoño, aunque cada vez queden menos primaveras. En tanto el odio está  prohibido, degradado, desvalorizado, culpabilizado, la resistencia a la  opresión pierde una fuente de energía extraordinaria. La confusión nada  ingenua entre paz y tregua contribuye decididamente a este mecanismo. El  odio queda restringido, y aun así con muchas limitaciones, a los  vientos de la guerra. Pero es un odio que, como veremos, ha perdido su  nivel fundante. Es un odio que se institucionaliza en un nivel  convencional encubridor. Lo que realmente interesa a los efectos de  pensar en políticas de liberación del sujeto (siempre social e  histórico) es el destino del odio en los tiempos de la tregua. Aquello  que las diferentes formas de la guerra (imperialistas o de emancipación)  habían puesto en  la superficie, las diferentes formas de tregua vuelven a sepultar. El  sujeto ignora que no se trata de política sino de guerra, y por lo tanto  no se puede hablar nunca de paz, apenas podemos hablar de tregua. A  esta democracia que se pretende no adjetivada bien podríamos adjetivarla  como sucia. El contrato social tiene su versión flexibilizada y  contable, y tiene como único objetivo el genocidio financiero. Que busca  su propia fortaleza buscando blindaje internacional. Y reconciliació n  nacional. A la deuda externa no solamente está prohibido odiarla:  también hay que honrarla. Honrar, honra. Los honrados funcionarios que  aseguran la continuidad jurídica del Estado, aunque nada les importe la  continuidad biológica de las personas. Por lo tanto, tampoco habrá  continuidad psicológico-social. Seguirán desapareciendo generaciones, y  será eternamente cierto que nunca volverán las oscuras golondrinas.  Excepto bajo la forma de capitales golondrina, denominación  estéticamente más  bella que capitales buitres, o capitales hiena. La dominación también  tiene su estética, aunque algunos denominan a esto publicidad. Y será  premiado el que logre la forma más bella de sometimiento a las prácticas  depredadoras del marketing. La democracia sucia instituye el anatema  del odio, de la bronca, de la furia. Los estallidos son cuidadosamente  vigilados, y toda forma de corte con el modo de producción capitalista,  aunque sea en la cruda materialidad de un corte de ruta, es castigado  hasta con la muerte. Si de honrar se trata, honremos a Aníbal Verón,  mártir de Tartagal, y a las víctimas de los que buscando nichos del  mercado han construido un mercado de nichos. Que pueden ser recuperados  comercialmente, como cementerios privados, el último country. Como toda  forma de democracia, la sucia prohíbe odiar. Simultáneamente, construye  legiones de rencorosos y de resentidos. Construye condiciones imposibles  para que germine el amor, pero luego decreta el imperativo  histórico de amar. Los pocos que pueden reconocer en sí mismos la  condición de odiantes soportan procesos de exclusión como si fueran  portadores de un virus que puede contaminar toda forma de sociabilidad.  Si es cierto que en el terrorismo hay odio, no es cierto que el único  devenir del odio sea el terrorismo. Las tópicas del odio no se resuelven  solamente en su expresión directa, cuando toman la forma de impulsos  destructivos hacia el afuera. Habitualmente, el odio, que es un  personaje del cual nadie quiere ser autor, busca el único camino que  nadie puede prohibirle: impulsos destructivos hacia el adentro. Esto  puede denominarse depresión, ataque de pánico, enfermedad psicosomática,  síndrome de fatiga crónica, son todas fatigadas crónicas de un suicidio  anunciado. Si es cierto que hay amores que matan, nunca mata más el  amor que cuando tiene como meta el ocultamiento del odio que el sujeto  tiene prohibido expresar. Está adoctrinado de tal modo que si llega a  expresar su  odio siente que tiene agarrada una bomba que explota en la mano. Está  adoctrinado de tal modo que piensa que el odio destruye especialmente al  que odia. Está adoctrinado en que el odio, el rencor y el resentimiento  son lo mismo. Está adoctrinado para vivir en la confusión, y ya sabemos  que a río revuelto, ganancia de los pescadores que ahora practican el  telemarketing. No pretendo realizar un elogio del odio. Pero al escribir  esto, me doy cuenta de que es exactamente lo que pretendo. Elogiarlo  que no es lo mismo que idealizarlo. La idealización del odio termina  siendo una vuelta contra sí mismo, termina el sujeto apuntando al blanco  equivocado, y si alguna vez se quemó con leche, no llora al ver una  vaca sino que prefiere matarla.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;El odio es mucho más preciso que el amor.&lt;/b&gt;  Si el amor es ciego, el odio tiene una excelente visión. Y es  convertido en anatema por lo  mucho que abre y no por lo poco que cierra. Sostener el odio en una  sociedad que ha transformado la hipocresía, el cinismo y la cobardía en  políticas de Estado es sostener el lugar del idiota del pesebre. Idiota  que no solamente dice que el rey está desnudo, sino que además lo odia  por haber transformado el amor de su pueblo en una estrategia para  someterlo, explotarlo y envilecerlo.&lt;br /&gt;Pero el odio ha sido desalojado  y dos mil años de formaciones reactivas cristianas no han sido sin  efectos. Las operaciones militares-clericale s sobre la reconciliació n y  el perdón a los que nunca pidieron perdón,tienen como supuesto básico  que el odio quede sepultado. Se puede apelar en todo caso a ideas de  justicia neutralizadas, pero operando con la misma lógica desapasionada  de cualquier profesional del derecho. Será justicia, como dicen los  escritos de los juristas. Será justicia, pero no es. No es justicia ni  lo fue, porque las leyes han perdido la legitimidad que debieron  sostenerlas. Si puede haber legitimidad sin legalidad, nunca puede  haber legalidad sin legitimidad. Tampoco se trata de apelar a la  memoria, sino que de lo se trata es de sostener la potencia erótica de  los recuerdos. La memoria tiene que ver con la muerte (in memoriam...) .  Los recuerdos tie que ver con la vida. Porque el recuerdo es un acto en  el presente, no una evocación del pasado. Ni siquiera para la  reivindicació n de ese pasado. Si los actos del presente no prolongan  las luchas del pasado, si los actos del presente no prolongan los  cuerpos históricos del pasado, la memoria se instituye como otra de las  formas de la hipocresía republicana. En los recuerdos volvemos a  encontrar las mismas emociones, los mismos sentimientos, los mismos  ideales, los mismos amores, los mismos odios de aquellos que encontraron  la muerte no buscando la inmolación, como algunos señalan, sino  peleando la revolución. Al negar la muerte decretada desde adentro, se  encontraron con la muerte  decretada desde afuera. Porque siempre hay algo personal en toda  decisión de enfrentar los mecanismos de dominación. Algo personal,  porque es la totalidad del sujeto que está implicado en sus actos, es la  totalidad del sujeto que está implicado en sus ideales, en sus  sentimientos, en sus odios y en sus amores. Nada personal, dicen los  tecnócratas de la muerte, organizados en mafias oficiales o  clandestinas. Todo personal, dicen los luchadores de la vida. Porque la  dimensión personal es política, erótica, histórica y social. Porque la  persona solo deja de ser personaje cuando puede construirse como sujeto.  Sujetado pero tampoco totalmente sujetable. Muchas veces ladrando sin  llegar a morder. Pero tampoco sin dientes, y menos aún convertido para  siempre en león herbívoro.&lt;br /&gt;Intentaré revisar la génesis del odio,  las formas cotidianas en que se expresa, su expropiación subjetiva por  las masas artificiales, los destinos a los cuales está convocado, su  cualidad  revolucionaria. Y especialmente, remarcar que no hay contradicción con  el amor verdadero, aquel que no necesita de la ceguera para poder  desplegarse. Una sola advertencia, sin dejar de reconocer que siento  cierto pudor solo de realizarla. Quizá sea una advertencia a mí mismo,  porque yo también fabrico mis propias formaciones reactivas  democratizadoras. Estoy intentando realizar un análisis institucional  del Odio, no lo estoy recomendando ni lo estoy promoviendo. Apenas  procuro su reconocimiento y que se suspendan los tabúes y anatemas que  lo condenan y lo marginan. Como se comprende, me estoy curando en salud  por temor a generar odio contra mí. Seguir el destino del creador de la  guillotina, y ser atacado sin piedad por los delirantes del amor. ¿Vale  la pena aclarar que amar al odio no es lo mismo que odiar al amor?  Sostener al odio no impide que podamos sostener al amor. Pero sostener  ambos con los ojos bien abiertos. Porque una cosa es tener que tragarse  sapos y otra  cosa es saborearlos. Las dietas de la democracia cuyo menú predilecto  es gato por liebre y sapos parlamentarios no pueden despertar ningún  amor sincero. Tampoco puedo asegurar que hablar del odio sea para bien  de todos. Y que no sea para el mal de ninguno. Pero como dicen que no  hay mal que por bien no venga, quizás el tránsito por los caminos del  odio nos lleve a otras metas del amor. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;continúa en el mensaje siguiente&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;    &lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;continuación del mensaje anterior&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Alfredo Grande&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;em&gt;“Odio, luego... existo”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:180%;"&gt;parteII&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt; &lt;/div&gt;    &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;El odio como discriminador.&lt;/b&gt;  Si la Biblia lloraba contra un calefón, lo hacía porque cuando el poeta  escribió “Cambalache”, los calefones se colocaban en el baño. La Biblia  lamentaba su destino de papel higiénico. La Biblia había podido  discriminar con exactitud para qué usarían la suavidad de su papel. Por  eso lloraba. Tratándose de un texto sagrado,difícil sería establecer si  odiaba al que utilizaría sus páginas para limpiarse. Pero, a no dudarlo,  lloraba. La discriminació n es la primera operación mental que el Yo  debe sostener para mantener la vida. Sostener la autoconservació n,  mantener la vida cuando recién empieza y cuando está más amenazada,  intento en el que más de 55 bebés por día fracasan en la Argentina, sólo  es posible discriminando que es lo que sostiene la vida y que es lo que  la amenaza. Sigmund  Freud, genio que marcó los límites del individualismo burgués al decir  de León Rozitchner, señala que el odio es anterior al amor y que además  tiene una génesis diferente. El más primitivo Yo, que Freud denomina Yo  de Realidad Inicial, odia aquello que amenaza la autoconservació n. En  una implacable lógica binaria, lo que ataca la vida es odiado, lo que  defiende la vida es amado. Cuando la institución de la maternidad puede  organizarse como cuidados al bebé, hay un amor que apaga con leche el  fuego del hambre. El odio primitivo, el terror sin nombre, la dimensión  traumática del nacimiento, el llanto desesperado con el cual el bebé  recibe la nueva materialidad de haber sido parido, es aplacado una y  otra vez hasta que la producción de la sonrisa da cuenta del primer  encuentro amoroso. El odio será entonces, secundario a la pérdida real o  fantaseada, momentánea o definitiva, del primer amor. Los indicadores  del odio primitivo, aquel que daba cuenta de la amenaza a la propia  vida, quedan sepultados en la exuberancia de la posesión amorosa  materna. Ese vínculo inicial dejará una marca que toda dependencia  futura podrá buscar y, a no dudarlo, encontrará. La Santa Madre Iglesia  será una de las que con más ahínco busque en cada sujeto las marcas del  desvalimiento, y al sólo efecto de acentuarlo y profundizarlo. Más malo  que pegarle a una madre, y si es a una santa madre, tan malo que sólo  puede merecer el infierno, primer chupadero reconocido. Incluso la  lógica de la autoconservació n es atacada, y la cultura represora señala  como egoísta al que se ocupa demasiado de sí mismo. La santidad es  sinónimo de ataque contra la propia conservación. En estos casos podemos  hablar de inmolación, en tanto la muerte es una forma de conseguir otra  vida. Para reinos que no son de este mundo. ¿Cómo se puede odiar al que  amenaza la vida, si la pobreza es una bienaventuranza? Al César lo que  es del César, es decir, mi vida, mi honra, mi familia, mis dos mejillas,  mis dos nalgas, mis hijos, mis esperanzas.. . ¿Queda algo para Dios que  no sea dolor y desesperación? Si los que van a morir te saludan, o al  menos te votan, no ya como gladiadores sino como contribuyentes del  Imperio, no hay lugar habilitado por la cultura para expresar el odio  que el Yo primitivo tenía reservado para todo aquello que atacara la  vida. Porque me quieres, me aporreas, entonces ¿cómo odiarte? Dormiremos  con el enemigo, más allá de sus ronquidos y que nada asegure que  podamos despertarnos vivos. Ni siquiera nos animaremos a pensarlo como  enemigo, porque las categorías fundantes han sido trastrocadas para  siempre. Solamente podemos pensar en adversarios, en los leales  competidores donde los mejores ganan y los peores pagan los impuestos al  consumo residual. Nadie saca los pies del plato, aunque cada vez nos  queden menos dedos. Cuando sea delito pedir sueldo, ya será tarde.  Porque seguramente alguno estará pensando en un fuero laboral-penal para  perfeccionar la  perspectiva judicial de la protesta social. En tanto la génesis del  odio es silenciada, el sujeto solamente podrá procesarlo odiándose a sí  mismo por odiar. Entonces se sentirá culpable. Culpa que nuevamente pone  en riesgo la autoconservació n, porque siempre está acompañada de  sensaciones de impotencia, parálisis, confusión. Tiene prohibido odiar,  pero tiene permitido culparse. Por mi culpa, por mi culpa, por mi  grandísima culpa. Y esta culpa es una forma de mantenerlo como sujeto  escindido de los colectivos sociales a los que pertenece, es decir, lo  mantiene en una forma larvaria denominada individuo. Aislado, sumiso,  arrodillado, pidiendo perdón por lo que nunca se animará a realizar.  Pero sin odiar a nadie, siempre en laobligatoriedad de amar amando  aunque en un saber no sabido intuya que son muy pocos los que son dignos  de ese amor. El propio sujeto tampoco se siente digno de ser amado.  ¿Cómo entonces podrá encontrar dignidad en el odio?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Amar y honrar la deuda.&lt;/b&gt;  La primera operación por la cual el sujeto sepulta la discriminació n  entre lo que ataca la vida y lo que defiende la vida es el tabú de  odiar. Pero esta operación, si bien necesaria, no es suficiente. Hay que  continuarla decretando, por las buenas y si es necesario por las malas,  que hay que amar al enemigo. Insisto: está prohibido odiarlo, pero  además hay que amarlo. Nada de abstenciones o de ir al kilómetro 501. Si  no están conmigo están contra mí. Y cuanto peor sea su conducta, cuanto  más miserable sea, cuantas más medallas tenga en el escalafón de la  maldad, más hay que amarlo. No solamente le doy la otra mejilla para que  pueda repetir, si es posible perfeccionado, el sopapo. También besaré  la mano que me castiga, porque no hay mérito alguno en besar y amar la  mano que acaricia. Y mucho menos cortar la mano del ladrón, ¿porque con  qué mano jurarían los  funcionarios? Los acreedores deben ser honrados, aunque ellos no  perdonen nuestras deudas. Excepto que demostremos que somos tan pero tan  miserables que ni cobrarnos pueden. Por lo tanto disfrutaremos del  Jubileo del Milenio, demostrando que somos demasiado pobres para poder  aspirar a ser honrados. El amor al que no lo merece ha tenido  consecuencias trágicas, no siendo la menor el conocido “por algo será”,  donde la víctima tenía la absoluta responsabilidad de su destino. Se lo  había buscado y lo había encontrado. Si buscaban el palo, al menos les  clavaron las astillas. Pero la democracia además de no animarse a odiar a  los genocidas cívicos militares, también les entregó muchas pruebas de  amor. Cuchi cuchi obediencia debida, de quién es esa boquita punto  final, contigo pan, indulto y cebolla, pero preferiblemente de verdeo.  El mandato de la reconciliació n, de la pacificación, de la unidad  nacional, es una forma apenas deformada del mandato de amar a los  enemigos. Yo creo  que al enemigo sí justicia. Pero justicia popular, no tecnocracia del  derecho. La energía que se consume en intentar amar lo que merece  nuestro odio y nuestro desprecio muchas veces no logra el propósito de  amar al enemigo. Pero siempre consigue al menos que no queden fuerzas  para odiarlo. Incluso, cuando el odio a pesar de todo aparece, se lo  toma como la causa de futuros males, cuando es solamente la consecuencia  de los males pasados. El odio que implica una discriminació n objetiva  de lo que ataca la vida puede ser impregnado por el amor. En este caso  podemos hablar de rencor. El odio implica en el sujeto una operación de  corte con la amenaza, una neutralizació n y anulación de todo lo que se  opone a la continuidad de la vida. No solamente nos referimos a la vida  biológica, aunque ése haya sido su nivel de expresión más primitivo.  Vida es la forma de vivir que construimos y que pensamos que es la vida  que merece ser vivida. El rencor es una erotización del odio y  prolonga la relación en la interioridad del sujeto. Como dice el  tango... “rencor, tengo miedo de que seas amor”. En el rencor y el  resentimiento hay una forma deformada del amor, como si en esa forma se  prolongara cierta dependencia con aquello que hizo daño, y no dejara de  esperarse que alguna vez el que hizo el daño lo reparara. No es cierto  que el odio una más que el amor. Lo que puede unir más que el amor es el  rencor, justamente porque al no ser nunca satisfecho, se mantiene  constante en una demanda de descarga que nunca llegará. La ternura y el  rencor son, pues, pares antitéticos. Polaridades en las cuales el sujeto  nunca descargará su amor ni su odio. Son dos formas de la tibieza,  aquella que promueve el vómito divino. Aunque no podamos amar al  enemigo, la cultura represora se conforma con las derivaciones tiernas o  rencorosas, porque sabe bien que ambas, aun con maquillaje diferente,  es el mismo rostro de los sistemas de dominación. Este amor que se  afirma no  desde su propia positividad sino desde la estrategia de enterrar todo  vestigio de odio debe buscar el sacramento que lo eternice. Los  escenarios sacramentales son variados, pero en todos ellos no solamente  está prohibido fumar, lo que ciertamente está a favor de la vida, sino que está prohibido odiar, lo que ciertamente está en contra de la vida. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;El  amor sacramental es el recurso privilegiado cuando de atacar a los  odiantes de trate. “Hasta que la muerte los separe” cuando hay formas de  vivir que separan y formas de morir que unen. Lo sacramental no se  desprende de las condiciones históricas de producción, sino que se  instituye como eterno. Las instituciones fundantes de la argentinidad no  pueden ser atacadas, porque se está atacando a la República. Son  sagradas. Nos hemos casado con ellas y no podemos separarnos, ni  divorciarnos, solamente amarlas, respetarlas,  honrarlas. Mucho menos odiarlas. Así fue como el servicio militar  obligatorio se llevó a demasiados conscriptos, y la honesta sociedad  civil fue silenciosa como buena mayoría durante 90 años. Ahora sabemos  que el silencio nunca es salud. El amor a veces tampoco. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Del tabú del odio al odio como mandato. &lt;/b&gt;La  lógica binaria con la cual el primitivo Yo discriminaba entre el  enemigo que ataca la vida y el amigo que la protege era una lógica sin  zonas borrosas. Ni ambigüedades. Cualquier vacilación podía ser letal.  Es un momento previo a la ambivalencia de los sentimientos. Queda  sepultado por el imperialismo del amor, al que se supone que siempre es  más fuerte. El odio ya no aparecerá en el adulto como sentimiento puro,  sino en sus diferentes versiones: vuelto contra sí mismo como culpa o  mezclado con el amor como rencor. En una cultura represora que necesita  no  solamente dividir, sino también confundir para reinar, cualquier  intento de discriminació n es atacado. Y la discriminació n del odio es  especialmente atacada porque se trata de una discriminació n fundante.  Mas allá de cómo el adulto sienta sus diferentes pertenencias sociales y  políticas, con la misma lógica binaria del primitivo Yo, discrimino dos  tópicas excluyentes. Los colectivos autogestionarios y las masas  artificiales. En los primeros la legalidad fundante es todos para uno y  uno para todos, y sostienen el imaginario que unidos no pueden ser  vencidos. Aspiran a la unión de las diferencias, discriminando siempre  la diferencia en la diferencia, es decir, lo incompatible. Los  colectivos autogestionarios son multiformes. En las masas artificiales  la legalidad fundante es ser Uno con el Todo. Aspiran a la unidad, por  lo que son atacadas las diferencias como si fueran incompatibles. Son  uniformes. Freud describió para modelizar el concepto dos más  artificiales  paradigmáticas: la Iglesia y el Ejército. Incluso aclara que se trata  de la Iglesia Católica y del ejército prusiano. En otras palabras:  organizaciones expansivas y con vocación transnacional. Las masas  artificiales son la prolongación en la cultura del equipamiento  intrapsíquico que Freud describiera como Superyó. Denominación  encubridora ya que el Yo, lejos de tener una cualidad superior, bajo la  influencia inconsciente de esa instancia repelente, resistente y  represora, se transforma en un manso cordero, aunque pueda alguna vez  ponerse la piel del lobo o de la loba. Las masas artificiales son  individualidades múltiples, porque la ligadura libidinal se realiza  mirando hacia arriba y no manoteando a los costados. Lo artificial de la  masa es justamente su carácter colectivo. Porque si bien hay muchos  sujetos comprometidos, todos actúan como si fueran Uno. En realidad, son  Uno pero esto implica un nivel de análisis más allá de la mera  descripción. La forma más depurada de  masa artificial es el fascismo. Es el extremo límite al que tiende toda  iglesia y todo ejército, la unidad fundacional entre la cruz y la  espada, para que toda letra entre con sangre. Será letra represora,  donde la marca corporal y mental será una cicatriz que volverá a  desgarrarse todas las veces quela dominación imperial peligre. Mundial  del ‘78, guerra de Malvinas, alfonsinismo, menemismo, son formas  diferentes pero no incompatibles de organización de masas artificiales.  El denominador común es la pérdida de la discriminació n política  necesaria. Pasan a ser más importantes los asesores de imagen que los  asesores de pensamiento. La imagen deviene icono encubridor. Siendo  diferentes en el ejercicio de sus respectivos poderes, las masas  artificiales de las democracias agitan los miedos que las masas  artificiales de las dictaduras concretan. Si la política es la  continuación de la guerra por otros medios, planes de ajuste mediante,  parece ser que por otros medios la  democracia es la continuación de la dictadura. La situación de  ilegalidad e ilegitimidad de los denominados presos de La Tablada, en  realidad rehenes de la democracia, es trágicamente elocuente.  ¿Necesitará el Presidente su propia semana trágica, que ya se prolonga  por meses? Si las masas artificiales proclaman el amor (el “general  democrático” Videla, que al decir de un periodista insomne era lo mejor  que nos podía pasar, pontificó que el Proceso de Reorganizació n  Nacional había sido un acto de amor) en realidad ejercitan el odio.  ¿Pero no era que estaba prohibido? Lo estaba, al igual que el uso de las  armas, para el individuo aislado. O para grupos de ciudadanos por fuera  de la maquinaria del Estado. Por eso preocupa más la justicia por mano  propia que la injusticia por mano ajena. Los demócratas bien pensantes  se aterran ante esa posibilidad. Qué les asustará más: ¿las artesanías  de las propias manos o que pueda haber justicia? Las masas artificiales  hacen culto de la  injusticia, aunque la denominan costo social del ajuste. El sujeto,  expropiado de su odio por el mecanismo de succión de las masas  artificiales, está dispuesto a entregarse a sus represores no solamente  por temor sino también por amor. Winston, el protagonista de 1984 la  novela pesadilla de George Orwell, lloró al descubrir que amaba al Big  Brother, al Gran Hermano. No pudimos odiar al enemigo, y entonces  empezamos a verlo, a pensarlo, a sentirlo, como amigo. Si el mecanismo  de las guerras convencionales es demasiado costoso para eliminar mano de  obra, las masas artificiales tienen el recurso de las guerras de la  cotidianidad: pobres contra pobres. O exarcebar los nacionalismos más  primitivos, y por lo tanto cada sujeto verá en cada extraño a un  enemigo. La xenofobia apela al mismo odio que fuera prohibido, pero  ahora dirigido no hacia arriba, hacia los poderes represores, sino hacia  cada vez más abajo, hacia los que huyendo del hambre y de la muerte ya  no encuentran a los  proletarios del mundo que quieran unirse. Las masas artificiales  monopolizan la agresión, la sexualidad, tanto en su forma sacramental  como en sus variedades pornográficas, el odio, la economía, la salud, el  ocio, incluso ciertas formas de comunicación social. Se llama a luchar  contra la pobreza, cuando de lo que se trata es de luchar contra la  riqueza. La teoría de las copas derramadas solamente ha servido para  aumentar el consumo de champagne, con o sin pizza. Pero no hay odio  hacia el represor. Incluso hay cierta admiración. Cierto respeto. Cierta  envidia. He intentado explicar estos mecanismos por el predomino de los  Ideales del Superyó: la muerte, la amenaza, el dolor, la dominación, la  injusticia. Nada más injusto que los juegos de azar. Un solo apostador  ganó el Loto, lo que significa que al menos dos millones no ganaron  nada. Es injusto, pero a lo mejor la próxima me toca. Desde ir al  casino, flotante o no, pasando por el bingo, hasta comprar mayonesa o  yerba, todo  es una buena excusa para timbear. Hasta la solidaria es una rifa. Y en  todo ese mecanismo de infinita injusticia no hay espacio para el odio.  Apenas para la resignación y para la perpetua renovación de ilusiones. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;El odio como energía.&lt;/b&gt;  Ninguna cita es neutral. Dime qué citas, y te diré quién eres. Dime a  quién citas, y te diré qué quieres. Conseguir una cita habla de nuestro  deseo. Realizar la cita de un determinado texto, de undeterminado autor,  habla de nuestra política. Todos los autores son contradictorios,  algunos lo son demasiado, porque todo pensamiento incluye su negación  permanente. Con la cita que voy a incluir, de Ernesto Guevara, no digo  que todo el pensamiento del Che esté en esa cita. La menciono  exclusivamente porque lleva agua para mi molino, y no serán pocos los  que me aclaren que hay otros molinos para otras formas de pensamiento.  En un texto de  mayo de l967 cuyo título es “Crear dos, tres, muchos Vietnam es la  consigna”, leemos: “el odio como factor de lucha; el odio intransigente  al enemigo que impulsa más allá de las limitaciones naturales del ser  humano y lo convierte en una efectiva, violenta, selectiva y fría  máquina de matar. Nuestros soldados tienen que ser así; un pueblo sin  odio no puede triunfar sobre un enemigo brutal”. En la guerra de  guerrillas el odio permitía recuperar una capacidad que las  “limitaciones naturales” dejaban oculta. La capacidad de matar. Pero una  capacidad que se sostenía en una racionalidad recuperada. Odiar al  enemigo es necesario para poder enfrentarlo en su dimensión brutal. En  esta posmodernidad donde no hay ninguna recuperación revolucionaria de  la violencia, ¿podemos hablar de matar? La tregua, como ya señalamos,  tiene su propia lógica. No es la paz, pero tampoco es la guerra. Ni la  guerrilla. Menos aún el terrorismo. ¿Cuáles son los destinos actuales  para ese odio que  permite que el ser humano tenga impulsos más allá de sus limitaciones  naturales? Impulsos para combatir, impulsos que le permiten enfrentar la  brutalidad del enemigo. Impulsos que puedan vencer las limitaciones  naturales para la lucha y la resistencia. Estos impulsos que el odio  moviliza son opuestos a lo que podríamos denominar los sentimientos de  la subjetividad vacía. De lo que se trata, entonces, es de matar las  ideologías de la muerte, y matarlas primero dentro nuestro. Reprimir al  represor, para que el odio abra el paso al deseo. Esta operación que es  mental, corporal, social, histórica, política, ética y estética, no es  posible para el individuo, sólo es posible para el sujeto. Y solamente  cuando está incluido en la dinámica de un colectivo autogestionario.  Recupera un nivel de existencia que tenía prohibido, porque la culpa lo  paralizaba. Podía quedarse como abrazado a un rencor, pero no tenía  brazos para seguir luchando. Sostener al odio como discriminador permite  mantener contra todo viento y contra toda marea la consistencia, la  coherencia y la credibilidad. Trípode de toda política de enfrentamiento  y resistencia al ordenamiento naturalizado del poder dominador. Trípode  del cual carecen todos los políticos, sean civiles o militares, laicos o  clericales, porque han perdido para siempre la consistencia, no pueden  sostener ninguna coherencia y carecen de toda credibilidad. Para estos  políticos, ser coherente, consistente y creíble es simplemente rigidez. A  pesar de eso, el sistema apela como ya lo hicieron los padres de la  Iglesia a “creer porque es absurdo”. Si me rebajan el sueldo, es para  que esté mejor. No importa que nos defraude, igual hay que seguirlo. La  tibieza del voto castigo implica apenas dejar sin postre a quien nos  está sacando toda la comida. El verdadero castigo no lo reciben los  candidatos, sino que lo reciben los que votan. En realidad es un voto  autocastigo. Justamente por eso, hay que sonreír porque, a pesar de  que lo disimulan, nos aman. La teoría del mal menor se impone, y ya que  no podemos alcanzar la felicidad, al menos intentamos escapar del  dolor.&lt;br /&gt;El odio debe acompañar toda política de resistencia al  opresor, que es la única que permitirá no resistir al deseo. Amar al  enemigo en el mejor de los casos ablanda, en el peor destruye. Si el  odio tiene tan mala prensa, si el odio es tan odiado, es posible que lo  sea por su potencia para construir. Porque es el ariete que abre el paso  del amor, es el verdadero rompehielos para las almas congeladas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;El odio tiene algo de blasfemo.&lt;/b&gt;  Es sacrílego. No es políticamente correcto. Tiene mal olor. Pero no  podemos esperar a que solamente seexprese en un día de furia. Porque en  ese caso no romperá solamente los hielos, sino que peligrarán las  cabezas de todos los títeres. ¿Se puede construir desde el odio? Pienso  que sin odio  no se puede construir, no se puede crear, apenas se puede repetir. Para  enfrentar al enemigo sin hacer concesiones a lo mejor no es necesario  odiarlo, pero seguramente es imprescindible no amarlo. Tampoco puede ser  indiferente. No puede dar todo igual. Pienso que para que un grupo de  madres marchara alrededor de la Pirámide de la Plaza de Mayo fue  necesario el amor a los hijos, pero también el odio a los represores, a  los torturadores, a los asesinos. Marcha circular que terminó siendo una  espiral, porque nunca se marchaba dos veces por el mismo río. Espiral  que permite el tránsito de la Asociación Madres de Plaza de Mayo, el  territorio fundador, a la Universidad Popular, el territorio fundado. La  profecía de la Universidad Popular es la continuidad y discontinuidad  al mismo tiempo. Porque ahora están las Madres, con los docentes, con  los alumnos, y todos estamos con los Hijos. Nada de esto se puede  conseguir sin amor. Pero se trata del amor verdadero, aquel que no  necesita repudiar al odio que lo ha precedido. El odio no es un pantano  que nos apresa. El odio es una catapulta que nos lanza, como si  fuéramos las flechas de un anhelo proyectado al porvenir. Dimensión del  futuro que para que no sea la mera repetición del pasado deberá incluir  la dimensión deseante del sujeto. Al decir de Osvaldo Bayer: “Las Madres  dieron un paso adelante: entraron en la Sabiduría” (Revista Locas,  cultura y utopías, número de presentación, dirigida por Vicente Zito  Lema) Y el saber sí ocupa un lugar. Siempre fue un lugar de poder, de  dominación, de sometimiento. El saber de la Universidad Popular es un  saber de liberación. Por eso será atacado sin piedad por aquellos que  desde distintas masas artificiales quieren mantener la disociación entre  trabajadores e intelectuales. Entre la mente y el cuerpo. Entre la  razón y la pasión. Pero desde el saber transmitido por el territorio  fundador de las Madres sabemos que solamente asociando el pensamiento y  la  acción podemos enfrentar afuera y adentro a los enemigos de la vida.&lt;br /&gt;Que  hablen las Madres. Sostiene Porota: “No queremos reconciliarnos con el  enemigo. Al enemigo lo enfrentamos y lo combatimos con dignidad, con  fuerza, con ideales, con una universidad para que el pueblo se eduque,  para dejar así lo que nuestros hijos querían: una sociedad diferente.  Por lo tanto: ni olvido, ni perdón, educación popular”. Sostiene Hebe:  “No vamos a cambiar el camino en que nos pusieron nuestros hijos, que no  es ni siquiera el camino que nosotras elegimos; es el camino que ellos  nos dejaron y que no lo vamos a ensuciar de ninguna manera: ni con  museos, ni con monumentos, ni con reparaciones económicas, que con lo  único que tienen que ver es con la reconciliació n”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS, Arial, Tahoma;font-size:100%;color:#000000;"&gt;Para  seguir existiendo, necesitamos del amor. Para seguir existiendo,  también necesitamos del odio. Solamente saben amar los  que también saben odiar. Y ésta es una sabiduría que nos previene de  considerar que somos enemigos de nosotros mismos, que solamente podemos  ser conmovidos por la sed de odio y de venganza. Tenemos hambre y sed,  pero solamente de Justicia Popular. Justicia del pueblo unido que deje  de reconocerse como la gente, agrupamiento de individuos, para  reconocerse como colectivo autogestionario, grupalidad de sujetos.&lt;br /&gt;Sujetados, es cierto. Pero estoy seguro de que desde la existencia que el odio garantiza, nunca más totalmente sujetables.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-7974973694145098494?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/7974973694145098494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=7974973694145098494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7974973694145098494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7974973694145098494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/odio-luego-existo-alfredo-grande.html' title='“Odio, luego... existo” - Alfredo Grande'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-4080090940005406189</id><published>2010-08-24T16:40:00.002-03:00</published><updated>2010-08-24T16:44:42.344-03:00</updated><title type='text'>INFORMAÇÃO &amp; DESINFORMAÇÃO A mídia e o “novo analfabetismo”</title><content type='html'>&lt;span class="textoScroll_cp"&gt;INFORMAÇÃO &amp;amp; DESINFORMAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                    &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=604IMQ002" class="textoChamada1" target="_parent"&gt;A mídia e o “novo analfabetismo”&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Socializado do Sítio &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=604IMQ002"&gt;Observatório de Imprensa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" width="475"&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="art_autor"&gt; Por Venício A. de Lima em 24/8/2010&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;           &lt;tr&gt;             &lt;td colspan="2"&gt;&lt;img src="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/images/transp.gif" width="5" height="15" /&gt;&lt;/td&gt;           &lt;/tr&gt;           &lt;tr&gt;                &lt;td colspan="2"&gt;         &lt;span class="art_texto"&gt; &lt;p&gt;Faz tempo que os estudiosos chamam a atenção para o problema do excesso de  informação nas sociedades contemporâneas. Em precioso artigo intitulado "O novo  analfabetismo", publicado no &lt;i&gt;Jornal do Brasil&lt;/i&gt;, há exatos seis anos, Emir  Sader lembrava que:&lt;/p&gt; &lt;dir&gt; &lt;dir&gt; &lt;p&gt;"Até um certo momento, a capacidade de compreensão do mundo, e de nós dentro  do mundo, esbarrava na falta de informações. Mais recentemente, passamos a  sofrer o fenômeno oposto: excesso de informações. Nos dois casos, o que sofre é  a capacidade de compreensão, de apreensão dos fenômenos que nos rodeiam, que  produzem e reproduzem o mundo tal qual é e nós dentro dele. (...) A informação  contemporânea, massificada, fragmentada, atenta contra a capacidade de  compreensão da realidade como uma totalidade. Os noticiários de televisão  enunciam uma enorme quantidade de informação, sem capacitar para sua  compreensão, com um ritmo e uma velocidade que impedem sua assimilação e o  questionamento do sentido proposto" (&lt;a onclick="NovaJanela(this.href);return false;" class="art_leia" href="http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/emir/2004/07/31/jorcolemi20040731001.html"&gt;íntegra  aqui&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;/dir&gt; &lt;p&gt;Já tive a oportunidade de argumentar neste &lt;i&gt;OI&lt;/i&gt; que informação não é  conhecimento e que o excesso de informação passou a ser sinônimo de  desinformação [cf. "&lt;a onclick="NovaJanela(this.href);return false;" class="art_leia" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=297ENO001"&gt;Internet,  informação e conhecimento&lt;/a&gt;" &lt;i&gt;in&lt;/i&gt; OI nº. 297 de 5/10/2004]. Além disso, o  principal problema provocado pelo excesso de informação tem sido identificado  como a incapacidade do cidadão comum de "compreensão da realidade como uma  totalidade".&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Há, todavia, outro aspecto pouco lembrado: a informação que está disponível  "em excesso" nem sempre é aquela que permite a "compreensão da realidade como  uma totalidade"&lt;i&gt;. &lt;/i&gt;Ou ainda: não é nem mesmo a informação correta sobre  fatos e dados de grande interesse público.&lt;/p&gt;&lt;b&gt; &lt;p&gt;Presidente muçulmano em país antimuçulmano?&lt;/p&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Parte dos resultados de uma pesquisa nacional realizada nos Estados Unidos  pelo conceituado Pew Research Center, &lt;a onclick="NovaJanela(this.href);return false;" class="art_leia" href="http://people-press.org/report/645/"&gt;agora divulgados&lt;/a&gt;, dramatiza essa  nova realidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O número de americanos que acredita que o seu presidente é muçulmano tem  aumentado ano a ano e chegou a 18% da população, em agosto de 2010. Se somados  àqueles que declaram "não saber" ou que ele é de "outra religião" que não a sua,  63% dos americanos desconhecem que Barack Obama, na verdade, é cristão [ver  quadro].&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/images/604IMQ002.jpg" /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando perguntados como souberam qual a religião de Obama, 60% daqueles que  acreditam que ele é muçulmano citam a mídia. Dezesseis por cento mencionam a  televisão como sua fonte.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Alguns ainda podem acreditar que não se deva atribuir maior significado aos  dados revelados pelo Pew Center. No entanto, bastaria lembrar a crescente onda  anti-islâmica que varre os Estados Unidos [por exemplo, "&lt;a onclick="NovaJanela(this.href);return false;" class="art_leia" href="http://www.guardian.co.uk/world/2010/aug/20/rightwing-blogs-islam-america"&gt;The  US blogger on a mission to halt `Islamic takeover´&lt;/a&gt;"], ou mencionar a  manchete de capa da revista &lt;i&gt;Time&lt;/i&gt; desta semana [&lt;a onclick="NovaJanela(this.href);return false;" class="art_leia" href="http://www.time.com/time/magazine/current"&gt;vol. 176, nº. 9&lt;/a&gt;] que  pergunta "A América é islamofóbica?" e publica os assustadores resultados de  outra pesquisa nacional:&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;**&lt;/span&gt; 25% consideram os muçulmanos americanos não patriotas;&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;**&lt;/span&gt; 28% dos americanos afirmam ser contra um muçulmano integrar a  Suprema Corte (nunca houve nenhum); e&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;**&lt;/span&gt; 33% se opõem a um muçulmano concorrendo à presidência.&lt;/p&gt;&lt;b&gt; &lt;p&gt;E o dever de informar?&lt;/p&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;É imperativo, portanto, perguntar: se o grau de informação (desinformação?)  dos americanos em relação à crença religiosa do seu próprio presidente expressa  a qualidade da informação sendo oferecida pela grande mídia – sobretudo, a  televisão –, estaria ela cumprindo sua missão fundamental na democracia que é  informar corretamente ao cidadão?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A lição para nós, brasileiros, é a reiterada necessidade de se estar atento  às muitas contradições das posições públicas assumidas pela grande mídia e suas  entidades representativas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A defesa da liberdade de imprensa em nome do direito de informar – que, na  verdade, é o corolário do direito básico do cidadão de ser informado – não  significa que a informação necessária e correta esteja disponível. Mesmo em  sociedades onde, eventualmente, possa existir "excesso de informação".&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-4080090940005406189?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/4080090940005406189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=4080090940005406189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/4080090940005406189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/4080090940005406189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/informacao-desinformacao-midia-e-o-novo.html' title='INFORMAÇÃO &amp; DESINFORMAÇÃO A mídia e o “novo analfabetismo”'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-7894310134977343673</id><published>2010-08-24T16:37:00.001-03:00</published><updated>2010-08-24T16:40:41.985-03:00</updated><title type='text'>"A ciência do real" avec Pierre Bourdieu</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;  &lt;blockquote&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial,  Helvetica, sans-serif;font-size:+2;color:#ff0000;"&gt;&lt;b&gt;"A ciência do real"&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;(copyleft Mais!, Falha de S.Paulo, 7/2/99)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;"Admirado  ou detestado, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;Pierre Bourdieu&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;, 68, professor no prestigioso Collège de  France, em Paris, posiciona-se como o último dos ‘maîtres à penser’ no  país onde o intelectual engajado Jean-Paul Sartre tornou-se o símbolo de  uma época em que política e cultura deviam convergir para a realização  do ‘melhor dos mundos’. O tempo passou, as utopias entraram em crise e  ficou a lacuna que o sociólogo tenta, segundo os opositores que o chamam  de ‘bourdivino’, agora preencher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Defensor  do caráter científico da sociologia, adversário do ensaísmo e inimigo  dos ‘intelectuais da mídia’, Bourdieu, nos  últimos anos em luta contra o neoliberalismo, assumiu posições cada vez  mais à esquerda, chegando a ser rotulado de demagogo e de populista.  Seus críticos gostam de acusá-lo de determinista e de explorar temas  requentados com ajuda dos artifícios da retórica sociológica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Do  outro lado, os seguidores do mestre vêem nele a voz da resistência  científica num momento de relativismo geral. Crítico implacável dos  privilégios garantidos e transmitidos por instituições, é autor de  alguns dos livros sociológicos mais polêmicos dos últimos 40 anos, entre  os quais Homo Academicus (1984), As Regras da Arte (1992), Sobre a  Televisão (1996) e, recentemente, A Dominação Masculina (1998).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Diretor  da revista Atas de Pesquisa em Ciências Sociais, uma das publicações  mais respeitadas do mundo acadêmico, e criador da editora Liber/Raisons  d'Agir, cujos pequenos livros, em forma de panfletos, vendem em média  300 mil exemplares, Pierre Bourdieu costuma atacar as instituições que  lhe dão trabalho e distinção social. Assim, tentou desmontar os  mecanismos elitistas e corporativos das principais instâncias de poder  no mundo contemporâneo: educação, cultura, posição na esfera estatal e  mídia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;A  apropriação da cultura como símbolo de distinção é um dos temas  favoritos por meio do qual pretende pulverizar os modismos, o esnobismo e  o vazio das elites. Quanto mais ataca, mais é legitimado como último  baluarte do purismo intelectual em oposição à vulgaridade da indústria  cultural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Criador  ou disseminador de conceitos como ‘campo’ ou ‘habitus’, Bourdieu vê os  homens em luta permanente pelo  prestígio e pela ascensão social.  Segundo um crítico literário, o homem,  para Bourdieu, não é o lobo do homem, mas o cão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Incontornável,  Bourdieu ocupa, atacando ou sendo atacado, as páginas dos principais  jornais e revistas franceses. Recentemente, no jornal Libération,  debateu com Daniel Cohn-Bendit, que desembarcou na política da França  como cabeça de lista dos ecologistas para as eleições do Parlamento  Europeu deste ano [1999]. Cohn-Bendit, o líder estudantil ‘vermelho’ de  1968, parece agora verde e rosa demais aos olhos do sociólogo. Em  dezembro de 1998, Bourdieu foi o redator-convidado de Les  Inrockuptibles, considerada a mais irreverente revista parisiense.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Na  entrevista a seguir, Bourdieu retoma o percurso do combatente: revisita  as estratégias de poder que sempre se apresentam como naturais e  necessárias. Nada do que é humano lhe é natural. Para ele, cabe ao  sociólogo destruir os  mitos dos seus contemporâneos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;O  senhor é considerado o ‘intelectual mais poderoso da França’, conforme a  recente manchete de capa da revista ‘L'Evénément du Jeudi’, e, segundo  outros, como o sociólogo mais importante do mundo. Numa época em que,  para muitos, as ciências sociais estão em crise, o caráter científico da  sociologia parece inegável ao senhor. Pode-se realmente demonstrar essa  cientificidade?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Pierre  Bourdieu – Quero deter-me, antes de tudo, no conteúdo da questão. Que  significa ‘intelectual mais poderoso da França’? Com certeza, estamos no  terreno do poder. Mas de qual poder? O poder universitário, tal qual o  analiso no ‘Homo Academicus’? Nesse caso, é fácil constatar que,  pertencer ao Collège de France, onde, à época do meu estudo, se  encontrava gente como Dumézil, Lévi-Strauss, Braudel ou  Foucault, não garante praticamente nenhuma espécie de poder  propriamente universitário. Entendo por isso um poder sobre as  instâncias de reprodução do corpo docente e mesmo do científico. Os  ‘heréticos consagrados’, como eu os designava, são mais ou menos  excluídos, apesar do prestígio, dessa forma de poder. E, sem dúvida,  isso é uma pena para a qualidade da vida científica e para os jovens  pesquisadores qualificados que nela querem se engajar.