domingo, 22 de agosto de 2010

Sexta Declaración de la Selva Lacandona



EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL. MÉXICO
Sexta Declaração da Selva Lacandona.

Leia Aqui Versão original

Esta é a nossa palavra simples que busca tocar o coração da gente humilde e simples como nós, mas, também como nós, digna e rebelde. Este é a nossa palavra simples para contar o que tem sido o nosso caminhar e onde estamos agora, para explicar como vemos o mundo e o nosso país, para dizer o que pensamos fazer e como pensamos fazê-lo, e para convidar outras pessoas a caminharem conosco em algo muito grande que se chama México e em algo maior que se chama mundo. Esta é a nossa palavra simples para dar conta a todos os corações que são honestos e nobres, do que queremos no México e no mundo. Esta é nossa palavra simples porque nossa idéia é de chamar aqueles que são como nós e unirmos a eles, em todos os lugares onde vivem e lutam.
Do que somos.
Nós somos os zapatistas do EZLN, ainda que nos chamem também “neozapatistas”. Bom, mas nós zapatistas do EZLN nos levantamos em armas em janeiro de 1994 porque vimos a quantidade de maldades que nos fazem os poderosos, que só nos humilham, nos roubam, nos prendem e nos matam, e ninguém diz e nem faz nada.
Por isso, nos dissemos “Basta!”, ou seja que já não vamos permitir que nos desprezem e nos tratem pior que os animais. E, então, também dissemos que queremos a democracia, a liberdade e a justiça para todos os mexicanos, ainda que nos tenhamos centrado mais nos povos indígenas. Porque nós do EZLN somos quase todos indígenas daqui de Chiapas, mas não queremos lutar só pelo nosso bem ou só pelo bem dos indígenas de Chiapas, ou só pelos povos indígenas do México, nós queremos lutar sim com todas as pessoas simples e humildes como nós, que passam por grande necessidade e que sofrem a exploração e os roubos dos ricos e de seus maus governos aqui no nosso México e em outros países do mundo.
E então nossa pequena história é que nos cansamos da exploração que nos faziam os poderosos e nos organizamos para nos defendermos e para lutar pela justiça. De início não somos muitos, somos apenas um punhado que andam de um lado pra outro, falando e ouvindo outras pessoas como nós. Fizemos isso durante muitos anos e o fizemos em segredo, ou seja, sem fazer alarde. Ou seja, juntamos nossa força em silêncio. Levamos cerca de 10 anos, depois crescemos e já éramos muitos milhares. Então nos preparamos bem com a política e com as armas, e, de repente, quando os ricos estão celebrando a festa de ano novo, caímos sobre suas cidades e as ocupamos e fizemos saber a todos que estávamos aqui, que eles têm que nos levar em consideração. E depois que os ricos ficaram muito assustados, nos enviaram seus grandes exércitos para que acabassem conosco, como sempre fazem quando os explorados se rebelam, mandam acabar com todos. Mas não conseguiram acabar conosco, porque nós nos preparamos muito bem antes da guerra e nos tornamos fortes em nossas montanhas. E os exércitos andavam por aí procurando-nos e jogando suas bombas e balas contra nós, e já estavam fazendo seus planos de matarem todos os indígenas por não saber quem é e quem não é zapatista. E nós, correndo e combatendo, combatendo e correndo, como fizeram nossos antepassados. Sem que nos entregássemos, sem que nos rendêssemos, sem que nos derrotassem.
Então os moradores das cidades saem as ruas e começam sua gritaria de que se pare com a guerra. Assim, nós paramos nossa guerra e ouvimos estes irmãos e irmãs da cidade que nos dizem para tratarmos de chegar a um acordo, ou seja a um acordo com os maus governos para que o problema seja resolvido sem uma matança. E nós demos atenção a essa gente, porque esta gente é, como dizemos, “o povo”, ou seja o povo mexicano. Assim, colocamos de lado o fogo e tiramos a palavra.
E acontece que os governos disseram que vão se comportar bem sim, vão dialogar, vão fazer acordos e vão cumpri-los. E nós dissemos que está bem, mas também pensamos que está bem que conhecemos esta gente que saiu s ruas para parar a guerra. Então, enquanto estamos dialogando com os maus governos, falamos também com estas pessoas e vimos que a maioria era gente humilde e simples como nós, e ambos, ou seja eles e nós, entendemos bem porque lutamos. Chamamos esta gente de “sociedade civil” porque a maioria não pertencia a partidos políticos, mas era gente comum, como nós, gente simples e humilde.
Mas acontece que os maus governos não queriam um bom acordo, sua artimanha era de falar e chegar a um acordo enquanto estavam preparando seus ataques para eliminar-nos de vez. E então nos atacaram em várias ocasiões, mas não nos venceram porque resistimos bem e muita gente se mobilizou no mundo inteiro. E então os maus governos pensaram que o problema é que muita gente está vendo o que acontece com o EZLN, e começaram seu plano de fazer como se nada estivesse acontecendo. E isso enquanto nos rodeiam, ou sejam nos cercam espera de que, como nossas montanhas ficam em lugar retirado, as pessoas acabassem esquecendo por estar longe da terra zapatista. De tanto em tanto, os maus governos tentam, tratam de nos enganar ou nos atacam, como em fevereiro de 1995 quando nos mandaram uma grande quantidade de tropas, mas não nos derrotaram. Porque, como dizem logo em seguida, não estamos sós, muita gente nos apoiou e resistimos bem.
Depois, os maus governos tiveram que fazer acordos com o EZLN e estes acordos se chamam “Acordos de San Andrés” porque “San Andrés” é o município onde estes acordos foram assinados. Nestes diálogos nós não estávamos sozinhos a falar com os do mau governo, mas convidamos muitas pessoas e organizações que estavam ou estão na luta pelos povos indígenas do México, e todos diziam sua palavra e todos chegávamos a acordos sobre como vamos falar com os maus governos. E assim foi este diálogo no qual não havia só zapatistas de um lado e governos do outro, mas com os zapatistas estavam sim os povos indígenas do México e os que os apoiam. E nestes acordos os maus governos disseram que vão reconhecer os direitos dos povos indígenas do México, vão respeitar sua cultura, e vão transformá-los em lei na Constituição. Mas, depois de assinados, os maus governos se fizeram de esquecidos, passam muitos anos e nada de cumprir estes acordos. Ao contrário, o governo atacou os indígenas para obrigá-los a recuar em sua luta, como em 22 de dezembro de 1997, data em que Zedillo mandou matar 45 homens, mulheres, anciãos e crianças no povoado de Chiapas que se chama Acteal. Crime como este não se esquece tão facilmente e é uma amostra de como os maus governos não têm escrúpulos em atacar e assassinar os que se rebelam contra as injustiças. E, enquanto isso, nós zapatistas pressionamos para que se cumpram os acordos e vamos resistindo nas montanhas do sudeste mexicano.
E então começamos a falar com outros povos indígenas do México e com suas organizações e acordamos com eles de que vamos lutar juntos pelo mesmo, ou seja, pelo reconhecimento dos direitos e da cultura indígenas. Bom, também nos apoiou muita gente do mundo inteiro, e pessoas que são muito respeitadas e cuja palavra é muito grande porque trata-se de grandes intelectuais, artistas e cientistas do México e do mundo inteiro. Realizamos também encontros internacionais, ou seja, nos juntamos para falar com pessoas da América, da Ásia, da Europa, da África e da Oceania, conhecemos suas lutas e seus jeitos, e dissemos que são encontros “intergalácticos” só para sermos brincalhões e porque convidamos também os de outros planetas, mas parece que não chegaram, ou talvez chegaram, mas não o disseram claramente.
Seja como for, os maus governos não cumpriam [os acordos], e então fizemos um plano para falar com muitos mexicanos para que nos apoiassem. Então, antes de tudo, fizemos, em 1997, uma marcha até a Cidade do México que se chamou “dos 1.111″ porque iam um companheiro e uma companheira de cada povoado zapatista, mas o governo não lhe fez caso. Em seguida, em 1999, fizemos uma consulta em todo o país e aí deu pra ver que a maioria concorda com as demandas dos povos indígenas, mas os maus governos tampouco lhe fizeram caso. E, por último, em 2001, fizemos a que se chamou a “marcha pela dignidade indígena” que teve muito apoio de milhões de mexicanos e de outros países, e chegou até onde estão os deputados e os senadores, ou seja, no Congresso da União, para exigir o reconhecimento dos indígenas mexicanos.
Mas acontece que não, que os políticos que são do partido PRI, do partido PAN e do partido PRD entraram em acordo entre eles e simplesmente não reconheceram os direitos e a cultura indígenas. Isso foi em abril de 2001 e aí os políticos demonstraram claramente que não têm nenhuma decência e são sem-vergonhas que só pensam em ganhar seu bom dinheiro como maus governantes que são. Temos que lembrar disso porque já, já, vão dizer a vocês que vão reconhecer os direitos indígenas, mas é uma mentira que eles jogam para que votem neles, já tiveram sua oportunidade e não cumpriram o seu dever.
Foi então que nos demos conta de que o diálogo e a negociação com os maus governos do México foram em vão. Ou seja, não é conveniente que falemos com os políticos porque nem seu coração, nem sua palavra agem direito, mas estão cheios de tramóias e soltam mentiras de que vão cumprir, mas depois não cumprem. Ou seja, naquele dia em que os políticos do PRI, do PAN e do PRD aprovaram uma lei inútil, mataram de vez o diálogo e deixaram claro que pouco importa o que eles acordam ou assinam porque não têm palavra. Em seguida, não fizemos nenhum contato com os poderes federais, porque entendemos que o diálogo e a negociação haviam fracassado por causa destes partidos políticos. Vimos que não se importavam com o sangue, a morte, o sofrimento, as mobilizações, as consultas, os esforços, os pronunciamentos nacionais e internacionais, os encontros, os acordos, as assinaturas, os compromissos. Desta forma, a classe política não só fechou, mais uma vez, a porta aos povos indígenas, como também deu um golpe mortal solução pacífica, dialogada e negociada da guerra. E também não se pode mais acreditar que se cumpram os acordos a que se chega com quem quer que seja. Observem para tirar proveito do que aconteceu conosco.
E então nós vimos tudo isso e pensamos em nossos corações o que vamos fazer. A primeira coisa que vimos é que o nosso coração já não é como era antes, quando começamos nossa luta, mas sim que é maior porque já tocamos o coração de muita gente boa. E também vimos que o nosso coração está mais ferido. E não é que está ferido pelos enganos que os maus governos nos fizeram, mas sim porque quando tocamos os corações de outros tocamos também suas dores. Ou seja, foi como vermo-nos num espelho.
2. De onde estamos agora.
Então, como zapatistas, pensamos que não bastava em deixar de dialogar com o governo, mas que era necessário sim ir adiante na luta apesar destes políticos parasitas e vagabundos. O EZLN decidiu então pelo cumprimento, sozinho e de sua parte (ou seja, isso que se chama de “unilateral” porque é só de um lado) dos Acordos de San Andrés quanto aos direitos e a cultura indígenas. Durante 4 anos, desde meados de 2001 até meados de 2005, nos dedicamos a isso, e a outras coisas que já vamos contar.
Bom, começamos então a implantar os municípios autônomos rebeldes zapatistas, que é como se organizaram os povoados para governar e governar-se, para tornarem-se mais fortes. Esta forma de governo autônomo não foi inventada sem mais nem menos pelo EZLN, mas vem de vários séculos de resistência indígena e da própria experiência zapatistas, enquanto autogoverno das comunidades. Ou seja, não é que vem alguém de fora a governar, mas que os próprios povoados decidem, entre eles, quem e como governa, e se este não obedece então o tiram. Ou seja, se quem manda não obedece ao povo, então o põem pra correr, deixa de ser autoridade e entra outro.
Vimos então que os municípios autônomos não estavam todos no mesmo nível, mas havia alguns que estavam mais avançados e tinham mais apoios da sociedade civil, e outros estavam mais abandonados. Ou seja, que faltava organizar as coisas para que tudo fosse mais igualitário. Vimos também que o EZLN com sua parte político militar estava se metendo nas decisões que cabiam s autoridades democráticas, como se diz “civis”. E aqui o problema é que a parte político-militar do EZLN não é democrática, porque é um exército, e vimos que não está certo isso que o militar está em cima e o democrático em baixo, porque não é possível que o democrático seja decidido militarmente, mas sim deve ser o contrário: ou seja, que o político-democrático está em cima mandando e em baixo o militar obedecendo. Ou talvez é melhor que não haja nada em baixo, que seja tudo bem plano, sem militar, e por isso os zapatistas são soldados para que não haja soldados. Bom, mas então, em relação a este problema, o que fizemos foi começar a separar o que é político militar do que são as formas de organização autônomas e democráticas das comunidades zapatistas. E assim, ações e decisões que antes o EZLN fazia e tomava, aos poucos foram repassadas s autoridades democraticamente eleitas nos povoados. Claro que isso é fácil de dizer, mas na prática custa muito, porque são muitos anos, primeiro quando da preparação da guerra e, em seguida, já é a guerra e vai se acostumando com o político-militar. Mas, seja como for, fizemos isso porque este é o nosso jeito, de fazer o que dizemos, porque senão não há porquê sair dizendo se depois não o fazemos.
Foi assim que, em agosto de 2003, nasceram as Juntas de Bom Governo, e com elas se continuou a aprendizagem e o exercício do “mandar obedecendo”. Desde então, e até a metade de 2005, a direção do EZLN não se meteu a dar ordens nos assuntos civis, mas acompanhou e apoiou as autoridades democraticamente eleitas pelos povoados e, além disso, vigiou para que fossem bem informados os povos e a sociedade civil nacional e internacional em relação aos apoios recebidos e em que foram utilizados. E agora estamos passando o trabalho de vigilância do bom governo s bases de apoio zapatistas, com cargos em esquema de rodízio, de tal forma que todos e todas aprendam e realizem este trabalho. Porque nós achamos que um povo que não vigia os seus governantes está condenado a ser escravo, e nós lutamos para sermos livres, não para mudar de dono a cada seis anos.
Durante estes 4 anos, o EZLN também passou s Juntas de Bom Governo e aos Municípios Autônomos os apoios e contatos que, em todo o México e o mundo, foram conseguidos nestes anos de guerra e resistência. Além disso, durante este período, o EZLN foi construindo um apoio econômico e político que permita s comunidades zapatistas avançar com menos dificuldades na construção de sua autonomia e na melhora de suas condições de vida. Não é muito, mas é bem superior ao que se tinha antes do início do levante, em janeiro de 1994. Se você olha para um desses estudos feitos pelos governos, vai ver que as únicas comunidades indígenas que melhoraram suas condições de vida, ou seja, sua saúde, educação, alimentação, moradia, foram as que estão em território zapatista, que é como nós chamamos o lugar onde estão nossos povoados. E tudo isso tem sido possível pelo avanço dos povoados zapatistas e pelo apoio muito grande recebido de pessoas boas e nobres, que chamamos de “sociedades civis”, e de suas organizações no mundo inteiro. Como se todas estas pessoas tivessem tornado realidade isso de que “outro mundo é possível”, mas nos fatos, não nas simples falações.
E então os povoados têm tido bons avanços. Agora há mais companheiros e companheiras que estão aprendendo a ser governo. E, ainda que aos poucos, há mais mulheres que estão entrando nestes trabalhos, mas ainda continua faltando respeito para com as companheiras e que elas participem mais nos trabalhos da luta. Além disso, as Juntas de Bom Governo, têm melhorado a coordenação entre os municípios autônomos e a solução de problemas com outras organizações e com autoridades dos municípios oficiais. E também se melhorou muito nos projetos das comunidades, e é mais igualitária a distribuição de projetos e apoios dados pela sociedade civil do mundo inteiro: a saúde e a educação têm melhorado, mesmo que ainda falte um bocado para serem o que devem ser, o mesmo ocorreu com a moradia e a alimentação, e em algumas regiões tem melhorado muito o problema da terra porque as terras recuperadas dos fazendeiros foram distribuídas, mas há regiões que continuam sofrendo por falta de terras para cultivar. E também melhorou muito o apoio da sociedade civil nacional e internacional, porque antes cada um ia onde lhe dava na telha, e agora as Juntas de Bom Governo orientam em relação a onde é mais necessário. E, por isso mesmo, por toda parte, há mais companheiros e companheiras que estão aprendendo a relacionar-se com as pessoas de outras regiões do México e do mundo, estão aprendendo a respeitar e a exigir respeito, estão aprendendo que há muitos mundos e que todos têm o seu lugar, seu tempo, seu jeito, e temos que nos respeitar mutuamente entre todos.
Bom, nós zapatistas do EZLN dedicamos esse tempo nossa força principal, ou seja, aos povoados que nos apoiam. A situação passou por uma melhora e não se pode dizer que a organização e a luta zapatistas foram em vão, e, ainda que acabem conosco de vez, nossa luta serviu para alguma coisa.
Mas não foram só os povoados zapatistas a crescerem, o EZLN também cresceu. Porque o que aconteceu neste período é que novas gerações renovaram toda a nossa organização. Ou seja, injetaram uma nova força. Os comandantes e comandantas, que estavam em sua maturidade no início do levante em 1994, têm agora a sabedoria do que foi aprendido na guerra e no diálogo de 12 anos com milhares de homens e mulheres do mundo inteiro. Os membros do CCRI, a direção político-organizativa zapatista, agora aconselham e orientam os novos que vão entrando em nossa luta e os que vão ocupando cargos de direção. E já faz tempo que os “comitês” (que é como nós os chamamos) têm preparado toda uma nova geração de comandantes e comandantas que, depois de um período de instrução e prova, começam a conhecer os trabalhos do comando organizativo e a desempenhá-los. E acontece também que nossos insurgentes, insurgentas, milicianos, milicianas, responsáveis locais e regionais, bem como as bases de apoio, que eram jovens no início do levante, já são homens e mulheres maduros, combatentes veteranos e líderes naturais em suas unidades e comunidades. E aqueles que eram crianças naquele janeiro de 1994, são jovens que têm crescido na resistência, e têm sido formados na digna rebeldia levada adiante por seus pais nestes 12 anos de guerra. Estes jovens têm uma formação política, técnica e cultural que nós que iniciamos o movimento zapatista não tínhamos. Esta juventude alimenta agora, cada vez mais, tanto nossas tropas como os postos de direção na organização. E, bom, todos nós vimos as enganações da classe política mexicana e a destruição que suas ações provocam em nossa pátria. E vimos as grandes injustiças e matanças realizadas pela globalização neoliberal no mundo inteiro. Mas vou lhes falar disso mais adiante.
Assim, o EZLN tem resistido a 12 anos de guerra, de ataques militares, políticos, ideológicos e econômicos, de cerco, de perseguição, de hostilidades e não têm nos vencido, não nos vendemos, nem nos rendemos, e temos avançado. Mais companheiros de muitos lugares têm entrado na luta, de tal forma que, no lugar de tornarmo-nos mais fracos depois de tantos anos, nos fazemos mais fortes. Claro que há problemas que podem ser resolvidos separando mais o político-militar do civil-democrático. Mas há coisas, as mais importantes, como são nossas demandas pelas quais lutamos que não foram completamente atingidas.
Conforme nosso pensamento e o que vemos em nosso coração, temos chegado a um ponto em que não podemos ir além e, além disso, é possível que percamos tudo o que temos se ficamos como estamos e não fazemos nada para avançar. Ou seja, chegou a hora de arriscar outra vez e dar um passo perigoso, mas que vale a pena. Porque, talvez, unidos com outros setores sociais que têm nossas mesmas carências, será possível conseguir o que precisamos e merecemos. Um novo passo adiante na luta indígena só é possível se o indígena se une aos operários, camponeses, estudantes, professores, empregados… ou seja, aos trabalhadores da cidade e do campo.