&lt;br /&gt;Se se quer  falar de poder sobre as instâncias de difusão, e em particular na mídia,  pertencer ao Collège de France, pelo prestígio que isso confere, pode  dar certa autoridade junto a editores e jornalistas. Acho, por exemplo,  que meu amigo Michel Foucault tinha um ‘poder’ desse tipo. Mas esse  poder baseado no prestígio é pouca coisa quando comparado ao que têm  certos intelectuais da mídia, ligados por laços orgânicos aos meios da  imprensa e da edição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;   &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Os  detentores desse poder característico da mídia, assim como os  detentores do poder propriamente universitário, podem não ter um pouco  disso que se chama ordinariamente de prestígio, isso que aparece quando  se fala do ‘sociólogo mais importante do mundo’, ou seja, o sociólogo  que mais interessa aos sociólogos em todo o mundo. As duas espécies de  poder que evoco, universitário ou de mídia, caracterizam- se  primeiramente por ser nacionais, isto é, reduzidas aos limites da nação,  francesa no caso, e da língua nacional. Por isso, para medir o  ‘prestígio’ ou, mais precisamente, o capital simbólico dos pesquisadores  estudados no Homo Academicus, considerei as traduções em língua  estrangeira, o número de menções no Citation Index e em outros índices  de reconhecimento internacional. Desse ponto de vista, os meus  ‘heréticos consagrados’ distinguiam- se com clareza dos universitária ou  midiaticamente poderosos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;Posso agora voltar à questão da cientificidade das  ciências sociais e, particularmente, da sociologia. Devo salientar,  antes de tudo, que a sociologia tem o triste privilégio de ser a única  disciplina para a qual essa pergunta nunca pára de ser posta, quando, na  realidade, ela nada tem a invejar, bem ao contrário, das outras  ciências sociais; nem quanto aos métodos, modelização, uso da  estatística, técnicas de coleta de dados, nem quanto aos conceitos e  teorias, especialmente a etnologia e a história. A comparação com a  economia exigiria uma análise mais complexa. Penso, de fato, que a  sociologia é uma ciência cumulativa e nunca tive nenhuma pretensão à  originalidade absoluta reivindicada, a meu ver de maneira bastante  ingênua, por certos filósofos contemporâneos, principalmente os que são  classificados com frequência na categoria dos ‘pós-modernos’. Sempre  tentei integrar, sem dúvida ao custo de grandes esforços, as aquisições  de tendências  tradicionalmente consideradas como antagônicas; além disso, a  sociologia possui um instrumental teórico ao mesmo tempo mais complexo,  mais unificado e mais ajustado ao real do que o das demais ciências  sociais, inclusive a economia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Os intelectuais traíram a vocação crítica ao aceitar como verdade a ideologia neoliberal?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – Creio que, por preguiça intelectual, mas também sob o efeito do  desencantamento ligado à melhoria das condições de existência das  profissões intelectuais – com os ‘tours’ de conferências e os rendosos  cursos nos Estados Unidos, mais a colaboração regular com jornais ou  hebdomadários- ou à queda do movimentos ‘comunistas’ internacional e  nacional, os intelectuais, pouco a pouco, renderam-se à visão  neoliberal. Com frequência, de maneira tão mais radical e total quanto  mais ampla era a  adesão à mitologia ‘comunista’.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Entre  os fatores que determinaram essa conversão coletiva de boa parte dos  intelectuais franceses, embora a maioria dos países europeus tenha  sofrido evolução análoga, não se pode esquecer a ação deliberada e  organizada de um certo número de indivíduos e de instituições, ‘think  tanks’ organizados e financiados pelas grandes fundações americanas,  revistas, colóquios, seminários etc. O livrinho de Keith Dixon, Os  Evangelistas do Mercado, que vamos publicar na coleção ‘Razões de Agir’,  descreve bem esse processo no caso da Inglaterra. Mas tivemos o  equivalente a isso na França com o Congresso para a Liberdade da  Cultura, com a revista Preuves e com Raymond Aron.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Seria necessário realizar uma pesquisa semelhante quanto à América Latina e, em especial, ao Brasil. Em geral, seria preciso  descrever sociologicamente as vias, com frequência tortuosas e dissimuladas, tomadas pelo imperialismo propriamente cultural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Alguns  dos seus críticos acusam-no de populismo e demagogia. Qual a sua  aposta: a construção de uma sociedade comunista ou um novo investimento  no Estado de Bem-Estar Social?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – Acho que o senhor leu demais as ‘críticas’ que me são dirigidas de  todos os lados, as quais não se tornam mais verdadeiras pelo simples  fato de ser incansavelmente repetidas pelos intelectuais jornalistas e  pelos jornalistas intelectuais que passam mais tempo a ler uns aos  outros do que a ler os autores dos quais devem falar. Marxismo,  leninismo, estruturo-marxismo, quanto ao aspecto teórico, são algumas  dessas tantas ‘correntes de pensamento’ das quais nunca parei de me  dissociar, oralmente ou por  escrito, em especial no tempo em que delas reclamavam muitos dos que  hoje me colam etiquetas. O mesmo vale para populismo, irrealismo,  utopismo, quanto ao aspecto político.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Eu  poderia retomar cada uma dessas acusações – pois se está em plena  lógica do processo, mesmo se cada um se justifica com a necessidade de  processar o suposto procurador – e mostrar que já disse e escrevi  explicitamente, inúmeras vezes, o contrário. É o caso, por exemplo, da  acusação de populismo, repetida à exaustão por constituir, devido às  suas conotações encobertas, o estigma mais infamante – esquerda vermelha  e esquerda parda, Partido Comunista e Front National, Lênin e Céline;  em suma: racismo. Deixo de lado, não podendo supor que jornalistas e  ensaístas tenham lido as análises críticas do populismo que desenvolvi  longamente nas Meditações Pascalianas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;Ou então bastaria retomar o texto, transcrito em  Contrafogos, do discurso que pronunciei na Gare de Lyon, em Paris, em  dezembro de 1995, cercado de representantes de todos os movimentos  sociais e de todas as associações militantes, na presença de uma massa  tipicamente ‘popular’ de grevistas, ferroviários ou outros, ou seja,  numa situação particularmente favorável à demagogia populista. O final  dessa intervenção é consagrado a um alerta contra a tentação do  populismo e a uma exortação aos intelectuais para que protejam a  autonomia necessária ao cumprimento da função específica de analistas  engajados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;O  senhor denuncia de forma arrasadora o trabalho da mídia para impor a  inexorabilidade da globalização e sonha com um Estado mundial capaz de  enfrentar o universo do mercado. Como realizar essa utopia?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,  Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – Em verdade, apesar do que dizem os fatalistas da liberdade, existe  lugar para um utopismo razoável, protegido pelo conhecimento da coerção e  das contradições sociais fornecido pelas ciências sociais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Teria  de repetir aqui tudo o que disse a respeito da economia do bem-estar e,  mais precisamente, do que poderia ser um Estado europeu e do que ele  deveria fazer para contrapor-se à lógica infernal dos mercados  financeiros e à tirania dos bancos e dos banqueiros que favorecem a  criação, tanto pelo ‘laisser-faire’ quanto por suas intervenções, das  pressões do mercado que pretendem nos impor sob alegação de que se  impõem a eles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;A  mão esquerda do Estado, de acordo com a sua expressão, pode realmente  enfrentar a mão direita sem recorrer a uma perspectiva revolucionária  considerada ultrapassada mesmo por  antigos partidos comunistas?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – O utopismo razoável deve alimentar-se do conhecimento das tendências  para se contrapor a elas. Por exemplo, as que conduzem as sociedades  mais avançadas do Estado social ao Estado penal nada têm de fatalidade  ou de inexorabilidade. Elas inscrevem-se numa política econômica baseada  na ignorância ativa dos custos econômicos e sociais das ‘economias’ -no  sentido da não-despesa- econômicas. Em resumo, o dinheiro que não é  destinado para as escolas ou creches será, cedo ou tarde, destinado às  prisões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Com  ‘Sobre a Televisão’, o senhor desmantelou a lógica da mídia baseada na  mercadoria, na circularidade dos temas, nos convidados intercambiáveis,  na troca de favores no domínio literário. O mundo cultural é uma farsa  em que os primeiros enganados são os consumidores de obras de  alguns autores de referência criados pela marketing das editoras em  associação com a imprensa?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – A análise crítica do papel da televisão é um elemento capital da luta  contra a imposição da visão dominante do mundo social e do seu devir. O  mais importante consiste na influência que a televisão exerce sobre a  totalidade do jornalismo e, por meio dele, sobre o conjunto da produção  cultural. A lógica do comércio, simbolizada pelos índices de audiência,  do sucesso comercial, da venda e do marketing, como meio específico para  atingir esses fins puramente temporais, impôs-se aos poucos; em certos  casos, por meio das editoras e dos produtores estreitamente associados à  imprensa, como os filósofos e os escritores da mídia aos quais me  referia; mas também por meio de outras vias.&lt;br /&gt;Essa lógica se impôs em  primeiro lugar ao campo filosófico, com os ‘novos filósofos’, e ao campo  literário, com  os grandes best sellers internacionais e o que Pascale Casanova chamou  de ‘world fiction’, ou seja, em especial os romances acadêmicos à David  Lodge ou Umberto Eco; mas ela atingiu também o campo jurídico, com os  processos sensacionalistas arbitrados pela mídia, e o próprio campo  científico, com a intrusão da notoriedade jornalística na avaliação dos  cientistas e das suas obras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;O  imaginário da mídia está anexando a literatura e as ciências humanas em  nome da ‘clareza’, da suposta vontade do consumidor e da rejeição à  ‘chatice’?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – Tudo isso corresponde a um dos efeitos, num campo particular, da  invasão da televisão e da visão da mídia. De fato, vê-se cada vez mais o  desenvolvimento de uma produção ‘média’, no duplo sentido de  intermediário e também de medíocre, entre a má ciência e o mau  jornalismo, e  não, como a boa vulgarização, entre os sábios e os que desejam  aprender.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Os  editores, guiados pelo interesse exclusivo do sucesso comercial,  associam-se a autores ‘da mídia’, os detentores de uma notoriedade  adquirida previamente na mídia: jornalistas, ensaístas, painelistas de  televisão etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Isso  para cobrir as vitrinas das livrarias de obras que fazem circular os  ‘preconceitos’ e os lugares-comuns da doxa semi-erudita. Em particular, o  pequeno lote de falsos problemas partilhados pelo universo  político-jornalí stico – Estado ou mercado, eutanásia ou obsessão  terapêutica-, que serve também de pretexto às dissertações dos filósofos  da TV.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;O  chamado ‘pensamento único’ é menos uma temática do que uma problemática  comum. A dificuldade para  estabelecer a comunicação com os jornalistas refere-se, em essência, ao  pesquisador, à necessidade deste de não se perder na conversa fiada, de  poder furar a proteção dos lugares-comuns, os tópicos e problemas  generalizantes propostos, com toda inocência, pelo campo jornalístico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Dito  isso, tais processos conduzem à manutenção da ameaça crescente que pesa  sobre a autonomia do pensamento – científico, artístico ou qualquer  outro. Quando não se tem a possibilidade de censurar pura e simplesmente  o pensamento ‘autêntico’, em nome das exigências da clareza e da  simplicidade, denunciam-se, em razão do caráter inutilmente enfadonho,  os textos e os autores que respeitam as exigências de suas disciplinas.  Esse é apenas um dos exemplos desses abusos de poder simbólicos que  ameaçam a autonomia indispensável à realização da lógica específica dos  diferentes campos, como a importação peremptória de critérios  de julgamento não-pertinentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Com  a conquista da Copa do Mundo, falou-se muito numa vitória da França  miscigenada. Estaria o esporte ajudando a enfrentar a atração pela  extrema direita encarnada no Front National?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – Não estou seguro de que se possa conceder ao esporte-espetá culo a  capacidade de integrar, mesmo simbolicamente, uma sociedade ameaçada  pela segregação. Creio, ao contrário, que a prática do esporte, em  particular a do futebol, nos pequenos clubes amadores, preenchia, e  continua a fazê-lo, mas cada vez com mais dificuldade, essa função de  integração, especialmente pela oferta de uma via de ascensão social de  substituição aos que, na falta de capital cultural herdado, não estão  capacitados para tomar a via real proposta pela escola.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;Mas, conforme mostrei num trabalho recente, a  submissão crescente do esporte à lógica do comércio, por meio da  comercializaçã o do espetáculo esportivo televisionado, tende a cortar a  ligação orgânica entre o esporte de alto nível e a prática esportiva de  base; ou, de maneira mais precisa, no caso do futebol, entre os grandes  clubes profissionais, cada vez mais transformados em empresas  capitalistas, por vezes cotadas em Bolsa, e os pequenos clubes amadores,  direcionados para objetivos pedagógicos e sustentados em grande parte  por uma devoção militante. Assim, o verdadeiro percurso que poderia  conduzir o garoto das favelas ou da periferia, desde a pequena equipe  local ou da escolinha de futebol do clube grande, até a equipe nacional e  a carreira internacional está cada vez mais ameaçado, tanto na  realidade quanto nas representações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Dito  isso, o esporte é, junto com a  escola, um dos terrenos em que as tentações racistas e xenófobas  encorajadas pelo Front National podem ser combatidas de maneira eficaz.  Seria preciso falar também dos mecanismos que favorecem o racismo e o  sexismo, no mundo do trabalho e dos meios eficazes para combatê-los.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Em  ‘A Dominação Masculina’, o senhor diz que quase o mesmo comportamento  -sorrir, baixar os olhos, aceitar as interrupções- é exigido das  mulheres cabilas e das americanas ou européias. O feminismo não mudou  realmente o Ocidente?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – Por que simplificar a esse ponto o que eu disse? As coisas,  evidentemente, mudaram, sob o efeito de diferentes fatores, entre os  quais o mais importante certamente não é, sem dúvida, o feminismo, mas  antes certas contradições do sistema escolar -especialmente nas suas  relações com o mundo do trabalho-,  do qual o próprio feminismo é, com certeza, por um lado, a expressão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Certas  coisas realmente fundamentais, nas estruturas sociais e nas estruturas  cognitivas, perpetuaram- se, sob uma forma idêntica ou transformada. Por  exemplo, as oposições entre o duro e o mole, o seco e o úmido, centrais  na cosmologia mediterrânea, encontram-se no seio do mundo universitário  ou mesmo científico sob a forma da dicotomia entre as disciplinas  literárias e as científicas; estas, consideradas ‘hard’, muito em  especial a matemática, sendo tidas como pouco adequadas para as  mulheres, fadadas ao ‘soft’.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Muitas  coisas mudaram, mas sem dúvida não tanto quando se possa crer, tomando  por base indicativos superficiais, não necessariamente relativos aos  pontos mais importantes. Além disso, as diferenças deslocaram-se e a  distância tende a  mantê-las como numa corrida de obstáculos. Tanto é assim que os  trabalhos de historiadores como Michelle Perrot sobre a história das  mulheres revelam a questão das condições da des-historizaçã o da  diferença entre os gêneros, por meio da própria história -no sentido de  produto da história e não da natureza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Mais  uma vez, o senhor mostra a lógica da distinção, com a recusa da  microssaia ou dos decotes muito generosos, como uma forma de impor um  modelo de comportamento. No seu entender, a saia preenche uma função  semelhante à da batina dos padres. O corpo das mulheres continua a ser  adestrado para aceitar a dominação masculina?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – O que denominamos de ‘feminilidade’ é o produto de um adestramento  permanente do corpo e das incessantes chamadas à ordem, entre os quais o  mais importante, por ser inerte e  reificado, é a vestimenta. Seria preciso construir ou ler a história da  roupa feminina, desde as formas caricaturais mais complicadas, a ponto  de impedirem ou tornar difíceis os deslocamentos elementares, até as  mais simples, como uma história do adestramento do corpo feminino,  tratando-a como um capítulo da história da educação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,  Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Ao  citar Lucien Bianco, ‘as armas do fraco sempre são armas fracas’, o  senhor refuta qualquer idéia de dominação do homem pela mulher por meio  da sedução ou de qualquer outro artifício ‘feminino’. A originalidade do  seu novo trabalho encontra-se no combate a esse tipo de noção cada vez  mais em voga?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – As astúcias da razão masculina são inumeráveis e bem que eu gostaria  de ter analisado todas as razões e as racionalizações de que se arma o  ‘machismo’, neo ou paleo, para  legitimar-se. Apresentei, parece-me, os princípios de uma análise da  sedução capaz de ser, ao mesmo tempo, realmente compreensiva e objetiva  na descrição da injunção em forma de ‘double bind’ continuamente  dirigida à mulher: seja aberta e fechada, ofereça-se e recuse-se, seja  acessível e inacessível, prometida e proibida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica,  sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;O intelectual deve caracterizar- se pela rejeição às zonas de sombra e pela busca das Luzes?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Bourdieu  – Sim, creio nas Luzes, mas a nova ‘Aufklärung’, que tem a minha  admiração, só pode realmente esclarecer se ilumina a si mesma. Quero  dizer com isso que a razão argumentativa, capaz de nada deixar na  sombra, deve ser também capaz de voltar-se para si mesma a sua lucidez  crítica e de compreender que um certo racionalismo pode, por vezes, ser  fator de obscurantismo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;   &lt;blockquote&gt;   &lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;blockquote&gt;  &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;div class="yiv1846591902MsoNormal" align="right"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;JUREMIR MACHADO DA SILVA&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt; &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-7894310134977343673?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/7894310134977343673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=7894310134977343673' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7894310134977343673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7894310134977343673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/ciencia-do-real-avec-pierre-bourdieu.html' title='&quot;A ciência do real&quot; avec Pierre Bourdieu'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-3153420769800135507</id><published>2010-08-24T16:13:00.005-03:00</published><updated>2010-08-24T16:37:08.681-03:00</updated><title type='text'>ABEL E CAIM  &amp; AS LITANIAS DE SATÃ- Charles Baudelaire</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQfLjF2QvI/AAAAAAAAAmA/748lpcyC39s/s1600/Cain_and_Abel.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQfLjF2QvI/AAAAAAAAAmA/748lpcyC39s/s400/Cain_and_Abel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509062527439749874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;h2 style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;ABEL E CAIM &lt;/h2&gt;&lt;h2 style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Charles Baudelaire&lt;/h2&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; I&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Abel, só bebe e come,&lt;br /&gt;Deus te sorri tão complacente.&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Caim, sempre some&lt;br /&gt;No lodo miseravelmente.&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Abel, teu sacrifício&lt;br /&gt;Doce é ao nariz do Serafim!&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Caim, teu suplício&lt;br /&gt;Será que jamais terá fim?&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Abel, tuas sementes&lt;br /&gt;E teu gado produzirão;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Caim, sempre sentes&lt;br /&gt;Uivar-te a fome como um cão.&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Abel, não tremas nunca&lt;br /&gt;À lareira patriarcal;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Caim, na espelunca,&lt;br /&gt;Treme de frio, atroz chacal!&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Abel, pulula! Ama!&lt;br /&gt;Teu oiro é sempre gerador.&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Caim, alma em flama,&lt;br /&gt;Cuidado com o teu amor.&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Abel multiplicada&lt;br /&gt;Como a legião dos percevejos!&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Caim, pela estrada&lt;br /&gt;Arrasta a família aos arquejos.&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;II&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Abel apodrecida&lt;br /&gt;Há de adubar o solo ardente!&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Caim, tua lida&lt;br /&gt;Nunca te será suficiente;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Abel, eis teu labéu:&lt;br /&gt;Do ferro o chuço é vencedor!&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;   &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Raça de Caim, sobe ao céu&lt;br /&gt;  E arremessa à terra o Senhor!&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;   &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;strong&gt;Tradução: &lt;/strong&gt;Jorge Pontual&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQezk5h4PI/AAAAAAAAAl4/8eMDnfZBp1M/s1600/Angel-Wings-Tattoos.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 399px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQezk5h4PI/AAAAAAAAAl4/8eMDnfZBp1M/s400/Angel-Wings-Tattoos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509062115608092914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;AS LITANIAS DE SATÃ&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Ó tu, o anjo mais belo e sábio entre teus pares,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Deus que a sorte traiu e expulsou dos altares,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Ó Principe do exílio, a quem fizemos mal&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;E que, vencido, sempre te ergues mais triunfal,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu que vês tudo, ó rei das trevas soberanas,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Charlatão familiar das angústias humanas,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;* Tu que, mesmo ao leproso e ao pária, se preciso,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Ensinas por amor o amor do Paraíso,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu que da Morte, tua antiga e fiel amante,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Engendraste a Esperança - a louca fascinante!