3. De como vemos o mundo.

Agora vamos explicar como é que nós zapatistas vemos o que se passa no mundo. Pois vemos que atualmente o capitalismo é o que está mais forte. O capitalismo é um sitema social, ou seja, como as coisas e as pessoas se organizam na sociedade: quem tem e quem não tem; quem manda e quem obedece. No capitalismo alguns têm dinheiro, ou seja, capital, e fábricas, e lojas, e campos, e muitas coisas, e outros não têm nada mais que sua força e seu conhecimento para trabalhar; e no capitalismo os que têm o dinheiro e as coisas mandam, e os que só tem sua força de trabalho obedecem.

E, desse modo, capitalismo significa que existem uns poucos que têm grandes riquezas, mas não por que ganharam um prêmio ou encontraram um tesouro, ou herdaram de um parente, conseguiram essas riquezas apenas com a exploração do trabalho de muitos. Ou seja, que o capitalismo se sustenta com a exploração dos trabalhadores, o que quer dizer que é como se espremessem os trabalhadores para sugar deles todo o lucro possível. Isso se faz com injustiça, porque não pagam ao trabalhador o quanto realmente vale seu trabalho, mas lhes oferecem um salário para que possa comer um pouco, e descansar outro tanto, e, no outro dia, regressar para trabalhar no “explotódromo”, seja no campo seja na cidade.

E também o capitalismo faz sua riqueza com a desapropriação, ou seja, com o roubo, porque tira tudo que deseja dos outros, como, por exemplo, terras e riquezas naturais. Ou seja, que o capitalismo é um sistema em que os ladrões estão livres e são admirados e apresentados como exemplo.

E, além de explorar e desapropriar, o capitalismo reprime, porque prende e mata àqueles que se rebelam contra a injustiça.

Ao capitalismo são as mercadorias aquilo que mais lhe interessa, porque quando se compra e se vende se obtém lucro. E, desse modo, o capitalismo converte tudo em mercadoria, transforma as pessoas, a natureza, a cultura, a história, a consciência em mercadoria. De acordo com o capitalismo é possível comprar e vender tudo. E ele esconde tudo atrás das mercadorias para que não enxerguemos a exploração existente. E então as mercadorias se compram e se vendem em um mercado. E o resultado é que o mercado, além de servir para comprar e vender, também serve para esconder a exploração que se faz dos trabalhadores. Por exemplo, no mercado, vemos o café já empacotado, no seu saquinho ou no seu pote muito bonitinho, mas não vemos o campesino que sofreu para colher o café, e não vemos o atravessador que pagou muito barato por seu trabalho, e não vemos o trabalhador em uma grande empresa que trabalha duro e duro para empacotar o café. Ou então vemos um aparelho para escutar música como cumbias, rancheras ou corridos, ou qualquer que seja, e vemos que está muito bom porque tem um bom som, mas não vemos à operária da empresa maquiladora que batalhou muitas horas para colocar os cabos e as partes do apararelho, e apenas lhe pagaram uma miséria de dinheiro, e ela vive longe do trabalho e gasta um tanto com a passagem, e além disso corre perigo de que a seqüestrem, que a violem e que a matem, como acontece na Cidade Juaréz, no México.

Ou seja, no mercado vemos as mercadorias, mas não vemos a exploração com que as fizeram. E então o capitalismo necessita de muitos mercados... ou um mercado muito grande, um mercado mundial.

E o resultado é que o capitalismo de agora não é igual ao de antes, quando os ricos estavam contentes explorando aos trabalhadores em seus países, agora está dando um passo que se chama Globalização Neoliberal. Esta globalização quer dizer que já não se dominam apenas os trabalhadores em um país ou em vários, mas que os capitalistas tratam de dominar tudo em todo o mundo. E por chamarem ao mundo, ou seja, o planeta Terra, de o “globo terráqueo”, é que se diz “globalização”, ou seja, todo o mundo.

E o neoliberalismo é a idéia de que o capitalismo está livre para dominar todo o mundo e que tanto faz, pois tem que se resignar e se conformar e não fazer alarde, ou seja, não se rebelar. Ou seja, o neoliberalismo é como a teoria, o plano, da globalização capitalista. E o neoliberalismo tem seus planos econômicos, políticos, militares e culturais. Todos esses planos tratam da dominação de todos, e aquele que não obedece é reprimido e isolado para que não transmita suas idéias de rebeldia a outros.

Então, na globalizaçao neoliberal, os grandes capitalistas que vivem nos países poderosos, como os Estados Unidos, querem que o mundo todo se transforme em uma grande empresa produtora de mercadorias e em um grande mercado. Um mercado mundial, um mercado para comprar e vender tudo do mundo e para esconder toda a exploração do mundo. De modo que os capitalistas globalizados se metem em todos os lados, ou seja, em todos os países, para fazer seus grandes negócios, ou seja, suas grandes explorações. E assim não respeitam nada e se impõem do jeito que lhes parece melhor. Ou seja, é como se conquistassem aos outros países. Por isso os zapatistas dizem que a globalização neoliberal é uma guerra para conquistar todo o mundo, uma guerra mundial, uma guerra em que se usa o capitalismo para dominar mundialmente. E essa conquista às vezes é feita com exércitos que invadem, à força, um país e o conquistam. Mas, às vezes, é feita com a economia, ou seja, os grandes capitalistas aplicam dinheiro em outros países ou o emprestam, com a condição de que obedeçam ao que eles digam. E também impõem suas idéias, ou seja, a cultura capitalista, que é a cultura da mercadoria, do lucro, do mercado.

Assim, o conquistador, o capitalismo, conquista como quer, ou seja, destrói e modifica aquilo que não gosta e elimina aquilo que lhe incomoda. Por exemplo, incomodam aqueles que não produzem, nem compram, nem vendem as mercadorias modernas, ou aqueles que se rebelam contra essa ordem. E despreza a esses que não lhe servem. Por isso que os indígenas incomodam a globalização neoliberal e por isso que o capitalismo lhes despreza e lhes quer eliminar. E o capitalismo neoliberal também some com as leis que impedem de explorar e obter muito lucro. Por exemplo, impõe-se que é possível comprar e vender tudo, e como o capitalismo é quem tem o dinheiro, ele é quem compra tudo. Então é como se o capitalismo destruísse aos países que conquista com a globalização neoliberal, mas, ao mesmo tempo, quisesse reordenar tudo ou fazer tudo desde o começo, mas do seu jeito, ou seja, de um jeito que o beneficie e sem aquilo que o incomoda. Então a globalização neoliberal, ou seja, a capitalista, destrói o que já existe nesses países, destrói sua cultura, seu idioma, seu sistema econômico, seu sistema político e também destrói as formas com que se relacionam aqueles que vivem nesses países. Ou seja, destrói tudo o que faz com que um país seja um país.

Portanto, a globalização neoliberal quer destruir todas as Nações do mundo e que apenas sobre uma única Nação ou país, ou seja, o país do dinheiro, do capital. E o capitalismo quer, portanto, que tudo seja do seu jeito, e lhe desagrada tudo aquilo que é diferente, e por isso o persegue e ataca, ou lhe deixa ilhado de modo que pareça que não existe.

Em suma, o capitalismo da globalização neoliberal se baseia na exploração, na desapropriação e na depreciação, bem como na repressão aos que não se entregam. Ou seja, como antes, só que agora é globalizado, mundial.

Mas não é tão fácil assim para a globalização neoliberal, porque os explorados de cada país não se conformam e já não dizem mais que tanto faz, mas se rebelam; e os que não se adaptam e incomodam o capitalismo, resistem e não se deixam ser eliminados. E é por isso que vemos que em todo o mundo os que estão desgraçados resistem para não se entregar, ou seja, se rebelam, e não apenas em um país, mas em qualquer um que se possa imaginar, ou seja, assim como existe uma globalização neoliberal, existe uma globalização da rebeldia.

E nesta globalização da rebeldia não estão apenas os trabalhadores do campo e da cidade, estão também outros e outras que são perseguidos e desprezados por não se deixar dominar, como as mulheres, os jovens, os indígenas, os homossexuais, as lésbicas, os transexuais, os migrantes, e muitos outros grupos que, conforme sabemos, existem em todo o mundo, mas que não podemos ver até que gritem e dêem um basta ao fato de serem desprezados, e se levantem, para que a gente os possa ver, e os ouvir, e os conhecer.

E depois nos damos conta que todos esses grupos estão lutando contra o neoliberalismo, ou seja, contra o plano da globalização capitalista, e estão lutando pela humanidade.

E tudo isso que vemos nos assusta muito pela estupidez dos neoliberais de querer destruir toda a humanidade com suas guerras e explorações, mas também nos causa muita alegria ver que onde quer que seja existem resistências e rebeldias, assim como a nossa, que é um pouco pequena, mas aqui estamos. E ao vermos tudo isso em todo o mundo nosso coração entende que não estamos sozinhos.


IV. – DE COMO VEMOS A MÉXICO QUE É NOSSO PAÍS.

Agora lhes falaremos como vemos o que está se passando em nosso México. Bem, o que vemos é que nosso país está governado pelos neoliberais. Ou seja que, como já explicamos, os governantes que temos estão destruindo o que é nossa Nação, nossa Pátria mexicana. E o trabalho desse mal governo não é cuidar do bem estar do povo, mas estar pendente do bem estar dos capitalistas. Por exemplo, fazem leis como as do Tratado de Livre Comércio, que pôs na miséria a muitos mexicanos, tanto aos campesinos e aos pequenos produtores, porque são “engolidos” pelas grandes empresas agroindustriais; como aos operários e aos pequenos empresários porque não podem competir com as grandes transnacionais que se metem sem que ninguém lhes diga nada (isso quando não lhes agradecem), e colocam seus salários baixos e seus preços altos. Quer dizer, que algumas das bases economicas de nosso México, que eram o campo e a indústria e o comércio nacionais, estão bem destruídas e sobraram apenas alguns escombros que certamente também serão vendidos.

E para nossa Pátria estas são grandes desgraças. Porque no campo já não se produz os alimentos, mas apenas aquilo que vendem os grandes capitalistas, e as terras boas são roubadas com trapaças e com o apóio dos políticos. Ou seja, no campo se passa o mesmo que se passava com o Porfirismo, a única diferença é que, no lugar dos fazendeiros, agora são as empresas extrangeiras que deixam aos campesinos bem desgraçados. E, aonde antes haviam créditos e preços protecionistas agora só tem esmolas,... e, às vezes, nem isso. Y donde antes había créditos y precios de protección, ahora sólo hay limosnas, ..y a veces ni eso.

Já para os trabalhadores da cidade as fábricas fecham e eles ficam sem trabalho, ou, abrem-se as chamadas empresas ¨maquiladoras¨, que são extrangeiras e que pagam uma miséria por muitas horas de trabalho. E então não importa o preço dos produto que o povo necessita porque, idependente de estarem caro ou barato, não se tem dinheiro. E se alguém trabalhava em uma pequena ou média empresa, já não pode mais, porque já foi fechada e comprada por uma transnacional. E se alguém tinha um pequeno negócio, pois, ou este também já desapareceu ou começou a trabalhar sob condições irregulares para as grandes empresas que os exploram uma barbaridade, e até colocam crianças para trabalhar. E se o trabalhador estava em um sindicato para exigir seus direitos legais, já não pode mais, pois agora o mesmo sindicato diz que é preciso entender os cortes de salários ou a extensiva jornada de trabalho ou quando lhes negam os direitos trabalhistas, porque, do contrário, a empresa fecha e se vai a outro país. E logo também tem essa do “microcomércio”, que é uma espécie de programa econômico do governo que põe os trabalhadores da cidade para vender chicletes ou cartões telefónicos nas esquinas. Ou seja, que também nas cidades é pura destruição econômica.

E então o que acontece é que como o povo está economicamente desgraçado tanto no campo como na cidade, muitos mexicanos e mexicanas têm que deixar sua Pátria, ou seja, a terra mexicana, e ir em busca de trabalho em outro país, que é os Estados Unidos, onde não somos tratados nada bem, mas nos exploram, perseguem-nos e nos desprezam, e até nos matam.

Então a economia não tem melhorado no neoliberalismo que os maus governos nos impõem, pelo contrário, o campo está super carente e não têm trabalho nas cidades. E o que está acontecendo é que o México está se transformando em um lugar onde uns poucos nascem e uns outros poucos morrem, aqueles que trabalham para as riquezas dos estrangeiros, principalmente dos gringos ricos. Por isso que dizemos que o México está dominado pelos Estados Unidos.

Bom, mas não acontece só isso, o neoliberalismo mudou também à classe política do México, ou seja, aos políticos, porque os transformou em uma espécie de atendentes de uma loja, que fazem o possível e o impossível para vender tudo e bem barato. Já modificaram as leis para retirar o artigo 27 da Constituição e, se pudessem, venderiam as terras devolutas e as comunais. Não foi assim por acaso? O campo mexicano está peor que nunca e os campesinos mais desgraçados que na época de Porfírio Diaz. E também disseram que vão privatizar, ou seja, vender para os extrangeiros, as empresas que o Estado detenia para garantir o bem estar do povo. Dizem que é porque não estão funcionando bem e que é preciso que se modernizem, e para isso é melhor vendê-las. Mas, ao invés de melhorar, os direitos sociais conquistados na Revolução de 1910 agora são para dar lástima... e coragem. E também disseram que tem que abrir todas as fronteiras para entrar todo o capital extrangeiro, que assim os empresários mexicanos se apressam em fazer melhor as coisas. Mas agora vemos que já nem existem empresas nacionais, todas foram engolidas pelos extrangeiros, e aquilo que estes vendem está peor do que o que era feito pelo México.

E agora os políticos mexicanos também querem vender PEMEX, ou seja, o petróleo que é dos mexicanos, a única diferença é que alguns dizem para vender tudo e outros dizem para vender só uma parte. E também querem privatizar o seguro social, e a eletricidade, e a água, e os bosques, e tudo, até que não sobre nada do México e nosso país não seja nada mais que um terreno baldio ou um lugar para que os ricos de todo o mundo se divirtam, enquanto que os mexicanos e mexicanas estarão como seus empregados, dependendo daquilo que lhes oferecem, vivendo mal, sem raízes, sem cultura, sem Pátria.

Ou seja, os neoliberais querem matar ao México, à nossa pátria mexicana. E os partidos políticos não é só que não a defendem mais, senão que são os primeiros que se colocam a serviço dos extrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, e são os que se encarregam de nos enganar, fazendo-nos olhar para um lado enquanto vendem tudo e recebem o pagamento pelo outro. E isso não vale somente para um, mas para todos os partidos eleitorais que existem agora. Tentem pensar se alguma vez fizeram alguma coisa realmente bem feita e verão que não, que foram puras trapaças e roubadeiras. E verão como os políticos eleitorais sempre têm sua casona, seus carrões e seus luxos. E além de tudo pedem que lhes agredecemos e que votemos por eles em mais um eleição. * E se nota de cara, como se diz, que é por que não têm mãe. E não têm mãe porque não têm Pátria, somente contas bancárias. E se nota de cara, como se diz, que é porque são filhos da mãe. Isso, apesar de não terem mãe porque não têm Pátria, somente contas bancárias. *pensei em por isso por que nao existe a expressao nao tem mae... nao sei traduzir essa expresso..

E também percebemos que vem crescendo muito o narcotráfico e os crimes. E às vezes pensamos que os criminosos são como aqueles que aparecem nas músicas ou nos filmes, talvez alguns até sejam, mas estes não são os verdadeiros chefes. Os verdadeiros chefes andam bem vestidos, estudaram no extrangeiro, são elegantes, não estão se escondendo, comem em bons restaurantes e saem nas colunas sociais em suas festas, todos bonitos e bem vestidos, ou seja, como costumam dizer, são “gente de bem”, e alguns até são governantes, deputados, senadores, secretários de estado, empresários prósperos, chefes de polícia, generais.

Estamos dizendo que a política não serve? Não, estamos querendo dizer que ESTA política não serve. E não serve porque não leva em conta o povo, não lhe escuta, não liga para ele, a não ser quando se aproximam as eleições, e jé nem sequer querem votos, contentam-se com as pesquisas feitas para dizer quem ganha. E então são puras promessas de que vão fazer isso e aquilo, e depois desaparecem e não voltamos a vê-los, a não ser quando saem notícias de que roubaram muito dinheiro e de que não serão punidos porque a lei, que foi feita por esses mesmos políticos, lhes protege.

Porque esse é outro problema, o de que a Constituição já está toda manuseada e modificada. Já não é a mesma que garantia os direitos e as liberdades do povo trabalhador, senão que agora está garantido os direitos e as liberdades dos neoliberais para que tenham seus abundantes lucros. E os juízes estão a serviço desses neoliberais, porque sempre se posicionam a favor deles, e aos que não são ricos lhes cabem as injustiças, as prisões, os cemitérios.

Bom, mesmo com toda essa bagunça que os neoliberais estão fazendo, existem mexicanos e mexicanas que se organizam e lutam pela resistência.

E, assim, nos interamos que existem indígenas, cujas terras estão distantes daqui de Chiapas, que exercem sua autonomia e defendem sua cultura e cuidam da terra, dos bosques, da água.

E que existem trabalhadores do campo, ou seja, campesinos, que se organizam e realizam suas marchas e mobilizações para exigir créditos e apóio ao campo.

E que existem trabalhadores da cidade que não deixam que lhes tirem seus direitos ou privatizem seus trabalhos, mas que protestam e se manifestam para que não lhes tirem o pouco que têm e para que não tirem do país aquilo que é dele, como a eletricidade, o petróleo, a seguridade social, a educação.

E que existem estudantes que não deixam que privatizem a educação e que lutam para que ela seja gratuíta, para todos e de qualidade, em outras palavras, que não cobrem, que todo mundo possa aprender e que não se ensinem baboseiras nas escolas.

E que existem mulheres que não se deixam ser tratadas como enfeite, ou que as humilhem e desprezem somente por serem mulheres, mas que se organizam e lutam pelo respeito que merecem enquanto mulheres que são.

E que existem jovens que não aceitam que lhes embrutessam com as drogas ou que lhes persigam pelo seu jeito de ser, mas que se conscientizam com sua música e sua cultura, quer dizer, com sua rebeldia.

E que existem homossexuais, lésbicas, transsexuais, e muitos outros jeitos de ser, que não se conformam que se cassoem deles, e que os deprezem, e lhes maltratem, e até lhes matem porque têm outra forma de ser que é diferente, e lhes chamem de anormais ou delinqüentes, mas que fazem suas organizações para defender seu direito à diferença.

E que existem sacerdotes e freiras e aqueles chamados seculares, que não estão do lado dos ricos nem resignados pela rezadera, senão que se organizam para estar caminhando ao lado das lutas do povo.

E existem os chamados lutadores sociais, que são homens e mulheres que passaram toda suas vidas lutando pelo povo explorado, e são os mesmos que participam nas grandes greves e ações do operariado, nas grandes mobilizações dos cidadãos, nos grandes movimentos campesinos, e que sofreram as grandes repressões, e mesmo assim, mesmo que alguns já sejam mais velhos, seguem sem se render, e andam por aí, buscando a luta de um lado para o outro, buscando a organização, buscando a justiça, e constrõem organizações de esquerda, organizações não governamentais, organizações de direitos humanos, organizações de defesa dos presos políticos e de busca pelos desaparecidos, publicações de esquerda, organizações de professores e estudantes, ou seja, luta social, e até organizações político-militares, e não se colocam mais quietos e têm bastante conhecimento, porque viram e ouviram e viveram e lutaram.

E assim, no geral nós vemos que em nosso país que se chama México, tem muita gente que não se entrega, que não se rende, que não se vende. Ou seja, que é digna. E isso nos dá muita alegria e nos deixa bem contente porque com toda essa gente os neoliberais não vão ganhar tão fácil e talvez seja possível salvar nossa Pátria dos grandes roubos e destruições que lhe fazem. E torcemos para que nosso “nós” inclua todas essas rebeldias...


V. – DO QUE QUEREMOS FAZER.

Bom, agora vamos lhes dizer o que queremos fazer no mundo e no México, porque não podemos ver tudo o que acontece no nosso planeta e ficarmos quietos, como se só agente estivesse como está.

Pois o que queremos fazer no mundo é dizer para todos os que resistem e lutam do seu jeito em seus países, que não estão a sós, que nós, os zapatistas, ainda que sejamos poucos, lhes apoiamos e vamos ver de que jeito podemos ajudar em suas lutas e falar com vocês para aprender, porque o que mais aprendemos foi a aprender.

E queremos dizer aos povos latinoamericanos, que para nós é um orgulho ser parte dele, ainda que seja uma parte pequena. Que nos lembramos bem quando há alguns anos o continente também se iluminava com uma luz que se chamava Che Guevara, como a que antes se chamou Bolívar, porque, às vezes, os povos agarram um nome para dizer que agarraram uma bandeira.

E queremos dizer ao povo cubano, que resiste em seu caminho já faz muitos anos, que não estão a sós e que não concordamos com o bloqueio que lhes fazem e que vamos dar um jeito de lhes mandar alguma coisa para sua resistência, nem que seja milho. E queremos dizer ao povo norteamericano, que nós não lhes demos as costas e sabemos que uma coisa são os maus governos que têm e que prejudicam a todo o mundo, e outra bem diferente são os norteamericanos que lutam em seu país e se solidarizam com a luta de outros povos. E queremos dizer aos nossos irmãos e a nossas irmãs Mapuche, do Chile, que vemos e aprendemos com suas lutas. E aos venezoelanos, que estamos vendo bem como defendem sua soberania, ou seja, o direito de sua Nação dizer para onde quer ir. E aos irmãos e irmãs indígenas do Equador e Bolívia, lhes dizemos que estão dando uma boa lição de história a toda América Latina, porque agora sim estão pondo um freio à globalização neoliberal. E aos piqueteros e aos jovens da Argentina queremos dizer que lhes temos afeto. E àqueles do Uruguai que querem um país melhor, que lhes admiramos. E aos que estão sem terra no Brasil, que lhes respeitamos. E a todos os jovens da América Latina, que está muito bem o que estão fazendo e que nos dá muita esperança.

E queremos dizer aos irmãos e irmãs da Europa Social, ou seja, aquela que é digna e rebelde, que não estão a sós. Que seus movimentos contra as guerras neoliberais nos alegram muito. Que observamos com muita atenção suas formas de se organizar e seu modo de lutar para tentar aprender alguma coisa. Que estamos pensando em um jeito de apoiá-los em suas lutas e que só não vamos lhes mandar euros porque eles podem se desvalorizar muito rápido com esse relaxo que está a União Européia, mas talvez lhes mandaremos café e artesania para que vendam e poçam ajudar em alguma coisa seus trabalhos pela luta. E talvez também lhes mandaremos pozol, que dá muita forza para resistir; mas não sabemos se devemos mandar porque o pozol é uma coisa nossa e vai que lhes faça mal para barriga e acaba por debilitar suas lutas e os neoliberais lhes derrotem.

E queremos dizer aos irmãos e irmãs da África, Ásia e Oceanía, que sabemos que eles também estão lutando e que queremos conhecer mais suas ideáis e práticas.

E queremos dizer ao mundo que queremos fazer dele algo grande, tão grande, que caibam todos os mundos que resistem ante a tentativa dos neoliberais de lhes destruir, já que não se entragam assim tão fácil, senão que lutam por outra humanidade.

Bom, mas no México o que queremos é fazer um acordo somente com pessoas e organizações de esquerda, porque pensamos que a idéia de resistir contra a globalização neoliberal e de fazer um país onde haja justiça, democracia e liberdade para todos, só pode existir na esquerda política. Não como agora, que só existe justiça para os ricos, liberdade para seus grandes negócios e democracia para pintar faixas com propaganda eleitoral. E porque pensamos que só da esquerda pode sair um plano de luta para que nossa Pátria, que é o México, não morra.

E então o que pensamos é que, com essas pessoas e organizações de esquerda, devemos fazer um plano para ir a todas as partes do México onde haja gente humilde e simples como agente.

E não é que vamos dizer o que devem fazer, ou seja, lhes dar ordem.

Nem que vamos pedir que votem por um candidato, porque já sabemos que todos que tem são neoliberais.

Tampouco vamos dizer que façam como agente, nem que se levantem em armas.

O que vamos fazer é perguntar como é sua vida, sua luta, o que pensam de como está nosso país e o que devemos fazer para que não nos derrotem.

O que vamos fazer é tocar o pensamento da gente simples e humilde e, talvez, encontraremos nessa gente o mesmo amor por nossa pátria que nós sentimos.

E talvez nós que somos simples e humildes podemos entrar em um acordo e, juntos, organizarmo-nos em todo o país e unirmos nossas lutas que agora estão sozinhas, separadas uma das outras, e encontrarmos um programa que tenha o que todos nós queremos, e um plano de como vamos conseguir que esse programa, chamado “Programa Nacional de Luta”, seja cumprido.