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu que bem sabes em que terras invejosas&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;O Deus ciumento esconde as pedras mais preciosas,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu cujo olhar desvela os fundos arsenais&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Onde sepulto dorme o povo dos metais,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu cuja larga mão oculta os precipícios&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Ao sonâmbulo a errar no alto dos edifícios,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu que, magicamente, amacias os ossos&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Do ébrio tardio que um tropel fez em destroços,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu que, para o consolo eterno de quem sofre,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Nos ensinaste a unir o salitre ao enxofre,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu que pões tua marca, ó cúmplice sutil,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Sobre a fronte do Creso implacável e vil,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tu que infundes no olhar e na alma das donzelas&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;O amor aos trapos e a paixão pelas mazelas,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Pai adotivo dos que, em cólera sombria,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;O Deus Padre baniu do Éden terrestre um dia,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold; text-align: center;"&gt;ORAÇÃO&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Glória e louvor a ti, Satã, lá nas alturas,&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Do Céu, onde reinaste, e nas furnas escuras&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Do Inferno, onde, vencido, sonhas silencioso!&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Sob a Árvore da Ciência, um dia, que o repouso&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Minha alma encontre em ti, quando na tua testa&lt;/div&gt; &lt;div style="color: rgb(255, 0, 0); text-align: center;"&gt;Seus ramos expandir qual novo Templo em festa!&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;*&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: right; color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;Charles Baudelaire&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-3153420769800135507?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/3153420769800135507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=3153420769800135507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/3153420769800135507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/3153420769800135507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/abel-e-caim-as-litanias-de-sata-charles.html' title='ABEL E CAIM  &amp; AS LITANIAS DE SATÃ- Charles Baudelaire'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQfLjF2QvI/AAAAAAAAAmA/748lpcyC39s/s72-c/Cain_and_Abel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-7171431015691026238</id><published>2010-08-24T15:59:00.004-03:00</published><updated>2010-08-24T16:13:31.995-03:00</updated><title type='text'>Tocar o verde - a geografia e o calendário da destruição</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQXZX3q2MI/AAAAAAAAAlo/Ozz-86lj2I4/s1600/latif%C3%BAndio1.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 348px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQXZX3q2MI/AAAAAAAAAlo/Ozz-86lj2I4/s320/latif%C3%BAndio1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509053968852637890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 3 Tocar o verde - a geografia e o calendário da destruição&lt;br /&gt;&lt;a style="color: rgb(255, 0, 0);" href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Subcomandante_Marcos" title="Subcomandante Marcos"&gt;Subcomandante Marcos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;dl style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;dd style="text-align: left;"&gt;“&lt;i&gt;Não basta enterrar o capitalismo,&lt;/i&gt;  &lt;/dd&gt;&lt;dd style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;é preciso sepultá-lo virado de barriga pra baixo.&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;Para que, caso queira sair, se enterre mais ainda&lt;/i&gt;” &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;b&gt;Don Durito de A Laconda&lt;/b&gt; &lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias vezes têm se dito aqui que o poderio norte americano está  liquidado, inclusive se tem adiantado as saudações pelo óbito do  capitalismo como sistema mundial. Na seção de anúncios fúnebres e  lugares na lista de espera para a funerária da história, tem se  incluído: o socialismo, a economia política, o regime político no México  e a capacidade militar do opressor mundial, nacional e local. Convidam-nos a deixar de nos preocuparmos com o que nos explora,  despoja, reprime, deprecia. Exortam-nos a discutir e acordar com o que  vem depois deste pesadelo. &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Enfim, os letreiros de “ENCERRADO” e “EM PROCESSO DE DEMOLIÇÃO” têm se  colocado nos edifícios que, permitam-nos a desconfiança cultivada com  esmero ao longo de 515 anos, a nós, zapatistas, nos parecem, não só  sólidos, mas em plenas funções e tranqüilos. A presunção pode ser má conselheira em questões práticas e teóricas. Foi  ela quem alimentou aquilo de “não tiraram nenhuma pena do meu galo”,  “as pesquisas me favorecem por 10 pontos”, “sorria, vamos ganhar”,  “Oaxaca não será Atenco”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não será uma presunção parecida como essa que nos dará ânimo e nos fará  sentar e ver o cadáver do inimigo passar. Mais adiante, em outra destas sessões, assinalaremos o tema guerra.  Agora queremos nos focar mais detidamente em assinalar algumas  destruições que vêm operando e que, diferente das mencionadas acima,  podem ser constatadas “in situ” (Ora! Latim! Agora sim me vi muito  acadêmico). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Mais que uma descrição ou uma relação em lista, queremos nos deter em um  aspecto que é muito maior que essas outras destruições. Falo das  destruições da natureza, seja via desflorestamento, contaminação,  desequilíbrio ecológico, etc., assim como as malditas “catástrofes  naturais”. E digo malditas&lt;sup id="cite_ref-0" class="reference"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tocar_o_verde_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_destrui%C3%A7%C3%A3o#cite_note-0" title=""&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;,  porque cada vez é mais evidente que a sangrenta mão do capital  acompanha estas desgraças. Já em outras ocasiões temos assinalado que o capitalismo, como tendência  dominante nas relações sociais, tudo converte em mercadoria; em sua  produção, circulação e consumo, o lucro é o eixo articulador de sua  lógica; e a vontade de lucro busca também a “aparição” de novas  mercadorias, a criação ou apropriação de novos mercados. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Talvez nos rotulem de demasiado “ortodoxos” ou “clássicos” (algo de que,  como tem sido evidente nestes 14 anos, seguramente se pode acusar o  neozapatismo), se insistimos nisto de que ao capital interessam os  lucros, por qualquer meio e de qualquer forma, todo o calendário e em  toda a geografia. Os entendemos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Mas pedimos a quem vem de cima que, pelo menos por um momento, deixem de  lado suas leituras de “Vuelta”, “Letras Libres”, “Nexos”, “TV y Notas” e  as conferências magistrais de Al Gore; deixe descansar uns minutos seus  fantasmas do Gulag e do Muro de Berlim; apaguem um momento as velas  acendidas ao candidato “menos mal”; coloquem em “stand by” suas análises  que não sabem diferenciar uma mobilização de um movimento; e aceitem  que, talvez, seja provável, seja um supositório&lt;sup id="cite_ref-1" class="reference"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tocar_o_verde_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_destrui%C3%A7%C3%A3o#cite_note-1" title=""&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;, pode ser que, por efeito, o capital pretenda converter tudo em mercadoria e esta no lucro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Revisem agora, detalhadamente, cada uma das distintas destruições que o  planeta padece e concluirão como aparece o capital usufruindo destas.  Primeiro nas causas da desgraça, e depois em suas conseqüências. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tabasco e Chiapas. As geografias e os calendário da destruição&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há várias semanas que o Rio Grijalva e o Rio Carrizales  transbordaram, colocando setenta por cento do território do sudeste do  estado mexicano de Tabasco debaixo de água, parece que se abriu aí uma  nova etapa: a da reconstrução e das justificativas inaceitáveis. O saldo  é arrepiante: um milhão de afetados e, ao menos, oitenta mil  residências destruídas, além do perigo latente de um novo  transbordamento. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;No governo do panista&lt;sup id="cite_ref-2" class="reference"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tocar_o_verde_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_destrui%C3%A7%C3%A3o#cite_note-2" title=""&gt;[3]&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;  Felipe Calderón evitou-se uma discussão séria sobre o que motivou a  inundação – através do argumento de “não politizar a situação”. Em 8 de  novembro passado, o secretário de Governo declarou que: “a emergência é a  emergência e tem que ser resolvida, não encontrar culpados”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Claro que não se pode encontrar culpados se não se faz uma avaliação  séria do acontecido. A realidade é que, conforme a população se sente  mais segura no que concerne a sua integridade física, a discussão sobre o  que passou é o tema central das conversas, não podemos dizer que são  conversas de bar] porque não há bares, somente nos refúgios, nas ruas e  nos campos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma, nas esferas das diversas correntes políticas do país o  tema começa a se manifestar, nem sempre de maneira desinteressada. Deste  então, é um absurdo pedir que não se politize o que sucedeu, quando por  trás de tudo existe uma série de políticas públicas que têm permitido,  em paralelo às causas naturais, a situação que hoje se vive em Tabasco. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Felipe Calderón, ao grito de “vi o documentário de Al Gore”, esconde-se  em uma explicação muito na moda em nossos dias: a mudança climática:  “não nos equivoquemos, a origem da catástrofe está na enorme alteração  climática”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Assim não é necessário buscar ou localizar uma responsabilidade  concreta. Parece que, para o autodenominado presidente, a mudança  climática é uma tragédia quase divina, não tem nada a ver com o modelo  de desenvolvimento aplicado e que se continua aplicando. É muito  provável que esta inundação tenha ligação com essa mudança climática, o  que seria importante elucidar são as razões disso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Cecília Vargas, jornalista de A Verdade do Sudeste, nos disse: “uma das  causas da inundação é a venda de terras e a construção de casas e lojas  comerciais nas zonas pantanosas, que são terraplanadas, tapando assim os  lençóis reguladores da cidade e impedindo a circulação e absorção de  água. Em zonas aterradas (ou aterros) se constróem centros comerciais  como Wal Mart, Sam’s, Chedrahui, Fábricas de Francia, Cinépolis  (construídos durante os governos de Roberto Madrazo e Manuel Andrade)”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Ou, como assinala os habitantes indígenas da zona rural: “dizem os  nossos vozinhos que antes chovia mais ou igual, mas não havia inundação,  por que agora inunda? Dizem que é por causa das novas construções que  tapam os caminhos da água”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, o senhor Calderón responsabilizou, no cúmulo da estupidez, a lua pelas tremendas marés que provocou. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Maria Esther, habitante da cidade de Villahermosa e  companheira da Outra Campanha, utiliza o senso comum – tão alheio aos  “espertos” –, e assinala um sucesso estranho: “a Laguna de las  Ilusiones, que se encontra em plena Villahermosa, nunca transbordou, e  subiu apenas no seu nível, a diferença de outros anos. Se a origem  fundamental da catástrofe tivesse sido as chuvas, essa lagoa teria  transbordado e isso não ocorreu”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;E concordam a jornalista Cecília Vargas e María Esther: “as inundações  foram um crime, porque houve a abertura das comportas da represa Peñitas  quando já não dava mais, e foi esta água que inundou Villahermosa”.  Adiante, citam um documento do Comitê Nacional de Energia, de 30 de  outubro, onde se assinala que “a represa Peñitas está à beira do colapso  porque só usa a água para geração de eletricidade nas noites, enquanto a  base da geração elétrica é por meio de gás enviado pelas indústrias  privadas”. Por trás disto está a Repsol, a multinacional espanhola que  “aonde pisa não volta a crescer ervas”. No documento, como sempre, é  advertido que “é necessário abrir as comportas, porque os limites da  represa estão no máximo” e exigido da Secretaria de Energia a geração  permanente de energia por meio das hidroelétricas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O fato concreto é que andando em Villahermosa constata-se que a zona  hoteleira, a colônia Tabasco 2000 e outras zonas “ricas” da cidade não  foram afetadas, graças às obras que, em anos passados, aí fizeram para  prevenir inundações (a borda de contenção do Rio Carrizal). Em meio às catástrofes se mede a estatura dos políticos... e dos  analistas. Esta ocasião não tem sido exceção. No meio da tragédia querem  que os três principais partidos do México compartilhem a  responsabilidade do que ocorreu. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Tanto a presidência da república nas mãos do direitista PAN, como o  governo do estado nas mãos de um militante do corrupto Partido  Revolucionário Institucional, como as prefeituras municipais,  majoritariamente nas mãos do supostamente esquerdista Partido da  Revolução Democrática, têm evidenciado seu profundo desapego da  sociedade. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O exemplo mais claro desta situação se viu em 31 de outubro, quando o  autodenominado presidente do México, Felipe Calderón, chegou a Tabasco  para fazer uma visita para avaliar a situação. Vendo que havia pessoas  que estavam colocando sacos com areia nas bordas do rio para criar um  dique, decidiu ajudar e durante 15 minutos se pôs a trabalhar, junto com  sua esposa e alguns membros de seu gabinete. Esse tipo de atitude, tão  próxima do que era a forma de governar do PRI, teria forte impacto  social e midiático, mas somente provocou indignação e raiva. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Pior foi que ao ver que havia muita gente apenas olhando e perante os  “soluços”, do governador, Felipe Calderón ganhou coragem e ameaçou aos  que somente olhavam: “Coloquem-se a ajudar ou mando por vocês!”, e  imediatamente ordenou aos militares que estavam lá para ajudar os  trabalhadores a encher os sacos de areia. As pessoas se alteraram, e o  olhar adquiriu um sentido de depreciação, os soldados tampouco se  moveram, entendendo que aquela ordem era atear gasolina ao fogo; a  conseqüência disto foi que o presidente se retirou do lugar e deu por  terminado seu trabalho de reconstrução. Seus quinze minutos de trabalho  não se converteram em quinze minutos de glória. Mas pelo contrário, de  vergonha. Um dos que estavam olhando comentou depois, levantando a voz  sem nenhum temor: “é fácil vir aqui 15 minutos e tirar uma foto, para  que os grandes noticiários de televisão gravem. Tomar um banho de povo e  logo ir para sua casa, jantar e dormir comodamente com sua família”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Há várias semanas do início da tragédia de Tabasco, o que chama atenção  dos habitantes desse lugar é a grande solidariedade que sua situação tem  despertado entre o povo do México. A maior parte dos alimentos, bebidas  e medicamentos que lhes têm chegado são recolhidos entre a sociedade  civil mexicana. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os carregamentos com ajuda provenientes de diferentes governos,  seja o federal, os estaduais ou os municipais, são invariavelmente  etiquetadas com os logotipos que identificam partidos políticos, a ajuda  cidadã tem como característica o anonimato. Em nada semelhante com as  desavenças entre o governo federal e o distrito federal, nem Felipe  Calderón e Marcelo Ebrard se importam com a situação dos atingidos, a  única coisa que lhes interessa é tirar fotos: um enchendo sacos de areia  com a habilidade de um advogado egresso de uma universidade privada, e o  outro dando bandeirada de saída, com cara de bobo, rodeado de  fotógrafos e jornalistas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Mas, houve outra ajuda presente desde os primeiros dias nas comunidades  mais pobres de Tabasco, as que fazem fronteira com o estado de Chiapas: a  ajuda que se fez de povoado pobre a povoado pobre. Nos narra um  habitante desta região: “&lt;i&gt;Houve um interesse por parte dos  companheiros zapatistas de saber como estávamos, em que condições estava  cada um. Nos disseram que se necessitássemos sair poderíamos contar com  os municípios autônomos zapatistas como albergues seguros&lt;/i&gt;. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Eram dias difíceis; não havia comunicação, cortaram as linhas  de telefone, as estradas, e a água potável. Inclusive em muitos lados  não havia luz, escasseavam os alimentos e a água para consumo, mas em  meio a tudo isso, tínhamos a certeza de saber que contávamos com teto e  comida segura nos municípios autônomos.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Não foi fácil a comunicação entre nós, mais ou menos sabíamos onde  havia inundado pela localização de cada um, sabíamos que estavam com  vida, ainda que padecendo das dificuldades deste desastre.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Então, as respostas foram ao estilo zapatista: rápidas, efetivas e  seguras. Os companheiros das bases de apoio convocaram em Tila, Chiapas,  e nos municípios autônomos a solidariedade conosco. Pode-se dizer que  os três caminhões de carregamentos que vieram de Tila, no dia 3 de  novembro, foram uma das primeiras ajudas que o estado recebeu, quando  não tínhamos comunicação telefônica e nem passagem nas estradas salvo  para veículos pesados.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sabíamos que, junto com a ajuda da sociedade civil e da paróquia de  Tila, vinha o apoio das bases zapatistas da zona norte. Sabíamos que os  companheiros trabalharam dia e noite para promover a provisão. E a ajuda  foi não só oportuna, mas maravilhosa. Quando não havia como cozinhar  nas casas, só em alguns albergues, chegaram três caminhões cheios de  pozol (bebida típica dos indígenas tanto de Chiapas como de Tabasco),  torradas, e todos nossos alimentos tradicionais ao contrário dos  governos que nos davam horríveis sopas instantâneas. Efetivamente foram  os primeiros a chegar e todo mundo se admirava e agradecia este apoio  tão oportuno e além disso tão de baixo, tão conhecedor de nossos  alimentos, o pozolito, a tortilha. Logo, dois dias depois, outros três  caminhões e assim várias viagens&lt;/i&gt;”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;E logo cheio de emoção o habitante narra: “&lt;i&gt;A região de Tacotalpa  estava sem comunicação, não entravam nem caminhões pesados. Os  companheiros das bases de apoio zapatista nos disseram que não  ficássemos tristes, pois ia chegar apoio especial para eles e foi assim  que, em meio da serrania de Tacotalpa, ante o olhar assombrado dos  povoados vizinhos, se viu desceu da montanha uma fila larga de mais de  50 homens, 30 mulheres e muitas crianças, mera base de apoio zapatistas,  que em dois dias desceram, carregando em seus ombros por várias horas,  sacos com milho, feijão, torradas, pozol, pinol, açúcar, laranjas,  tangerinas, limões, abóbora, iúca, maçal e água engarrafada ou fervida  dos riachos da montanha, para os companheiros e companheiras  tasbaqueñas... Isto através do Município Autônomo El Campesino, mas  sabemos que houve apoio de outros municípios que de bom coração deram o  que tinham e como sempre o que tinham era muito grande, muito valioso,  capaz romper qualquer dificuldade por maior que pareça.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para os que presenciaram, foi algo maravilhoso ver homens, crianças,  mulheres, anciãos da cor da terra trazer o sustento que necessitamos aos  companheiros de cá deste lado da zona de baixo. Depois chegaram outras  camionetes com ajudas similares. Mas não só vinham nos dar ajuda, também  vinham escutar nossa dor, que dissemos o que estava passando, como  estávamos, o que realmente provocou tudo isto, como é que vamos abaixo  após o desastre. Eles provaram a nossa dor, para começar a curá-la&lt;/i&gt;. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Não há palavras com as quais possamos agradecer a todos e a cada um  dos companheiros da base de apoio zapatista, que com bom coração e com  verdadeiro humanismo compartilharam seu pão, sua água e sua luta para  construir um mundo onde caibam muito mundos.&lt;/i&gt;” &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Desde logo, nada dispo apareceu nos grandes meio de comunicação  mexicanos. Além das pistas de patinação, o que insistentemente se diz  nestes meios é que toda classe política se acusa entre si por lucrar com  a tragédia. Assim, por exemplo, o ministro do Trabalho se confrontou  com o Chefe de Governo da Cidade do México, o primeiro chamou de ruim o  segundo, e este o respondeu chamando-lhe de tonto. O interessante é que  ambos tinham razão. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Aqui vocês observam uma diferença fundamental e irreconciliável entre o  que nós buscamos, no movimento que se chama A Outra Campanha, e os que  se aglutinam em torno ao lopezobradorismo&lt;sup id="cite_ref-3" class="reference"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tocar_o_verde_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_destrui%C3%A7%C3%A3o#cite_note-3" title=""&gt;[4]&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eles querem um mundo com pistas de gelo para patinação, praias artificiais, segundos pisos, e o glamour do primeiro mundo. Nós queremos um mundo como esse que desce da montanha zapatista para ajudar o necessitado, um outro mundo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;dl&gt;&lt;dt&gt;Algo de Geografia e Calendário básicos &lt;/dt&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;Existe no Caribe, estendida ao sol como um verde jacaré, uma alargada  ilha. “Cuba” é como se chama o território, “Cubano” é como se chama o  povo que aí vive e luta. Sua história, como a de todos os povos da  América, é uma longa trança de dor e dignidade. Mas há algo que faz esse solo brilhar. Se diz, não sem verdade, que é o  primeiro território livre da América. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Durante quase meio século, esse povo tem sustentado um desafio  descomunal: construir um destino próprio como Nação. “Socialismo” tem  chamado este povo o seu caminho e motor. Existe, é real, se pode medir  em estatísticas, pontos percentuais, índices de vida, acesso à saúde, à  educação, à moradia, à alimentação, desenvolvimento científico e  tecnológico. Quer dizer, que se pode ver, ouvir, olhar, degustar, tocar,  pensar e sentir. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Sua impertinente rebeldia lhe tem custado o bloqueio econômico, as  invasões militares, as sabotagens industriais e climáticas, as  tentativas de assassinatos contra seus líderes, as calúnias, as mentiras  e a mais gigantesca campanha midiática de desprestígio. Todos estes ataques provêm de um centro: o poder norteamericano. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A resistência deste povo, o cubano, não só exige conhecimento e análise,  mas também respeito e apoio. Agora que tanto se fala em defuntos, é bom  recordar que há 40 anos tentam enterrar Che Guevara; que Fidel Castro  já foi declarado morto várias vezes; e que a Revolução Cubana já teve  inutilmente marcada várias datas de extinção. Dezenas de calendários de  extinção; que nas geografias onde se traçam as estratégias atuais do  capitalismo selvagem, Cuba não aparece, por mais que se empenhem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Com a ajuda efetiva, com o sinal de reconhecimento, de respeito e de  admiração, as comunidades indígenas zapatistas têm enviado um pouco de  milho não transgênico e um pouco de gasolina. Para nós, têm sido nossa  forma de fazer este povo saber que entendemos as mais pesadas das suas  dificuldades que padecem e que têm como centro emissor: o governo dos  Estados Unidos da América. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Como zapatistas pensamos que devemos estender o olhar, o ouvido e o  coração a este povo. Não vai ser, como nós, que se dirá que o movimento é  muito importante e essencial, e blá, blá, blá; e quando, como agora,  somos agredidos, não há nenhuma linha, nenhum pronunciamento, nenhum um  sinal de protesto. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Cuba é algo mais que o estendido e verde jacaré do Caribe. É um  referencial, cuja experiência será vital para os povos que lutam,  sobretudo, nos tempos de obscurantismo que agora se vive e se alargaram  já há algum tempo. Ao contrário dos calendários e geografias da  destruição, em Cuba há um calendário e uma geografia da esperança. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Por isto agora dizemos, sem afetação, não como ordem, mas com sentimento: Que viva Cuba! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Muito agradecido. Subcomandante Insurgente Marcos. San Cristóbal de Lãs Casas, Chiapas, México. Dezembro de 2007. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQXiIp0ejI/AAAAAAAAAlw/8eyTToBuJQs/s1600/Panfleto+-+Feira+de+produtos+organicos+MST+-+PE.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 323px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQXiIp0ejI/AAAAAAAAAlw/8eyTToBuJQs/s400/Panfleto+-+Feira+de+produtos+organicos+MST+-+PE.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509054119386839602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;dl&gt;&lt;dt style="font-weight: bold;"&gt;Sombra, o levantador de Luas.&lt;/dt&gt;&lt;dt style="font-weight: bold;"&gt;Obs.: Que confirma que a Lua é rancorosa e conta a lenda da origem de Sombra, o guerreiro: &lt;/dt&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;Conto a vocês como me contaram. Faz muito tempo, não há  calendário que o localize. O lugar em que ocorreu não tem geografia que  assinale. Sombra, o guerreiro, todavia não era guerreiro nem era ainda  Sombra. Cavalgava a montanha quando lhe deram notícia. “Onde?” perguntou. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;“Ali, onde é a fenda da montanha” - foi a vaga referência que lhe deram. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sombra cavalgou, contudo ainda não era Sombra. A notícia percorria as canhadas de extremo a extremo: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;“A Lua caiu, assim do nada. Como que desmaiou e veio a cair.  Devagarzinho veio, como se não quisesse, como não a olhassem, como não  dessem conta. Mas bem que a olhamos. Como que parou sobre a colina e  logo foi rodando até o fundo do barranco. Claro que vimos. Era luz,  pois. Era a Lua.” &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegou Sombra à borda do barranco, se apeou do cavalo. Devagar  desceu ao fundo e encontrou à Lua. Com o laço rodeou. Sobre suas costas a  carregou. Subiram Lua e Sombra montanha acima. Sombra sobre o caminho,  Lua sobre Sombra. Chegaram até a ponta mais alta da colina, para  lançá-la daí de novo ao céu. Para que de novo andasse a Lua novamente  nos caminhos da noite. Não quero, disse Lua. Aqui quero ficar, contigo.  Tíbia será minha luz para ti, na noite fria. Fresca no ardente dia. Tu  me trará espelhos que multipliquem meu brilho.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Contigo ficarei, aqui. Sombra disse não, o mundo, seus homens e  mulheres, suas plantas e animais, seus rios e montanhas, da Lua  necessitam para melhor ver seus passos na obscuridade, para não  perder-se, para não duvidar quem são, de onde vêm, e aonde vão.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Discutiram. Tardaram ali. Os murmúrios eram luzes morenas,  sombras luminosas. Muitas outras coisas disseram. Tardaram. De madrugada  se ergueu Sombra e com a correia lançou A Lua de novo ao céu. A Lua  enojada ia, incomodada. No alto, no lugar que os primeiros deuses lhe  deram, ficou a Lua. Desde aí a Lua maldisse a Sombra. Assim disse: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;“De agora em diante Sombra serás. Luzes verás, mas não serás.  Sombra caminharás. Guerreiro serás. Não haverá para ti rosto, nem casa,  nem repouso. Só caminho e luta terá. Vencerás. Encontrará, sim, a quem  amar. Teu coração falará em tua boca quando ‘te quero’ dizer. Mas Sombra  seguirás e nunca encontrarás quem te ame. Buscarás, sim, mas não  encontrarás os lábios que sabem dizer ‘tu’. Assim serás, Sombra, o  guerreiro, até que já não sejas”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desde então, Sombra é quem agora é: Sombra, o guerreiro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A saber quando e onde foi e será. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todavia falta fazer esse calendário, todavia falta inventar essa geografia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todavia falta aprender a dizer “Tu”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todavia falta o que falta... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Até amanhã. &lt;/p&gt; &lt;dl&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;Participação do Colóquio Internacional In Memorian Andrés Aubry no dia 14 de dezembro&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt; &lt;a rel="nofollow" name="Refer.C3.AAncias" id="Refer.C3.AAncias"&gt;&lt;/a&gt;&lt;h2 style="cursor: help;" title="Esta secção não é editável por razões técnicas. Edite a página toda ao invés disso."&gt; &lt;span class="mw-headline"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt; &lt;div class="references-small" style=""&gt;&lt;ol class="references"&gt;&lt;li id="cite_note-0"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tocar_o_verde_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_destrui%C3%A7%C3%A3o#cite_ref-0" title=""&gt;↑&lt;/a&gt; Mal llamadas no original.&lt;/li&gt;&lt;li id="cite_note-1"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tocar_o_verde_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_destrui%C3%A7%C3%A3o#cite_ref-1" title=""&gt;↑&lt;/a&gt; Um trocadilho com a palavra suposição&lt;/li&gt;&lt;li id="cite_note-2"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tocar_o_verde_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_destrui%C3%A7%C3%A3o#cite_ref-2" title=""&gt;↑&lt;/a&gt;  Partidário do PAN, Partido da Ação Nacional, o mesmo que elegeu Vicente  Fox (2000) e Felipe Calderón Hinojosa (2006). (Nota do Tradutor)&lt;/li&gt;&lt;li id="cite_note-3"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Tocar_o_verde_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_destrui%C3%A7%C3%A3o#cite_ref-3" title=""&gt;↑&lt;/a&gt;  Referente ao político mexicano Andrés Manuel López Obrador derrotado  nas eleições presidências de 2006 por meio ponto percentual, a qual  acusa de terem sido fraudulentas.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQWRCvyOKI/AAAAAAAAAlg/wM3xuX3Epoo/s1600/Cafe+zapa.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 374px; height: 112px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQWRCvyOKI/AAAAAAAAAlg/wM3xuX3Epoo/s400/Cafe+zapa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509052726231840930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQWIVz3WRI/AAAAAAAAAlY/pKL2m08hQPw/s1600/autonomia_sup.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 187px; height: 89px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQWIVz3WRI/AAAAAAAAAlY/pKL2m08hQPw/s400/autonomia_sup.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509052576730405138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQXiIp0ejI/AAAAAAAAAlw/8eyTToBuJQs/s1600/Panfleto+-+Feira+de+produtos+organicos+MST+-+PE.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-7171431015691026238?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/7171431015691026238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=7171431015691026238' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7171431015691026238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7171431015691026238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/tocar-o-verde-geografia-e-o-calendario.html' title='Tocar o verde - a geografia e o calendário da destruição'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQXZX3q2MI/AAAAAAAAAlo/Ozz-86lj2I4/s72-c/latif%C3%BAndio1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-7185717490700051174</id><published>2010-08-24T15:37:00.002-03:00</published><updated>2010-08-24T15:45:07.228-03:00</updated><title type='text'>Degustar o café - a geografia e o calendário da terra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQTKUNmZuI/AAAAAAAAAlQ/-lui-JE2FWQ/s1600/Caf%C3%A9+Ya+Basta+Torino.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQTKUNmZuI/AAAAAAAAAlQ/-lui-JE2FWQ/s400/Caf%C3%A9+Ya+Basta+Torino.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509049312126330594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;dl&gt;&lt;dt&gt;Capítulo 4 &lt;a style="color: rgb(255, 0, 0);" href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Cheirar_o_negro_-_o_calend%C3%A1rio_e_a_geografia_do_medo" title="Cheirar o negro - o calendário e a geografia do medo"&gt;Cheirar o negro - o calendário e a geografia do medo&lt;/a&gt;&lt;/dt&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;dl style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;dt&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Subcomandante_Marcos" title="Subcomandante Marcos"&gt;Subcomandante Marcos&lt;/a&gt; &lt;/dt&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p style="text-align: right; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;(&lt;a class="external" title="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/comision-sexta/857/" href="http://pt-br.protopia.wikia.com/index.php?title=Especial:Outbound&amp;amp;f=Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra&amp;amp;u=http%3A%2F%2Fenlacezapatista.ezln.org.mx%2Fcomision-sexta%2F857%2F"&gt;Original em Espanhol&lt;/a&gt;) &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: right; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right; color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/div&gt;&lt;dl style="text-align: right;"&gt;&lt;dd style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;“&lt;i&gt;À terra, o indígena a vê como mãe.&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;i style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;O capitalista, como alguém que não possui uma&lt;/i&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;”.&lt;/span&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;b&gt;Dom Durito de A Lacandona&lt;/b&gt;. &lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;dl&gt;&lt;dt&gt;Algumas anedotas pouco científicas. &lt;/dt&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;No dia de ontem, meditando ao Sol, chegou com sua banda o Daniel  Viglietti que, como todos sabem, é um cidadão da América Latina de baixo  que viaja com um passaporte uruguaio e um violão subversivo. Houve  música e palavras. Com ele mandamos comprimento a Mario Benedetti, outro  dos culpados de frustrar minha carreira como músico de ritmos  desconcertantes. O Viglietti nos contou que o recolhedor das chuvas da  memória de baixo, Eduardo Galeano, esteve enfermo, mas que já estava  melhor. Lhe mandamos parabéns Don Eduardo e a oferta de que, em caso de  uma recaída, os atenderemos na Clínica de Oventik, onde não se abunda a  medicina, mas sim a morena alegria zapatista, que não cura, mas alivia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é por presunção, mas o Viglietti e eu compusemos, juntos,  alguns versos para uma de suas canções e, além disso, nós tiramos um  dueto, quer dizer, ele cantou e eu sustentava o caderno com as  anotações. A tenienta insurgenta nos acompanhou nos coros e eu sabia  todas as canções sem necessidade do caderno. Agora é hora das confissões  inconfessáveis, supôs ele que eu na realidade era, por estas  travessuras da geografia de baixo, um uruguaio nascido em Chiapas.  Estiveram também Raúl Sendic e meu general Artigas, mas não estou  autorizado a revelá-lo. E o Che se manifestou muito ligeiramente,  incorporado e brincalhão sobre uns versos de sonhos e madrugada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando chegamos ao momento de “A Desalambar”, Daniel nos explicou  que, quando cantou pela primeira vez a seu pai, ele lhe advertiu das  conseqüências de cantá-la no campo. “Sim, ao tirar o alambrado você  acaba por fazer um desgarriate, Daniel, porque o que ganhou vai sair e  ir a quem sabe onde, ou vai mexer”, lhe disse, mais ou menos assim. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi então que eu lhe contei uma pequena parte do que agora lhes conto mais extensamente: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pelas bandas do Caracol de La Garrucha, na região da selva  tzeltal (que, certamente, é onde será celebrado o Encontro das Mulheres  Zapatistas com as Mulheres do Mundo, nos últimos dias deste mês de  dezembro), antes do levante existiam várias propriedades, que é assim  como os companheiros chamam as fazendas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Localizadas nos melhores terrenos dos vales da selva lacandona,  com água abundante, solos planos e férteis, estradas próximas, pistas de  pouso privadas, estas fazendas concentravam milhares de hectares e se  dedicavam quase exclusivamente à pecuária extensiva. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;As grandes árvores: as ceibas, os huápacs, os cedros, os magnos,  os acotes, os homiguillos, os bayalté, as nogueiras; caíram para dar  passo aos bovinos que davam lucros para as associações pecuaristas, os  frigoríficos de carne, os comerciantes e os governos de todos os níveis. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os indígenas (zapatistas, não zapatistas e anti-zapatistas)  haviam sido deixados de lado nas encostas de serras e nos altos das  colinas, em terrenos pedregosos, sempre em inclinações anunciadas. Aí  deviam fazer seus cafezais em pequenos clarões que a montanha, generosa  com seus guardiões, abria de tanto em tanto em suas irregulares  chateações. Os pés de milho cresciam entre pedras e espinhos,  agarrando-se como podiam nas inclinadas costas que caíam do  despenhadeiro, como se a montanha tivesse se cansado de estar de pé e  prontamente se deixara cair, e no mais, para se assentar nas terras onde  o mandão mandava e aquela de “senhor de forca e navalha” não era uma  imagem literária. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos pequenos cafezais trabalhava toda a família. Gente de idade,  homens, mulheres, meninas e meninos podavam, limpavam, secavam,  alinhavam e empacotavam o café em grandes costais chamados pergamino.  Para comercializa-lo, os mesmos anciões, homens, mulheres e crianças  deviam carregá-lo, se tinham um pouco de dinheiro, em seus animais de  carga. Mas como a pequenez também era de animais, ancião, homens,  mulheres e crianças eram os animais de carga que, sobre seus ombros,  levavam 30, 40 kilos de café pergamino. 2 ou 3 jornadas de 8 a 10 horas  de caminho cada uma. Chegavam a margem da estrada e esperavam um carro  (que é assim como se chamam os caminhões de três toneladas), que lhes  cobravam o equivalente a 10 ou 15 kilos de café que haviam levado no  lombo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao chegar nas sedes do município, os coiotes (assim os  companheiros chamam aos intermediários) cercavam os veículos e  praticamente assaltavam os indígenas, mentindo sobre o peso e o preço do  café, aproveitando que a castilla era pouca ou nula nestes indígenas. A  constatação de que eram enganados fracassava contra o argumento do  coiote: “se não queres, volte”. O pouco pago era gasto em comida e nos  bordéis, que tinham na época de colheita do café sua melhor “temporada”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;De colheita em colheita de café, os indígenas, homens, mulheres e  crianças, deviam trabalhar em seus milharais de montanha, e empregar-se  como peões nas grandes fazendas que se faziam donas dos grandes vales  que os rios Jataté e Perlas abriam por entre essas montanhas do sudeste  mexicano. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os finqueros&lt;sup id="cite_ref-0" class="reference"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra#cite_note-0" title=""&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;,  que é como os companheiros chamam os fazendeiros, seguiam um mesmo  padrão para a instalação de suas possessões. A Casa Grande, quer dizer, a  casa onde o finqueiro habitava os dias que estavam em suas possessões,  era feita de material de construção, ampla e com grandes corredores  rodeando-a. Do lado tinha a cozinha. Depois havia um amplo espaço  cercado por arames farpados. Fora da cerca que demarcava os limites do  espaço do “senhor”, viviam os peões com suas famílias, em casas de adobe&lt;sup id="cite_ref-1" class="reference"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra#cite_note-1" title=""&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;,  madeira e teto de palha. Ao espaço da “Casa Grande”, quer dizer, dentro  da cerca de arame farpado, só podiam passar o mayoral ou capataz, e as  mulheres que se encarregavam da cozinha e da limpeza da casa e das  costas do senhor. Também acostumavam entrar, de noite quando a senhora  do “senhor” não estava, as noivas sobre as quais o finquero exercia o  chamado “direito de pernada” (que consistia no direito que o fazendeiro  tinha de desvirginar a mulher antes de ser desposada). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;|Eu sei que parece que estou contando uma novela de Bruno Traven  ou que estou tomando um texto do final do século XIX, mas o calendário  em que ocorria isto que acabo de contar marcava dezembro do ano de 1993,  faz apenas 14 anos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os peões indígenas não só haviam colocado a cerca que os  separavam do “senhor”, também cercavam os grandes pastos em que pastavam  os gados que depois seriam suculentos filés e complicados guisos&lt;sup id="cite_ref-2" class="reference"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra#cite_note-2" title=""&gt;[3]&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; nas mesas dos ricos de San Cristóbal de Lãs Casas, de Tuxtla Gutiérrez, de Comitán, da Cidade do México. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A cerca de arame farpado não era só para controlar o ganho do  finquero. Era também, e, sobretudo, um sinal de status, uma linha  geográfica que separava dois mundos: os do caxlán ou rico branco, e o do  indígena. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com métodos que dariam pena à Border Patrol e ao Minutteman, os  fazendeiros criaram e aplicaram sua própria leu aduaneira: se um animal,  dos poucos que tinham nos povoados, cruzasse para o lado do terreno do  finquero, passava a ser de sua propriedade e o “senhor” podia fazer o  que quisesse com ele: sacrifica-lo e deixa-lo aos abutres, sacrifica-lo e  lava-lo à sua mesa, ferra-lo com sua marca, ou presenteá-lo ao capataz  para que, por sua vez, fizesse o que quiser. Se, pelo contrário, algum  animal do “senhor” cruzasse para o lado do povoado, este devia  devolvê-lo ao terreno do finquero, e se sofresse algum acidente, o  povoado devia pagá-lo e, além disso, devolver o animal ferido ou morto à  fazenda. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu sei que estou me estendendo muito para assinar algo muito  simples: a propriedade da terra pertencia, antes do levante, aos  fazendeiros ou finqueros que, certamente, são o setor mais retrógrado  dos poderosos. Se alguém quer conhecer como pensa e atua a ultra-direita  reacionária, bata um papo com um finquero chiapaneco. E lhes passo um  nome de um deles que, até pouco tempo, era aliado de Andrés Manuel López  Obrador em Chiapas e, junto com o Croquetas Albores e o PRD, levou ao  poder Juan Sabines (o que expulsou, primeiro de um bordel desmantelado e  logo depois de uma bodega de café, as famílias zapatistas desalojadas  faz uns meses de Montes Azules – certamente, sem que os intelectuais  progressistas dissessem nenhuma palavra de protesto). O nome do finquero  é Constantino Kanter, e foi o autor daquela famosa frase, dita quando o  calendário marcava o mês de maio do ano de 1993: “Em Chiapas mais vale  um frango que a vida de um indígena”. Mas no insistamos nele, pois é sabido que a memória de cima é seletiva e  recorda ou esquece segundo o que lhe convém no calendário e na  geografia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O caso é que se passou algo. Não sei se sabem, mas se vos digo é  porque parece que alguns não sabem ou têm esquecido, ou mesmo fingem  como se o estivesse. Bom, o caso é que o primeiro de janeiro de 1994,  milhares de indígenas se levantaram em armas contra o supremo governo. Podem até não crer nisto, mas foi aqui, nesta geografia e neste  calendário. E dizem que é preciso confirmar que os que se  autodenominaram “Exército Zapatista de Libertação Nacional” e que usaram  máscaras para cobrir o rosto o fizeram para evidenciar que eram nada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo algumas referencias de periódicos deste calendário, os  insurgentes tomaram simultaneamente 7 sedes municipais. Parece, não  estou muito seguro, que uma dessas sedes municipais que caiu em mãos  rebeldes foi esta soberba cidade de San Cristóbal de Las Casas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Combateram contra o exército federal e o governo central de  então, que era encabeçado por Carlos Salinas de Gortari e estava formado  por vários personagens que hoje podem ser encontrados nas fileiros do  PRD e da CND lopezobradorista, que os catalogou como “transgressores da  lei” (seguramente por terem transgredido a lei da gravidade, porque o  que está abaixo não deve levantar-se). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lhes peço que notem que nós estamos falando de pessoas com as que  temos diferenças de estratégia ou tática, ou de concepção de reforma ou  revolução. Estamos falando de nossos perseguidores, de nossos  carrascos, de nossos assassinos. Se tivéssemos traído nossos mortos e  tivéssemos apoiado essa suposta opção contra a direita, agora estaríamos  em uma “queda” e uma frustração similar às que descreveu o companheiro  Ricardo Gebrim, do Movimento dos Sem Terra, do Brasil. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esta manhã li que a aberração jurídica que, violando a  constituição, permite a legalidade do fascismo (como oportunamente  ressaltou ontem aqui Jorge Alonso), foi votada a favor pelos deputados  de todas as tribos e correntes do PRD, incluindo aquelas afins ou  dependentes de Andrés Manuel López Obrador. Odeio dizer o que os disse,  mas os disse. Aqueles que passaram pelo alto, em movimentos psNdarados e  em "ra deter a direita, agora est tribos e correntes do PRD, incluindo  aquelas afins ou dependentes de Andrtpriedadara deter a direita, agora  estão frustrados e em “queda”. Nós que levantamos intuindo o que agora  se passa, temos... outra coisa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em fim, é algo que deverá ser investigado nas bibliotecas e nas  hemerotecas, que é onde o trabalho teórico sério deve surgir. O que quero contar-lhes é o que passou também nestes calendários, mas em  outra geografia que não é a das cidades, quer dizer, na geografia do  campo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acontece que, não é muito seguro, mas há indícios de que isto foi  assim, os insurgentes se prepararam com muito tempo de antecipação, e  até elaboraram uns regulamentos ou memorandos que chamaram de “Leis  Revolucionárias”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma delas, a chamada “Lei Revolucionária das Mulheres”, já foi mencionada aqui por Sylvia Marcos&lt;sup id="cite_ref-3" class="reference"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra#cite_note-3" title=""&gt;[4]&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;  faz uns dias. Ela é uma investigadora séria, assim que é muito provável  que, de fato, existiram (talvez, contudo existam) essas mencionadas  leis. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bom, pois outra dessas leis se chamou, ou se chama, “Lei Agrária Revolucionária”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda que nem todo teórico que se respeite o faz, eu tenho tomado  o inconveniente de investigar e, assim, tenho encontrado o que os  intelectuais progressistas chamam de “panfleto” e que parece um  jornalzinho que os pequenos grupos radicias e marginais fazem. Se chama  “O Despertador Mexicano. Órgão Informativo do EZLN”, é o número 1  (ignoro se há números posteriores) e está datado de dezembro de 1933,  faz exatamente 14 calendários. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí encontrei isto que lhe narro e que diz a letra (respeito a  redação original só para evidenciar que estes insurgentes não tinham  nenhuma assessoria teórica respeitável e conhecida, e que se veja que  tais planos eram meio nascidos, ou que lhes perguntaram a sua gente –  pessoas sem nenhuma preparação, evidentemente – o que iam propor): &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;dl&gt;&lt;dt&gt;Lei Agrária Revolucionária &lt;/dt&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;A luta dos campesinos pobres no México segue reclamando a terra para  os que trabalham. Depois de Emiliano Zapata e contra as reformas do  artigo 27 da Constituição Mexicana, o EZLN retoma a justa luta do campo  mexicano por terra e liberdade. É com o fim de versar a nova partilha  agrária que a revolução traz à terras mexicanas a seguinte LEY AGRÁRIA  REVOLUCIONÁRIA. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Primeiro – Esta lei tem validade para todo o território mexicano e  beneficia a todos os campesinos pobres e diaristas agrícolas mexicanos  sem importar sua filiação política, credo religioso, sexo, raça ou cor. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo – Esta lei afeta todas as propriedades agrícolas e  empresas agropecuárias nacionais ou estrangeira dentro do território  mexicano. Terceiro – Serão objeto de afetação agrária revolucionária todas as  extensões de terras que excedam a 100 hectares em condições de má  qualidade e de 50 hectares em condições de boa qualidade. Aos  proprietários cujas terras excedam os limites acima mencionados serão  quitado o excedente e ficarão com o mínimo permitido por esta lei,  podendo permanecer como pequenos proprietários ou somar-se ao movimento  campesino de cooperativas, sociedades campesinas ou terras comunais. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quarto – Não serão objeto de afetação agraria as terras comunais,  ejidales ou em posse de cooperativas populares ainda que excedam os  limites mencionados no artigo terceiro desta lei. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quinto – As terras afetadas por esta lei agrária serão repartidas  aos campesinos sem terra e diaristas agrícola, que assim o solicitem,  em PROPRIEDADE COLETIVA para a formação de cooperativas, sociedades  campesinas ou coletivos de produção agrícola e pecuária. As terras  afetadas deverão ser trabalhadas em coletivo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sexto – Tem DIREITO PRIMÁRIO de solicitar os coletivos de  campesinos pobres sem terra e diaristas agrícolas, homens, mulheres e  crianças, que certifiquem devidamente não possuírem terra alguma ou  possuírem terra de má qualidade. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sétimo – Para a exploração da terra em benefício dos campesinos  pobres e diaristas agrícolas serão afetados os grandes latifúndios e  monopólios agropecuários incluindo os meios de produção tais como  maquinarias, fertilizantes, bodegas, recursos financeiros, produtos  químicos e assessoria técnica. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Oitavo – Os grupos beneficiados com esta Lei Agrária deverão  dedicar-se preferentemente à produção em coletivo de alimentos  necessários para o povo mexicano: milho, feijão, arroz, hortaliças e  frutas, assim como a criação de gado bovino, suíno, equíno e da  apicultura, e aos produtos derivados (carne, leite, ovos, etc). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nono – Em tempo de guerra, uma parte da produção das terras  afetadas por esta lei se destinará ao abastecimento de órfãos e viúvas  de combatentes revolucionários e ao abastecimento das forças  revolucionárias. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Décimo – O objetivo da produção em coletivo é satisfazer  primeiramente as necessidades do povo, formar nos beneficiados a  consciência coletiva de trabalho e beneficio, e criar unidades de  produção, defesa e ajuda mutua no campo mexicano. Quando em uma região  não se produza algum bem será realizadas trocas em condições de justiça e  igualdade com outra região onde se produza. Os excedentes de produção  poderão ser exportados a outros países se não houver demanda nacional  para o produto. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Décimo primeiro – As grandes empresas agrícolas serão  expropriadas e passarão à mãos do povo mexicano, e serão administradas  em coletivo pelos mesmos trabalhadores. A maquinaria das lavouras,  arreios, sementes, etc. que se encontrem ociosos nas fábricas e  agronegócios ou outros lugares, serão distribuídos entre os coletivos  rurais, afim de fazer produzir a terra extensivamente e começar a  erradicar a fome do povo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Décimo segundo – Não se permitirão o monopólio individual de terras e meios de produção. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Décimo terceiro – Serão preservadas as zonas de florestas virgens  e os bosques, e serão feitos campanhas de reflorestamento nas  principais zonas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Décimo quarto – Os mananciais, rios, lagoas e mares são  propriedade coletiva do povo mexicano e serão cuidados evitando a  contaminação e evitando o seu mal uso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Décimo quinto – Em benefício dos campesinos pobres, sem terra e  trabalhadores agrícolas, além da partilha agrária que esta lei  estabelece, serão criados centros de comercio que comprem a preço justo  os produtos que o campesino necessita para uma vida digna. Serão criados  centros de saúde comunitária com todos o progresso da medicina moderna,  com doutores e enfermeiras capacitados e conscientes, e com medicina  gratuita para o povo. Serão criados centro de diversão para que os  campesinos e suas famílias tenham um descanso digno sem botecos nem  bordéis. Serão criados centros de educação e escolas gratuitas onde os  campesinos e suas famílias se eduquem sem importar sua idade, sexo, raça  ou filiação política, e aprendam a técnica necessária para seu  desenvolvimento. Serão criados centro de construção de habitações e  estradas com engenheiros, arquitetos e materiais necessários para que os  campesinos possam ter uma habitação digna e bons caminhos para o  transporte. Serão criados centros de serviços para garantir que os  campesinos e suas famílias tenham luz elétrica, água encanada e potável,  drenagem, rádio e televisão, além de tudo o necessário para facilitar o  trabalha da casa, estufa, refrigerador, lavadoras, moinho, etc. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Décimo sexto – Não haverá impostos para os campesinos que  trabalhem em coletivo, nem para ajudatários, cooperativas e terras  comunais. DESDE O MOMENTO EM QUE SE EXPIDA ESTA LEI AGRÁRIA  REVOLUCIONÁRIA SE DESCONHECE TOTAS AS DÍVIDAS QUER POR CRÉDITO, IMPOSTO  OU EMPRÉSTIMOS, QUE TENHAM OS CAMPESINOS POBRES E TRABALHADORES  AGRÍCOLAS COM O GOVERNO OPRESSOR, COM O ESTRANGEIRO OU COM OS  CAPITALISTAS. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com este artigo décimo sexto termina essa lei. Existem mais leis,  mas não vêm ao caso, ou coisa. Faz-se notar a falta de perspectiva de  modernidade destes transgressores da gramática e do bom gosto, já que  não aparece nenhuma referência ao livre comércio nem às comodidades  agrícolas que, deus salve o senhor Monsanto, o capitalismo traz  felizmente ao mundo. Em fim, parece que nos territórios que os rebeldes chegaram a controlar  se aplicou esta lei e que os finqueros foram expulsos de suas grandes  propriedades e essas terras foram repartidas entre os indígenas que,  contam, o primeiro que fizeram foi desfazer os cercos que protegiam as  casa dos fazendeiros. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Contam também que fizeram esse atentado contra a propriedade  privada cantando a lista de mesmo nome, autoria de um tal Daniel  Viglietti (o mesmo que foi visto faz umas horas nesta geografia,  acompanhado de gente de muito duvidosa reputação – várias pessoas  presentes cobriram o rosto, o que não deixa duvida de que ocultavam  algo). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo rumores, anos depois os levantados criaram suas próprias  formas de autogoverno e formaram o que chamam “comissões agrárias” para  vigiar a partilha de terra e o cumprimento da lei. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que sabemos é que não são poucas as dificuldades que se tem  encontrado e se encontram, e que os rebeldes resolvem segundo suas  próprias faculdades e meios, em lugar de recorrer a assessores,  especialistas e intelectuais que lhes digam o que devem fazer, como  devem e os avaliem o feito e o desfeito. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Existe outro dado, escandaloso como ele é. Segundo fontes  confiáveis, que não puderam ser reveladas porque usavam mascaras, em uma  madrugada qualquer, esses homens, mulheres, crianças e anciãos,  descobriram seus rostos e cantaram e bailaram, sempre com ritmo que não  tem catalogação conhecida. Dizem que sabiam que não eram menos pobres  que antes e que apareciam-lhe em cima problemas de todos os tipos, entre  eles o da morte, assim nós não sabemos o motivo, causa ou razão de sua  alegria. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo últimas informações, seguem dançando, cantando e rindo há  14 calendários e que dizem que é porque há outra geografia em suas  terras. Isto só demonstra que são uns ignorantes, porque os mapas e  cartas topográficas de INEGI não dão conta de nenhuma mudança no  território desse sudeste estado mexicano de Chiapas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;A madrugada é a região mais Che Guevara dos sonhos&lt;/i&gt;” -&lt;b&gt;Daniel Viglietti&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt; Primeira pergunta: Há trocas mudanças fundamentais na vida das comunidades indígenas zapatistas? &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Primeira resposta: Sim. &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Segunda pergunta: Estas mudanças se deram a partir do levante do primeiro de janeiro de 1994? &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Segunda resposta: Não. &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Terceira pergunta: Quando foi então que se deram? &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Terceira resposta: Quando a terra passou a ser propriedade dos campesinos. &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Quara pergunta: Quer dizer que foi quando a terra passou à mão  de quem a trabalha que se desenvolveram os processos que se podem  apreciar agora nos territórios zapatistas? &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Quarta resposta: Sim. Os avanços no governo, saúde, educação,  habitação, alimentação, participação das mulheres, comercialização,  cultura, comunicação e informação tem como ponto de partida a  recuperação dos meios de produção, neste caso, a terra, os animais e as  máquinas que estavam nas mãos dos grandes proprietários. &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Quinta pegunta: Esta lei agraria revolucionária vigorou em todos os territórios em que os zapatistas afirmam ter controle? &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Quinta resposta: Não. Por suas características próprias na  zona de Los Altos e Norte de Chiapas este processo foi mínimo ou  inexistente. Só se deu nas zonas da Selva Tzeltal, Tzotz Choj e na Selva  Fronteiriça. Contudo as mudanças se estenderam a todas as zonas pelas  pontes subterrâneas que unem nossos povos. &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Sexta pergunta: Por que sempre parecem estar contentes, ainda que tenham erros, problemas e ameaças? &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Sexta resposta: Porque, com a luta, temos recuperado a  capacidade de decidir nosso destino. E isso inclui, entre outras coisas,  o direito de nos equivocarmos. &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Sétima pergunta: De onde tiram esses ritmos estranhos que cantam e dançam? &lt;/li&gt;&lt;li&gt; Sétima resposta: Do coração. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p&gt;Agradecido e nos vemos na noite. &lt;/p&gt; &lt;dl&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;SubComandante Insurgente Marcos&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;San Cristobal de Las Casas, Chiapas, México. &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Dezembro de 2007 &lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt; &lt;a rel="nofollow" name="Refer.C3.AAncias" id="Refer.C3.AAncias"&gt;&lt;/a&gt;&lt;h2 style="cursor: help;" title="Esta secção não é editável por razões técnicas. Edite a página toda ao invés disso."&gt; &lt;span class="mw-headline"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt; &lt;div class="references-small" style=""&gt;&lt;ol class="references"&gt;&lt;li id="cite_note-0"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra#cite_ref-0" title=""&gt;↑&lt;/a&gt; Aquele que explora uma “finca”, uma propriedade ou posse. Pode ser traduzido como posseiros. (Nota do Tradutor)&lt;/li&gt;&lt;li id="cite_note-1"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra#cite_ref-1" title=""&gt;↑&lt;/a&gt;  Dicionário Aurélio Século XXI: “1. pequeno bloco semelhante ao tijolo,  preparado com argila crua, secada ao sol, e que também é feito misturado  com palha, para se tornar mais resistente; tijolo cru”. (N.T.)&lt;/li&gt;&lt;li id="cite_note-2"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra#cite_ref-2" title=""&gt;↑&lt;/a&gt; Dicionário elmundo.es: Alimento refogado e cozido em salsa junto com verduras ou batatas (tradução similar). (N.T.)&lt;/li&gt;&lt;li id="cite_note-3"&gt;&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Degustar_o_caf%C3%A9_-_a_geografia_e_o_calend%C3%A1rio_da_terra#cite_ref-3" title=""&gt;↑&lt;/a&gt;  Diretora do Centro de Investigação Psico-etnológico Cuernavaca, México.  Dedica-se à história da psiquiatria, medicina e da mulher na cultura  popular pré-hispânica e contemporânea do México. Concentra-se na  recuperação de práticas tradicionais de saúde que fortalecem o papel das  mulheres e trabalha com grupos de mulheres indígenas e organizações no  México e para além dele. (N.T.)&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-7185717490700051174?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/7185717490700051174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=7185717490700051174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7185717490700051174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/7185717490700051174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/degustar-o-cafe-geografia-e-o.html' title='Degustar o café - a geografia e o calendário da terra'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQTKUNmZuI/AAAAAAAAAlQ/-lui-JE2FWQ/s72-c/Caf%C3%A9+Ya+Basta+Torino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-6446584021293258029</id><published>2010-08-24T15:32:00.002-03:00</published><updated>2010-08-24T15:37:42.244-03:00</updated><title type='text'>Sentir o vermelho - o calendário e a geografia da guerra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQRa5vVn7I/AAAAAAAAAlI/xT2g7VrGAlM/s1600/azteccalendarsun.png"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 308px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQRa5vVn7I/AAAAAAAAAlI/xT2g7VrGAlM/s400/azteccalendarsun.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509047398054600626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;dl&gt;&lt;dt&gt;Capítulo 7&lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Subcomandante_Marcos" title="Subcomandante Marcos"&gt; Subcomandante Marcos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dt&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p style="text-align: right;"&gt;(&lt;a class="external" title="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/comision-sexta/860/" href="http://pt-br.protopia.wikia.com/index.php?title=Especial:Outbound&amp;amp;f=Sentir_o_vermelho_-_o_calend%C3%A1rio_e_a_geografia_da_guerra&amp;amp;u=http%3A%2F%2Fenlacezapatista.ezln.org.mx%2Fcomision-sexta%2F860%2F"&gt;Original em espanhol&lt;/a&gt;) &lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Participação na conferência do dia 16 de dezembro pela tarde. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;dl&gt;&lt;dd&gt;“&lt;i&gt;A diferença entre o irremediável e o necessário é que para o primeiro&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;não é preciso se preparar. E só a preparação torna possível o segundo&lt;/i&gt;”. &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;b&gt;Don Durito da Lacandona&lt;/b&gt; &lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Antes, não só neste colóquio, mas também nele, temos assinalado o caráter belicista do capitalismo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Agora queremos acrescentar que a guerra não é só uma forma, é certamente  a essência pela qual o Capitalismo se impõe e implanta na periferia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;É também um negócio em si mesmo. Uma forma de obter lucros. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente, é na paz onde é mais difícil fazer negócios. E digo  “paradoxalmente” porque se supõe que o capital necessita de paz e  tranqüilidade para desenvolver-se. Talvez isso tenha sido antes, não  sei, o que vemos é que agora ele necessita da guerra. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Por isto a paz é anticapitalista. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Se fala pouco dele, ainda menos no México, mas o peso econômico da  industria militar e seus gigantescos lucros (que obtêm cada vez que o  supostamente agonizante poder norte-americano decide “salvar” o mundo  democrático de uma ameaça fundamentalista... que não seja a sua, é  claro), não são nada desprezíveis. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Nos aspectos teóricos, tal como, conforme nosso entender, assinalou faz  umas horas Jean Robert, é necessário estar questionando “os solos” sobre  os quais se põem em pé na terra um planejamento científico. Pensamos  que o conceito de “guerra” dos analistas teóricos anti-sistêmicos pode  ajudar a solidificar solos ainda pantanosos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Contudo não se trata apenas de uma questão teórica. Robert Fisk, por um  lado, e Naomí Klein, por outro, contribuem enormemente para tirar o véu  que ocultava a encenação da guerra no Iraque. Não de um escritório ou  afrente de um monitor que administra a informação dos grandes monopólios  midiáticos, e sim se dirigindo pessoalmente ao lugar dos fatos, ambos  chegam às mesmas conclusões. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais ou menos nos dizem: &lt;i&gt;“Vá! Acontece que não se está  libertando o Iraque da tirania de Hussein, e sim, simples e  sensivelmente, está se fazendo negócios. E, inclusive, o aparente  fracasso da invasão é também um negócio”.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vou lhes recomendar um livro: É este. &lt;i&gt;“A doutrina do choque. O auge do capitalismo do desastre”,&lt;/i&gt; de &lt;a href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Naomi_Klein" title="Naomi Klein"&gt;Naomi Klein&lt;/a&gt;. É um desses livros que vale apena ter em mãos. É ainda um livro muito perigoso. Seu perigo reside em entender o que se diz. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando escrevo isto suponho que Naomi Klein tenha enfocado os  eixos centrai do exposto no seu pensamento, assim que não repetirei. Só  assinalo que trata de aspectos do funcionamento capitalista que são  passados por alto ou ignorados por não poucos teóricos e analistas de  esquerda no mundo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Don Pablo Gonzáles Casanova é outro dos que avança no desmonte das  velhas e novas realidades do capitalismo no México e no mundo, e um  olhar generoso no tempo, e respeitoso na análise de nosso e e vir como  zapatistas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Temos aqui dois dos representantes de duas gerações de analistas do  sistema capitalista, sérios, sérias, brilhantes, e além disso com algo  que se esquece no meio teórico e intelectual: são pedagógicos, ou seja,  se fazem entender. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Don Pablo Congález Casanova é um homem sábio. É o único intelectual em  que os companheiros e companheiras falam com confiança. Eu, que tenho  mais de vinte e tantos anos vivendo com nossos povos, sei o quanto é  difícil ter sua confiança. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Presenteamos Naomi Klein, junto com Don Pablo, com esta muñequita com um  caracol. O caracol em nossos povos é como se convoca as pessoas para o  coletivo. Quando os homens estão nos milharais e as mulheres nos  trabalhos, o caracol convoca para se reunirem em assembléia e é daí  acontece o coletivo. Por isso dizemos que ele é o “chamador dos nossos”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Nossa admiração e respeito coletivo para Don Pablo, também são pessoais.  Eu só posso dizer que, quando eu crescer, quero ser omo Don Pablo  Gonzáles Casanova. Devo acrescentar ainda que ele é um desses que nos  provoca recaídas chovinistas e nos faz dizer que é uma honra ser  mexicano. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Don Pablo, lhe presenteio com este livro de Naomi Klein. Contem novos  elementos para entender novos caminhos que o capitalismo está seguindo.  Se eu o presenteio é porque já tenho outro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Quero aproveitar a ocasião para comunicar-lhes algo.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Esta é a última vez, ao menos em um bom tempo, que saímos para  atividades deste tipo, me refiro ao colóquio, encontros, mesas redondas,  conferências, além de, obviamente, entrevistas.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Algumas pessoas que têm moderado estas conferências coletivas têm me  apresentado como o porta-voz do EZLN, e hoje de manhã li que alguém se  refere a mim, além de porta-voz, como “ideólogo” do zapatismo. Óra!  “Ideólogo”, e isso dói muito?&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Observem, o EZLN é um exército. Bem diferente, é verdade, mas é um exército.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;E, além da parte que vocês querem ver do Sup (quero dizer,  além de suas belas pernas), como porta-voz, “ideólogo” ou o que seja,  creio que já têm idade para saber que o Sup é, alem disso, o chefe  militar do EZLN.