E então, dependendo do que decidirem a maioria dessas pessoas que vamos escutar, faremos uma luta com todos, com indígenas, operários, campesinos, estudantes, professores, empregados, mulheres, crianças, ancianos, homens, e com todos aqueles que tenham bem coração e tenham ganas de lutar para que não se acabe de destruir e vender nossa pátria que se chama “México” e que está entre o rio Bravo e o rio Suchiate, e que de um lado tem o oceano pacífico e do outro o oceano atlântico.


VI.- DE COMO VAMOS FAZER

E então essa é a nossa palabra simples que vai dirigida à gente humilde e simples do México e do mundo, e a esta nossa palavra lhe chamamos:

Sexta Declaração da Selva Lacandona.

E aquí estamos para dizer, com nossa palavra simples, que…

O EZNL mantém seu compromisso de cessar fogo e não fará nenhum ataque contra as forças governamentais nem contra os ofensivos movimentos militares.

O EZLN todavia mantém seu compromisso de insistir na via da luta política com esta iniciativa pacífica que fizemos agora. Portanto, o EZLN seguirá com seu propósito de não realizar nenhuma relação secreta com organizações político-militares nacionais ou de outros países.

O EZLN referenda seu compromisso de defender, apoiar e obedecer às comunidades indígenas zapatistas que lhe constituem e são seu mando supremo, e, sem interferir em seus processos democráticos internos e, na medida do possível, contribuir para o fortalecimento de sua autonomia, bom governo, e melhora de suas condições de vida. Ou seja, que aquilo que vamos fazer no México e no mundo, vamos fazer sem armas, com um movimento civil e pacífico, e sem descuidar nem deixar de apoiar nossas comunidades.

Portanto…

No mundo…

1.- Faremos mais relações de respeito e apóios mútuos com pessoas e organizações que resistem e lutam contra o neoliberalismo e pela humanidade.

2.- Na medida do possível, mandaremos apóios materiais, como alimentos e artesanias, para os irmãos e irmãs que lutam em todo o mundo.

Para começar vamos pedir emprestado à Junta de Bom Governo de “La Realidad” o caminhão chamado de “Chompiras”, no qual cabem mais ou menos 8 toneladas, e vamos enchê-lo de milho e talvez com dois galões de 200 litros cada, com gasolina ou petróleo, dependendo do que lhes convir, e vamos entregá-los na embaixada de Cuba no México para que mandem ao povo cubano como um apóio dos zapatistas para sua resistência contra o bloqueio norteamericano. Ou talvez tenha um lugar mais perto para lhes entregar, porque está muito longe ir até a Cidade do México e imagina só se o “Chompira” quebra, ia ser difícil para agente. Para isso temos que esperar que seja feita a colheita do que ainda está sembrando no milharal, e que não nos ataquem, porque se mandamos nestes meses mandaremos puro milho verde e não chegaria bem nem que fossem como tamales, de modo que é melhor esperar até novembro ou dezembro.

E também vamos fazer um acordo com as cooperativas de artesania das mulheres para mandar uma quantidade considerável de bordados para as Europas, que talvez já não estejam mais em União, e talvez também mandemos café orgânico das cooperativas zapatistas para que lhe vendam e ganhem um pouco de dinheiro para sua luta. E se não venderem, sempre se pode tomar um cafezinho para conversar sobre a luta antineoliberal, e quando fizer um pouco de frio poderam se cobrir com os bordados zapatistas que resistem muito bem à lavagem à mão e à pedra e, além disso, não se descolorem.

E aos irmãos e irmãs indígenas da Bolívia e do Equador também vamos lhes enviar um pouco de milho não trangênico e não manderamos mais coisa porque não sabemos onde tem que entregar para que chegue com certeza até vocês, mas estamos dispostos a dar essa pequena ajuda.

3.- E a todos aqueles e aquelas que resitem em todo o mundo lhes dizemos que temos que fazer outros encontros intercontinentais, ainda que seja um diferente. Talvez dezembro deste ano, ou no próximo janeiro, temos que pensar. Não queremos dizer quando, porque devemos fazer todas as decições juntos, de onde, de quando, de como, de quem. Mas que não seja um encontro de palanque, onde uns poucos falam e os demais escutem, senão que seja sem palanque, somente o plano e que todos falem, mas com ordem senão vira bagunça e não se pode entender a palavra, e com uma organização boa todos podem escutar, e, assim anotar em seus cadernos as palavras de resistência dos outros para que depois cada um possa contar aos companheiros e companheiras de seus mundos o que ouviu. E nós pensamos que deve ser em um lugar que tenha uma prisão bem grande, porque vai que sejamos reprimidos e presos, assim não teremos que estar todos amontoados, estaremos presos, isso sim, mas bem organizados, e aí mesmo na prisão poderíamos continuar o encontro intercontinental pela humanidade e contra o neoliberalismo. Então logo dizeremos como faremos para nos colocar de acordo em como vamos nos colocar de acordo. Bom, assim é que pensamos fazer o que queremos fazer no mundo. Agora segue.....

No México...

1.- Vamos continuar lutando pelos povos indígenas do México, mas não mais somente por eles nem somente com eles, e sim por todos os explorados e sem posses do México, com todos eles e em todo o país. E quando dizemos todos os explorados do México, também estamos falando dos irmãos e irmãs que tiveram que ir aos Estados Unidos em busca de trabalho para poder sobreviver.

2.- Vamos ir escutar e falar diretamente com a gente simples e humilde do povo mexicano, sem intermediários nem mediações, e, de acordo com o que formos escutando e aprendendo, vamos ir construindo, junto com essa gente que é como agente, humilde e simples, um programa nacional de luta, porém um programa que seja claramente de esquerda, ou seja, anticapitalsita, ou seja, antineoliberal, ou seja, pela justiça, democracia e liberdade do povo mexicano.







3.- Vamos tratar de construir, ou reconstruir, uma outra forma de fazer política, uma que tenha outra vez o espírito de servir aos demais, sem interesses materias, com sacrifício, com dedicação, com honestidade, que cumpra sua palavra, na qual o único pagamento seja a satisfação pelo dever cumprido, ou seja, como antes faziam os militantes de esquerda que não paravam nem com golpes, prisão ou morte, que dirá com bilhetes de dólares.

4. – Também vamos tentar começar uma luta pela demanda de que façamos uma nova Constituição, ou seja, novas leis que levem em consideração as demandas do povo mexicano, que são: teto, terra, trabalho, alimento, saúde, educação, informação, cultura, independência, democracia, justiça, liberdade e paz. Uma nova Consituição que reconheça os direitos e liberdades do povo, e que defenda ao fraco ante o poderoso.

PARA ISSO…

O EZLN enviará uma delegação de sua direção para fazer esse trabalho em todo o território nacional e por tempo indefinido. Esta delegação zapatista, junto com as organizações e pessoas de esquerda que se somarem à Sexta Declaração da Selva Lacandona, irá para os lugares a que for convidada diretamente.

Também informamos que o EZLN estabelecerá uma política de alianças com organizações e movimentos não eleitorais que se definam, na teoria e na prática, como de esquerda, levando em conta as seguintes condições:

Não à fazer acordos de cima para impor aos de baixo, mas fazer acordos para ir juntos escutar e organizar a indiganação; não à levantar movimentos que depois sejam negociados pelas costas daqueles que lhe construíram, mas tomar sempre em conta a opinião daqueles que participam; não à busca de presentinhos, posições, vantagens, postos públicos, seja este do poder seja de quem aspira a ele, mas ir além dos calendários eleitorais; não à tentativa de resolver os problemas de nossa Nação desde cima, mas construir DESDE ABAIXO E POR BAIXO uma alternativa à destruição neoliberal, uma alternativa de esquerda para o México.

Sim ao respeito mútuo, à autonomia e independência das organizações, às suas formas de luta, ao seu jeito de se organizar, aos seus processos internos para tomar decisões, às suas representações legítimas, às suas aspirações e demandas; e sim a um compromisso claro de defesa conjunta e coordenada da soberania nacional, com uma posição intransigente às tentativas de privatização da energia elétrica, do petróleo, da água e dos recursos naturais.

Ou seja, estamos dizendo que convidamos às organizações políticas e sociais de esquerda que não tenham registro, e às pessoas que se reivindicam de esquerda que não pertencem a partidos políticos registrados, a que nos reunamos, em tempo, lugar e forma que lhes proponeremos quando tivermos oportunidade, para organizar uma campanha nacional, visitando todos os lugares possíveis de nossa pátria para escutar e organizar a palavra do nosso povo. Então é como se fosse uma campanha, só que bem diferente, porque não é eleitoral.

Irmãos e irmãs:

Esta é a palabra que declaramos:

No mundo vamos a nos aproximar mais das lutas de resistência contra o neoliberalismo e pela humanidade.

E vamos apoiar, ainda que pouco, a essas lutas.

E vamos, com respeito mútuo, trocar experiências, histórias, idéias, sonhos.

No México vamos caminhar por todo o país, pelas ruínas que a guerra neoliberal deixou e pelas resistência que, entre trincheiras, nele florecem.

Vamos procurar, e encontrar, alguém que queira a estes sólos e a estes céus tanto como nós.

Vamos procurar, de La Realidad à Tijuana, a quem queira se organizar, lutar, construir talvez a última esperança de que esta Nação, que já está aí pelo menos desde os tempos em que uma águia pousou sobre um cacto para devorar uma serpente, não morra.

Vamos por democracia, liberdade e justiça para aqueles a que são negadas.

Vamos por uma outra política, por um programa de esquerda e por uma nova constituição.

Convidamos aos indígenas, operários, campesinos, professores, estudantes, donas de casa, colonos, pequenos proprietários, pequenos comerciantes, micro empresários, jubilados, descapacitados, religiosos e religiosas, científicos, artistas, intelectuais, jovens, mulheres, anciãos, homossexuais e lésbicas, crianças, para que, de maneira individual ou coletiva, participem diretamente com os zapatistas nesta CAMPANHA NACIONAL pela construção de outra forma de fazer política, de um programa de luta nacional e de esquerda, e de uma nova Constituição.

E esta é nossa palavra do que vamos fazer e de como o faremos. Agora vejam se querem participar.

E dizemos aos homens e mulheres que têm pensamento bom em seu coração, que concordam com esta palavra que lançamos e que não têm medo, ou que até têm, mas o controlam, que digam publicamente se estiverem de acordo com esta idéia que estamos declarando e, assim, vamos vendo de uma vez quem e como e aonde e quando é que se dará esse novo passo na luta.

Por enquanto pensem, lhes dizemos que, hoje, no sexto mês do ano de 2005, os homens, mulheres, crianças e anciãos do Exército Zapatista de Libertação Nacional já nos decidimos e já assinamos esta Sexta Declaração da Selva Lacandona, e assinaram aqueles que sabem e aqueles que não deixaram pista(¿!), e quanto aos que não sabem, já são menos, porque a educação já avançou aquí neste território em rebeldia pela humanidade e contra o neoliberalismo, ou seja, em terras e céus zapatistas.


E esta foi nossa palavra simples dirigida aos corações nobres e rebeldes da gente simples e humilde que resiste e se rebela em todo o mundo contra as injustiças.

DEMOCRACIA!
LIBERDADE!
JUSTIÇA!

Desde as montanhas do Sudeste Mexicano.

Comitê Clandestino Revolucionário Indígena – Comandância Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional. México, no sexto mês, ou seja, junho, do ano de 2005.

Proposta Inicial do Projeto Desenvolvido pelo Coletivo Caracol Caratateua ou Caracolteua em Belém do Pará. 2009

caracolteua

O Vídeo é esse aqui!

Em janeiro de 2009, pessoas de diferentes estados e nacionalidades se encontraram em belém, na ilha de caratateua para discutir e começar a construção de um espaço autônomo e libertário inspirado nos caracóis zapatistas. os dias mais intensos desse encontro chegaram ao fim no início de fevereiro mas um grupo de nós decidiu ficar e levar o projeto adiante: comprar um terreno, organizar espaço, equipamentos e materiais para darmos continuidade ao processo em julho.
em maio eu voltei pra belém. o terreno já estava comprado e havia estacas indicando o início da construção do nosso caracol.


Inspiradxs nxs caracois mexicanxs que funcionam como sedes para a organização de autogestão em regiões zapatistas de chiapas, pessoas de vários estados e países chegaram à belém munidxs de braços, coragem, sonhos e ousadia para colaborar na construção de uma sede com características
autogestionárias e participativas: "um mundo onde caibam vários mundos".


Fonte Blog da Kit:

terrenocaracolmonica

começos.

cortar a madeira caída, arrastar até o terreno, cavar buracos, enterrar a a madeira bem fundo e socar a terra.

terrenocaracolzaca

Para todos todo, para nosotros nada.

isaías – companheiro!terrenocaracolisaias

edmilson. ensinando muito além dos segredos da terra.terrenocaracoledimilson


sábado, 31 de julho de 2010

Definindo o Botolismo


A Lorota sobre a lenda "Boto Cor de Rosa" Maqueia a violência contra crianças e adolescente em Belém.
***************

Definindo
o Botolismo: (Vulgar) Botolismo é a prática de violência sexual muitas
vezes domestica causando gravidez indesejada comum na região amazônica
principalmente durante a passagem da infância para juventude.
No imaginário indígena, a fase da puberdade é tido como a passagem de garotos em homens guerreiros e da garota em mulher na fértil e procriadora responsável pela maternidade da aldeia. Mas nos centros urbanos este conceito rola de uma maneira nada tradicional nesta fase da puberdade, as garotas viram alvos da violência da estupidez fazendo que a vítima dentro do seu próprio lar sendo constatemente contrangida a aceitar a violência sob silêncio onde sempre a mulher é que se ferra, já que em alguns dos casos a vítima vira culpada aos olhos da mãe por "incitar" o macho por ser bonita e sugerir erotismo e assim ter provocado a violência deles e assim justificando-a.

Muitas vezes o paradeiro do genitor desconhecido e/ou velada ou deixado em segredo, cara isso é muito comum na...região amazonica do qual fazem uso do mito do ser fantástico do folclore
popular Boto "Cor de Rosa" o conquistador que encantou e engravidou as
meninas, sendo ele o pai de suas crianças do qual está em maternidade.
Este termo é de origem indígena mais ficou usual principalmente durante a
escravidão desta região para justificar o estupro de senhores que engravidavam
filhas de escravos-caboclos e não queriam reconhece-los como filhos.


A violência por aí não termina além disso ajuda na extinção da caça ao Boto por "Ajuste-de-contas" dos cornos, para colecionador e para alimentar o mito através de extração de óleo que afirma ser afrodisíaco como o "Óleo de Bota" e como simpatia para segurar macho.
Coitado dos botos por serem alvo da ignorância humana coletiva preconceituosa e regionalista.
Espero que possa receber críticar sugestões e contribuições com fim de enriquecer esta definição para ser incluida no léxico.


Veja Matérias Relacionadas:

Isca sagrada (Leia direto no Sítio )

Sobre isso no Sócio-Ambiental.

Usados como isca, botos são alvo de matadores de aluguel na Amazônia

sábado, 17 de julho de 2010

CARACOLTEUA: Passos que seguiram de Junho/Julho/Agosto ao " Desfile de Máscaras Caídas"


O Caracol Caratateua nasceu em paralelo as atividades do Fórum Social Mundial de Belém do Pará - 2009 na Ilha da Caratateua.
Ao redor da região periférica de Icoaraci a 26 Km do centro postal de Belém.
As atividades durante as discussão da Flor da Palavra 2009 Belém-PA, levava ao rumo de uma proposta concreta ser colocada em prática conforme todas as partes alí presentes e comprometidas a realização de uma construção permanente e rebelde para transformação firmadas em uma plenária geral com o fim do FSM-2009.
Um dos compromissos firmados era adquirir um terreno onde seria construído um espaço de viés de trabalho comunitário nos moldes da experiência política zapatista autonoma e autogerida e como motor da vivência e prática da novo discusso oriundo até mesmo do terceiro setor: "auto-sustentabilidade" entre outras quais "Economia Solidária" com aplicações de métodos ecologicamente viáveis das experiências de PERMACULTURA e trocas de conhecimentos durante a construção com pessoas das comunidades que alí se "Envolviam" e não como afirmara alguns maliciosos "comprometiam". Afirmaram que estariam juntos. Sempre.
O Outro Compromisso seria o retorno dos integrantes da Flor da Palavra e/ou a passagem deles para vir dar uma guinada nas férias de Julho deste ano para efetivar de vez a construção e juntas condições para disponibilização do Caracol Caratateua para atividades comunitárias.
Só que em Julho aconteceu o contrário e daí o surgimento de uma carta-manifesto "Desfile das Máscaras Caídas" como forma de repudiar a falta de compromisso e com a palavra em meio a sinais de tentar desvincurlar e abandonar o projeto e no lugar de assumir a problemática da falta de compromisso e de enganar personagens importãntes até então dedicados totalmente a isso, entra-se num verdadeiro caldeirão de invenções de tramas e calúnias, agressões tudo tampando com cortina de fumaça atrvés da responsabilização de tudo isso em apenas um indivíduo que praticamente foi resposável pela idéia do projeto, um "Bode expiatório" para afundar o Caracol e salvar o meio que serve apenas como propagandeador de resistências, e não a resistência em sí com eles pretenderam com o caracol e falharam feio com seu alheiamento com o mundo real de pessoas reais com necessidades e fatos reais.

A "Rede Flor da Palavra" desvituou então só para justificar sua saída-a direita do foco do "problema real" do abandono da Flor da Palavra a contrução e dos trabalhos da base do Caracol Caratateua neste meio tempo do prazo para terminar a primeira fase da construção.
É bom deixar claro que a rede a qual é referido aqui no texto não passa de uma panela de" Mídias Livres Diabolinux" pretenciosos que mau sabem qual é o valor e importancia que tem para o povo ter firmeza no chão da realidade que vive e sobrevive graças a essa intimidade de pés firmes para seguir caminhar perguntando todos os dias para não dizer todos os momentos em luta.

O Irônico é que mesmo as pessoas de comunidade terem percebidos durante a realização da Flor da Palavra durante o fórum o "Amadorismo" desses jovens com "Slogans" elegantes de bravatas lançadas em meio as reuniões,corajosamente entre um turbilhão de promessas e compromissos com a comunidade local de um grupo de jovens urbanos, estudantes de na maioria ser de origem de classe média desnutrida e aquém de anêmica e raquitica e mimamada que já mostravam sinais de pertubação com a entempéries do clima e do meio natural amazônico.
Além com temporadas constantes de chuva, Carapañas muito agressivos e entre outros insetos da floresta, alimentação peculiar próprio do meio para se adaptar e claro, meios de "Adquirir" estas alimentação e iguarias, as dificuldades de comunicação, transporte acesso a saúde e saneamento básico entre outro costumes e comportamentos locais a questão religiosa, gastronomica, moral, sexual etc
Adaptações bem difíceis de conquistar principalmente quando se esta longe destas mesmas mordomias, de conhecimentos de sobrevivência natural sem os artefactos da vida moderna urbanóide e seus montes de vícios como a paranóia e a neurose por exemplo, ótimos condicionates para se prender e não se perder no meio da floresta de selva de pedra com suas notáveis complicações. Adaptações que poderiam ser mais difíceis não fosse a falta de material para trabalhar na construção. Mas que também poderiam ser mais difíceis se não fosse uma compreensão mútua entre oas pessoas do "Grupo-de- fora" .O "Grupo- de - fora" seriam as pessoas que alí permaneceriam para tocar o trabalho e interagiriam com as pessoas para a construção do caracol, por isso se tornaria eles os responsáveis da formação "Coletivo Caracol Caratateua", uma instância dentro da Flor da Palavra, a ponte principal entre os elementos base e fundamentais para a viabilização do projeto ser tocado com as pessoas da comunidade que acabaram nos ajudando dando toques e revelando alguns segredos locais para uma melhor interação e vice-versa. Existe uma natureza comportamental amazônico muito diferente mas que é importante descifrar seus códigos a fim de evitar mal entendidos, constrngimentos e até mesmo notáveis e costumeiras tragédias cotidianas.

As pessoas que pertencentes as comunidades tiveram um lampejo de esperança através da seriedade da proposta ser tomado forma com a "Permanencia constante de pessoas comprometidas a construção do caracol" no local que buscaria melhores proposta de "Ofertas" no valor do terreno, trabalharia na busca de solidariedade para se manter as condições necessárias básicas para a permanencia na construção do "grupo-de-fora", o CCC, e para reunir equipamentos no caso do inicio da construção através de limpeza de terreno, mutirão e primeiras firmações de estrutura no terreno, bem como manter a segurança e a conservação desses equipamentos, integridade física dos estivessem sob passagem do Coletivo Caracol Caratateua em teporária hospedagem numa casa Base alugada. Estes também seriam responsáveis pelas orientações gerais dos que passasdem por lá para conhecer o projeto e contribuir de inúmeras formas fosse como fosse e elaborar uma política própria de administração de recusos para construçãos e de subsitência. Isso de acordo coma s condições locais de sobrevivência e de necessidade material para efetivar as atividades na construção do Caracol.
Pontes e ligações com Associações, agentes locais, Escola bosque e preservação com a conscientização local da ilha com a questão urbanização e preservação do meio através de uma atuação política popular e estudando a situação legal e jurídica da ocupação, distribuição demográfica da ocupantes e moradores daquela parte da Ilha buscando entender os meios possíveis de sobrevivência com acesso a melhorias de saneamento básicos, saúde e educação que é de alarmante urgencia combatendo assim a política de marginalização e precarização da população por meios da classe política dominante de famílias políticas bem conhecidas com aplicações ilegais de suas leis próprias de acossamento através capangas ideológicos e caciques locais a sua população responsabilizando-os pela destruição e crescimento das mazelas na ilha. É importante lembrar que a polícia destacada não é oriunda de pessoas da comunidade e sim destacada do centro sendo estes respeitosos moradores tratados de comunidade de "Malucos"(Hippies) usuários de drogas, em meio a agressão da segurança pública naquela localidade.




Pedimos Respostas com estes escritos no cumprimento de 1 ano de Julho do ano passado ao Segundo Ajuri e retorno das pessoas para finalizar o trabalho do Caracol Caratateua o compromisso de retorno das férias de julho para efetivação da segunda parte do processo que seria a viabilização da "A Contrução" e Ativação do uso do espaço do caracol e busca de condições básicas de realizar um trabalho dirigido a comunidade local no bairro da Brasilia em outeiro.
*******
Será muito importante serem enviadas cartas e também receber informativos e fanzines.
O endereço para correspôndencia do Caracol Caratateua é :
Rua Ma rechal Deodoro da Fonseca Nº 610 Outeiro-Ilha de Caratateua- Belém-PA
CEP: 66 840-970

Carta Balanço de Aniversário do Caracol Caratateua 29 de Janeiro 2010

29 de janeiro de 2010
******************************************

“As coisas ficam muito boas quando agente esquece, mas acontece que não esqueci a sua covardia” Arnaldo Antunes


Demoramos muito para escrever, pois nossa chegada por estes lados Na(PR)& Za(SP)não tem sido fácil.

Para dizer a verdade em nada chegamos desde que nosso chão desapareceu sob nossos pés. Imaginem um moluscolo como um caracol ou caramujo sem ter onde firma?

Ir para onde, onde está o sentido das coisas quando é destruída a verdade das coisas pelo qual se luta?

Não sei, só vejo o chumaço de nossas raízes plantadas e cortadas em sua base a um solo distante de nós e de todos daqui da Flor da Palavra.

Este solo onde está este chumaço cortado é nos corações donde reside uma certeza: Verdade, Amor, Esperança, Construção, Luta, Consciência e Solidariedade por um novo amanhecer. Não fazemos mais parte deste processo, pois segue os corações que seguem sem verdade, mas para aqueles que tocamos, sabemos não esquecidos e sem o carinho e amor de uma saudade que nos é privado afagar.

Acham duro o que dissemos: pois segue os corações que seguem sem verdade?


Qual é a verdade existente que todos fizemos até onde paramos? E depois?

O que além das falácias espiritualistas e imbecilóides de doutrinação burguesa reprimida que quer sua platéia para dar ouvido a suas asneiras autistas?

Depois de todo este tempo o que foi realizado em relação à construção?

Sabemos que já estamos chegando perto das madeiras da construção mostrar sinais de sua durabilidade, com este período de sol. Mais uma chuva e mais um sol, saberemos de fato se só é possível o tal vaiado nas rodas espetacularistas das seitas ecoxiítas das construções populares de alvenaria ou madeira tratada ao qual o custo não é muito diferenciado, já que uma construção em madeira de 10X20 sai numa média mínima sem mão de obra especializada por R$4.500.

Coisa que não temos apesar de que podemos rodar o mundo para difundir e se nutrir dos avanços tecnológicos dos provedores livres, verem palestras do dono do Linux em outros países ou fazer estudo de campo com o dinheiro do povo através das bolsas. Chegamos aqui praticamente sem nada e tivemos que ficar numa chácara e mal tínhamos dinheiro p/ sair de lá, só saímos quando é (era) o interesse de 3ºs.

Diante disso tivemos que sair atrás diante de nossa sombra que ficava uma situação constrangedora não para nós, mas para a consciência daqueles que se moveram pela covardia e fraqueza dos outros contra nós. Fico até com vergonha de essas pessoas terem coragem de olhar para as rochas, mato ou céu. De fato uma delas não consegue olhar nos olhos de ninguém tenta, mas se percebemos olha através da gente não para agente, é como se falasse a nossos guarda-costas e se não dissemos, “Hey! Está falando com quem? Está olhando para mim? Está se dirigindo para mim?” as coisas ficam muito psicodélicas. A questão é que o mal existe e não vem de nós, não brincamos com o mal nem com o sentimento das pessoas, pois nós somos destes do povo, somos povo não por estarem na modernidade o pobre estarem fora de moda e a vitimização em voga nas rodinhas de tagarelas acaendêmicos, somos povo e delas e por isso nos se refere tanto a consciência a um lado da balança que pesa mais do que no de alguns de vocês que fazem a festa, capta e faz mídia e divulga nas rodinhas “alternativas” e depois dá as costas a esse povo e deixa o resto com alguns burgueses e seus serviçais urubus, comerem o resto da carcaça, alguns oportunistas locais bem conhecidos entre organizações de toda a cidade. Uma militante do antigo, uma free-lance jornalista, uma das que rasgou sua carteirinha do PT e militou com o CAZ! Chamava isso de “preencher o currículo”, 3 anos depois entre escárnio e menosprezo estes vermes estão falando com chacota dessas organizações como se estivessem plenamente escolados, tsc.tsc.tsc isso é deplorável, pelo menos temos certeza de nosso ódio e visão de combate, que é a burguesia. A burguesia nacional é pior que a elite classe dominante, pois a elite tem só sua cara e sabemos quem é, mas a burguesia tem centenas de máscaras. Algumas infiltradas lidam inconscientemente com prestação de serviço a repressão, serviços de inteligência delas, algumas com magias negras, promoverem ideologia de seitas religiosas, outras usam entidades e movimentos sociais apenas para aplicarem como laboratório “experiências” com fins pessoas de cunho acaendêmico ou simplesmente para aplicar a faixada de promoção de programas em vias de experimentação para o mercado de tecnologias de baixo custo Made in U$A Rebels for life in the World. Não estou afirmando que tudo isso foi o Caracol Caratateua mas que propaganda de iniciativas do governo rolou e rola na lista isso é inegável como “Telecentro Amazônia”.

Vou confessar que eu e a dissidente principal e opositora da “Ordem Ogro”. Chegamos a discutir tal possibilidade já que prevíamos levar farelo dos integrantes da palavra que era do CMI, inclusive tem uns esboços dela em nosso poder para queimar o porta voz-principal aqui da lista, e que chegou a dar início a infame jogatina da conspiração depois da chegada de um casal dandys da burguesia de sorocaba e ajudar a causar de vez a dissidência, já que sinais tinham sido deixados nisso em meio as reuniões nas discussões onde tinha a Júh fazendo a ata e muitos já tinham ido para seus lugare na vez anterior da visita deles em suas excursões de turismo revolucionário, nossa dissidente depois de conversações constantes com eles chegou a conclusão que tinha que romper com a lista e sua iniciativa foi fazer as ligações que desarmou o camarada Robson que estava tentando articular as atividades no centro sobre mídia livre na ocasião da vinda da Foz e do Dreabs, ela dizendo que “A gente” não estava interessado em computadores e nas iniciativas burguesas de quando Foz e Dreabs supostamente estariam a caminho do caracol. Meu(Ogro) posicionamento e que tinha prioridades, mas isso não era descarte era apenas discordância metodológica, qual não tivemos tempo de aprofundar já que estavam tudo um furdunço só.(Incrível sua súbita aprendizagem e assimilações de jargões de discursos de militantes sociais que apenas eu e o Fidel sempre tivemos, os famigerados ativistas!Hergueh!)

Robson nunca escondeu e não era preciso(Pelo menos para mim) que seu interesse conosco era de através de nossa fonte articular o CMI-Belém, o que depois virou a prepotente proposta de AMAZÔNICO por carinhas conhecidos do submidialogia, é aquela galera do TACACACOMPOUCAGOMA é tudo farelo do mesmo saco.O Bom de Belém é que os passos dos Playboys de lá são facilmente rastreáveis, em sua maioria nem precisa rastrear, eles vem até a nós com sua pobreza de iniciativa e de personalidade, como aconteceu aqui na lista de alguns bufões.

Caras, CMI AMAZÔNICO? Sabem o tamanho só do Pará e do Amazonas? Imagina um suporte Belém-Rio Branco? Além disso, o norte do tocatins (araguaia) e Parte do Maranhão? E parte de Rondônia? Pô!a galera tem que parar de tomar chá de papoula ou Açaí estragado!

Não é a toa que os trotskistas e estalinistas estão tomando a UFPA, existe um latifúndio de pensamento e atitude berrante por lá! Quando não é isso é a extrema direita da pistolagem via-Barbalhos, barbarizando a população e seus heróis locais que geralmente são tombados a tercedadas ou bala pesada mesmo.