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como há tempo não ocorria, nossas comunidades, nossas companheiras e companheiros, estão sendo agredidas.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Já havia ocorrido antes, é verdade.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mas é a primeira vez desde aquela madrugada de janeiro de 1994 que a  resposta social, nacional e internacional, tem sido insignificante ou  nula.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É a primeira vez que estas agressões provém descaradamente de  governos de suposta esquerda, ou que se perfazem com o apoio sem  dissimulação da esquerda institucional.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;No jornal de hoje se pode ler que o personagem representativos dos  fazendeiros chiapanecos que lhes falei ontem, o senhor Constantino  Kanter, acaba de ser nomeado funcionário no governo perredeista de Juan  Sabines , em uma posição onde os recursos financeiros poderão ser  destinados sem problemas para os grupos paramilitares.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Esta é também a primeira vez que encontramos fechados, à Flor e  Canto, os espaços onde as pessoas comuns se inteiravam do que se passava  com nosso movimento, com nossas reflexões e nossos chamados.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E não é só.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Faz uns meses, em ocasião de uma das mesas redondas que participamos  na Cidade do México, uma pessoa dessas que formam filas nas modernas  “camisas pardas” do lopezobradorismo (e que têm como comando pessoas  metidas a cretinas e a cagatintas da estirpe de Jaimes Avillés, do  periódico La Jornada), interpelou os zapatistas (estávamos a Comandanta  Miriam, o Comandante Zebedeo e eu) perguntando, com tom petulante e  inquisidor, mais ou menos, por que não deixávamos que a “gente  progressista deste país avançasse na democracia do México”. Assim disse.  Nós acabávamos de detalhar uma série de fatos que fundamentavam nossa  distancia do PRD e do lopezobradorismo que, certamente, a bem vestida  senhora não escutou.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Aos argumentos que expomos, os cinco ou seis personagens enviados  responderam primeiro com mentira (que AMLO havia se afastado do  governador Sabines e demais personagens que haviam se alinhado com  Felipe Calderón, que a CND era anticapitalista, e coisas do gênero) e  logo com suas palavras de ordem, “é um horror, estar com obrador”. O  Comandante Zebedeo me perguntou depois o que estávamos fazendo ali e  quem era essa gente que nem sequer escutava o que dizíamos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Uns dias depois, o bichano (com perdão dos gatos) que preside o  Partido da Revolução Democrática, Leonel Cota Montaño, nos acusou de ter  provocado, com nossas críticas, a derrota eleitoral (assim disse) de  López Obrador nas eleições presidenciais de 2006.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Antes, praticamente desde o arranque da Sexta Declaração da Selva  Lacandona, o lopezobradorismo ilustrado encontrou aberto os espaços para  atacarmos, ao mesmo tempo nos fechavamos em nós mesmos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Foi nos dito de tudo ao longo deste calendário. Parafraseando Edmundo  Valadez, “a merda teve permissão” e na chamada intelectualidade  progressista e de esquerda se disseram, desenharam e escreveram coisas  que envergonharam a mais reacionária imprensa de nosso país, mas que na  esquerda institucional e em seus satélites foram festejadas.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nas palavras de um intelectual de “esquerda”, depois da fraude eleitoral de 2006: “por essa não vamos perdoar Marcos”.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Estou assinalando um fato simples e contatável. Um fato que previmos  inclusive desde antes de 19 de junho de 2005, momento em que tornamos  pública nossa Sexta Declaração da Selva Lacandona, e para o qual nos  preparamos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Ocorrem também incidentes, sobretudo no último percurso que fizemos para  o Encontro de Povos Indígenas da América, realizado em Vican, Sonora,  que nos advertem e nos previnem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sabemos e entendemos que pensem que só ocorram coisas se os meios ou  um meio de comunicação específico a informa. Lhes digo que não é assim,  já faz tempo que ocorrem muitas coisas que são caladas ou ignoradas.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Entendemos que nossas posições sejam recebidas com a mesma abertura e tolerância de anos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Entendemos que se apóie e publicite uma visão e uma posição política e  que se faça “casamentos” para deixar de fora qualquer questionamento ou  posição dissidente.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Entendemos também que para alguns meios de comunicação só sejamos  notícias quando estamos matando ou morrendo, mas, pelo menos por hora,  preferimos que se cessem suas notícias, e nós trataremos de seguir  adiante em consolidar o esforço civil e pacífico que se chama A Outra  Campanha, e, ao mesmo tempo, estaremos preparados para resistir somente  com reações às agressões sofridas por nós, sejam feitas por exército,  polícias ou paramilitares.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Para nós que temos estado em guerra, aprendemos a reconhecer os caminhos pelos quais ela se prepara e se aproxima.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Os sinais de guerra no horizonte são claros.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A guerra, como o medo, também tem odor.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E agora já se começa a respirar seu fétido odor em nossas terras.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nas palavras de Naomi Klein, devemos nos preparar para o choque.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ademais, nestes dois anos que temos estado fora, nossa produção  teórica, reflexiva e analítica tem sido mais abundante que nos 12 anos  anteriores. O fato de que não apareça nos meios públicos habituais não  significa que não exista. Aí estão nossas concepções, caso alguém se  interesse em discutí-las, questioná-las ou confrontá-las com o que agora  ocorre no mundo e em nosso país. Talvez se isto somar um pouco, então  verão como advertência o que hoje é realidade.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Em fim, assim está. Talvez agora se entenda o tom como de “aí vos encarrego” que nossas participações tem tido.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando as zapatistas, quando nós zapatistas falamos, pomos adiante o vermelho coração que bate em coletivo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Entender o que dizemos, fazemos e fazeremos, é impossível se não consegue sentir nossa palavra. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que os sentimento não têm cabido na teoria, quanto menos na que agora anda ao tropeços. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Que é muito difícil sentir com a cabeça e pensar com o coração. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Que não são menores as masturbações teóricas que o plantar desta  possibilidade criou, e que as estantes de livrarias e bibliotecas então  cheias de tentativas falidas ou ridículas disto que vos digo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O sabemos e entendemos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Mas insistimos que esta concepção é correta, o incorreto é o lugar em que se está querendo a implantar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Porque para nós zapatistas, o problema teórico é um problema prático. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de promover o pragmatismo ou de voltar às origens do  empirismo, e sim de assinalar claramente que a teorias não só não devem  isolar-se da realidade, e sim devem buscar nela os maços que as vezes  são necessários quando se encontra um beco sem saíta conceitual. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;As teorias redondas, completas, acabadas, coerentes, são boas para  apresentar exame profissional ou para ganhar prêmios, mas costumam virar  cacos com o primeiro vendaval de realidade. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Temos escutado nesta mesa luzes e lampejos que, a nós zapatistas, nos dão fôlego e folga. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Essa mescla explosiva de conhecimento feito de sentimento com o que nos deslumbrou e comoveu John Berger; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;o questionamento lúcido e sem concessões de Jean Robert; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;a análise concreta e implacável de Sergio Rodríguez; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;a serena clareza das reflexões de Francois Houtart; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;a honesta história do que se passou e passará com um movimento que nós  não só respeitamos, mas também admiramos, o do MST, contato pelo  companheiro Ricardo Gebrim; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;o pensamento rico e abarcadora de Jorge Alonso; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;a entusiasta descrição de Peter Roset; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;a brilhante referência que Gilberto Valdez fez das discussões teóricas que se processam agora na Cuba revolucionária; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;as proveitosas provocações teóricas de Gustavo Esteva; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;a nobre lucidez de Sylvia Marcos; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;os avanços teórico-analíticos de Carlos Aguirre Rojas; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;a luz de grande entusiasmo de Immanuel Wallerstein; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;e faz uns anos, a sapiência irmã e companheira de Don Pablo, e a inquieta iluminação sobre o cinismo capitalista de Nami Klein. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Saudamos também as companheiras e companheiros que moderaram as sessões deste colóquio. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Meu respeito àqueles que trabalharam na tradução das apresentações, e  minhas desculpas sinceras pelos problemas que devem ter provocado os  “modos” de falar zapatista do senhor Coruja, Dezembro, Magdalena e Elías  Contreras. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Há, contudo, algo maior que não está no que se vê, porque se vê como se faz. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Me refiro às companheiras e aos companheiros que dizemos vibrantes e  luminosos, e, sobretudo, a todas as jovens e todos os jovens indígenas  que estudam e trabalham aqui no CIDECI com o Doutor Raymundo Sánchez  Barraza. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Já que falamos em olhares, creio que o mínimo que podemos fazer é não só  ver seu trabalho (fundamentalmente foram quem tornou possível este  colóquio), mas também vê-los, a eles e a elas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Agradeço também, e muito especial e carinhosamente a equipe de apoio da Comissão Sexta do EZLN. Agradeço Julio. Agradeço Roger. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que estão estranhando o fato de estar dizendo sito, sendo que  ainda falta a homenagem a Andrés Aubry que será amanhã e a  declaração-advinha de seu doutorado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Para isto, prevendo o dia de amanhã, chegarão minhas chefas e meus  chefes do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena da zona Altos,  junto com autoridades autônomas e comissões de trabalha da Junta de Bom  Governo de Oventik. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Elas e eles terão então nossa palavra e, como agora pela minha, por sua voz falaremos o todo que somos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Como última parte de nossa estendida intervenção neste colóquio, quero  explicar o que queremos assinalar com o título geral, esse “Nem o  centro, nem a periferia”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Nós pensamos que não se trata só de evitar as armadilhas e concepções,  teóricas e analíticas neste caso, que o centro põe e impõe à periferia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Tampouco se trata de intervir e agora mudar o centro gravitacional para a periferia, para daí “irradiar” ao centro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Acreditamos, ao contrário, que essa outra teoria, algumas das quais os  traços gerais foi apresentado aqui, deve romper também com essa lógica  de centros e periferia, deve então ancorar-se em realidades que  irrompem, que amergem, e, assim, abrir novos caminhos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Se é que este tipo de encontro se repete, creio que estarão de acordo  comigo que a presença de movimentos anti-sistêmicos, como agora o do  Movimento dos Sem Terra do Brasil, são particularmente enriquecedores. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Bem, creio que é tudo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Ah, antes que me esqueça: ai vos engarrego. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Muchas gracias a todas, a todos. &lt;/p&gt; &lt;dl&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;Subcomandante Insurgente Marcos.&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;San Critóbal de Las Casas, Chiapas, México.&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;Dezembro de 2007.&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="editsection"&gt;&lt;/span&gt; Notas&lt;/p&gt;&lt;span class="mw-headline"&gt;&lt;/span&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;Referente ao Partido da Revolução Democrática (PRD), partido  dito de oposição ao PAN, do atual presidente Felipe Calderón, e ao PRI,  que governou o México durante mais de 60 anos. (N.T.) &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Licenciado em Ciências Políticas e Administração Pública  ingresado na Universidade Iberoamericana, governador de Chiapas pelo PRD  eleito em 2006, ex-filiado ao PRI e filho de Juan Sabines Gutiérrez,  que foi governador de Chiapas, senador e deputado federal. (N.T.) &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Sigla usada para referir-se a Andrés Manuel López Obrador (PRD). (N.T.) &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Conferência Nacional Democrática – fundada inicialmente com o  apoio zapatista, depois transformada em instituição política a favor do  PRD e do PT, momento no qual o EZLN se afastou. (N.T.) &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Centro Indígena de Capacitação Integral, em San Cristobal de Las Casas, Chiapas, México.  &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-6446584021293258029?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/6446584021293258029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=6446584021293258029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/6446584021293258029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/6446584021293258029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/sentir-o-vermelho-o-calendario-e.html' title='Sentir o vermelho - o calendário e a geografia da guerra'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THQRa5vVn7I/AAAAAAAAAlI/xT2g7VrGAlM/s72-c/azteccalendarsun.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-3092669675296530062</id><published>2010-08-23T17:51:00.006-03:00</published><updated>2010-08-23T18:23:20.259-03:00</updated><title type='text'>Parte VI: Olhar o azul - O calendário e a geografia da memória</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THLmod1W7GI/AAAAAAAAAlA/emUl84fqwk4/s1600/Azul+Noturno.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THLmod1W7GI/AAAAAAAAAlA/emUl84fqwk4/s400/Azul+Noturno.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508718877105122402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 6 &lt;a style="color: rgb(255, 0, 0);" href="http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Subcomandante_Marcos" title="Subcomandante Marcos"&gt;Subcomandante Marcos&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: right; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;a class="external" title="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/comision-sexta/859" href="http://pt-br.protopia.wikia.com/index.php?title=Especial:Outbound&amp;amp;f=Olhar_o_azul_-_o_calend%C3%A1rio_e_a_geografia_da_mem%C3%B3ria&amp;amp;u=http%3A%2F%2Fenlacezapatista.ezln.org.mx%2Fcomision-sexta%2F859"&gt;Original em español&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Participação da conferência do dia 16 de dezembro ao meio dia.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;i style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Se para os de cima, nós de baixo somos apenas insetos. Piquemo-lhes&lt;/i&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;”.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;dl&gt;&lt;dd&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;Dom Durito da Lacandona&lt;/b&gt;&lt;/div&gt; &lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Temos dito, não poucas vezes, que nosso levante zapatista é conta o esquecimento. Permitam-me então falar um pouco de memória. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Faz algumas luas, de passagem por uma das zonas do irregular território  zapatista, nos reunimos com um grupo de oficiais insurgentes e  Comandantes e Comandantas para ver alguns problemas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Um destes assuntos era que há muito anos, à pedido de um dos comandos de  zona, alguns povoados haviam colaborado com algo para levantar uma  cooperativa que, como lhes digo, tempos depois lhes reporiam o que  haviam dado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Certamente, como sempre acontece quando há um erro, nada se acordava com  quem havia feito a solicitação, quanto tinha sido o colaborado, de  quem, o que passou com a cooperativa, et cetera. Na hora de determinar  as responsabilidades chegávamos a um buraco negro.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;“O problema” me disse um dos oficiais insurgentes, “é que nós  não lembramos como simplesmente foi. Mas os povoados se recordam e estão  virados na porra porque não lhes prestamos contas”.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Esse é o problema. Os povoados não esquecem nada”.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;O que eu ia dizer, acabou sendo digo por outro oficial: &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Como isso é o problema? Pelo contrário, isso é nossa força. Si os povoados se esquecessem, não estariam em luta”.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Isso”,&lt;/i&gt; respondeu o primeiro oficial. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Olhei para os Comandantes e Comandantas. Não foi necessário perguntar nada, prontamente me disseram: &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;“Queremos que o Comando Geral investigue para que se solucione o problema”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;“Tá bom”, lhes disse. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Dei as indicações para que se buscasse Elías Contreras e lhes passaram todos os dados que existiam. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não passaram muitos dias quando chegou o informe de Elías. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Efetivamente, em uma dessas raras temporadas de baixa pressão militar, o  comando de zona, prevendo que isso não duraria muito, propôs que se  fizesse uma cooperativa para ter algo quando voltasse a apertar o cerco.  O CCRI dessa zona esteve de acordo e fez esta proposta a alguns  povoados, e este aceitaram. Chegou, efetivamente, o tempo da pressão  militar e tudo o que havia sido acumulado na cooperativa foi enviada ao  povoados que estavam recebendo de volta. Até aí tudo limpo e sem  problemas. Mas... cito parte do informe de Elías Contreras: &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;O problema, Sup, é que nem o comando nem os comitês informaram aos  povoados. Então já passaram uns anos, nem muitos nem poucos, e os  povoados recordaram disso e estão pedindo que o Comando Geral veja o que  se passou para que não aconteça mais com os &lt;b&gt;priystas&lt;/b&gt; que fazem suas tarugadas e não informam.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Aparte te exponho minha opinião. Bem Sup, claramente te digo como  quem diz que cagaram, porque pode ser que as vezes não tenham boa  comida, ou não há roupas, ou não há remédios, ou mesmo planos, parece  que não passam o dia com todos os problemas que há, mas nunca lhes  faltam memória&lt;/i&gt;”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Se repartiram as sanções que cabia a cada um, se fez o informe aos  povoados e lhes deram indicações para que se fizesse um censo de quem e  quando havia contribuído e se estabeleceu que, usando o fundo de guerra,  lhes fossem reintegrado o que haviam dado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;As comissões foram aos povoados em questão. Ao pouco regressaram e  informaram. Tudo se ajustou, menos no povoado de San Tito. É que um  companheiro, que já é de idade, se negou a receber a reposição do que  havia retribuído. Lhe explicaram uma e outra vez que o companheiro se  zangou dizendo que não recebia e não. As comissões passaram três dias  com suas noites e nada que o convencessem. Como tinham que regressar  para os outros trabalhos, lhes deixaram com um responsável do povoado o  que correspondia ao companheiro, com a recomendação de que  posteriormente o convencesse. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Perguntei o que tinha ocorrido ao oficial que acompanhou a Comissão. Isto foi o que ele me disse: &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;É o Chompiras. Não sei se você lembra dele, Sup. Foi ele quem ajudou  a tirar os feridos do mercado de Ocosingo, daquela vez em 94. E logo  quando da traição de 95 lhes mataram dois filhos. Foi um dos primeiros a  entrar na luta deste lado. Ele relembra muito o Senhor Ik. Quase não  fala. Sempre está calado. Mas, urrr, Sup, quando nós o contamos, mandou  parar. Até nos repreendeu. Bem que nos disseram que ele tem mais memória  que qualquer um de nós. Se mete que nem os mais novos, nos disse (o  oficial tem quase 30 anos). Que se por acaso não sabemos, o Senhor Ik  explicou que a luta não acaba até que se acabe e então tudo fique  correto. Que ele não vai receber nada porque o deu para a luta e a luta  não terminou&lt;/i&gt;”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;E o que fizeram vocês?&lt;/i&gt;”, lhe perguntei enquanto acendia a pipa. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;Nada, que iríamos fazer? Saímos correndo porque nos &lt;b&gt;botou para correr&lt;/b&gt; com o facão. E disse que fossemos nos acusar com você porque não temos memória. Assim disse&lt;/i&gt;”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul&gt;&lt;li&gt; &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Em uma das intervenções neste colóquio, na de Don Jorge  Alonso, nos foi dito que não há um só enfoque para analisar a realidade,  e sim que existem distintas formas de aproximar-se dela. Nós queremos  aproveitar a dupla proximidade de Jean Robert e de John Berger, que algo  sabem disso, para tomar essa acertada afirmação e falar da observação.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ou melhor, de dois grandes olhares e dos privilégios de um sobre o outro.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Me refiro ao olhar aos zapatistas e ao olhar dos zapatistas.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Pode-se atribuir à sua formação, à sua história, à sua lucidez  ou a essa estranha sensibilidade que logo aparece de tanto em tanto em  algumas pessoas, mas há uma enorme diferença na maneira que vêem à nós  zapatistas aquelas pessoas que trabalham diretamente com comunidades  indígenas e àquelas outras que nos vêem de longe, quer dizer, de outra  realidade.