Isto que está dito é menos da metade da onda que se teve, isso dá na verdade quando se alcança algo real. Zói de lula cresce e urubu aparece para entornar o caldo.

Então vós pergunto, de tudo que se passou daquela onda toda enchendo meu saco, o que foi realizado de concreto em relação a construção que ia dar-nos suporte real para desenvolver algo efetivo para as pessoas das redondezas da comunidade?


Pegar trampo dos outros e chamar para si é fácil.(Sobre se utilizarem da boa vontade dos trabalhos de Nelma and Tucuxi)

Pegar trampo do governo e chamar para si é fácil.

(Sobre trampo do terceiro setor que rola em OuteiroEMBRAPA-QUINTAL-NET-RÁDIO-SEBO_BIBLIOTECA-ESCOLA BOSQUE)

Pegar trampo dos outros e chamar para si é fácil (Edn - Horta na Escola)

Pegar trampo dos outros e chamar para si é fácil (Ron AME- Oficina de artesanato e hospedagem de caracólicos e malucos de todos os lugares).

Então, como é que o caracol com os próprios pés?

Em quê veredas rastejam???

Minha palavra ditada com alguns moradores é que depois de dois anos passaria por aí, tempo previsto de recuperação, preparo e acertos. Será que vamos ter a base construída?

Será que me vão botar para correr?E agora vão adotar o critério restritivo?

Criticavam alguns critérios para circular na casa antes, exigindo da nossa ingenuidade que mantivéssemos abertos a tudo e a todos.

Tem idéia do risco em relação à segurança das pessoas, principalmente das mulheres de quem é visto como forasteiros num estado regionalista e sexista?

(Regionalistas e nacionalistas em qualquer lugar desse país puxam saco dos estrangeiros europeus e estadunidenses quem vem fazer biopirataria criar resorts e veder seu peixe modernet em áreas ribeirinhas(Caso do NAVEGARAMAZONIA) ou caiçaras no caso do nordeste como do ceará. (MÁFIA ITALIANA,ISRAELENSE E NORTEAMERICANA)

Bem só peço que revisem as ações, parâmetros e métodos com esse show de erros e acertos, conquistas e derrotas, o sacrifício pode servir para evitar a repetição de certas atitudes imorais e estúpidas. Voltarei aí com meus, braços, sonhos e delírios de ogro que muitos já conhecem. ERspero que para efetivar a construção geral.


Sentimos saudade. Gostaríamos de continuar a receber notícias mais concretas sobre a situação do terreno, como anda isso em relação prefeitura, etc.

Um grande e carinhoso abraço p/ AME, Tucuxi, a mãe da dona Mir,Mir e Davi, Hil, rnald, Dona Val, Ross, Zigo,Zago, seus irmãos e principalmente da filha da Ross como está a situação legal dela etc.

Ruben, Ed, Pau, CE, Fidel,

E claro, da senhora que está criando nossos e agora filhos da floresta Káli e Titã, @s gat@s andrógenos, que agüentaram tanto da nossa aflição assim como o Juan, o cão que miava e de Raul que nem teve chance de saltitar. Malditos vermes.


Falando em Verme... E o Alberto? Alguém viu? Devolveu os Cinco livros que restava que ele roubou que era de nosso acervo pessoal (ogro-Nat)além do livro do Hill?


Apareceu na quebrada este estelionatário?

O Arame Farpado, o que aconteceu com o meio kilômetro de arame farpado que compramos?

O Arame virou cerca? está aí ou foi extraviado também?


Então como anda a questão da compra dos votos? Uma festa só?É um carnaval e tanto esse, tenham estomago, vocês verão cenas fortes nas eleições.

As migalhas prometidas em troca do favoritismo no projeto da reativação do Porto Sotave? O que foi construído na entrada de Outeiro por Icoarací afinal, lá de perto de onde íamos pegar o refugo para construção? Parecia um tipo de pedágio ou o quê é então?

Bom esparmos rastejantes com saudades nos saudamos ao caracólic@s de agora em caratateua, fiquem com a certeza de que mesmo se quisessem vocês não estão sós.

Nos fortalecemos aqui para podermos voltar para dar uma mão aí e reencontrar os filhos da cabanagem.

Feliz Aniversário e Longa vida ao CARACOLTEUA!

Abraços!

Na&Za.

Leia MPEG: Um estudo na Ilha de Caratateua

Ogro Lunar em Icoaraci 2008 / 2009

Sobre o Ogro Icoaraci:

Morei em Icoaraci e outeiro e entendo bem a situação dramática de nossa juventude aí e de atores públicos escrotos e oportunistas que vampirizam com trabalhos de fachadas apenas no interesse de cabides de empregos frente a isso vale de tudo em atitudes desprovido@s moral e descabida, enquanto isso a juventude carente em total desrespeito que este abandono e descaso para com eles. vai se arrastando ao próprio aniquilamento. principalmente as centenas de jovens provind@s de ribeirinhos das ilhas ao redor que migram iludidos com o fetiche do campitalismo teletransmitida 24 hs pelos donos do poder. Participei durante um tempo nas discussões do acampamento internacional da juventude e, sei do que estou falando, conhecí uma pessoa que parecia interessante e representava a juventude indígena mas não lembro de que nação, o nome dele é Elvis. Estava na Cordenação oficial do forum.
Logo em meio as eleições as atividade para o forma incrivelmente paralizara-se.

Então decidí em me embrenhar em trabalhos de base em Icoaraci donde conhecí alguns atores que tem trabalhos comunitários como Eloi Rodrigues, Neguinho do RCI(RAP Consciente Icoaraci) que sempre correu muito atrás de espaço para fazer Half's e shows onde ele conquistou com outros jovens uma abertura do COART para realizar alguns eventos) Tomás Cruz Grupo de Carimbó dos Africanos, MOVA CI, COART, (estes dois últimos que me entristeceram muito por não haver um trabalho REAL para com os moleques da comunidade e sim mais uma associação para gringo ver e comprar, bati muito na porta deles enchendo o saco para saber quando iam dar oficina de ceramica ou grafismo em cuia já que não tinha grana para ficar me deslocando para o curro velho, único lugar onde saiba que funcionava estas atividades.) Tive até uma pequena experiência programação numa rádio pirata chamada Ver-o-mar(Pois quem não ver-o-peso, aqui Ver-o-Mar em ondas que com músicas vai te levar) e um outro programa numma rádio que não sei se tá na ativa e não vou dizer o nome por segurança...mas nosso programa chamava "Ação Jovem".
Decidí engendrar-se no Projeto Flor da Palvra em caracolteua que seria um encontro paralelo ao Oficial FSM e daí nasce as mobilizações para efetivação de um trabalho "duracouro" a construção de uma base com fim comunitário chamado Caracolteua, de inspiração zapatista a ser desenvolvido na ilha de caratateua, daí conhecemos algumas pessoas muito legais que já faziam algo de acordo com suas possibilidades e não menos interessantes entre eles alguns artesãos que fazem trabalho na comunidade de resgate da cultura de raíz dentre eles o Ronafá, muito conhecido por lá.

Carimbó e Oficina do Ronafá
-Fotos de oficina

Carimbó - Patrimônio Cultural Brasileiro: Grupo Tucuxi que faz trabalhos com jovens também e isso só no bairro da brasília.

Sobre Trabalho do Caratateua:
-Vídeo
-Fotos
-Manifesto do Coletivo Caracol Caratateua

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Caracol Caratateua Aniversário de 1 Ano: Manif. "Guerra a Burguesia Pseudo-Intelectual Higienista Parasitária da " Gauche caviar"

Parabéns ao caracol Zapatista de Outeiro

Caracol Caratateua Aniversário de 1 Ano:
Manif. "Guerra a Burguesia Pseudo-Intelectual Higienista Parasitária da " Gauche caviar"

1 ano depois de sub-escrito o manifesto da "Temporada no desfile de máscaras caídas" na vivência transformadora na Ilha de Outeiro, Belém do Pará e sua posterior contemplação na empreitada a "Guerra a Burguesia Pseudo-Intelectual Higienista Parasitária da " Gauche caviar"

Prisioneiros da Alienação: O analfabeto Político
- Bertold Brecht

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo da vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.


Partir para a Revolução é o rompimento consciente com a história mantendo o "pé" com suas raízes originárias como ponto de referência para uma transformação coerente de si mesmo com o mundo".Em outras palavras para com o seu presente. Ogro Lunar - Julho de 2010




O caracol Zapatista de Outeiro foi uma iniciativa coletiva, da rede de apoio e solidariedade ao zapatismo flor da palavra, com intuito de ser uma alternativa a política viciada dos F$M, em 2009 realizado na cidade de Belém/PA.

A idéia era a concretização de um espaço para articulação das lutas locais e recepção de voluntários vindos de outras partes trazendo suas vivências colaborando e aprendendo com a Amazônia da periferia onde se guardam os últimos tesouros de resistência cultural popular.

Durante algum tempo enquanto interessou a já manjada burguesia intelectual ativista da , enquanto rendia fotos,Ibope e pano pra manga-da-camisa bem engomada dos anarkistas de academia da Gauche caviar, sem claro dar nenhum tipo de “dor de cabeça” e nem desmanchar o penteado, se apropriaram, fizeram rebuliço e também abusaram da boa fé de quem se propôs a dar algum sangue e vida aquela iniciativa.

Com o avanço do Caracol era necessário que nos organizássemos mais, que os compromissos assumidos nas épocas festivas de F$M fossem cumpridos, pra que não fôssemos mais uma fachada ou flash, que toda população que sabe o que é ser pobre e que já esta cansada de ver manés que minar suas esperanças.
É claro que sem saber o que é se ferrar sempre espera pelo pior que normalmente vem mesmo. ( as pessoas atraem a desgraça com pensamento negativo?) o que aconteceu foi a total falta de compromisso, o descaso absoluto e como se não bastasse além das crises de amnésia dos bonitinhos, um processo de criminalização, hostigamento, desgaste e calúnias para com pessoas que simplesmente cobraram que o que foi prometido se comprisse ( e o que foi prometido? Ninguém prometeu?)


Fizeram muito para justificar a sua falta de ação, voltando total atenção a calúnias e injurias, fomos banidos do trabalho e até mesmo de acesso a qualquer informação sobre aquilo que foi um trabalho coletivo, de repente servindo apenas obscuros interesses individuais sem noção!

De todo aquele trampo agora só restam boatos, algumas declarações confusas(Quase Declaradas, já que se passou por um censor-mor).

Houve Boatos de que o terreno comprado com as doações estaria correndo o risco de ser perdido (Até para @s crentes) outros de que estaria sendo usado apenas como residência particular nunca mais sendo visto outros voluntários por La, ou atividades...

Os responsáveis nunca mais se preocuparam em dar noticias, morreu sufocada pelos carapanãs Moniketes? Ou esta muito difícil de sair do auto-grau de transcendência que alcançou através das suas meditações profundas?AAaoooooonnn......

Cara todo o trampo que foi realizado em coletivo não pode ser apropriado por uma pessoa, que desvirtua tudo faz calúnias, manipula as pessoas. É muito fácil pegar um trampo já praticamente feito, colocar uns livros no local e chamar de biblioteca comunitária.

Não se esqueça monicada que isso não é nada novidade pois Hilton, já mantem um trampo desses muito tempo antes de chegarmos La , com a sede e biblioteca da COB.

Então o que de fato nos perguntamos é se o Caracol transcendeu tanto que esta acontecendo em outra dimensão onde os nossos espíritos e de outrxs voluntarix só podem conceber... A comunicação se for por telepatia, somente com os libertários "mais libertários"....

Um compa me disse que se de fato as coisas estiverem rolando, não precisamos procurar muito, pois quem age incomoda SEMPRE.

Então se de fato o Caracol Zapatista de Outeiro está em ação porque nada se vê viabilizado em longo tempo corrente?
Se o único impedimento para que a proposta fosse adiante era devido nossa presença lá, porque agora após quase um ano de nossa "saída" o caracol simplesmente não parecesse mais existir?

Recebemos sempre notícias de quem esta na luta de verdade, que sabe que com avanço que o capital tem sobre nossas vidas, não consegue se manter comunicação e solidariedade que é a base e força de toda a resistência.

É claro que essa seria uma pergunta muito difícil de responder, se não conhecêssemos com quem estamos lidando, se não soubéssemos o que significa BURGUESIA infiltrada no meio libertário.
Pra que?

Pra tirar proveito, pra curtir, pra sugar, vampirizar... a única coisa que essa classe sem personalidade própria consegue fazer. Roubando lhes a almas com seus aparelhos:Se apropriando das lágrimas de seus sofrimentos, suas ilusões e expressões de uma forma fria e da mais sábia das covardias, vil e friamente consensuado falsamente com a intenção de faze-los acreditar está em concordância com seus sorrizinhos falsos de plásticos e bem nutrido a sucrilhos, leite com pera. O seguinte trecho de um relato de outra experiência pelos mesmos autores lá também amazônia do amazonas sintetiza isso que estamos denunciando:

Flor do Catu: território e resistência indígena 27 e 28 2009

"Pois bem , segundo a comunidade afirma eles vieram para lá e se
instalaram na residência de uma das pessoas do lugar e já estão se
achando com autoridade de estarem opinando e desarticulando as
reuniões, inclusive com agressões como chacotas, piadinhas e desvio de
focos das discussões ,assim como escárnio contra as próprias pessoas da
comunidade(Isso também é uma prática comum deles:
Adoram Brincar com a inteligência além de testar o veneno e a paciência das pessoas),
tratando-os com desdém e preconceitos, sobretudo para com a
presidente da associação, Valda e o presidente a associação de
Goianinha, welligton e os demais presentes que queriam falar e discutir,
mas que foram bombardeados com intervenções imprudentes e
infrutíferas.
Os discursos desses indivíduos foram infundados, desrespeitosos, preconceituosos e intolerantes
nos quais eram alegados o tempo inteiro que não era preciso de "identidade
nenhuma para se lutar por território" ou: "que já estava de saco cheio
com esse papo furado de identidade" e ainda que " a questão territorial
poderia ser levada adiante desvinculada da identidade"...? ;

"Essa questão da identidade é só para protelar junto ao Estado"
(Esse é o discurso oficial dos grandes fazendeiros que querem ocupar as terras indígenas em demarcação....Que sacrilégio!!!)
Não sabemos exatamente o que propõem as discussões dessa ONG Flor da
Palavra. Atitudes como essas, com certeza não
fazem parte do pensamento zapatista e nem fazem parte da prática de
pessoas inteligentes e de caráter. "
Grupo Paraupaba-MCC-UFRN

Veja este exemplo contemporaneo sobre os "mídias -ivres Diabolinux" na região amazônica:

"No entanto, a comunicação com o Descentro está sendo trágica e minando
qualquer possibilidade de esses sonhos se tornarem realidade....Em meio a mal entendidos
típicos que ocorrem por e-mail, o voluntário do descentro chegou a dizer a
um voluntário de Tefé (este questionava a falta de conhecimento sobre a
realidade de Tefé por parte do Descentro): "estagnação mental não tem
fronteiras". Pasmem! Se eu não conhecesse pessoalmente o voluntário, e não
tivesse clareza sobre o seu compromisso libertário, acreditaria que se trata
de um elitista que espera de toda a população o mesmo domínio da expressão
escrita e tecnológica que ele tem, sem imaginar que podem estar surgindo
novas formas de expressão e apropriação.

A única coisa de concreta apresentada pelo voluntário do Descentro, foi a
promessa de uma compra de passagem para o Maranhão. Poucos dias depois, esta
promessa foi cancelada. Nós que trabalhamos com extensão e ativismo nos rios
da Amazônia, sabemos que o maior erro que se pode cometer com comunidades
locais é criar expectativas e depois frustrá-las. É tocar numa velha ferida,
pois a mentira tem atingido as populações indígenas, ribeirinhas, e agora
também as urbanas ao longo dos séculos. Temos sofrido esta realidade
atualmente sobretudo com nossos políticos (com os dos outros também). É uma
pena que ideais tão lindos com os do Descentro estejam sendo associados a
este mesmo tipo de frustração.
Outra coisa que preocupa, é que em meio às "negociações" com o voluntário do
Descentro, transparece a ameaça de que a participação em eventos e mesmo o
empréstimo do transmissor não ocorrerão se não houver uma boa comunicação.
Considerando que este voluntário pouco tem feito por esta comunicação, fica
a impressão de que a condição necessária é a engulição-unilateral-de-sapos
por parte de Tefé. Sejam submissos e terão o que estão querendo"

Não podemos mais nos dar ao luxo de não ver isso, de permitir que esses parasitas continuem sempre e sempre com as mesmas práticas...sempre tentando nos confundir, vencer pelo discurso, pela aparência,pela prática sofista sempre manipulando.

Sabemos que muitos dos que hoje ganham espaço se utilizando e se apropriando das lutas populares, só fazem manter o poder (ou micro-poder das panelinhas como chamam) que seus papais e avos trazem a anos através da opressão oligarca!

O que fazem essas pseudo libertários burgueses nada é mais que o papel de estar reconcialiando as contradições, fingir que são revolucionários e impedem que qualquer idéia mais radical e critica ganhe força através da ridicularização da ações contestadoras radicais da juventude e do povo.


Fazendo uma comparação toska poderíamos comparar esses pseudo “camarada” com um vírus um HIV da vida provavelmente inventado pelos imperialistas e jogado no organismo para destruir desde dentro, ele não mata mas mina todas as nossas defesas permitindo que qualquer coisa nos derrube.

Um maldito vírus é isso que vocês boys são, não dá mesmo para ofender os vermes que de tão nobre função tem no planeta, vocês nada constroem com vida, só mantem a mesma merda de sempre impossibilitando que a rebeldia avance, que nossas formas de luta surjam.

Preferem nada fazer, fazer só cena, pois não há interesse real em mudança, fazem grandes esforços para que nada aconteça.
Tentam Calar a Boca e tirar do caminho quem não puxa-o-saco no 'Rictos' permanentes de elogios(afetados necessitam ter massagem de Ego constatemente ou senão....) ou aceita o seu papinho furado engolindo a seco.

Na hora de tirar do caminho quem incomoda eles não tem problema em ser contraditórios, não tem problema nenhum mesmo em usar os meios mais podres de defesa do estado, policia por exemplo ou até conjurar com algozes, fazerem expurgos, ignorarem comp@s. E aí pra onde foi seu idealismo camarada!?!
Saiba que vocês não enganam.

Chegaram mesmo a dizer (esse é um caso, mas há muito outros) que estaríamos em estado de paranóia profunda e que necessitávamos de “cura” e que todas aquelas ameaças de encarceramento (internamento psiquiátrico ou cadeia mesmo) era apenas para o nosso próprio BEM.
( Alguém lembra da personagem Winston de 1984, que ao começar a desconfiar e agir contra o Grande Irmão acabava encarcerado no ministério do “AMOR”).

Só que a história fala por si mesma, logo após o ocorrido conosco e com o trampo do caracol, outras falcatruas começaram aparecer como a bela cagada da Flor de Catu
E mais recente o caso da cagada no Descentro com o pessoal de Tefé .

Isso é para vocês entenderem o que passamos nas mãos desses Ditadores do Sorriso de Plástico e oportunistas. Tudo começou a ficar mais claro quando já começavam a propagar um discurso ANTI-POLÍTICO seguidores de carteirinha e de praxe do clubinho d@s Diabolinux à adoração cega ao clima de conspiração do terror obscurantista e mundo-Cão-burguesa que tem a Violência como afrodisíaco . Coisas do tipo são adorados por estes alguns: A Glamourização da prostituição, Bandido-da-luz vermelha, Quentin Tarantino, Johnny Cash, Bonnie Clyde(o tesão declarado da Monicada) e Yomangá chocolates caros e queijos(São Vegans geralmentes estes boys) em super-centers Wal Mart's como uma prática revolucionária,!!!

Enfim São Prisioneiros da alienação
como diria Brecht, dignos de nossa pena e compreensão...O CARALHO!!!

Propagandistas da alienação da consciência popular para prevalecer sua perpetuação de poder elitizante, concentrador, opressor e hipócrita!
A estratégia não muda, a tática deles é sempre o discurso da paz coercitiva.

A questão é que estes bonitinhos acreditam que podem causar SEMPRE em todo país e em outros, não tem nenhum impedimento em poder ir para 4 cantos do planeta (no caracol recebemos doações de sabonetinhos de Hotéis de países vizinhos! É o MERCOSUL do Turismo Revolucionário, Camarades!), sempre indo dar com uma mão ( fazendo os olhos do pessoal brilhar com toda sua parafernafila high-tech câmeras de filmagem e foto, laptops, e MUITO, MAS MUITO papo-furado) e tirar com várias mãos e tirar também todo o corpo fora, dizendo que não se comprometeram que não falaram que não fizeram(Claro que é quando conveniente a eles assim afirmar), que nem lembram mesmo do que estavam fazendo naquela data, ou apenas se mantém em silêncio, aparecendo somente quando convém, afinal eles tem todo direito do mundo de viver COERCITIVAMENTE EM “PAZ” de esfriar a cabeça e não ouvir reclamação. No dicionário deles não existe: efeito-colateral, Consequências, efeito retroativos.

A PAZ burguesa dinástica, que segundo eles só tem porque são competentes e mereceram, já que conseguiram com seus cargos, empregos do governo, do bolso dos pais ou outras mamatas(Mantradas) com MUITO “ESFORÇO” .

Essa PAZ de vocês é violência velada, já chega disso, que não vejo outro nome a não ser mesmo ser PUTARIA ( com todo respeito aos man@s trabalhadores do sexo).
Se essas nossas palavras só servem para destruir, pois bem, a anarquia é também destruição, coragem de romper, queimar e explodir com tudo que atravanca a luta e da força a opressão
Não é possível plantar as sementes de esperança me campo minado de erva daninha.

Terror? Terror é o que passa toda a gente a pegar busão/trem lotado, ouvir desaforo do patrão ver que o salário é curto pro mês longo e que a barriga sua e dos seus queridos não vai tardar a reclamar, que vão cortar a luz, que vai ter que arrumar uma boa desculpa pro proprietário da casa e rezar pra colar, e não virar mais um sem teto, isso quando não tem que passar maior tempo erguendo os moveis por causa dos alagamentos, passando horas e dias na fila da saúde, fila de alguma merda pra conseguir alguma miséria de beneficio...! ISSO É O TERROR.
N
ão é papo furado de boyzinho que muda isso, pelo contrario esse papo furado só tem atrapalhado e já esta mais que na hora de ter fim, não conseguem conter e sabem e tem medo que um dia um man@ no veneno venha e não se segure em apenas roubar o carrinho ou laptop e acabe por estourar o miolo de um maldito desses. Chega de ver nossos man@s ter que sujar as mãos com essa carcaça podre de vocês, não queremos ser mais uma dessas estasticas furadas que DATENA da vida adora lançar.

E difícil mas a gente insiste porque sabemos que criminosos são VOCÊS, chega de injustiça!
A ELITE E BURGUESIA SÓ SE SUSTENTAM ATRAVÉS DA VIOLÊNCIA
Chega de pseudo libertários da Gauche Caviar e burocratas burgueses minando a luta social.
Xô!
Viva A luta de classes, (lembrei de um ditado enforcar um chefe de estado com as tripas de um burguês? Não lembro ao certo)
Monicada donde estas? Até quando ira impregnar em outeiro impedindo ações reais? Vai continuar detonando comp@s que ai chegam e usando de manipulação, acusações falsas e colocando a integridade física das pessoas que querem construir algo ai em risco, de respente fez uma residência particular? Onde ninguém mais entra? Logo vc que achava que não devíamos ter casa, pois eh radicalmente contra a propriedade privada?

Mestre dos Magros querido, conferiu os depósitos as contas? Não se viu nenhuma retratação sua, de todas aquelas calúnias que fez com as nossas pessoas? Você que tão nobremente educado, não acha que merecíamos no mínimo desculpas?
(Vindo de você é um elogio.
Vindo de você faz tanto sentido!
Vindo de você eu me sinto salvo.
Salvo de você, sempre tão SUPERIOR!)

E o transmissor prometido aos seus pupilos apareceu? Ou virou mais uma vez pó branco, e você vai continuar enrolando quem confiou em você?
Mais uma vez?... Pra defender quem ou o quê?

Bjos e Abraços, continuamos SEMPRE com vocês.

Docinho
***********************************************

Feliz Aniversário Caracol Caratateua! Saudades da Comunidade Brasília!
Em breve Voltaremos quando nos for possível para continuar a luta!
Saudações Rebeldes!

DESCETRO: Cagada da rádio livre de Tefé E Flor de Catú



DESCETRO: Cagada da rádio livre de Tefé pelos "Midia-Livres Diabolinux" sob regência do Mestre dos Magros Pálidos
*********
Velhos Problemas de comunicação com Tefé - Amazonas

Maio de 2010
Amigos do coletivo Descentro,

Envio esta mensagem pela lista do Submidialogia porque não sei qual é a do
Descentro, peço que repassem à lista correta.

Os/as voluntários/as de comunicação e rádio livre de Tefé inscreveram um
projeto e foram contemplados através do Edital RadioTrans do Descentro
(embora professores universitários ajudem na rádio Xibé, é importante
destacar que este projeto não contou com a ajuda de nenhum deles, sendo de
inteiro mérito desta juventude corajosa que surpreende por seus passos novos
a cada dia!!!).

É impossível descrever a euforia desses/as jovens do Médio Solimões, no
centro da floresta amazônica, onde não há estradas e a internet jamais
ultrapassa os 100kbps, onde não há livrarias e mal se inicia a prática da
escrita enquanto algo do dia a dia das pessoas, ao receberem a notícia de
que foram contemplados no edital! (Tefé possui cerca de 70 mil habitantes, e
fica a 600km de Manaus, entre esta capital e a tríplice fronteira do Brasil
com Peru e Colômbia).

Estes/as jovens têm, nos últimos 4 anos, realizado oficinas de rádio livre e
outras mídias sistematicamente em diversos municípios da região, atingindo
escolas públicas, bairros segregados, comunidades ribeirinhas, aldeias
indígenas e muito mais... com todo este trabalho, existe hoje uma enorme
demanda represada por apoio legal e tecnológico para o início de novas
rádios livres além da já existente: a rádio Xibé.

Assim, a euforia imensa que vinha soprando pela floresta tinha dois motivos:
a possibilidade técnica de duplicar as ações de libertação da comunicação no
Médio Solimões, e as possibilidades de intercâmbio com outras experiências
distantes sinalizadas pelo Descentro e Submidialogia. É importante que se
tenha consciência que um jovem em Tefé, normalmente, jamais conhece outro
estado. Poucas vezes na vida vai a Manaus. Então a possibilidade de sair e
fazer intercâmbios é comparável ao que, em outros estados, costuma ser a
idéia de fazer viagens internacionais ou conhecer outros continentes!

No entanto, a comunicação com o Descentro está sendo trágica e minando
qualquer possibilidade de esses sonhos se tornarem realidade.

Desde que o projeto de Tefé foi contemplado, os/as jovens de Tefé estão
sofrendo as angústias de não conseguir informações e orientações sobre
quando este transmissor será enviado. Tentei ajudar a melhorar esta
comunicação, colocando um voluntário do Descentro na lista de e-mails da
rádio Xibé. Dei também a idéia de que esses comunicadores já experientes de
Tefé fossem convidados ao Sublidialogia Maranhão, até porque as passagens a
partir de Manaus estavam muito baratas (400 ida e volta). Os jovens de Tefé
foram convidados a participar do Submidialogia, e pegar lá o transmissor a
ser emprestado. Me parece que este convite ocorreria independentemente de eu
dizer alguma coisa, fiquei com a impressão de que já estava nos planos do
pessoal do Edital.

Porém, nem com a entrada do voluntário do Descentro na lista da Xibé a
comunicação melhorou. Além de a falta de informações e orientações
persistir, desentendimentos por e-mail começaram quando um jovem de Tefé,
expressando sua euforia e imensa felicidade pela possibilidade de ir ao
Maranhão com formas de escrita irreverentes por e-mail, foi mal interpretado
pelo voluntário do Descentro como se estivesse sendo ofensivo. Depois disto,
os voluntários de Tefé receberam uma mensagem em que sua participação no
Submidialogia do Maranhão ficava condicionada à seriedade e alto nível de
sua atuação, que deveria atingir o nível supostamente possuido pelo
Descentro. Depois disso a desinformação continuou.

Os/as voluntários/as em Tefé, chegando a acreditar que não teriam nenhuma
ajuda de custo para ir ao Maranhão, e que apenas com esta ida poderiam ter
acesso ao transmissor, começaram a fazer uma ampla mobilização para
conseguir os recursos para as passagens de barco e avião. Esforço que em
nada se compara ao de jovens de classe média urbana quanto tentam fazer o
mesmo. Mesmo vendo tudo isso, o voluntário do Descentro nenhuma orientação
clara forceneu. Ao contrário, conseguiu fazer uma leitura obtusa de algum
dos e-mails, chegando a acreditar que Tefé queria se apropriar
definitivamente do transmissor (sem devolver em 2 anos), e iniciou uma
discussão técnica sobre os termos e as leituras do edital. Enquanto um
voluntário de Tefé desesperava-se sem saber se pegava um barco a Manaus ou
não rumo ao Maranhão, era convidado a ler novamente o Edital.

É claro que os nervos em Tefé andaram altos. Em meio a mal entendidos
típicos que ocorrem por e-mail, o voluntário do descentro chegou a dizer a
um voluntário de Tefé (este questionava a falta de conhecimento sobre a
realidade de Tefé por parte do Descentro): "estagnação mental não tem
fronteiras". Pasmem! Se eu não conhecesse pessoalmente o voluntário, e não
tivesse clareza sobre o seu compromisso libertário, acreditaria que se trata
de um elitista que espera de toda a população o mesmo domínio da expressão
escrita e tecnológica que ele tem, sem imaginar que podem estar surgindo
novas formas de expressão e apropriação.