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não me refiro à sua forma indulgente ou não, questionadora ou não,  definidora ou não, de nos olhar. E sim a parte nossa que elegem para  olhar e a atitude com que a olham.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Andrés Aubry, cuja história nos convoca aqui, tinha sua forma de nos  olhar, quer dizer, elegia uma parte do que somos para vernos. As duas  últimas vezes que o vi eu descrevo aqui:&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Em uma, foi em uma reunião privada junto com Jérome Baschet, falamos de livros e outros absurdos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Aubry estava desenvolto, eloqüente, como se estivesse com amigos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Na outra, foi naquela mesa redonda onde lançou uma das críticas mais  severas e certeiras que eu já havia escutado contra a academia, André  voltava uma e outra vez até atrás, fazia suas costas, onde centenas de  companheiras e companheiros, autoridades autônomas, responsáveis por  comissões e comandos organizados dos 5 caracóis escutavam em silêncio.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Andrés estava nervoso, inquieto, como se estivesse diante de severos juízes ou bispos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Do outro extremo da mesa, o olhei e o entendi.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Há quem se preocupe com as valorações que na academia faz de suas  explanações. Aubry fazia tais explanações sem esta preocupação. Era a  valoração das zapatistas, dos zapatistas, que o preocupava.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Era o mesmo Andrés Aubry que, naquela Marcha da Cor da Terra do  calendário de 2001, não reparava nos galpões que foram sucedendo na  geografia que recorremos. Tampouco às multidões que acudiam aos atos.  Olhava, em troca, aos pequenos grupos que, disperso ao longo de caminhos  e estradas, se somavam para nos ver passar ou para mandar uma saudação.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Porém quando se estava no estica e puxa de conceder ou não a palavra  no Congresso da União à uma mulher indígena sem rosto, Aubry acertou na  mosca de um calendário posterior quando disse, mais ou menos, “&lt;i&gt;a marcha, não esta, a marcha lá, nas serranias, nos pequenos povoados, de onde não se fala, irá fazer acontecer&lt;/i&gt;”.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Andrés Aubry não nos olhava como outras pessoas que trabalham em  comunidades ou com indígenas, quer dizer, como a imagem dos perpétuos  evangelizados, como eternos meninos e meninas sem se importar com os  calendários que passem, como as filhas e filhos que envergonham ou  orgulham ao pais, ou como espelhos que, de uma mesma, de um mesmo, se  penduram para tapar a própria vida dos outros, das outras, com quem nos  contactamos, espelhos que se mostram ou não, dependendo do auditório ou  da conjuntura, com uma nova espécie de oportunismo. Aqueles, aquelas que  escutam alguma intervenção certeira ou um análise lúcida de uma  companheira e de um companheiro, e, com cotoveladas cúmplices ao vizinho  ou abertamente, dizem: “&lt;i&gt;À essa, à esse nós nos unimos (assim, em masculino), não aos zapatistas&lt;/i&gt;”.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não, Aubry nos olhava como se os povos indígenas fossem um severo  professor ou tutor. Como se fosse consciente de que a história pudesse  virar de cabeça pra baixo a qualquer momento, ou como se nas comunidades  zapatistas já houvesse ocorrido isto, onde foram os indígenas los  evangelizadores, os professores, e frente a isto não valeram os  doutorados no estrangeiro, a alta pilha de livros escritos, o ar  descuidosamente europeu ou propositalmente missionário de vestimenta e  atitude.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ontem foi dito algo aqui que deve ter provocado muito Andrés Aubry  para que ele tenha se remexido na terra que lhe hospeda. Foi dito que  nossos povos são ignorantes. Não sei como ficam aqueles que se  reconhecem como alunos desses povos “ignorantes”. Depois voltarei a esta  questão.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Creio que, ao se perguntar, Andrés Aubry via a parte dos povos  zapatistas que está em voga por dentro. Como se este povo tivesse  decidido não só voltar ao mundo, mas sim também voltar à sua percepção e  tivesse feito com que sua essência, o que o define, fosse olhada por  dentro, não por fora. Como se as máscaras fossem uma armadura de  múltiplos usos: fortaleza, trincheira, espelho externo e, ao mesmo  tempo, cobertura de algo em gestação.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Em outros e outras também reconhecemos esta forma de nos olhar:  Ronco, Don Pablo, Jorge, Estela, Felipe, Raymundo, Carlos, Eduardo,  outro, outra, nada, para mencionar só alguns. Desculpem se só aparece um  nome feminino, mas parece que nesta forma de olhar não há quota de  gênero.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nem todos os olhares que nos olham são tão levados a reconhecer e a agradecer como a de Aubry.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Também existem olhares que nos olham como se fossemos, para quem  disse em pleno neoliberalismo, uma possibilidade de luco a curto, médio  ou longo prazo. São os olhares do agiota político, ideológico,  científico, moral, jornalístico. Dessas formas de nos olhar falarei  depois.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Todos estes olhares, tão distintos uns dos outros, tão diferentes na  forma de eleger a parte nossa que observam, têm, contudo, algo em comum:  são olhares de fora.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Além disso, é preciso dizer, esses olhares têm o privilégio de ser os  difundidos e se conhecem em outras geografias e outros calendários.&lt;/b&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nosso olhar, nosso olhar para eles e para elas, tem o inconveniente  (e ao mesmo tempo a vantagem, mas disso falarei depois) de só ser  conhecido por outro de fora se vocês decidem ou permitem.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Se nosso olhar é de agradecimento, de reconhecimento, de admiração,  de respeito, ou coincide com os que nos olham, então aí sim, que seja  difundido, que se faça conhecer, que se destaque a sabedoria, lucidez,  pertinência.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mas se pelo contrário, se é de crítica e questionamento, não importam  as argumentações e razões que se dê, então aí é preciso calar este  olhar, tapá-lo, ocultá-lo.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Então aí se assinala nossa falta de referência, nossa intolerância, nosso radicalismo, nossos erros.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Bom, não “nossos”, e sim “os erros de Marcos”, “o mal da máscara de  Marcos”, “a intolerância de Marcos”, “o radicalismo de Marcos”.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Em uma das apresentações do livro “Noites de Fogo e Desvelo” uma  jornalista me explicava o feroz repúdio e a reiterada calúnia contra  nossa palavra em lugares antes abertos e tolerantes, dizendo “&lt;i&gt;é que não entendem isso de ser conseqüente&lt;/i&gt;”.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Em fim, o que quero assinalar é que nos últimos três anos, é o olhar de vocês sobre nós que é mais conhecido.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Foram feitas fotos, documentários, gravações, reportagens,  entrevistas, crônicas, artigos, ensaios, teses, livros, conferências,  mesas redondas com seus olhares olhando-nos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não vou me deter em assinalar detalhes como o fato de algumas pessoas  terem escritos livros inteiros sobre o zapatismo sem ter ido para além  de San Cristobal de Las Casas e algumas se apresentam como se estivessem  vivendo em comunidades quando na realidade viviam nesta fria e soberba  Jovel, ou o caso extremo de Carlos Tello Díaz, que escreveu uma suposta  história do EZLN com material proporcionado pelo serviço de inteligência  do governo e que, me permitam dizer, não são nada inteligentes.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quero, ao contrário, assinalar que seu olhar não só é de fora e não  só elege uma forma de nos olhar (um enfoque, disse Don Jorge), mas  também elege olhar só uma parte do que somos.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ontem assinalei que nós reconhecemos que não somos capazes (nem o  queremos ser) de abranger todo o espectro do movimento anti-sistêmico no  México.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Me parece que seu olhar olhando-nos deveria reconhecer que não é  capaz de abranger tudo o que foi, é, significa e representa nosso  movimento.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não lhes pedimos humildade (ainda que creio que para alguns não cairia mal receber um curso sobre o tema), e sim honestidade.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O olhar de vocês, cientistas sociais, intelectuais, teóricos,  analistas, artistas, é uma janela para que outas, outros, nos olhem.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;No geral não se tem sido consciente de que essa janela está mostrando  apenas uma pequena parte da grande casa do zapatismo, assim que não  cairia mal advertir aqueles que nos olham através de seus olhares.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Há um ano, uma companheira citadina fazia seu próprio reconto da  história do zapatismo desde o primeiro de janeiro de 1994 e dizia: “&lt;i&gt;se tem estado em tudo!”.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não era correto. Por sua conta esqueceu de compreender que só apareciam os fatos e atividades externas públicas do zapatismo.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não estavam coisas e fatos que não têm palavras para ser descritas: a  resistência cotidiana e heróica nas comunidades, a teimosia paciente  das tropas insurgentes, o silencioso ir e vir por nossos território das  autoridades organizativas. O zapatismo, então, sustenta e dá sentido ao  que se olha, escuta, toca, degusta, fala, pensa e sente.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sei que minha posição como Sup me dá um lugar privilegiado para olhar  olhando-nos. Mas lhes sou sincero: não consigo abranger todos os  detalhes e, como nos confessou Ronco esta manhã, não deixo de me  assombrar e de me maravilhar, uma e outra vez, com o pouco que consegue  abranger um coração maltratado, cheio de remendos e de cicatrizes que,  afortunadamente, não cessam.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Então vos digo com esse coração na mão: no zapatismo, o olhar não é um privilégio individual e sim coletivo.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E acrescento que em nosso olhar olhando-os, temos sempre nos esforçado em tentar entendê-los, não de jugá-los.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;“&lt;i&gt;Por quê&lt;/i&gt;?” é a pergunta que anda em nosso olhar quando olhamos vocês.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;“&lt;i&gt;Por quê dizem isso, por quê pensam assim, por quê fazem assim&lt;/i&gt;?”.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A verdade é que quase sempre nossas perguntas acabam sem respostas,  mas vá e passe, em altos e baixos. Depois de tudo há a segurança de que  conosco sempre acabam existindo mais perguntas e dúvidas do que certezas  e respostas.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É o que vos digo, mas não para pedir reciprocidade. Creiam-me, na maioria dos casos, além de respeito, lhes devemos gratidão.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É só para que olhem tudo o que inclui e exclui em um olhar.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul&gt;&lt;li&gt; &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Se erro aí me corrigem, mas creio que foi Paul Eluard quem disse que &lt;i&gt;“Le monde est blue commme une orange”,&lt;/i&gt; que meu francês de &lt;i&gt;san papier&lt;/i&gt; traduz como “&lt;i&gt;o mundo é azul como um laranja&lt;/i&gt;”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Tem se visto também algumas dessas fotos tiradas do mundo a partir do  espaço. A terra se olha, efetivamente, azul, mas bem poderia ser uma  laranja. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;As vezes, nas madrugadas que me encontram perambulando sem repouso  possível, me pego trepado em uma espiral de fumaça e, lá de muito alto,  nos olho. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Creiam-me que o que se consegue ver é tão belo que dói olhar. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não digo que seja perfeito, nem acabado, nem que careça de vãos,  irregularidades, feridas por fechar, injustiças por remediar, espaços  por liberar. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Mas é algo que se move. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Como se todo o mal que somos e carregamos se mesclasse com o bom que  podemos ser e o mundo inteiro redesenhasse sua geografia, e seu tempo se  enchesse com outo calendário. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Vá, como se outro mundo fosse possível. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Venho depois aqui e escuto, então, que alguém disse que nossos povos são ignorantes. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu encho de tabaco a pipa, a acendo e então digo: &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Caralho! Que honra poder ser aluno de tanta e tão rica ignorância!&lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Gracias de nuez. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;dl&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;Subcomandate Insurgente Marcos.&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;San Cristobal de Las Casas, Chiapas, México.&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;i&gt;Dezembro de 2007.&lt;/i&gt; &lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Comitê Clandestino Revolucionário Indígena. (Nota do tradutor)&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Leia os outros Calendários e Geografias&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt; de"Nem o centro e nem a periferia" no Primeiro Colóquio Internacional&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;in memorian &lt;em&gt;Andrés Aubry&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;PS: Talvez você tenha que criar uma conta no Sítio que está em "Inglês" e pode ser meio complicado, então quando encontrar o texto...grave para evitar por exemplo não poder acessar porque o sítio pode ser retirado da WEB.&lt;br /&gt;Então para poder acessar os textos, caso não queira criar uma conta faça o seguinte:&lt;br /&gt;1º) Cópie ou escreva o título do texto qual você tenha interesse em qualquer sítio buscador e de pesquisa. Ex: Google.&lt;br /&gt;Assim você vai direto ao texto e não a um atalho para poder acessar o texto...ainda enchem o saco de sítios coorporativos.&lt;br /&gt;  &lt;ul&gt;&lt;li&gt;  &lt;h3 id="yiv725346958toc7"&gt;&lt;a rel="nofollow" class="yiv725346958wiki_link" target="_blank" href="http://protopia.wikispaces.com/Sentir+o+vermelho+-+O+calend%C3%A1rio+e+a+geografia+da+guerra"&gt;Parte VII: Sentir o vermelho - O calendário e a geografia do guerra&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;/li&gt;&lt;li&gt;  &lt;h3 id="yiv725346958toc8"&gt;&lt;a rel="nofollow" class="yiv725346958wiki_link" target="_blank" href="http://protopia.wikispaces.com/Olhar+o+azul+-+O+calend%C3%A1rio+e+a+geografia+da+mem%C3%B3ria"&gt;Parte VI: Olhar o azul - O calendário e a geografia da memória&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;/li&gt;&lt;li&gt;  &lt;h3 id="yiv725346958toc9"&gt;&lt;a rel="nofollow" class="yiv725346958wiki_link" target="_blank" href="http://protopia.wikispaces.com/Cheirar+o+negro+-+O+calend%C3%A1rio+e+a+geografia+do+medo"&gt;Parte V: Cheirar o negro - O calendário e a geografia do medo&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;/li&gt;&lt;li&gt;  &lt;h3 id="yiv725346958toc10"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="nofollow" class="yiv725346958wiki_link" target="_blank" href="http://protopia.wikispaces.com/Degustar+o+caf%C3%A9+-+a+geografia+e+o+celend%C3%A1rio+da+terra"&gt;Parte IV: Degustar o café - a geografia e o  calendário da terra&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;/li&gt;&lt;li&gt;  &lt;h3 id="yiv725346958toc11"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="nofollow" class="yiv725346958wiki_link" target="_blank" href="http://protopia.wikispaces.com/Tocas+o+verde+-+a+geografia+e+o+calend%C3%A1rio+da+destrui%C3%A7%C3%A3o"&gt;Parte III: Tocas o verde - a geografia e o calendário da destruição&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;/li&gt;&lt;li&gt;  &lt;h3 id="yiv725346958toc12"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="nofollow" class="yiv725346958wiki_link" target="_blank" href="http://protopia.wikispaces.com/Escutar+o+amarelo+-+a+geografia+e+o+calend%C3%A1rio+da+diferen%C3%A7a"&gt;Parte II: Escutar o amarelo - a geografia e o calendário da diferença&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;/li&gt;&lt;li&gt;  &lt;h3 id="yiv725346958toc13"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a rel="nofollow" class="yiv725346958wiki_link" target="_blank" href="http://protopia.wikispaces.com/Acima%2C+pensar+o+Branco+-+a+geografia+e+o+calend%C3%A1rio+da+teoria"&gt;Parte I: Acima, pensar o Branco - a geografia e o calendário da teoria&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THLkRntacnI/AAAAAAAAAk4/Kw5phYUF1ck/s1600/Portugal+nas+trincheiras+-+Fev-Abr+2010+-+cartaz.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 242px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THLkRntacnI/AAAAAAAAAk4/Kw5phYUF1ck/s320/Portugal+nas+trincheiras+-+Fev-Abr+2010+-+cartaz.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508716285595906674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THLj_fnKyRI/AAAAAAAAAko/NteKsQc7_To/s1600/memoria.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 400px; height: 232px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THLj_fnKyRI/AAAAAAAAAko/NteKsQc7_To/s400/memoria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508715974184585490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1337294205241774445-3092669675296530062?l=grogvilleomundogrolunar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/feeds/3092669675296530062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1337294205241774445&amp;postID=3092669675296530062' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/3092669675296530062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1337294205241774445/posts/default/3092669675296530062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/parte-vi-olhar-o-azul-o-calendario-e.html' title='Parte VI: Olhar o azul - O calendário e a geografia da memória'/><author><name>GrogVille- O Mundo Grog de Ogro Lunar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00256517783905255462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://lh3.google.com/AvanteZapatistas/RwkLfoPPR7I/AAAAAAAAAFs/97M-izlx1h0/s144/Ceramica%20Brennand%207.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THLmod1W7GI/AAAAAAAAAlA/emUl84fqwk4/s72-c/Azul+Noturno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1337294205241774445.post-9139960634794513196</id><published>2010-08-22T07:03:00.002-03:00</published><updated>2010-08-22T07:04:06.849-03:00</updated><title type='text'>[EZLN] SCI Marcos - Cheirar o negro: o calendário e a geografia do medo</title><content type='html'>&lt;div class="post-header"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THDrhoDTOnI/AAAAAAAAAkQ/0Qoaz3Scy6I/s1600/Palestinian_Zapatista.gif"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 280px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eCgoVuXYQGw/THDrhoDTOnI/AAAAAAAAAkQ/0Qoaz3Scy6I/s400/Palestinian_Zapatista.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508161307193588338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;span class="articletitle"&gt; &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[&lt;/span&gt;&lt;a style="color: rgb(255, 0, 0);" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ex%C3%A9rcito_Zapatista_de_Liberta%C3%A7%C3%A3o_Nacional"&gt;EZLN&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;] &lt;/span&gt;SCI Marcos - Cheirar o negro: o calendário e a geografia do medo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="articleauthordate"&gt; Por SubComandante Insurgente Marcos 30/03/2008 às 19:17 &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="articleabstract"&gt;   Na quinta parte da série de artigos "Nem o centro e nem a periferia", o   Subcomandante nos fala sobre medo, sobre o cheiro do medo, e a   superação do medo. Medo, sobretudo, da diferença. Nos conta a história   de amor de Elías Contrerar, Comissão de Investigação EZLN, com   Magdalena, que não era nem mulher nem homem. &lt;/div&gt;  &lt;p&gt; &lt;a href="http://brasil.indymedia.org/media/2008/03//415889.doc"&gt; &lt;img src="http://www.midiaindependente.org/pt/img/text_big.gif" alt="" border="0" /&gt; &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Cheirar o negro - &lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="articlebody"&gt; Também saiba mais sobre a atual forma oraganizativa das BAZ (Bases de Apoio Zapatistas) atravez dos &lt;a style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);" href="http://pt.wikilingue.com/es/Caracoles_e_Juntas_de_Bom_Governo"&gt;Caracoles e Juntas de Bom Governo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="color: rgb(255, 0, 0);" href="http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/2010/08/sexta-declaracion-de-la-selva-lacandona.html"&gt;&lt;strong&gt;Leia Também Sobre "Sexta&lt;/strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Declaração&lt;/strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;da&lt;/strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Selva&lt;/strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Lacandona&lt;/strong&gt;"&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participação na conferência vespertina do dia 15 de dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o centro nema periferia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte V – Cheirar o negro&lt;br /&gt;O calendário e a geografia do medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando parece que nada fica, ficam os princípoios”&lt;br /&gt;Don Durito de A Lacandona&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia  o Velho Antonio que a liberdade tinha haver também com o ouvido, a  palavra e a observação. Que a liberdade era quando não tivéssemos medo  da observação e da palavra do outro, do diferente. Mas também que não  tivéssemos medo de ser observados e escutados pelos outros. E logo  acrescentou que se podia cheirar o medo, e que abaixo e acima esse medo  expelia um odor diferente. Digo mais, que a liberdade não estavam em um  lugar, e sim que havia que fazê-la, contruí-la em coletivo. Que,  sobretudo, não se pode fazer sobre o medo do outro, pois por mais que  ele seja diferente, é como nós.&lt;br /&gt;Isto vem ao caso ou à coisa, porque  nós pensamos que, mais que a quantidade de pessoas no movimento, mais  que seu impacto midiático ou a contundência de suas ações, mais que a  clareza e o radicalidade de seu programa, o mais importante é a ética  desse movimento. Isso é o que lhe dá coesão interna, o define, lhe dá  identidade... e futuro.&lt;br /&gt;Já em outra ocasião falamos, e falaremos, do que são os fundamentos de nossa ética zapatista.&lt;br /&gt;Agora queremos nos referir, brevemente, à não-ética de cima, à ética do medo.&lt;br /&gt;Sobre  o medo e, mais especificamente, sobre o medo da transformação, o  sistema tem construído, com especial paciência, um edifício inteiro de  razões para não lutar.&lt;br /&gt;Há um “não” para cada um, mais ou menos simples ou complexo segundo o destinado a usá-lo.&lt;br /&gt;Vamos  deixar de lado, p