A única coisa de concreta apresentada pelo voluntário do Descentro, foi a
promessa de uma compra de passagem para o Maranhão. Poucos dias depois, esta
promessa foi cancelada. Nós que trabalhamos com extensão e ativismo nos rios
da Amazônia, sabemos que o maior erro que se pode cometer com comunidades
locais é criar expectativas e depois frustrá-las. É tocar numa velha ferida,
pois a mentira tem atingido as populações indígenas, ribeirinhas, e agora
também as urbanas ao longo dos séculos. Temos sofrido esta realidade
atualmente sobretudo com nossos políticos (com os dos outros também). É uma
pena que ideais tão lindos com os do Descentro estejam sendo associados a
este mesmo tipo de frustração.

Outra coisa que preocupa, é que em meio às "negociações" com o voluntário do
Descentro, transparece a ameaça de que a participação em eventos e mesmo o
empréstimo do transmissor não ocorrerão se não houver uma boa comunicação.
Considerando que este voluntário pouco tem feito por esta comunicação, fica
a impressão de que a condição necessária é a engulição unilateral de sapos
por parte de Tefé. Sejam submissos e terão o que estão querendo. Tenho a
certeza de que o voluntário do Descentro não faz isso conscientemente. Sei
do seu forte compromisso e consciência de libertário. Estou convencido que
isto ocorre porque ele não tem experiência em campo prolongada o suficiente
para compreender na prática as relações de poder que podem surgir quando se
sai dos grandes centros acadêmicos e governamentais e se lida com populações
marginalizadas.

Por tudo isso, e na esperança de que as relações entre o Médio Solimões e o
Descentro e o Submidialogia (e todos os outros coletivos que Tefé poderá
contactar com a ajuda deles) não fique definitivamente comprometida, venho
por esta solicitar que seja repensada a forma de interface com Tefé. A forma
atual não está dando certo, mas estou seguro que alguma solução será
encontrada e as feridas já abertas minimizadas.

forte abraço a todos


Conforme EditalRadioTrans:

Resultado da Chamada Pública Rádiotrans

sexto e sétimo parágrafo diz:

É necessário sublinhar que o Critério de Regionalidade foi suprimido à luz
das excelentes propostas vindas das mesmas regiões e até da mesma cidade!
Em destaque, a região norte, com o maior número de propostas, que
demonstra mais uma vez a potencialidade do meio rádio na comunicação
Amazônica, onde há bastante espaço livre no espectro radioelétrico público
e inúmeras comunidades de cultura fortemente baseada em oralidades, ao
mesmo tempo em que há mais carência de projetos de comunicação e
conectividade (banda larga, telefonia, etc).

Sendo assim, outros coletivos contemplados nesta primeira edição da
chamada pública foram a Puraque RadioPuraque disseminadora de cultura
livre e Metareciclagem no baixo amazonas e a Radio Livre Tefé ligada a
coletivos de mídia independente.


NO FINAL DESTE EDITAL:

Confira os projetos inscritos:
AssociacaoCabista - ok
EduComunidade - ok
RadioComunidadeColares - ok
RadioCubo - ok
IndependenciaOuMorte -ok
PortoVelhoCaos ok
RadioBaoba - intinerante - levar os transmissores
RadioLivreTefe - ok
RadioQueroQuero - ok
RadioPuraque - ok
RadioMapuche - ok


Premiados
Circuito Fora do Eixo: (um transmissor nômade)
RadioCubo
IndependenciaOuMorte
PortoVelhoCaos

RadioMapuche
RadioQueroQuero
RadioLivreTefe
RadioPuraque
Emissor
RadioBaoba

Suplentes:
RadioMhhob
AssociacaoCabista
EduComunidade
RadioComunidadeColares


POR FIM OLINK DO PROJETO APROVADO:

http://wiki.descentro.org/RadioLivreTefe
*********************************************

Cagada dos "Midias-Livres Diabolinux na Flor de Catú
DENÚNCIA
Grupo Paraupaba 29/08/2009 16:15

DESMOBILIZADORES "de fora" NA COMUNIDADE DOS
ELEOTÉRIO-CATU-CANGUARETAMA/RN DISFARÇADOS DE ?ZAPATISMO? tentam
boicotar reunião que discutiria os eixos temáticos que comporão a 1ª
assembléia indígena no RN em outubro próximo.
DATA: 28 DE AGOSTO DE 2009.
Com vistas a discussões prévias que vão compor os conteúdos que farão
parte dos eixos temáticos da 1ª Assembléia Indígena no Rio Grande do
Norte - organizado pelo GP- Grupo Paraupaba e pela FUNAI ? João Pessoa,
Movimento indígena ? PB, o GP por meio de dois de seus representantes
compareceu na comunidade Eleotério do Catu (assim como foi discutidos
em outras comunidades) para dar início às discussões.
Havia então, um grupo pequeno de pessoas da comunidade (em número de
oito) além de mais duas pessoas que não pertenciam à comunidade e que
estavam lá dispostas a acompanhar a reunião. Inicialmente, percebemos
que se declaravam como uma ?ONG? chamada ?flor da palavra?, que,
conforme visitamos página na internet, vimos que se trata de ?uma rede
de inspiração zapatista que pretende facilitar a criação de laços de
comunicação e de solidariedade entre povos, movimentos, grupos e
indivíduos...?, conforme assim se confere em seu texto deapresentação.
No entanto, o que pude observar ? pela curta experiência de mais de 40
dias no México no ano de 2001, acompanhando as discussões do EZLN em
várias localidades por onde a marcha zapatista se deslocou e que tive a
satisfação de acompanhar os comandantes e comandantas, assim como
ouvi-los em seus discursos ? é que esses dois indivíduos não têm nada
relacionado às idéias zapatistas. Os discursos, muito pelo contrário,
são anti-indígenas e anti-zapatistas, considerando que ao se impor um
pensamento sem respeito às próprias vozes dos atores interessados já
inicialmente não se respeita um princípio básico zapatista: ?um mundo
onde caibam muitos mundos". Depois, os zapatistas não separam a questão
da defesa territorial da identidade, muito pelo contrário, em seus
discursos (que inclusive tenho gravado na íntegra) os zapatistas
enfatizam o tempo inteiro a sua identidade Maia e suas origens
indígenas como fortes razões de luta pela dignidade, território, entre
outras questões.
Esses dois indivíduos que estão mais para ?bobos da corte?, na verdade,
não passam de desmobilizadores infiltrados na comunidade, se
aproveitando da boa vontade dessas pessoas e quem sabe? a serviço de
usineiros locais para desmobilizar, jogar uns contra os outros, como
fizeram na ocasião da reunião...
O fato é que a discussão não foi muito longe porque nós, prudentemente
tentamos não desviar o foco e não voltar as atenções para esses
indivíduos, que persistiram com agressões, zombarias e insinuações. Por
fim, tentamos discutir e encaminhar pelo menos uma nova reunião com um
número maior de participantes da comunidade e nessa ocasião se eleger
os representantes da comunidade para fazer parte da Assembléia
Indígena. Evento de grande importância para a discussão da questão
indígena local tão escamoteada e ignorada nesse Estado e que agora se
tem a oportunidade de se respeitar e de se ouvir as alteridades e suas
demandas.
Pois bem , segundo a comunidade afirma eles vieram para lá e se
instalaram na residência de uma das pessoas do lugar e já estão se
achando com autoridade de estarem opinando e desarticulando as
reuniões, inclusive com agressões como chacotas, piadinhas e desvio de
focos das discussões ,assim como escárnio contra as próprias pessoas da
comunidade, tratando-os com desdém e preconceitos, sobretudo para com a
presidente da associação, Valda e o presidente a associação de
Goianinha, welligton e os demais presentes que queriam falar e discutir
, mas que foram bombardeados com intervenções imprudentes e
infrutíferas.
Os discursos desses dois indivíduos (um homem e uma mulher) foram
infundados, desrespeitosos, preconceituosos e intolerantes nos quais
eram alegados o tempo inteiro que não era preciso de ?identidade
nenhuma para se lutar por território? ou: ?que já estava de saco cheio
com esse papo furado de identidade? e ainda que " a questão territorial
poderia ser levada adiante desvinculada da identidade?...? ; ?Essa
questão da identidade é só para protelar junto ao Estado?....
Não sabemos exatamente o que propõem as discussões dessa ONG F. da
palavra, mas o que temos como certeza é que essas pessoas agem muito
mais por conta própria e estão aí para desarticular, desmobilizar,
criar discórdias, zombar, etc. Atitudes como essas, com certeza não
fazem parte do pensamento zapatista e nem fazem parte da prática de
pessoas inteligentes e de caráter.
Propomos aqui uma discussão sobre o assunto e fica o alerta para
movimentos de infiltrados em comunidades em processos de construção de
suas identidades e de luta por seus direitos.
Agradecemos a atenção,

Grupo Paraupaba-MCC-UFRN
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2009/08/453002.shtml

domingo, 4 de julho de 2010

Continuação Nadine: "O Médico Legível"


"O médico legível"
O médico legista de nome Asthor recebeu a carcaça de Ferrer desovado pelo rabecão que o recolheu do local em que obtivera sua banal sentença de morte executado por seus algozes Tico e Teco, que por milagre não aplicara a Nadine que estava no local, semelhante sentença para apagar testemunha já que ela ficara imbecil(Estado de Choque) como se seqüestrada sua razão para outro universo, a misericórdia não é uma prática a não ser quando tem um "Código de Honra" por manter, no caso da Nadine, a situação é que seria como se ataca-se uma criança, e eles por mais filhos da puta que fossem tinham crianças e queriam bem a elas e a de seus parceiros, só querendo trucidar a dos inimigos como vira ser a justiça do "velho testamento escrito por judeus" Esse não era o caso da Nadine que cometera a burrice de ter dado atenção devido a excesso de carência e este mané que condenado pelo tribunal do criminosos por traição após Ferrer ter tentando passar-los para trás na adulteração de sua remessa de cocaína tentando lucrar paralelamente vendendo o excedente nas noitadas dos loucos da rua Augusta, qual Ferrer tinha que fazer a ponte aos receptadores fiéis do grupo que logo atestaram sua falsificação não deixado outro destino a Ferrer de ser julgado por esses doutores da lei no mundo do crime.

A carcaça de Ferrer chegara aí ao médico legista como a chegada a seu santuário onde ele era o Monge guardião. Centenas de corpos de jovens infelizes executado chegava alí mensalmente com escoriações das mais diversas. Mas a carcaça de Ferrer trazia sinais de mutilações até então novas ou desconhecidas até aquele dia por seus olhos, escalpelado vivo. Que disposição a desses criminosos! Dizia a sí mesmo com cadáveres entre-dentes, não era bem um cadáver mas ele mordiscava um big-Lanche Beirute com seu mundo de riquezas de condensada gordura e graxa... que até então só lubrificara suas artérias, ainda o não entupira de vez para dar cabo de sua vida medíocre como médico legista com um infarto fulminante causado por essas guloseimas cancerígenas.

Ele observava enquanto devorava seu lanche a carcaça de Ferrer em que raciocinava com seus olhos papudos e aguçados como de Gaviões em pleno vôo pousar sobre as as características sobre o corpo do Ferrer, realmente as características eram "nobres", cisões nobres, que só tivera visto em seus doutos livros de estudos de anatomia e estes quentes detalhes o recheara de novos e palpáveis conhecimentos, elas pareciam reluzir sobre seus olhos mortíços e cansados. Tão ricamente prazeroso quanto seu conhecimento ao seus degustar do seu Beirute. ele Adaptava suas pupilas as minúcias como se estivesse a faze-lo com uma maquina fotográfica clássica da fotografia profissional, acertando e medindo a entrada de luz no diafragma, observando com cuidado e carinho o seu objeto de observação, traços, textura, densidade de luz, contraste nos fios dos corte como se a fazer um mapa imaginário reluzente e psicodélico hielogrifados sob a couraça de Ferrer.

Que ironia, Ferrer a vida inteira engoliu dos seus que seria um inútil a vida inteira. redarguiu a seus parceiros de pelada que o escroteava como se em lugar de um sincero insulto alí esconde se a certeza de uma confissão silenciosa coletiva qual todos tinha medo de pensar por muito tempo quanto ao futuro e destino de todos nessa roda-viva, fosse a certeza de todos qual dirigia a Ferrer só para não pesar tal tormento sobre sí e atrapalha se o jogo em meio a gargalhadas irônicas frente a inocente brincadeira na quadra de futebol esburacada de seu bairro em qualquer periferia igual da cidade. "Inútil o caralho vou ser tão importante que serei motivo de estudos de gente importante, seus manés!" - respondia aos berros Ferrer;
"e aí depois disso, vou comer a mãe e as irmãs de todos vocês seus panacas!!!" e sai correndo e rindo por sua vez para fugir da malhação coletiva...
Bom, só comeria agora se fosse como os vermes antropófagos que abriria um novo ciclo de regeneração da vida.
Asthor tinha um novo desafio perante a este banquete todo, fazer seus apontamentos do que decifrara em seu caderno de anotações, desafio porque ele deparava com um problema adquirido em suas seções de Fisioterapia intensiva.

Ele recuperara de seus movimentos após um acidente vascular cerebral qual resultou numa parcial paralisação de seus membros de um lado do corpo.
Com bons resultados da sua recuperação com a fisioterapia seus movimentos voltaram ao normal, mais que normal, pois não conseguira escrever como antes, ele agora escrevia tão corretamente e legível que ele não mais compreendia em suas anotações e diagnósticos, as vezes se perguntava se ele não entendia se era sua escrita ou se o que impedira de interpretar o que ele escrevera era alguma seqüela do AVC causado em sua mente de forma não perceptiva.

O fato é que não era mais o mesmo, não conseguia ele entender por mais legível o que fosse sua escrita, ela já não era a sua escarafunchada, rabiscada, corrida e garranchosa letra de doutor como era antigamente deixando surpreso qualquer paciente que por vezes perguntava se aquela escrita era Escrita, Desenho ou outra coisa. Ele com a duvida de terceiros ficara por satisfeito, seguro de si como se um enigmático doutor sem o descobri-lo e decifrá-lo como um intocável, superior.Um deus incógnito!
Isso para ele pesava como se chegara o fim de sua brilhante carreira de Médico legista onde ironicamente o diagnosticara de "aposentado medico Legista Causa mortis por se tornar médico legível."

Mas agora não tinha mais "Letra de Médico", agora tornou-se um"Legível". Ferrer era sua chance de encerrar sua carreira sem carrergar o peso de ser um profissional vulgar, de uma vida vulgar.
E Ferrer de ter sido um importante objeto de estudo com um epitáfio a contra gosto de uma bela e legível caligrafia de doutor.

TAI: Todo Amor aos Ianques!!!

Ogro Lunar 04 de Julho de 2010